Resenha: livro "O livro dos negros", Lawrence Hill

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é “O livro dos negros”, escrito pelo Lawrence Hill e publicado no Brasil em 2015 pela Primavera Editorial.

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 “Isso, decidi, era o que significava ser escravo; você é invisível no presente, e não pode ter pretensão em relação ao futuro.” (página 165)

 Eu já havia lido algumas resenhas bem positivas sobre a obra, mas queria saber se o livro era realmente tão bom quanto diziam; por isso, assim que o blog se tornou parceiro da Primavera Editorial, solicitei "O livro dos negros", e já adianto que ele é sim merecedor de todos os elogios que recebe.

 “Alguns dizem que tive uma beleza pouco comum, mas eu não desejaria beleza para nenhuma mulher que não tivesse sua liberdade, e que não escolhesse os braços que a abraçam.” (página 14)

 O livro é narrado em primeira pessoa por Aminata Diallo, em 1802 ela era uma senhora de idade avançada (para os padrões da época) e morava em Londres, sua história era usada por um grupo de abolicionistas para tentar aprovar leis que abolissem a escravidão. E Aminata decidiu contar sua própria história, voltando no tempo e revirando suas memórias.

 “Os abolicionistas podem até me chamar de sua igual, mas seus lábios ainda não pronunciam meu nome e seus ouvidos ainda não ouvem minha história. Não da forma como quero contar-lhes. Mas há muito que amo a palavra escrita, e vejo nela o poder do leão adormecido. Este é o meu nome. Eu sou esta. Foi assim que cheguei aqui. Na falta de uma audiência, escreverei minha história de modo que esta espere, como uma fera adormecida, com um coração pulsante e pulmões que respiram.” (página 93)

 No final da infância, Aminata vivia com o pai (joalheiro) e a mãe (parteira) em uma aldeia africana. Acompanhava a mãe quando ela ia fazer um parto, e até já ajudava; o pai a tratava com carinho, talvez até a mimando como diziam alguns. Aminata era uma criança muçulmana feliz e cheia de sonhos. Até que os rumores de que aldeias próximas estavam sendo invadidas se confirmaram, e a garota e outros negros foram raptados e obrigados a andar até o litoral, onde embarcaram num navio e cruzaram o oceano a caminho da América, onde teriam que trabalhar em plantações. E esse seria só o começo da longa jornada de Aminata. Desde o primeiro instante, seu desejo era voltar para casa, para a aldeia que não existia nos mapas e que estava perdida em algum lugar do continente africano.

 As partes da obra são chamadas de livro: livro um, livro dois, livro três e livro quatro, e essa divisão realmente foi necessária, pois cada parte trazia uma fase da vida da protagonista. Inicialmente, sabendo o que viria para a vida de Aminata em sua terra natal (mutilação genital, casamento arranjado...), pensei que de qualquer forma ela sofreria, mas as provações pela qual passou após ser raptada, fisicamente e psicologicamente, foram incomparáveis. E quando parecia que tudo ficaria bem, vinha mais uma reviravolta e uma nova batalha para Aminata! Ela não desistiu apesar de tudo, poderia ter feito como muitos outros negros no navio negreiro e em outra ocasiões: desistido e se suicidado, mas sua vontade de viver e de voltar para sua terra, e posteriormente a vontade de fazer algo pelo seu povo, foram maiores. Talvez a forma como ela foi criada pelos pais tenha ajudado para que ela tivesse vontade de aprender, de saber, e muitas vezes o fato de ela ser útil tornou um pouco mais fácil e até salvou sua vida.

 “Lembro-me de que, um ano ou dois depois de começar a dar os primeiros passos, eu ponderava por que só os homens sentavam-se para beber chá e conversar, e as mulheres estavam sempre ocupadas. Concluí que os homens eram fracos e precisavam descansar.” (página 21)

 Aminata conheceu pessoas ruins no caminho, como o Senhor Appleby, dono da primeira fazenda onde ela trabalhou; mas também conheceu pessoas boas, como a escrava Geórgia, que cuidou dela nessa fazenda e lhe ensinou o que podia sobre ervas. Além disso, conheceu pessoas que variavam entre a bondade e a maldade, como Chekura, que inicialmente era um garoto negro africano quase da idade dela e que ajudava os raptores a levar os negros até os barcos, mas que descobriu que a cor da sua pele o condenava a estar no lugar daqueles a que conduzia, ou Mamed, uma espécie de capataz da fazenda, capaz de ser agressivo e também de ajudar a protagonista a aprender a ler melhor. São muitos personagens marcantes ao longo da trajetória de Aminata, Lawrence Hill soube bem como colocá-los na trama.

 "Ler era como um sonho diurno em uma terra secreta. Ninguém além de mim sabia chegar lá, e ninguém além de mim era dono daquele lugar." (página 146)

 Eu poderia ficar falando por horas sobre diversos aspectos de "O livro dos negros", e nem chegaria perto de mostrar toda a grandiosidade da obra. Mas quero que vocês entendam que realmente é um livro muito bom e recomendado. É uma leitura para se fazer aos poucos, pois a quantidade de emoções que ele traz ao mostrar as conquistas e os percalços de Aminata precisam ser ingeridos em pequenas doses. Em momento algum a história fica monótona ou cansativa, desde as primeiras páginas somos cativados. E por tudo isso "O livro dos negros" ganhou cinco estrelas em minha avaliação no Skoob e se tornou meu favorito, mesmo tendo alguns erros de revisão.

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 Sobre a parte visual: foi meu primeiro contato com uma obra da Primavera Editorial e minha avaliação foi positiva. A capa é muito bonita (mais linda que as estrangeiras) e a escolha das cores e fontes me agradou bastante. As páginas são amareladas (excetuando-se as que marcam a mudança das partes) e a diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 “Durante as longas noites de solidão, eu tinha tempo para pensar e me espantava o fato de que os bons homens brancos não permaneciam sãos por muito tempo. Todo homem branco que queria ajudar os negros a ‘se levantar’, como Clarkson gostava de dizer, seria impopular perante os seus pares.” (página 309)

 Fica aqui o meu agradecimento ao Lawrence Hill por ter escrito a obra e à Primavera Editorial por tê-la publicado no Brasil. É uma publicação muito importante para que possamos compreender melhor uma parte triste da história da humanidade. É uma história de ficção, mas com muita pesquisa e verdade, Aminata é uma junção de incontáveis negros que foram arrancados de seu território, tiveram sua cultura estraçalhada e se tornaram escravos de outros seres humanos. O Brasil não aparece no livro, a história se foca mais no Hemisfério Norte, mas é uma leitura que também serve para nós, já que também tivemos escravidão em nosso solo, e creio que as condições dos escravos aqui eram semelhantes. É uma leitura válida também para que repensemos como, ainda hoje, os negros são tratados, na questão do racismo e do preconceito. Para que se tornassem escravos, tiveram sua humanidade negada, e ainda hoje algumas pessoas se sentem melhores ou mais inteligentes que as outras por causa da cor da pele, e isso tem que mudar.

 Recomendo que vocês leiam o livro assim que possível, ele não é muito caro e vale cada centavo (juntem moedinhas num cofrinho, peçam de presente, mas adquiram o livro, tenho certeza que vai valer a pena). É uma história forte sim, emocionante, que vai causar revolta ao ver até onde vai a maldade humana, mas também tem seu suas partes divertidas, partes que vão te ensinar coisas novas e tem a Aminata, que certamente entrará para sua lista de personagens inesquecíveis. Talvez para leitores mais novinhos tenha cenas um pouco pesadas, mas creio que quanto mais cedo compreendermos certas coisas, melhor.

 Detalhes: 408 páginas, ISBN-13: 9788561977696, Skoob (média de notas: 4,9/5). Onde compra online: Amazon, site da editora, Fnac, Saraiva (use o cupom AMOCUPOM para ter 10% de desconto), Submarino, Americanas.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha de hoje. Alguém aí já leu ou conhecia "O livro dos negros"? Já leram alguma outra obra com a temática da escravidão?


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Lançamentos de Maio: Editora Selo jovem

Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho mostrar os livros lançados pela Editora Selo Jovem em maio:

Azul de Lear Autora: Roberta Prado
Azul de Lear
Autora: Roberta Prado
Páginas: 232
Categoria: Romance
Compre na loja da editora: de R$ 33,00 por R$ 26,99 ou R$ 25,64 no depósito

Sinopse: Bella é uma mulher independente que faz da vida um grande momento. Apaixonada por Alexandre, ela se entrega ao sentimento e começa a viver uma grande história de amor, porém, com uma descoberta repentina de uma doença que pode lhe tirar a vida, Bella se torna uma pessoa fechada, causando muitos problemas e conflitos. Numa tentativa frustrada de guardar esse segredo ela começa viver na solidão afastando cada vez mais as pessoas que lhe amam.

Mas com o passar do tempo ela se vê sozinha e terá de correr contra o tempo para consertar todos os seus erros, e quem sabe, viver em paz.

Um enredo de traição, um romance repentino e uma amizade afetuosa poderá se transformar em uma linda história de amor e perdão.

O véu entre mundos Autor: Vinícius Fernandes
O véu entre mundos
Autor: Vinícius Fernandes
Páginas: 208
Categoria: Fantasia e aventura
Compre na loja da editora: de R$ 33,00 por R$ 23,99 ou R$ 22,79 no depósito

Sinopse: "O andarilho sorriu satisfeito mais uma vez. Aquele não era o seu mundo. Tudo ali era muito diferente do que aquilo com que estava acostumado. Mas isso não significava que já não tivesse visto aquelas coisas antes. Ele estudara por muito, muito tempo.
E agora finalmente conseguira.
Havia cruzado a barreira entre dois mundos."

Nós não estamos sozinhos no Universo.

Quando Alice Limberger e seu namorado, Marco, têm um estranho encontro com uma fada no parque do Ibirapuera, suas vidas e a de todos os moradores da cidade de São Paulo começam a mudar da noite para o dia. Portais sobrenaturais se abrem misteriosa e aleatoriamente em diversas regiões, ocasionando no sumiço de pessoas e no aparecimento de seres que até então só existiam em livros infantis. Como e por que esses portais estão aparecendo, Alice não consegue explicar, mas descobrirá que é apenas o começo de uma reação em cadeia na qual ela está envolvida no centro de tudo.

Fragmentos da Alma em Papel e Tinta Autor: Pedro Silva
Fragmentos da Alma em Papel e Tinta
Autor: Pedro Silva
Páginas: 110
Categoria: Poesia
Compre na loja da editora: de R$ 26,00 por R$ 22,00 ou R$ 20,90 no depósito

Sinopse: Por onde andei,
Pelos campos, Pelas vilas,
Pelos corredores extensos e salas vazias,
Nas manhãs quentes, Nas tardes frias,
Por entre o povo, ou na deserta cidade hibernal e sombria,
Eu vi o tempo e os contratempos,
O sofrimento e a alegria,
E cada cena, cada beijo,
Cada desfecho da vida,
Gravou em minha memória e em minha alma uma história,
Que coloco hoje em suas mãos em forma de poesia,
É que ao fim de cada dia,
Deixei-me levar, por longos anos,
Por pensamentos e memórias,
Mergulhei no insondável oceano,
Que há nos singelos olhos,
Profundos de quem amo,
E nos acordes do piano,
Perdi-me de forma sucinta,
E deixei escapar pelos olhos,
Um pingente de dor, um fragmento de minha alma,
Sobre o papel e a tinta.

Descendentes Autor: Geean Maicon
Descendentes
Autor: Geean Maicon
Páginas: 276
Compre na loja da editora: de R$ 35,00 por R$ 29,00 ou R$ 27,55 no depósito

Sinopse: Destruída, abalada e quase sozinha...
É assim que Kaya se sente após a morte misteriosa do pai, mas descobrir que não está na Terra é ainda pior. Tentando sobreviver em um lugar inóspito, assustador e que esconde monstros atrás de cada árvore, ela descobre que sua vida nunca foi normal, que seu passado é apenas uma ilusão e que tudo pode piorar quando ela encarar a sua verdadeira identidade de Descendente.

“Eu sou uma Ladra, junto com meu pai roubo coisas para sobreviver e somos praticamente felizes nessa ditadura anti-dons. Nesses tempos de crise onde vivo é difícil continuar escondida nas sombras, pior ainda é  sobreviver como a ‘última’ da espécie”.

Angellore A Divina Conspiração Essência – Vol. 2 Autor: Gabrielle Venâncio Ruas
Angellore A Divina Conspiração Essência – Vol. 2
Autor: Gabrielle Venâncio Ruas
Páginas: 364
Compre na loja da editora: de R$ 38,00 por R$ 30,99 ou R$ 29,44 no depósito

Sinopse: Enigmas. Monstros. Escuridão. Nas últimas semanas, essas palavras se tornaram parte da realidade de Sophie, principalmente após ter ficado frente a frente com a morte. Apesar disso, ela tenta seguir sua rotina, dividindo o tempo entre o emprego numa livraria, a faculdade e Nicolae, o misterioso colega de curso que subitamente entrou em sua vida.

Uma sucessão de novos acontecimentos, porém, muda de vez os rumos de seu destino: o rapaz desaparece, sonhos e visões passam a inquietar suas noites, e, para agravar ainda mais a situação, os khaos voltam a caçá-la, agora mais implacáveis.

Olívia, por sua vez, finalmente está perto de desvendar a grande incógnita que cerca os crimes investigados ao longo de sua carreira. Com ajuda de um misterioso angellore e de Daniel, seu parceiro no departamento, ela reúne informações valiosas sobre os casos, mas sua missão está apenas começando: ainda resta revelar a identidade do assassino e impedi-lo de transformar Sophie em mais uma vítima.

Com a ocorrência de um novo assassinato, os envolvidos nessa teia obscura terão de evitar que os planos dos lordes da escuridão se consolidem, e, para isso, Sophie deve descobrir qual é o segredo guardado em sua alma e de que forma ele pode afetar céu, inferno e Äelysio.


 Me contem: qual dos lançamentos vocês gostaram mais? Eu achei todos interessantes. Para conhecer mais sobre a Selo Jovem é só acessar o site: www.selojovem.com.br.


Até o próximo post!
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Resenha: livro "A jogada do século", Michael Lewis

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "A jogada do século", escrito por Michael Lewis e publicado no Brasil pelo Selo Best Business da Editora Record.

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 "Depois disso, algo mudou em Eisman, porque ele parou de procurar briga e começou a buscar um entendimento maior. Perambulou pelo cassino de Las Vegas incrédulo diante do espetáculo à sua frente: sete mil pessoas, e todas pareciam encantadas com o mundo em que viviam. Uma sociedade com profundos e graves problemas econômicos que manipulava dados para disfarçá-los, manobras cujos principais beneficiários eram os intermediários financeiros. Como era possível?" (página 191)

 Confesso que decidi ler o livro por ter um filme bastante comentado baseado nele ("A grande aposta", que eu não assisti), pela capa que chamou minha atenção, e também por gostar de me arriscar a ler coisas diferentes, como um livro sobre uma crise econômica.

 Em "A jogada do século", Michael Lewis pesquisou e veio contar "a história do colapso financeiro de 2008", que se originou nos Estados Unidos e acabou afetando outros países. Além disso, Michael apresenta a história de algumas pessoas que perceberam que a crise viria e encontraram uma forma de ganhar milhões com essa percepção.

 Tentando explicar muito resumidamente o que aconteceu: bancos financiavam casas para pessoas que não tinham condições de pagar, transformavam esses financiamentos de longo prazo em títulos que poderiam ser vendidos para outras empresas, e quando ninguém mais queria comprar esses títulos por serem empréstimos de alto risco, eles eram maquiados para que os riscos parecessem menores e assim eram vendidos; além disso ainda havia os seguros desses empréstimos e os juros.

 "Era como se as regras financeiras básicas tivessem sido suspensas em resposta a problemas sociais. (...) para manter a ficção de que eram empresas lucrativas, elas precisavam de cada vez mais capital para criar mais e mais empréstimos subprime". (página 36)

 O fato é que ninguém parecia interessado em saber se as pessoas teriam ou não condições de pagar esses empréstimos (bem que algumas pessoas tentaram avisar), o que as financeiras queriam era fazer mais e mais contratos do tipo, para ter mais "mercadoria" para vender.

 Chegaria uma hora em que as pessoas não conseguissem mais pagar seus financiamentos (entre outras coisas, por causa dos juros), e o sistema ia ruir. As pessoas perderiam suas casas, o que não seria um prejuízo milionário para cada uma delas, mas quem tivesse comprado esses financiamentos transformados em títulos ia ter que arcar com prejuízos enormes, só que ninguém pensava nisso, ou quase ninguém: pequenos grupos de pessoas, alguns com experiência na área, alguns com uma inteligência elevada e alguns sortudos, perceberam o que estava acontecendo e decidiram apostar contra o sistema, tentaram prever quando a quebra aconteceria e apostaram todas as suas fichas para ganhar milhões!

  "A jogada do século" tem uma linguagem relativamente complicada para quem não se interessa ou não gosta de economia, mesmo que o autor tenha suavizado algumas coisas, ainda há alguns termos que podem dificultar a compreensão do leitor desabituado ao tema no início. Mas o que me fez querer continuar lendo (e creio que o mesmo tenha acontecido com outros leitores), foi o fato de a situação parecer tão absurda, com um cheiro tão forte de fraude, que eu queria ler mais um pouco e ver as grandes instituições financeiras quebrando a cara, para ver se aprenderiam a ser menos gananciosas e a parar de tratar a vida de milhares de pessoas como se fossem brinquedos, além da curiosidade de saber se os que apostaram contra o sistema iriam se dar bem ou não.

 "Os vendedores de títulos diziam e faziam qualquer coisa sem medo de serem denunciados a alguma autoridade. Os negociantes de títulos poderiam explorar informações privilegiadas sem se preocupar se seriam pegos ou não. Os técnicos em títulos poderiam sonhar com valores mobiliários cada vez mais complicados sem se preocupar muito com regulamentação governamental - motivo pelo qual tantos derivativos haviam se originado, de uma forma ou de outra, dos títulos." (página 88)

 "Ou seja, como os bancos de investimento de Wall Street de algum modo enganaram as agências de classificação para que abençoassem pilhas de empréstimos ruins; como isso permitiu o empréstimo de trilhões de dólares a cidadãos comuns; como estes obedeceram satisfeitos e contaram as mentiras necessárias para obter os empréstimos; como a máquina que transformara os empréstimos em títulos supostamente sem risco era tão complicada que os investidores pararam de avaliar os riscos; como o problema tinha crescido de forma que o final tendia a ser cataclísmico e deixar profundas consequências sociais e políticas." (página 288)

 Mudando um pouquinho de assunto, vocês sabem que agências de classificação de risco rebaixaram a nota do Brasil recentemente, né? Será que ainda se deveria confiar nessas agências depois do que elas fizeram (ou deixaram de fazer) na crise de 2008? Ou será que elas melhoraram depois de 2008?

 Num geral, eu gostei do livro, foi uma leitora mais rápida e ágil do que eu imaginava, mas que me fez ter que prestar bastante atenção para não perder o fio da meada. Não tenho vontade de ver o filme, pois só de ler a sinopse me pareceu ter personagens bem diferentes do livro, o que é compreensível por se tratar de uma história real e de um tema que inicialmente não parece muito adaptável, mas foi justamente na hora da escolha de como apresentar e do que mostrar sobre os personagens que Michael Lewis  fez a sua grande jogada, tornando a leitura possível e interessante para todo tipo de leitor: Michael faz com que Eisman, Danny, Vinny, Burry, Charlie e os demais apostadores contra o sistema se tornassem interessantes para mim, por suas personalidades, histórias de vida e bom humor.

 "Quando eles viram que Lippmann havia colocado Eisman bem ao lado do idiota, tanto Danny quanto Vinny pensaram a mesma coisa: 'Essa não. Isso não vai acabar bem'. Eisman não ia se conter. Ele descobriria que o cara era um idiota e deixaria isso claro. E depois, o que aconteceria? Eles precisavam de idiotas; somente os idiotas assumiriam a outra ponta de suas operações. Eles queriam continuar operando. 'Não queríamos que todo mundo soubesse o que estávamos fazendo', disse Vinny. 'Éramos espiões em uma missão em busca de fatos.' Eles observavam Eisman mergulhar seu edamame duas vezes no molho de soja comunitário - duas, três, quatro vezes - e esperavam o momento em que o negócio iria explodir." (página 174)
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Passa para cá minha estrelinha então, rsrs! Há algumas notas de rodapé no decorrer dos capítulos.

  Sobre a parte visual: a capa nova, adaptada do cartaz do filme para essa terceira edição lançada em 2016, ficou bem mais bonita que a capa da primeira edição. As páginas são amareladas, a diagramação tem margens, espaçamento e fonte de bom tamanho. Não me lembro de ter encontrado erros de revisão, e tenho que comentar que os títulos de cada capítulo são super criativos.

 "A CDO era, na verdade, um serviço de lavagem de crédito para os residentes da classe média baixa norte-americana. Para Wall Street, era uma máquina que transformava chumbo em ouro." (página 100)

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Fica a dica para quem quiser entender melhor o que aconteceu em 2008, e a sugestão para que vocês sempre procurem variar as leituras de vocês, que se arrisquem a ler algo diferente e que possa ampliar a forma como vocês enxergam o mundo. Me contem: quem aí já conhecia o livro ou viu o filme?

 Detalhes: 318 páginas, ISBN-13: 9788576845058, Skoob. Onde comprar online: Submarino (edição antiga), Saraiva (edição nova).


Até o próximo post!
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Resenha dupla: livro "Max e os felinos", Moacyr Scliar

 Olá pessoal, tudo bem? A resenha de hoje será dupla, eu e a Anne, colaboradora do blog, combinamos de ler um livro que tínhamos em comum, "Max e os felinos" do Moacyr Scliar, e depois postarmos nossas impressões sobre ele. Foi bem legal poder fazer isso, pois era um livro que ganhei em um sorteio da editora L&PM (e é meu único com capa dura) e já faz tempo que estava parado na estante.

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Edição capa dura

O Autor

 ANNE: Quando eu estava no colégio, era obrigada a ler Moacyr Scliar - primeiro por ele ser um escritor judeu e gaúcho, depois por ser tio de uma colega de sala minha. Não lembro quais obras tive que ler, mas acho que foram três, incluindo "O exército de um homem só". Não lembro nada da leitura. Eu não gostava dos livros dele, pois apesar de serem livros curtos, era custoso para mim lê-los. Então rolava ainda um "trauminha" de Moacyr Scliar, quando peguei "Max e os Felinos” para ler, mas hoje em dia, já adulta com 30 anos, talvez eu gostasse um pouco mais do estilo dele.

 MARIA: "Max e os felinos" foi meu primeiro contato com a escrita do Moacyr Scliar (Porto Alegre, 23 de março de 1937 - 27 de fevereiro de 2011), até então eu só sabia o nome de uma ou duas obras escritas por ele.

O Livro

 ANNE: Além de esperar não gostar (devido ao trauma), esperava que a história do livro fosse similar ao enredo de "As aventuras de Pi", o filme. Esperava também que a história fosse sobre um protagonista judeu (como é costume do autor) e que a metáfora dos felinos fosse claramente sobre o nazismo, mas não foi o que tive. A história é rápida, um romance de formação desde a infância do Max na Alemanha até sua chegada e vida no sul do Brasil.
 A edição que eu li, apesar de ter a mesma capa da edição da Maria, não era capa-dura e era em versão pocket.


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Edição da Anne
 MARIA: Talvez pelas minhas expectativas sobre a obra serem bem diferentes do que eu encontrei (eu esperava algo mais fantástico ou leve e menos "adulto"), talvez pelas escolhas feitas pelo protagonista, eu não tenha torcido tanto por ele nem me sentido muito conectada a ele, ou, ainda, por ser um livro curto para uma história que se passa num espaço de tempo longo (e de leitura rápida, com a narração em terceira pessoa mas bem focada no protagonista).


Os Personagens
 ANNE: Max é o protagonista da trama, conhecemos ele adolescente e ele vai envelhecendo com o passar dos anos na trama. Ele não é judeu e sua infância é diferente da de Pi. Achei estranho mas nenhum personagem me cativou. Nenhum teve muito tempo para isso, além de Max e não gostei de Max desde o começo. Apesar disso, Max é um personagem bem construído e sua personalidade é bem marcada no livro.

 MARIA: Aconteceu o mesmo com os demais personagens, talvez se a obra fosse mais extensa eu tivesse tido mais tempo de me afeiçoar a eles, o pai de Max foi um que inicialmente não gostei, mas depois essa minha má impressão sobre ele foi diminuindo.


A Trama
 MARIA: A história é narrada em terceira pessoa e conta sobre como a vida de Max, de certa forma, sempre esteve atrelada a felinos. Quando criança, na Alemanha, o pequeno Max tinha um medo enorme de um tigre empalhado que ficava na loja do pai. Quando jovem, foi obrigado a fugir de seu país na época do nazismo, veio num navio para o Brasil, mas o navio afundou em circunstâncias suspeitas e Max ficou perdido num barquinho no meio do oceano, até que um jaguar pulou no barco com ele e o rapaz teve que aprender a conviver com o bicho. Já no Brasil, foi uma onça que entrou em seu caminho. Minha opinião sobre a obra é a seguinte: foi inferior as minhas expectativas. A leitura é fluida sim, mas ao final ainda ficam várias questões em aberto, perguntas para as quais não obtive respostas. O fato de eu estar um pouco cansada no momento de livros que falem sobre o nazismo, talvez também tenha pesado.

ANNE: O motivo pelo qual Max teve de fugir da Alemanha, ao meu ver, foi muito fraco. Não me convenceu e assim como esse ponto, o motivo do naufrágio do navio que o levava para a América foram muito fracos. Essa foram minhas maiores decepções durante todo o livro.
 A história na verdade é considerada pelo próprio autor uma novela, não um romance. eu queria que as partes acima tivesse sido mais desenvolvidas, mas numa novela e/ou em contos, as histórias são diretas assim mesmo.
 Uma questão forte no livro Max e os felinos é a chegada de Max no Brasil e como ele se aclimata no Rio Grande do Sul, primeiro na capital e depois na Serra. Conhecendo bem a história do meu estado, a vida de Max nesse momento muito se parece com o estilo de vida que os imigrantes tiveram no início até meados dos século XX nos estados do sul do Brasil, que ajudaram a formar. Muitos italianos e alemães vieram para no Rio Grande do Sul e principalmente em Santa Catarina.
 O livro menciona questões históricas brasileiras como um desfile do movimento integralista em Porto Alegre e também cita vários pontos reais da cidade de Porto Alegre: bairros, ruas e pontos turísticos, sem explicar muito sobre nenhum deles, somente destacados pelos olhos de quem os conhece.


Comparação com "As Aventuras de Pi"
 ANNE: Achei interessante que o livro trazia uma introdução e uma "explicação" do próprio autor sobre a questão de o livro ter sido plagiado pelo autor de "A vida de pi", livro que originou o filme "As Aventuras de Pi".  Compreendi que Scliar não parece ter se incomodado muito com o tal plágio, pois deu visibilidade ao seu livro. O que ele diz - e eu concordo -  é que o autor do Pi poderia ter entrado em contato com ele e informado que utilizaria sua ideia em Max e os felinos para escrever uma história com uma premissa parecida com a do seu livro, coisa que outros autores fazem e ele teria apreciado.
 Comparando o filme de Yann Martel e o livro de Scliar, o que posso dizer é que eles são bem parecidos e bem diferentes em vários pontos. O fato é que não é possível separá-los completamente. O filme de Pi é bem mais vibrante e trata basicamente do que houve na infância do personagem título e durante o momento do naufrágio, e o livro de Scliar aborda rapidamente o momento do naufrágio e desenvolve bastante a vida do personagem Max na chegada ao Brasil após o desastre.
 As motivações dos felinos em ambas as obras para mim também pareceram bem diferentes ainda que ligadas. Não vou entrar em muitos detalhes sobre isso, pois estragaria o final do filme para quem ainda não o viu e talvez o livro também. Os felinos do livro de Scliar, ao meu ver não são apenas os fantasmas do nazismo, porque os felinos aparecem na vida dele ainda na infância, quando ele nada sabia sobre isso, então eu relaciono os felinos de Scliar a algo mais profundo que isso, dentro de Max. Para saber o que, só lendo...
 Recomendo muito o filme, com fotografia linda e uma história intrigante e divertida. O livro também é interessante, mas não foi melhor que o filme, para mim. Nesse caso, a criatura saiu melhor que o criador.

 MARIA: Eu não li o livro nem vi o filme, mas nessa edição da L&PM de 2013 tem um artigo interessante do próprio Moacyr Scliar sobre a questão.

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A diagramação da edição em capa dura tem páginas amareladas, margens grandes, letras e espaçamento de bom tamanho.

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Sumário da obra, onde é possível ver que a história vai da página 33 até a 128.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado dessa resenha em formato diferente e que ela tenha proporcionado uma visão maior sobre a obra. Quem aí já conhecia o livro ou o autor? Quem ainda não conhece o blog da Anne, vá lá fazer uma visita: www.asletrasdaanne.blogspot.com.

 Detalhes: Skoob (média de notas: 3,5/5, minha nota: 4/5), ISBN-13: 9788525428035. Onde comprar online: Submarino, Submarino, Saraiva.


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Resenha: livro "A máquina de caminhar", Cristovão Tezza

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "A máquina de caminhar", escrito pelo Cristovão Tezza e publicado pela Editora Record em 2016.

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 Em "A máquina de caminhar", estão reunidas 64 crônicas escritas pelo curitibano Cristovão Tezza, que foram publicadas originalmente em uma coluna semanal do jornal Gazeta do Povo (o autor escreveu mais de 300 crônicas para a coluna durante quase 6 anos). Pelo fato de a coluna ter um tamanho fixo, todas os textos tem quase o mesmo tamanho: menos de duas páginas. E eles estão organizados por temas, no final de cada um consta a data em que foi publicado, o que ajuda a situar o leitor na época em que foi escrito (o que é muito útil, já que alguns tem uma notícia como ponto de partida). Só por essas 3 características, "A máquina de caminhar" já é um livro de crônicas diferente de todos as outras obras do gênero que eu li. Acrescente aí o fato de haver algumas ilustrações.

 Eu gostei muito de "A máquina de caminhar" e é um livro que eu recomendo a leitura. Não concordo com tudo o que o autor diz, mas a cada texto lido, a presença do escritor se faz mais forte, é como se ele estivesse conversando com o leitor. Há originalidade, há identidade, há alguém (com um jeito bem curitibano de ser) que colocou no papel as suas ideias, mesmo quando dizia não saber o quê escrever.

 Seria impossível citar todas as crônicas que eu gostei, teria que falar de mais da metade do livro, assim como seria difícil escolher minha preferida, já que muitas me agradaram. O autor fala sobre política, o Brasil, as novas tecnologias (especialmente a internet) e como elas mudaram a vida das pessoas, o tempo (seja pelo tédio que aparece quando temos ele sobrando, seja para voltar ao passado), sobre a arte de escrever e também sobre suas leituras, entre outras coisas.

 A crônica "A violência na internet" traz situações pelas quais todo internauta certamente já passou, seja por se tornar "empregado" do banco, seja ao se deparar com comentários maldosos, e também nos ajuda a refletir sobre a violência no país, que pode começar a ser erradicada se pensarmos mais no que vamos escrever ao comentar sobre algo:
 "Hoje somos nós que viramos todos funcionários dos bancos, trabalhando de graça aos sábados, domingos e feriados, fazendo pagamentos, transferências, aplicações, docs e o que for preciso – e o incrível é que achamos isso maravilhoso." ("A violência na internet", página 39)

 "Fi­­quei impressionado com a violência dos comentários, o grau de agressividade, o pri­­marismo argumentativo, o desejo de ferir – enfim, a estupidez pura e simples em que tanto o bom como o mau domínio da escrita se mesclam com o desejo de sangue a qualquer custo." ("A violência na internet", página 40)

 "As estatísticas mostram que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, e no conforto da classe média tendemos a achar que isso é um problema distante. Mas, no escurinho da internet, vemos que o país real está muito próximo e mostra os dentes em toda parte." ("A violência na internet", página 41)

 Essa questão da violência é tratada de forma leve, mas certeira, violência que teve um de seus períodos de maior expressão em nosso país na recente ditadura militar:

 "Ou, muito pior ainda, quando a simplificação mental nos leva a achar que, no descalabro geral, 'só a força resolve' – o Brasil viveu duas décadas de ditadura e até hoje não se recuperou dela, afundado na prepotência, na incompetência, na falta de projetos ou no simples terror de Estado." ("Terraplanagem política", página 45)

 "Comparar o monumental poder do Estado – a gigantesca máquina do governo, controlando Exército, Marinha e Aeronáutica, mais todas as polícias do país – com a ação de meia dúzia de guerrilheiros, ou idealistas, ou terroristas, ou delinquentes, ou idiotas, ou lunáticos (o leitor faz sua escolha), além de vítimas avulsas, como Herzog ou Rubens Paiva, presos e assassinados, como se se tratasse de uma 'guerra' – e em que espécie de guerra é preciso desmembrar os mortos e fazê-los desaparecer nos rios? –, é torturar mais uma vez a inteligência do cidadão." ("O Estado e o cidadão", página 158)

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 Cristovão Tezza também parece gostar de compartilhar suas leituras, é quase um blogueiro literário, ele tem o hábito de ler mais de um livro por vez, como conta em "Leituras Disparatadas" e "Solidão Lunar" (onde ele fez uma maldade que não se faz com um leitor: começou a contar o que acontece em um dos contos do livro "As crônicas marcianas" e não terminou! Me deixou super curiosa para saber o que acontece e agora vou ter que colocar mais um livro na minha extensa lista de desejados! Mas talvez ele nem se lembre mais de como termina a história, já que passaram o cinco [roubaram] no exemplar dele [se bem que foi ele quem emprestou para alguém que nunca devolveu, quem nunca?]). E em "O que está acontecendo com a literatura brasileira", ele aponta algumas causas para o fato de, aparentemente, a literatura nacional estar sendo menos valorizada que a estrangeira nas últimas décadas, tais como a saída recente de uma ditadura e o aumento do número de alfabetizados, um debate que sempre rende.

 E o Cristovão Tezza ainda tem umas ideias bem legais, tipo exportar os presos do superlotado sistema penitenciário brasileiro para as prisões suecas que "por falta de planejamento" ficaram vazias e sem utilidade, ou ainda, a ideia de criar um Ministério das Crônicas, já são tantos que um a mais não faria diferença, além de ser importante, já que uma boa crônica pode mudar seu dia!

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 Sobre a parte visual: a edição está ótima! A capa dá a impressão de ser um papel dobrado, amassado; as cores, figuras e fontes foram bem escolhidas. Na diagramação, margens, letras e espaçamento tem bom tamanho. As páginas são amareladas. Há algumas ilustrações, pequenas mas muito significativas. E eu creio que não haja nenhum erro de revisão!

"palavras são como pessoas; quando você pega raiva de alguma, você quer distância." ("A vingança dos revizores" página 99)

 Enfim, fica a dica de um livro que vocês merecem ler (e também uma sugestão para presentear) independente da idade que tenham! Seja para se divertir ao se identificar com o autor ou pelo seu senso de humor e suas ironias, seja para refletir sobre algum assunto importante da sociedade, seja para aprender alguma coisa nova. "A máquina de caminhar" é um livro que eu tenho certeza que vai trazer algo de bom para o leitor! Leiam!

 Detalhes: 192 páginas, ISBN-13: 9788501104694, Skoob. Onde comprar online: SubmarinoSaraiva.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já conheciam o livro ou o autor? Gostam de crônicas?


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Resenha: livro “Um passado sombrio”, Peter Straub

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é “Um passado sombrio”, escrito por Peter Straub e publicado em 2016 pela Bertrand Brasil.

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 “Nunca ignore avisos vindos de suas entranhas agitadas.” (página 266)

 O livro é narrado por Lee Harwell, um escritor que quer descobrir o que realmente aconteceu com seus amigos há mais ou menos 40 anos. Em 1966, Lee estava no Ensino Médio e tinha um pequeno grupo de colegas de escola (todos adolescentes como ele): a garota Eel, e os garotos Dill (Olson), Boats e Hootie (que se diferenciava dos outros dois por seu ar angelical e aparência infantil). Até que surgiu Spencer Mallon, mais velho que eles, dizia ser um guru e ter viajado por países exóticos, onde aprendeu algumas coisas sobre a vida e estava em busca de discípulos, estudantes universitários, para um experimento impactante. Para Lee, Mallon não passava de um charlatão, que se aproveitava da curiosidade e inocência dos estudantes, mas seus amigos ficaram encantados por Spencer e pelo fato de poderem adentrar no mundo dos estudantes da universidade, e passaram a ir em encontros com ele, encontros dos quais Lee decidiu ficar de fora.

 Eis que chegou o dia do tal experimento, do tal ritual que Mallon faria. Lee não foi, mas lá estavam presentes os seus 4 amigos, uma namorada de Mallon e dois outros garotos da universidade (era uma dupla bem sinistra; um deles em especial seria um dos motivos que levariam Lee a querer investigar o acontecido). O fato é que o tal ritual acabou com um garoto desaparecido, outro morto e com o corpo dilacerado por algo que não pôde ser definido. Do restante do grupo, cada um seguiu um rumo, de forma que Lee só continuo mantendo contato com Eel, vindo a se casar com ela.

 “- Eu não entendia o objetivo de fingir ser estudante universitário. Principalmente Hootie, pelo amor de Deus! E o guru de vocês cheirava a merda para mim. – Durante alguns segundos, observei Olson comer. Depois cortei o hambúrguer gigantesco ao meio e dei uma mordida na meia-lua suculenta. – Mallon jogou uma maldição em todos vocês, incluindo minha mulher.
 (...)
 - Jesus, você ainda está estranho com relação a isso. Isso ainda te aborrece. – Ele balançou a cabeça, sorrindo. – E você realmente acha que existe diferença entre uma benção e uma maldição? Eu ficaria espantado se você achasse.” (página 110)

 Quase 40 anos depois, alguns fatores despertaram em Lee a vontade de descobrir o que realmente aconteceu na noite do ritual, um evento do qual ele não participou, mas que afetou diretamente a vida de seus amigos e a sua também. Eel se recusava a dar detalhes do ocorrido, mas de certa forma, acabou ajudando seu marido a entrar em contato com seus antigos amigos e, depoimento após depoimento, Lee foi montando o quebra-cabeças daquele dia de 1966, do período em que Mallon esteve por perto e do seu próprio passado.

 “Um passado sombrio” ganhou o prêmio Bram Stoker Award em 2010; Peter Straub, além de amigo do Stephen King, já escreveu dois livros com ele, inclusive há comentários do King na capa e na contracapa. Eu não sei ao certo se posso classificar o livro como um livro de terror, ou se seria de horror e suspense. O fato é que não leio muitos livros do gênero mas decidi me arriscar e ler, e gostei dele! Não foi algo assustador (ou talvez eu tenha não me deixado assustar), mas diversos elementos foram fazendo com que eu fosse gostando da trama ao longo da leitura.

 Primeiramente, me identifiquei com Lee, um adolescente que não acompanhava os seus amigos em tudo e acabava ficando de fora de alguns acontecimentos. E a descoberta do que realmente aconteceu vai acontecendo aos poucos, através do ponto de vista de cada um. Talvez essa descoberta nos prenda ao longo da leitura e nos faça continuar lendo, mas paralelamente a isso, os personagens vão nos cativando. A cada página, vamos conhecendo o Lee, a Eel, o Hootie, o Dill e o Boats, e vamos imperceptivelmente nos afeiçoando a eles, de forma que parece que a volta da amizade do grupo se torna tão importante quanto o mistério sobre o que aconteceu e o que matou um dos garotos da faculdade. Queria mencionar ainda que um dos personagens é cego.

 A escrita do autor também me surpreendeu com seu frescor, eu esperava algo bem mais sisudo. Especialmente o trecho abaixo, onde Hootie é descrito, me lembrou dois livros (e dois personagens) que li recentemente (e que me encantaram): o Charlie de "As vantagens de ser invisível" do Stephen Chbosky e a Jacinta de "Incrível" da Sara Benincasa:

 “Era assim que Hootie era: quando se olha uma foto de grupo, especialmente um retrato de uma porção de pessoas fazendo alguma coisa como caminhar pelo campo ou conversar num bar, sempre se pode localizar alguém que está mentalmente afastado, divertindo-se com o espetáculo à sua frente. Desencavando coisas, como diria Jack Kerouac. Às vezes Hootie gostava apenas de se recostar e, bem, desencavar o que acontecia ao seu redor.
 Posso dizer que Hootie Bly era bom sob todos os aspectos. O cara não tinha uma célula ou mesmo um osso mesquinho ou cruel em seu corpo.” (página 20)

 Como ponto negativo, diria que inicialmente a alternância entre o uso do nome, do sobrenome e do apelido dos personagens me confundiu um pouco, por exemplo: Dill, Dilly e Olson eram a mesma pessoa. O fato de nem todas as suspeitas serem totalmente esclarecidas (como quem era aquele cara no aeroporto) não é algo que eu apontaria como negativo, acabou não fazendo tanta diferença, foi só mais uma forma de fazer com que o leitor se sentisse mais próximo de Lee.
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 Sobre a parte visual: talvez a capa tenha me influenciado a querer ler “Um passado sombrio”, achei ela bem bonita, tanto na escolha das cores quanto na escolha das fontes. A diagramação está boa, com margens, letras e espaçamento de bom tamanho. As páginas são brancas e encontrei alguns poucos erros de revisão.

 Detalhes: 392 páginas, ISBN-13: 9788528620481, Skoob (minha nota: 4/5). Onde comprar online: Submarino, Americanas.

 Enfim, ainda há muita coisa que eu poderia falar sobre a obra, vários pontos sobre os quais eu poderia comentar, o que mostra que certamente há algo com o qual o leitor vai se identificar ou se interessar em "Um passado sombrio", mas acho que o principal já foi dito e espero que vocês tenham gostado da resenha de hoje. Me contem: alguém aí já leu ou conhecia o livro ou o autor?


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