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Resenha: livro "A mulher com olhos de fogo", Nawal El Saadawi

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "A mulher com olhos de fogo", escrito pela egípcia Nawal El Saadawi e publicado no Brasil em 2019 pela Faro Editorial.

 "Todos vão morrer um dia. Eu prefiro morrer por um crime que eu cometi do que morrer por um dos crimes que vocês cometeram." (página 151)

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 "Quantos anos da minha vida se passaram antes que eu me tornasse realmente a dona do meu corpo e de mim mesma, para fazer o que eu bem entendesse? Quantos anos da minha vida se perderam antes que eu arrancasse a mim mesma e o meu corpo das garras das pessoas que me mantiveram em seu poder desde sempre?" (página 108)

 A autora é uma psiquiatra feminista. Seu livro "A mulher com olhos de fogo" é baseado no relato que ouviu nos anos setenta, numa prisão, de uma mulher condenada à morte por assassinato. Depois de semanas de insistência, Nawal conseguiu que a mulher lhe contasse sua história pouco antes do momento da execução.

Resenha: livro "Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil", Duda Porto de Souza e Aryane Cararo

 Olá pessoal, tudo bem? Nesse 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a resenha é para comentar sobre minha experiência de leitura com "Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil",  livro escrito por Duda Porto de Souza e Aryane Cararo e publicado em 2018 pela Editora Seguinte.


 Quando você pensa em pessoas que marcaram a História do nosso país, os nomes que lhe surgem na mente são de homens ou de mulheres? Quais os nomes femininos que estão registrados nos nossos livros de História e nos são apresentados na escola?

Resenha: livro "Mulheres & Meninas"

 Olá pessoal, tudo bom com vocês? No post de hoje venho comentar sobre a minha experiência de leitura com a antologia "Mulheres & Meninas", organizada pela Rô Mierling e publicada pelo selo Antologias Brasileiras da Editora Illuminare em 2015.

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 A obra reúne poesias, crônicas e contos que trazem mulheres e meninas como tema. Eu, como mulher, me identifiquei com diversos textos, e me encantei com vários outros. Falarei sobre alguns deles, os que me chamaram mais a atenção, pois se fosse falar sobre todos o post ficaria enorme. Já destaco também a diversidade de autores, de vários cantos do país e que seguem as mais variadas profissões, mas tem em comum o amor pela escrita.

 "Simplicidade", escrito pela Olivia Gondim foi o poema que mais gostei, ao retratar sem o uso de rimas uma mulher que se considera simples.

 "Perfume? Lavanda cítrica - Doce já é a vida." (página 96)

 Marianna Perna participa da antologia com alguns contos belos, poéticos e fantasiosos, mas o que mais me encantou foi "A garota das tranças de serpente". Nos dois trechos abaixo, talvez vocês entendam o motivo:

 "E, quando se sentia aflita, a sábia menina-mulher imaginava que de sua barriga voavam, arrebatadas, borboletas de todas as cores possíveis, para chegarem aos céus irmãos. Foi em uma dessas suas férteis pinturas noturnas que ela mirou para cima e repentinamente foi tomada pela recordação estrondosa de que sue eterno caso de amor era com as estrelas. Elas concordaram, enviando uma alegre chuva de meteoritos de vários minutos. Como se suas preces fossem ouvidas e finalmente atendidas." (página 77)

 "A garota procurou por tanto tempo mundo afora, que se esqueceu de olhar mundo adentro." (página 77)

 E o último texto que quero destacar é "Loop", escrito pela Aléxya Cristal Lima. E é um conto que TODA GAROTA DEVERIA LER!

 Ele traz como protagonistas duas irmãs, uma já na fase final da faculdade, e uma com quinze anos. A de quinze está saindo com amigos mais velhos, entre eles um cara que a mais velha conhece bem e sobre quem tenta alertar a caçula, mas a caçula, se achando adulta, acaba não dando ouvidos.

 É uma situação que infelizmente acontece na vida real. Quantas vezes, quando somos adolescentes, não queremos ouvir conselhos de pessoas próximas e mais experientes, talvez apenas por serem pessoas com quem convivemos e que não temos como exemplo; achamos que somos especiais e que nada daquilo vai acontecer com a gente... O conto também serve como um alerta sobre o funcionamento da sociedade machista em que vivemos, onde homens adultos se aproveitam de adolescentes com metade da sua idade.

 Alguns trechos:

"- Não é porque você consegue usar um salto alto que você se tornou uma mulher" (página 12)

 "- (...) eu sou madura para a minha idade, sei lidar com esse tipo de situação e acredito que ele sabe que tem que me respeitar.
 - É exatamente isso o que ele quer que você pense.
Ela me olhou por alguns instantes, depois levantou-se e voltou a aplicar a maquiagem, como quem desiste de discutir. Suspirei, tentando me acalmar e lembrando-me do quanto é difícil manter uma conversa em tom paternalista com alguém na idade em que ela está. Eu sempre odiei estar na posição de alguém que recebe conselhos, mas eu tinha que continuar.
 - Ju, eu não duvido que você seja madura pra sua idade, mas ele é mais experiente que você nesse aspecto. Não seria exatamente uma relação justa, meu bem. Nem mesmo seria uma relação." (página 12)

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 "Mulheres & Meninas tem uma das capas mais bonitas já publicadas pela Illuminare! A diagramação traz letras, margens e espaçamento de bom tamanho. Páginas amareladas e poucos erros de revisão completam a edição. Como as antologias da editora tem um número limitado de exemplares, não sei se ainda é possível encontrá-los para comprar. Mas se você tiver oportunidade, leia "Mulheres & Meninas", é uma leitura rápida e provavelmente algum dos textos vai te tocar.

Detalhes: 116 páginas, ISBN-13: 9788568904176, Skoob.

 Por hoje é só, me contem se gostaram da resenha. Me contem: já conheciam o livro ou algum dos autores presentes na obra?
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Resenha: livro "A Senhora de Wildfell Hall", Anne Brontë

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "A Senhora de Wildfell Hall", escrito pela inglesa Anne Brontë. Publicado pela primeira vez em 1848, sob o pseudônimo masculino de Acton Bell, a obra chegou a ter partes cortadas em edições posteriores por mostrar as diferenças de poder entre homens e mulheres na sociedade da época. Em 2017 a Editora Record publicou a edição integral, sem cortes, que eu venho resenhar para vocês.

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 Sobre a história: Gilbert Markham é o narrador. Ele era um rapaz de vinte e poucos anos, que cuidava da fazenda deixada pelo pai. Morava com a mãe e dois irmãos pouco mais novos: Rose e Fergus. Perto de sua fazenda, havia um antigo casarão que pertencia ao Sr. Lawrence (um rapaz mais ou menos da idade de Gilbert): Wildfell Hall. Quando esse casarão recebeu novos moradores, só se falava nisso no povoado onde Gilbert morava, ainda mais pelo fato de a casa ter sido alugada pela jovem viúva Helen Graham, que foi morar lá apenas com seu filho de cinco anos de idade (Arthur) e uma criada.

 Entre um passeio no campo, um bate-papo sobre um livro, brincadeiras com o pequeno Arthur, Gilbert acabou se aproximando da Senhora Graham. Na verdade, ele estava encantado por ela, apaixonado. Mas por qual motivo Helen negava-se a aceitá-lo como um possível pretendente se todos os indícios apontavam que o interesse era recíproco? Em meio a isso, rumores sobre a origem da Sra. Graham começaram a ser espalhados no povoado. Seriam verdadeiros esses boatos e Gilbert teria se enganado completamente sobre a mulher por quem havia se apaixonado?

 Para tentar elucidar essas questões, Helen permitiu que Gilbert lesse o seu diário, para que pudesse entender como, até anos antes, ela era uma jovem alegre e cheia de vida, e o que tinha acontecido para que ela precisasse ir morar numa casa isolada e em más condições, tornando-se tão séria e reclusa. Parte das descobertas de Gilbert eu vou compartilhar com vocês, o restante vocês precisaram ler para compreender quais segredos Helen guardava.

 Relação com os dias atuais: Mesmo tendo sido escrito no século dezenove, "A Senhora de Wildfell Hall" ainda apresenta aspectos que podem ser vistos nos dias atuais. Ainda há garotas de dezoito anos que, como Helen, acreditam que podem mudar um homem, que o amor que sentem e a sua força de vontade bastará para transformá-lo e afastá-lo dos vícios. E, infelizmente, ainda há homens como o pai de Arthur, que se recusam a crescer, a assumir as responsabilidades que tem com a família, ainda mais com a sociedade aplaudindo seus atos, dizendo que "homem é assim mesmo", que "homem pode". Isso gera relacionamentos abusivos.

 "- Por-que, minha querida, a beleza é uma qualidade que, assim como o dinheiro, em geral atrai o pior tipo de homem; e, portanto, é provável que traga problemas para quem a possui. (...)
 - Bem, eu não serei descuidada nem fraca.
 - Lembre-se de Pedro, Hele! Não se vanglorie e fique aleta. (...) Se se casar com o homem mais bonito, mais talentoso e mais superficialmente agradável do mundo, mal sabe a desgraça que vai se abater sobre você se, no fim das contas, descobrir que ele é um depravado indigno, ou mesmo um tolo inútil.
 - Mas o que farão os pobres, tolos e depravados, tia? Se todos seguissem seu conselho, o mundo logo acabaria.
 - Não tema, minha querida! Os tolos e os depravados sempre encontrarão parceiras enquanto tiverem tantos equivalentes no sexo feminino. Que você siga o meu conselho. E isso não é assunto para brincadeiras, Helen. Lamento que esteja tratando dele de forma leviana. Acredite, o matrimônio é algo muito sério." (página 140)

 Nos dias de hoje, se uma mulher é agredida pelo seu companheiro, ela tem leis que a protegem e pode trabalhar para cuidar dos filhos que tiver. Mas era diferente na época de Helen, fazendo com que as mulheres tivessem que continuar num casamento onde sofriam violência física e psicologica, e ver seus filhos sendo deseducados pelos pais sem ter poder para intervir. Há cenas de agressão no livro: um homem nobre agredindo sua esposa e ninguém podia fazer nada, ela só podia rezar e torcer para que ele um dia melhorasse. Um tipo de comportamento comum na sociedade da época, mas que os editores que censuraram trechos da obra (em sua maioria, homens), não gostariam que fosse mostrado por "denegrir os homens em geral".

 "- (...) sua tarefa é ser feliz, e a dela é fazê-lo feliz." (página 65, um dos absurdos que a mãe do Gilbert dizia para o filho a respeito dos casamentos na época, onde a esposa deveria viver em função do marido)

 Outro ponto bem visível é como as mulheres eram tratadas como seres sem opinião, com pretendentes insistentes que não desistiam mesmo quando a moça dizia com todas as letras que não queria se casar com ele, mas ele continuava insistindo e dizendo que esse casamento seria o melhor para ela, e nos dias de hoje ainda é possível presenciar casos onde a opinião da mulher é ignorada, como se ela não fosse capaz de saber o que é melhor para si.

 Clássico e romance de época: "A Senhora de Wildfell Hall" pode ser classificado como um clássico, pela época em que foi escrito, e também como um romance de época. Eu recomendo bastante ele para os fãs de romances de época, já ressaltando que, por ele ter sido em um outro século, não são descritos em detalhes as partes mais íntimas de um relacionamento, mas é muito bom para quem gosta de ver como eram os costumes da época, as reuniões, as conversas. A tradução foi bem feita, preservando o estilo de escrita da época mas sem colocar termos difíceis ou em desuso, podem ler sem medo!

 Narração: Gilbert começa a narrar como se estivesse escrevendo uma carta para um amigo, contando-lhe finalmente sobre seu passado, com a narração alternando depois para os trechos do diário de Helen e voltando novamente para Gilbert. Num primeiro momento, eu estava gostando mais da narração feita por Gilbert, mas depois, quando me aprofundei nos relatos de Helen, me vi tão envolvida quanto nos outros trechos. É visível a diferença entre as pessoas com quem Gilbert convivia, numa vida bem mais simples, onde todos se conheciam e conversavam, se chamando pelo primeiro nome, e as pessoas com quem Helen convivia, muito mais presas às convenções sociais, o que acrescenta um outro empecilho ao relacionamento dois dois: a diferença de classes sociais.

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As páginas 40 e 41 tem trechos tão interessantes que resolvi fotografar as duas, ao invés de tentar copiar apenas algumas citações. Clicando na imagem ela será ampliada e vocês podem ler.
 A edição da Record traz uma capa discreta mas bonita, boa revisão, páginas amareladas, diagramação simples com letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 "- (...) Sim; me causou um dano que nem você, nem ninguém jamais poderá reparar: destruiu o frescor e a esperança de minha juventude e transformou minha vida num deserto! Mesmo que eu viva cem anos, jamais irei me recuperar dos efeitos desse golpe terrível, nem jamais o esquecerei! Daqui em diante... está sorrindo, Sra. Graham! - disse, parando de falar abruptamente, com minha declaração furiosa interrompida por sentimentos inexprimíveis ao ver que ela sorria diante da descrição da ruína que causara.
 - Estava? - perguntou ela, erguendo o rosto com uma expressão séria.  - Não me dei conta. Se estava sorrindo, não foi de prazer ao pensar no mal que lhe causei. Deus sabe que a mera possibilidade de isso acontecer me atormentava. Foi de alegria por ver que você tem sentimentos e alma, e graças à esperança de não ter me enganado por completo em relação aos seus méritos. Mas os sorrisos e as lágrimas são muito parecidos para mim: eles não se limitam a um sentimento em particular. Muitas vezes, choro quando estou feliz e sorrio quando estou triste." (página 135, Gilbert, em seu momento dramático e sensível)

 Anne Brontë me fez odiar com todas as forças o pai do Arthur (que chegava ao ponto de definir seu filho, um bebê, como alguém de "completa inutilidade" e "imperturbável estupidez") e seus amigos, me encantou com as peculiaridades dos personagens que moravam no povoado de Gilbert, me fez gostar dele, com seu jeito inocente, o que é muito importante num romance, e me fez admirar a determinação de Helen, uma verdadeira heroína, pois eu não teria aguentado algumas provações que ela suportou. A maioria dos 53 capítulos são curtos, visto que seriam as cartas escritas por Gilbert, o que nos ajuda a querer ler "só mais um capítulo" para descobrir o que acontecerá em seguida. Enfim, eu gostei muito de "A Senhora de Wildfell Hall" e recomendo a leitura.

 Detalhes: 504 páginas, Skoob, ISBN-13: 9788501080691, leia um trecho. Onde comprar online: AmazonSaraivaCuriosidades: Anne é a irmã caçula da Charlotte (autora de Jane Eyre) e da Emily (O morro dos ventos uivantes), após conhecer a escrita de uma das Brontës, já quero ler todos os livros das outras irmãs. Anne morreu aos 29 anos, vítima da tuberculose. As três irmãs precisaram adotar pseudônimos masculinos para que suas obras fossem publicadas. "A Senhora de Wildfell Hall" é considerado o primeiro romance feminista.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam a obra? Conseguem imaginar o segredo de Helen? Já leram e recomendam algum livro das irmãs Brontë?


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Até o próximo post!

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Resenha: filme "Mad Max: Estrada da Fúria" (2015)

 Olá pessoal, tudo bem com vocês? FINALMENTE assisti o filme "Mas Max: Estada da Fúria"! Na época do lançamento dele, só se falava em Mad Max, e eu fui ficando cada vez mais curiosa para ver, e esses dias ele estava passando na TV e eu resolvi ver, e foi tão "UAU!" que eu tinha que escrever sobre o filme aqui.

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E ESSE OLHAR DA FURIOSA!!!

 A história se passa numa outra época, talvez num futuro distópico, onde Furiosa, a personagem de Charlize Theron está em fuga numa máquina de guerra, para tentar libertar um grupo de garotas de Immortan Joe. Furiosa quer levá-las para um lugar melhor. Porém, Immortan Joe não está disposto a libertá-las e parte numa caçada atrás dela. Enquanto isso, Max (Tom Hardy) foi capturado e usado como "bolsa de sangue", e está tentando escapar. Ele acaba se juntado à Furiosa na fuga e no combate contra Immortan Joe.

O Nicholas Hunt de "Meu namorado é um zumbi" (já resenhado no blog) também está no elenco.

 É um filme de ação, no deserto. Então, aguardem por muitos combates, com muita areia e armas estranhíssimas. Eu estava vendo o filme deitada no sofá, mas teve uma hora que eu tive que me sentar para poder ver melhor, pois estava ficando meio tonta com tanta ação! Confesso que perdi os primeiros minutos do filme, e que não sabia que havia outros três "Mad Max" lançados décadas antes dele, o que talvez me ajudasse a entender melhor a história, mas no final acaba não fazendo diferença, pois o mais bacana de "Mad Max: Estrada da Fúria" é conhecer os personagens!

Immortan Joe
 Quem não fugiria de Immortan Joe??? Max até tenta seguir só, mas a solidão parece perigosa para ele, ter um propósito (no caso, auxiliar Furiosa em sua fuga) faz com que ele não surte. A Furiosa é uma personagem incrível, não sei os motivos de ela não ter parte de um braço, mas ela é tão forte! Tem também um personagem bem jovem que busca uma causa para servir, e foi bom vê-lo doando sua vida por algo que realmente valia a pena lutar.

 Uma das coisas que me fez querer ver o filme, mesmo achando a história esquisita pelos trailers que tinha visto, era o fato de todo mundo dizer que era um filme que mostrava a força das mulheres. E foi por isso que eu assisti, e é por isso que eu recomendo o filme, por mostrar como as mulheres podem ser fortes, inteligentes e poderosas, como podem cuidar uma das outras e lutar, mesmo quando parecem frágeis. Que muitas mulheres possam se inspirar em todas as personagens femininas de "Mad Max: Estrada da Fúria"! E que parem de acreditar que são fracas ou incapazes, ou que tem que seguir um padrão de beleza imposto para serem respeitadas ou admiradas. Foi legal ver como o fato de as mulheres serem poderosas não impedia elas de trabalharem em equipe com os personagens do sexo masculino, sem que obrigatoriamente houvesse um romance.

 Fica a minha super recomendação para que vejam "Mad Max: Estrada da Fúria", mesmo que não gostem de ação, vale a pena conferir personagens tão interessantes e tão bem interpretados e convincentes num cenário de encher os olhos (não que o deserto seja bonito, mas o filme tem uma fotografia muito boa). Vocês precisam conhecer a Furiosa!!!

 Agora, alguém me explica que loucura era aquela daquele cara tocando guitarra no meio dos combates???



 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já viram o filme? Querem ver? Eu acho que tem ele no YouTube, não tenho certeza.

Até o próximo post!

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Resenha: livro "O ano em que disse sim", Shonda Rhimes

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "O ano em que disse sim", escrito pela Shonda Rhimes e publicado pela Best Seller em 2016.

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 Shonda Rhimes é a mulher responsável pelas séries Grey's Anatomy, Scandal, Private Practice e How to Get Away with Murder. Ganhadora de inúmeros prêmios pelas séries que escreveu e que são exibidas em horário nobre, ela chegou ao topo, estando na lista das 100 Pessoas Mais Influentes da revista Time, além de ser mãe de três filhas. E num feriado de Ação de Graças, uma frase que ouviu de uma das irmãs fez com que ela acordasse para o fato de que não estava feliz: "Você nunca diz 'sim' para nada.", seis palavrinhas que não paravam de incomodá-la simplesmente por serem a verdade.

 "A sensação de ter tudo não podia ser aquela. Podia? Porque, se fosse, se foi para aquilo que eu tinha gastado tanto tempo e energia trabalhando, se era aquela a cara da terra prometida, se aquela era a sensação do sucesso, aquilo por que sacrifiquei...
 Nem mesmo queria considerar a ideia. Então não consideraria. Eu não pensaria nisso. Em vez disso, olharia para frente, respiraria fundo e apenas... acreditaria. Acreditaria que a estrada seguiria adiante. Acreditaria que haveria mais.
 Eu acreditaria e diria 'sim'." (página 45)

 Shonda foi uma criança nerd, que gostava de ficar fechada na despensa criando histórias com as latas de alimentos, o tempo passou e ela alcançou o sucesso contando histórias, vinda de uma família competitiva que nunca a deixava se achar melhor que ninguém, acabou se escondendo atrás de seus personagens, fazendo com que eles vivessem como ela queria viver, e usando o trabalho como desculpa para se afastar do mundo. Shonda entrava em pânico quando tinha que comparecer a algum evento ou entrevista, ela simplesmente não conseguia relaxar, e por isso sempre que podia ela dizia não para qualquer convite. E a frase dita pela irmã fez com que ela pensasse no que estava se tornando, e decidisse passar a dizer sim, pois estava se perdendo de si mesma, e perder era uma coisa que ela não aceitava (lembra o que eu disse sobre ser de uma família competitiva?).

 No livro, veremos muito mais do que uma Shonda se arriscando a ir a lugares novos durante um ano e com isso melhorando sua vida fisicamente e emocionalmente, veremos como ela é uma mulher admirável e com uma história inspiradora para qualquer leitor. Eu sou completamente por fora do mundo das séries, o máximo que sei é por ter lido algum post em algum blog ou em redes sociais, mas quis ler o livro por estar numa busca por diversidade de leituras, especialmente no que diz respeito ao que vem sido escrito por mulheres, e vejo que fiz a escolha certa ao procurar ler o que Shonda escreveu. Ela escreve de forma muito bem humorada, proporcionando muitas risadas, além de uma leitura fluida e gostosa de se fazer.

 Através do seu ano do sim, Shonda fala especialmente sobre o que é ser mulher nos dias de hoje, o que significa poder ser o que quiser ser, algo que infelizmente é confundido com ter que ser perfeita em tudo, coisa que nenhum ser humano consegue. São abordadas questões como ter vergonha de receber ajuda para criar os filhos e julgar mulheres que fazem isso; ter vergonha e não saber como agir ao ser elogiada e tentar fingir que não fez nada demais quando fez algo incrível; sobre receber elogios e ser admirada por ter um namorado ao invés de ser elogiada por ser uma boa mãe e ser o máximo no trabalho e principalmente sobre a importância de tornar o mundo da TV mais real, trazendo a diversidade, a normalidade para as telas, como ela mesma diz: "Mulheres, pessoas de cor, LGBTQ equivalem a MUITO mais do que cinquenta por cento da população. O que significa que isso não é fora do comum. Estou fazendo o mundo da televisão parecer NORMAL." (páginas 198 e 197), a autora mostra com clareza o quanto é importante que nos sintamos representados, que saibamos que não estamos sós. Alguns trechos sobre os assuntos:

 "Caterina Scorsone (que por acaso também interpreta Amelia Shepherd em Grey's Anatomy e em Private Practice) e eu passamos muito tempo discutindo esse assunto.
 'Nenhum homem jamais precisou se desculpar por ter ajuda para cuidar da casa e dos filhos. Jamais. Por que nós precisamos?', observa ela, frequentemente.
 Ela está certa. Por que nós precisamos?" (página 98)

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Sábias palavras de Cristina Yang (Sandra Oh) em Grey's Anatomy Episódio: 10x24 (fonte)

 "Quando criei minha primeira série, fiz algo que senti ser perfeitamente normal: no século XXI, fiz o mundo da televisão parecer o mundo real. Eu o enchi de gente de todas as cores, todos os gêneros, todos os passados e todas as orientações sexuais. Então fiz a coisa mais óbvia possível: Escrevi todos eles como se fossem... pessoas. Pessoas negras levam vidas tridimensionais, têm histórias de amor e não são coadjuvantes engraçadas, clichês ou criminosas. Mulheres são heroínas, vilãs, valentonas, são os cachorros grandes. Isso - ouvi diversas vezes - era pioneiro e corajoso.
 Espero que você também tenha a sobrancelha esquerda erguida, caro leitor. Porque, por favor, eu estava fazendo algo que os executivos tinham dito que não podia ser feito na TV. E os Estados Unidos provaram que eles estavam errados ao assistirem. Estávamos literalmente mudando o rosto da televisão." (página 124)

 "Um cara. Contra três crianças; uma noite inteira de televisão; um prêmio Peabody; um Globo de Ouro; prêmios por realizações de uma vida inteira da DGA, da WGA e da GLAAD; 14 prêmios da NAACP Image; três prêmios AFI; uma medalha de Harvard; indução no Broadcaster Hall of Fame - para citar apenas algumas de minhas realizações.
 Um cara.
 Ele é um cara ótimo. (...)
 Mas como não sou o Dr. Frankenstein - e portanto não tive nada a ver com a criação dele -, preferia não ser parabenizada pela presença dele.
 É esquisito.
 Como se meu valor tivesse subido porque um cara me queria." (página 228)

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Sábias palavras de Cristina Yang (Sandra Oh) em Grey's Anatomy S07E17 (fonte)

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O livro já me conquistou logo na epígrafe!
 Sobre a parte visual: capa linda! Páginas amareladas, diagramação com margem, espaçamento e letras de bom tamanho e edição com poucos erros de revisão.

 Enfim, "O ano em que disse sim" é um livro maravilhoso, divertido e que todo mundo, mas todo mundo mesmo, merece ler! Quem é fã da autora e de suas séries, com certeza vai gostar de conhecer um pouco mais sobre esse mundo da TV (eu confesso que fiquei com uma vontade enorme de assistir Grey's Anatomy). E quem ainda não conhecia Shonda Rhimes certamente vai terminar a leitura inspirada por ela a também refletir sobre sua vida e sobre como pode dizer mais "sim", mesmo que seja sim a dizer mais "nãos". Eu me identifiquei bastante com a Shonda, por também ser introvertida, e mesmo que não fosse capaz de abrir mão de algo que ela abriu, compreendi que isso se dá pelo fato de termos prioridades diferentes, e que é importante levarmos em conta o que realmente nos faz feliz, ao invés de aceitarmos só aquilo que a sociedade nos pressiona a ter.

 Fica aqui a minha recomendação para que vocês leiam "O ano em que disse sim". Espero que vocês tenham gostado da resenha (eu ainda poderia escrever muito mais, pois são tantos temas interessantes que a autora aborda, espero já ter conseguido passar o quanto vale a pena ler o livro). Deixo meu agradecimento à Shonda Rhimes por ter compartilhado sua história e ao grupo Editorial Record por tê-la publicado no Brasil através do selo Best Seller.

 Detalhes: 256 páginas, Skoob (minha nota: 5/5), leia um trecho. Onde comprar online: SubmarinoAmericanas.

Até o próximo post!

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Desafio literário "Eu e as #MulheresdaLiteratura" parte 1

 Olá pessoal, tudo bem? Já que estamos no mês do Dia Internacional da Mulher, estou participando de um desafio literário muito interessante criado pelo blog Queria Estar Lendo. O desafio Eu e as #MulheresdaLiteratura consiste basicamente em responder os 31 temas propostos durante o mês.

 Sobre o desafio:

 "No Queria Estar Lendo nós realmente acreditamos na primavera das mulheres. E para tirar essas ideia de que 'mulheres só escrevem romance' criamos um desafio de 31 dias para divulgar protagonistas e livros maravilhosos, escritos por mulheres tão incríveis quanto!

 Convide os amigos e participe com a gente! O desafio começa no dia 1/03 e termina no dia 31/03. Ele faz parte do mês das mulheres, do blog Queria Estar Lendo.

 Você pode responder o desafio dia a dia, ou todo de uma vez. Pode ser através de postagens nas redes sociais ou no seu blog, pode ser através de fotos ou vídeos. Mas sempre use a hashtag #MulheresdaLiteratura para que possamos encontrar você e conhecer suas indicações! ;)"

 Eu estou respondendo o desafio diariamente pelo Instagram, e compartilho as respostas na página do Facebook e no Twitter. Como estou achando os temas muito legais, e já concluí um terço dele, decidi postar minhas primeiras respostas também aqui no blog como se fosse uma tag.

Eu e as #MulheresdaLiteratura
Harry Potter e a pedra filosofal, J. K. Rowling
1- O primeiro livro escrito por uma mulher que você leu: eu leio desde os 5 anos, então não lembro qual foi, por isso escolhi o primeiro livro que li na minha nova fase de leitora, em 2012, "Harry Potter e a pedra filosofal" da J. K. Rowling. Lembro que vi o filme na TV e fui correndo ler o livro. Amei! Ah, só de ver que a autora usou uma abreviação do seu nome, de forma que não fosse de cara identificada com mulher, já dá pra ter uma noção do quanto ainda temos que conquistar.

A evolução de Calpúrnia Tate, Jacqueline Kelly
2 - O seu livro preferido escrito por uma mulher: essa é beeem difícil, mas escolhi "A evolução de Calpúrnia Tate", escrito pela Jacqueline Kelly, um livro que inicialmente encanta pela capa, mas que quando a gente conhece a pequena Calpúrnia, é fascinante!

Incrível, Sara Benincasa
3- O seu livro preferido protagonizado por uma mulher: minha lista de favoritos é pequena, e percebi que não tem muitos protagonizados por mulheres, mas escolhi "Incrível" da Sara Benincasa. A protagonista Naomi é uma personagem com quem me identifico muito.
Eleonor Hertzog
4 - Sua autora preferida: eu escolhi a brasileira Eleonor Hertzog, que escreve a série Uma geração. Todas as decisões. Já li os 3 livros lançados por ela ("Cisne", "Linhagens" e "Guardião?") e sou apaixonada pelo universo que ela criou. 
É agora... ou nunca, Marian Keyes
5 - Um livro com amizade forte entre mulheres: sempre que penso em amizade, o livro "É agora... ou nunca" da Marian Keyes me vem na cabeça. As protagonistas Katherine e Tara são amigas desde a adolescência, mesmo sendo bem diferentes.
O Teste, Joelle Charbonneau
6 - Um livro com uma heroína que salva a si mesma: Malencia Vale da trilogia distópica "O Teste", escrita pela Joelle Charbonneau . É a inteligência dela, sua força interior e determinação que podem mudar o futuro de sua comunidade. 
Alice no País das Armadilhas
7 - Um livro com uma heroína que não tem medo de armas e lutas: Alice, protagonista da distopia "Alice no País das Armadilhas" é uma garota que cresceu numa sociedade onde armas eram praticamente os únicos brinquedos das crianças, por isso desde pequena aprendeu a se defender e defender os seus dos zumbis que poderiam atacar. 
O Visconde que me amava, Julia Quinn
8 - Um livro de romance escrito por uma mulher: escolhi meu romance favorito, "O Visconde que me amava", segundo da serie Os Bridgertons da Julia Quinn . Um trechinho que amo : "Por quê você acha que resolvi aprender a tocar flauta numa idade tão avançada? Todos disseram que eu era velha demais, que para ser realmente boa eu deveria ter começado quando criança. Mas a questão é que não preciso ser boa. Só tenho que me divertir com isso. E saber que tentei." 
Assassinato no campo de golfe, Agatha Christie
9 - Um romance policial escrito por uma mulher: "Assassinato no campo de golfe" da Agatha Christie.






Rainha dos corações congelados,Rebecca S. Melo. 10 - Um livro de fantasia escrito por uma mulher: escolhi uma das minhas leituras mais recentes, "Rainha dos corações congelados" da Rebecca S. Melo.








 Temas que ainda faltam:

11 - Um livro sobrenatural/sci-fi escrito por uma mulher;
12 - Um livro de terror escrito por uma mulher;
13 - Um livro com a heroína na capa;
14 - Um livro com uma heroína que não se conforma em ser o que esperam dela;
15 - Um livro escrito por duas (ou mais) mulheres;
16 - Um livro com a sua heroína preferida;
17 - Uma autora que te inspira;
18 - Um livro com uma heroína na qual você se espelha;
19 - Um livro com uma heroína que as meninas deveriam conhecer desde novas;
20 - Um livro com uma protagonista que você não esperava ser tão forte quanto foi;
21 - Um livro com uma heroína que você começou odiando e terminou amando;
22 - Um livro onde a heroína salva o herói;
23 - Um livro com uma mulher transsexual;
24 - Um livro com uma mulher bissexual/homossexual;
25 - Um livro com uma personagem feminina que seja uma figura de poder;
26 - Um livro com uma mulher que escolheu a família;
27 - Um livro com a melhor vilã;
28 - Um livro com uma protagonista negra;
29 - Um livro com uma protagonista que superou abusos físicos e/ou emocionais;
30 - Um livro com uma protagonista que não queria salvar o mundo;
31 - Um livro com uma personagem feminina (ou a autora) que represente o que é ser mulher para você.

 Se você ainda não está participando, que tal responder o desafio também? Você pode postar mais de uma foto por dia até conseguir chegar no dia certo. Ou pode responder ao desafio todo de uma vez. A ideia é compartilhar boas histórias escritas por mulheres. Recomendo a leitura do post "Porquê é importante falarmos das Mulheres da Literatura?" do blog Queria Estar Lendo. Se você já está participando dos temas, me conta nos comentários por onde está colocando as respostas. Por hoje é só, espero que tenham gostado do post e que participem do desafio. Lembrando que quem quiser ver minhas próximas respostas é só me acompanhar pelas redes sociais (tem os link aí embaixo).


Até o próximo post!
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Resenha: livro "Sejamos Todos Feministas", Chimamanda Ngozi Adichie

 Olá pessoal, tudo bem? Como hoje é o Dia Internacional da Mulher, trago a resenha de um livro especial: "Sejamos Todos Feministas", uma "adaptação do discurso feito pela autora" Chimamanda Ngozi Adichie "no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé", publicado em e-book e no formato impresso pela editora Companhia das Letras em 2014. Chimamanda é autora dos livros Hibisco roxo, Meio sol amarelo e Americanah.

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 Infelizmente, a palavra feminismo e suas derivadas são usadas por algumas pessoas com uma conotação negativa, quase como uma ofensa, ou como se fosse o machismo ao contrário. O livro da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie tem a intenção de mostrar o quanto o feminismo pode ajudar a todos, homens e mulheres. Reparem que o título usa a palavra todos e não todas, ou seja, tanto homens quanto mulheres tem a ganhar com a igualdade social, política e econômica entre os gêneros.

 Primeiramente, queria esclarecer que se você acredita que o feminismo é desnecessário, que discutir sobre gênero sendo que somos todos humanos é bobagem, é preciso entender que:

 "Um homem pobre ainda tem os privilégios de ser homem, mesmo que não tenha o privilégio da riqueza. (...) Uma vez eu estava falando sobre a questão de gênero e um homem me perguntou por que eu me via como uma mulher e não como um ser humano. É o tipo de pergunta que funciona para silenciar a experiência específica de uma pessoa. Lógico que sou um ser humano, mas há questões particulares que acontecem comigo no mundo porque sou mulher. Esse mesmo homem, a propósito, com frequência falava da sua experiência como homem negro. (E eu deveria ter respondido: 'Por que você não fala das suas experiências como um homem ou um ser humano? Por que tem que ser como um homem negro?')."

 A autora conta algumas experiências que viveu como mulher, negra e nigeriana, mas mesmo morando no Brasil, é possível identificar muitas situações semelhantes que também acontecem por aqui. Pelos seu relato, vemos situações absurdas pelas quais as mulheres na Nigéria ainda passam. Vocês acreditam que há lugares em que elas não podem entrar desacompanhadas?

 "Não faz muito tempo, ao entrar num dos melhores hotéis na Nigéria, um segurança na porta me parou e fez umas perguntas irritantes: Nome? Número do quarto da pessoa que eu visitava? Eu conhecia essa pessoa? Poderia provar que era hóspede do hotel e mostrar a minha chave? Ele automaticamente supôs que uma mulher nigeriana e desacompanhada só podia ser prostituta. Uma nigeriana desacompanhada não pode ser hóspede e pagar por seu quarto. Um homem pode entrar no mesmo hotel sem ser perturbado. Parte-se da premissa de que ele está lá por uma razão legítima (...)"

 Sobre essa questão de, ao contrário do homem, não ser cumprimentada em restaurantes, é algo que já vi relatos também no Brasil e já passei por situações parecidas:

 "Sempre que vou acompanhada a um restaurante nigeriano, o garçom cumprimenta o homem e me ignora. (...) há um abismo entre entender uma coisa racionalmente e entender a mesma coisa emocionalmente. Toda vez que eles me ignoram, eu me sinto invisível. Fico chateada. Quero dizer a eles que sou tão humana quanto um homem, e digna de ser cumprimentada. Sei que são detalhes, mas às vezes são os detalhes que mais incomodam."

 Ainda se tem a ideia de que o dinheiro do homem é mais importante do que o da mulher, mas isso pode mudar:

 "E se tanto os meninos quanto as meninas fossem criados de modo a não mais vincular a masculinidade ao dinheiro? E se, em vez de 'o menino tem que pagar,' a postura fosse 'quem tem mais paga'? É claro que, por uma questão histórica, em geral é o homem quem tem mais dinheiro. No entanto, se começarmos a criar nossos filhos de outra maneira, daqui a cinquenta, cem anos eles não serão pressionados a provar sua masculinidade por meio de bens materiais."

 É tudo uma questão de conscientização, de procurar entender verdadeiramente a questão e mudá-la através de pequenas ações em nosso cotidiano:

 "Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. Se só os meninos são escolhidos como monitores da classe, então em algum momento nós todos vamos achar, mesmo que inconscientemente, que só um menino pode ser o monitor da classe. Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar “normal” que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens."

 "Tem gente que diz que a mulher é subordinada ao homem porque isso faz parte da nossa cultura. Mas a cultura está sempre em transformação. Tenho duas sobrinhas gêmeas e lindas de quinze anos. Se tivessem nascido há cem anos, teriam sido assassinadas: há cem anos, a cultura Igbo considerava o nascimento de gêmeos como um mau presságio. Hoje essa prática é impensável para nós."

 Mulheres já nascem sendo induzidas a sentir culpa, a não levantar a voz e reprimir sentimentos (como a raiva) que não seriam atraentes aos homens, mas o mesmo não acontece com os meninos. Uma chefe "durona" não é vista de forma positiva, mas o contrário acontece com um homem. É importante ressaltar que ser feminista não impede uma mulher de ser feminina, feministas também amam, também podem querer usar maquiagem, salto alto e tudo mais. A questão é que ela não é obrigada a usar maquiagem e salto, e se não quiser usar, não é menos mulher por isso.

 "Em todos os lugares do mundo, existem milhares de artigos e livros ensinando o que as mulheres devem fazer, como devem ou não devem ser para atrair e agradar os homens. Livros sobre como os homens devem agradar as mulheres são poucos."

 "Ensinamos as meninas a sentir vergonha. “Fecha as pernas, olha o decote.” Nós as fazemos sentir vergonha da condição feminina, elas já nascem culpadas."

 A questão abaixo é uma que, assim como na visão da autora, também me parece sem lógica. Me lembro da minha época de adolescência, no meu grupo de amigos, onde uma garota poderia ser mal vista por beijar vários garotos enquanto o contrário não ocorria. Ora, era preciso duas bocas para um beijo acontecer! Se as meninas não podiam beijar para não serem mal vistas, quem os meninos (héteros) iriam beijar? Não tinha lógica eles (e até mesmo as outras meninas) terem uma visão pejorativa das garotas.

 "Nós policiamos nossas meninas. Elogiamos a virgindade delas, mas não a dos meninos (e me pergunto como isso pode funcionar, já que a perda da virgindade é um processo que normalmente envolve duas pessoas)."

 Deixo essa resenha como um presente de Dia Internacional da Mulher, o e-book de "Sejamos Todos Feministas" pode ser baixado gratuitamente e lido em qualquer e-reader, celular, ou no computador. Ele tem poucas páginas e é uma leitura rápida, então, garanto que não tem o risco de cansar os olhos. Abaixo vou deixar os links para download. Quem preferir, pode comprar também a versão impressa, que é baratinha. A linguagem usada pela autora é de fácil compreensão, bem clara, sem termos que quem conhece pouco sobre o feminismo pode não entender. E mesmo eu, que já me considero feminista há alguns anos, aprendi coisas novas durante a leitura.

 O processo de desconstrução do machismo é longo e contínuo. Por isso, quero dizer para você que ainda não se considera feminista, mas que quer entender sobre o assunto, que comece pelo básico, leia "Sejamos Todos Feministas", comece a refletir sobre a forma como as mulheres ao seu redor são tratadas, observe também nos livros como as personagens femininas são retratadas, e pouco a pouco você irá perceber que a situação precisa mudar! E a mudança é feita por cada um de nós! Algumas ideias podem parecer radicais se analisadas isoladamente (por exemplo: protestos em que mulheres ficam nuas), mas com o tempo você se questiona sobre porque a nudez feminina incomoda tanto em um protesto, mas é normal em um produto, seja uma revista, uma série ou um filme), mas essa compreensão vem com o tempo.

 Detalhes: 46 páginas, Skoob (média de notas: 4,7/5, minha nota: 5/5), onde comprar online: impresso - SaraivaLivraria Cultura, onde baixar gratuitamente: e-book - AmazonLivraria CulturaSaraiva.

 Se mesmo depois de ler esse post e todas as citações da obra que coloquei (deu vontade de colocar o texto inteiro aqui, a autora fala muito bem tudo o que eu sempre quis falar), você ainda discordar de mim e continuar tendo uma visão negativa sobre o feminismo, leia "Sejamos Todos Feministas", é de graça, hoje é o Dia Internacional da Mulher, vai levar só alguns minutinhos.

 "O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do gênero."

 Termino o post com um pequeno relato, algumas imagens e alguns links interessantes:

- Quando eu tinha uns 18 anos, minha mãe não me deixava ir para a rua com minhas amigas numa noite de sábado; se meu irmão (4 anos mais novo que eu) também fosse, a gente podia ir. Um detalhe importante: minha cidade é pequena e super tranquila. Ou seja: 3 ou 4 de nós valíamos menos do que 1 garoto?


- Resenha: livro "20 e poucos anos", Linda Papadopoulos
Resenha: livro Profissões Para Mulheres e Outros Artigos Feministas, Virginia Woolf

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post e que leiam, se ainda não tiverem lido, o livro de hoje. Sejamos Todos Feministas! Sejamos todos mais felizes!

Até o próximo post!

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