Resenha: livro "Dias de despedida", Jeff Zentner

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Dias de despedida", escrito pelo Jeff Zentner e publicado no Brasil pela Editora Seguinte em 2017.

 " Ninguém sabe como as pessoas superam as coisas. Elas apenas superam." (página 213)

Resenha: livro "Dias de despedida", Jeff Zentner, Seguinte

 "Aceno com a cabeça, grato, voltando a mim, como se estivesse acordando de um daqueles pesadelos em que você chora até encharcar o travesseiro. É uma tristeza brutal, disforme, enlouquecida no absurdo dos sonhos. Você acorda e não lembra a razão de estar chorando. Ou lembra e estava chorando porque recebeu uma chance de se redimir. Então, quando percebe que era apenas um pesadelo, continua chorando porque sua chance de redenção é mais uma coisa que você perdeu. E você está cansado de perder coisas.
 Ajudo a carregar o caixão de Blake até o carro funerário. Pesa uns mil quilos. Um professor de ciências uma vez perguntou para a gente: 'O que pesa mais, um quilo de penas ou um quilo de chumbo?'. Todo mundo respondeu chumbo. Mas algumas dezenas de quilos de melhor amigo em um caixão não pesam o mesmo que algumas dezenas de quilos de chumbo ou de penas. Pesam muito mais." (página 19)

 Nosso narrador é Carver Briggs, que tem dezessete anos e mora em Nashville. Ele tinha três melhores amigos: Blake, Eli e Mars. Certo dia, enquanto esperava que eles lhe buscassem no trabalho para aproveitarem a tarde, Carver enviou uma mensagem de texto para Mars perguntando onde eles estavam. Mars estava dirigindo e bateu o carro num caminhão, ele, Eli e Blake morreram na hora.

 "Observo a ponta da minha gravata balançar para a frente e para trás, e me pergunto como os humanos chegaram a um ponto em que dizemos: 'Opa. Espere aí. Para eu levar você a sério, você tem de usar em volta do pescoço uma faixa de tecido colorido com uma ponta estreita'. (...) Reflito sobre isso porque a certeza do absurdo do mundo é uma das poucas coisas que conseguem me distrair, e preciso muito de distrações agora." (página 13) 

 Carver nunca recebeu a resposta de sua mensagem de texto, e agora precisa lidar com a possibilidade de Mars ter se distraído ao tentar respondê-lo e isso ter causado o acidente. Se não bastasse a dor pela perda dos amigos, ainda há o juiz Edwards, pai de Mars, que pode abrir um processo para que Carver seja responsabilizado pelo acidente e preso. Também tem a Adair, irmã de Eli, que vai complicar a vida do Carver na escola.

 "- Nossa mente busca causa e efeito porque isso sugere uma ordem no universo que talvez não exista, mesmo se você acreditar em algum poder superior. Muita gente prefere aceitar uma parcela indevida da culpa por alguma tragédia do que aceitar que não existe ordem nas coisas. O caos é assustador. É assustadora uma existência inconstante em que coisas ruins acontecem a pessoas boas sem nenhum motivo lógico." (página 229)

 Mas Carver não está sozinho. Ele tem seus pais e Georgia, sua irmã mais velha, lhe dando apoio incondicional. E se aproximará de Jesmyn, que namorava Eli e passa a ser sua única amiga na escola. Carver também é convencido por Georgia a fazer terapia com o Dr. Mendez. E ainda tem a vovó Betsy, com quem Blake morava, que sugere que ela e Carver façam um dia de despedida, onde fariam pela última vez todas as coisas que mais gostavam de fazer com Blake. Carver conseguirá lidar com seu luto? O juiz Edwards provará a culpa do garoto no acidente? O dia de despedida será uma boa ideia? É o que descobriremos ao ler a história que Jeff Zentner tem para nos contar.

 "O universo e o destino são cruéis e aleatórios. As coisas acontecem por inúmeros motivos. Acontecem sem motivo nenhum. Carregar nas costas o fardo dos caprichos do universo é demais pra qualquer pessoa. E não é justo com você." (página 372)

 Peguei "Dias de despedida" para ler em um daqueles dias de desânimo, onde olhava para minha estante e nenhum título chamava minha atenção. E como sei que sick lit (livros que abordam temas como luto, depressão, doenças) young adults são leituras que costumam me trazer algum alento para esperar que os dias difíceis passem, decidi começar a ler "Dias de despedida", obra que foi pros meus desejados logo após o lançamento, pela premissa e opiniões de outros leitores.

 "- Quero ser feliz de novo antes de morrer. É tudo o que eu quero." (página 313)

 O fato é que chorei pela primeira vez lendo um livro! Eu, que já li mais de quinhentos livros e não entendia como algumas pessoas iam às lágrimas com leituras que para mim foram super tranquilas (disseram que pode ser coisa de capricorniana; que fique claro que já me emocionei inúmeras vezes lendo, mas nada que me causasse choro), finalmente me vi tento que parar a leitura por alguns segundos por causa das lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Foi mais ou menos na metade do livro, e aconteceu novamente em outros capítulos, sempre em cenas sobre coisas que os personagens queriam ter dito para os falecidos e não tiveram tempo ou lembranças singelas que guardavam da infância deles.

 "- Se importa de se sujar um pouco?
 - Não.
 - Ótimo, porque pensei em começar com uma das coisas que eu e o Blake mais gostávamos de fazer numa manhã de sábado: pesca depressiva. Depois vamos para o Waffle House, nosso lugar favorito para tomar café da manhã.
 - Espera, você quis dizer pesca esportiva?
 - Pesca depressiva. No carro eu explico." (página 182)

 Mas também ri muito com esse livro. Vovó Betsy escolheu homenagear seu neto (que tinha um canal de humor no YouTube) de forma bem inusitada. As conversas da trupe do Molho, como o grupo de quatro amigos se nomeava, eram bem divertidas (ainda que eu não entenda a graça que garotos enxergam em excrementos). Georgia volta e meia atacava o irmão de um jeito nada adulto. Aliás, a maneira como Georgia defende o irmão com unhas e dentes é admirável. Assim como é admirável a diversidade presente na obra: Jesmyn é de origem filipina, Mars é negro, há personagens homossexuais... Além do luto, temas importantes como ataques de pânico também são abordados.

 "- E agora estou com medo de morrer antes de fazer tudo o que queria. Dezessete anos não é o bastante. Tem tantas peças que quero aprender a tocar. Quero gravar álbuns e me apresentar. Nunca fui obcecada com a morte.
 - Eu também não. Agora, às vezes, olho pra minha prateleira e penso que um dia vou morrer sem ter lido vários daqueles livros. E um pode ser bom a ponto de mudar a minha vida e nunca vou ter como saber." (página 90)

 Os adolescentes estudam numa academia de artes, então música, ilustração e literatura (Carver sonhava em ser escritor) são bem presentes na obra. Algo que achei curioso foi o fato de todos os três amigos de Carver não terem "famílias modelo". Blake morava só com a avó, os pais de Eli viviam brigando, os de Mars eram separados. Só Carver tinha pai e mãe que viviam em harmonia, e mesmo assim ele tinha dificuldade em se abrir com eles.

 "- Eu acredito no céu - ela murmura. - Acredito na ressurreição da carne quando os mortos vão ascender aos céus. Acredito em tudo isso. E você pode achar que isso torna as coisas mais fáceis. Acreditar que vou abraçar o Blake de novo algum dia. Deveria ser tão fácil quanto se eu estivesse mandando Blake para passar o verão em um acampamento. Mas não é." (página 193, vovó Betsy)

 Os sentimentos dos personagens de Jeff Zentner são muito compreensíveis, e nos permitem refletir sobre como agiríamos se estivéssemos no lugar de Carver, de Jesmyn, de Adair ou do juiz. Acho que dificilmente imaginamos que enviar uma mensagem de texto pode causar um acidente, talvez a obra nos conscientize um pouco sobre isso. A gente também nunca espera que um jovem morra repentinamente, mas pensando rapidamente, consigo listar pelo menos cinco jovens da minha cidade que tiveram mortes prematuras na última década, três casos em acidentes de carro. Se fica alguma mensagem disso tudo, talvez seja a de como somos finitos, mas continuamos existindo através das memórias que deixamos nos que conviveram conosco.

 "- Existe um ciclo da água. A água nunca via embora. Nunca morre ou é destruída. Ela só muda de uma forma à outra num ciclo contínuo, como energia. Num dia quente de verão, você bebe a água que um dinossauro já bebeu. Pode ter chorado lágrimas que Alexandre, o Grande, chorou. Então devolvo a energia de Eli, o espírito, e tudo o que ele continha. Sua vida. Sua música. Suas lembranças. Seus amores. Todas as coisas bonitas nele. Dou isso à água para que ele possa viver assim agora. De uma forma pra outra. De uma energia pra outra. Talvez eu volte a encontrar meu filho na chuva ou no oceano. Talvez ele não tenha tocado meu rosto pela última vez." (página 276, teoria semelhante à do som presente no maravilhoso O mal de Lázaro)

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Uma das capas estrangeiras (prefiro a nacional)

 A edição da Seguinte tem uma capa com textura macia (soft touch) mas parece que meu livro está sujo como se tivesse arrastado ele na lama, tomara que não dê pra perceber na foto. Amei essa fonte em que o título está escrito, mas fiquei morrendo de medo em determinada cena por causa desse copo quebrado, felizmente um personagem não voou no pescoço do outro como temi. Vem um marcador de páginas para cortar da orelha, mas falta-me coragem. As páginas são amareladas. Não encontrei erros de revisão. As margens são grandes, a letra e espaçamento tem um bom tamanho.

 "Tristeza é um negócio esquisito. Parece que vem em ondas, do nada. Num minuto estou tranquila no mar. No outro, estou me afogando." (página 132)

 Enfim, "Dias de despedida" é realmente merecedor de todos os elogios que já recebeu. Apesar de não ter roubado o lugar de "A montanha", "As vantagens de ser invisível" ou "O céu está em todo lugar" no topo da minha lista de livros favoritos (talvez pela minha dúvida sobre o capítulo final ser ou não uma lembrança, pela curiosidade sobre o que estava na mensagem não finalizada ou pela minha vontade de tampar a boca do Carver numa cena dele com a Jesmyn [compreensível, mas quis interferir]); me encontro tentada a marcá-lo como favorito, afinal, me fez chorar. Fica a minha recomendação para que também leiam "Dias de despedida". Divertido, reflexivo e emocionante! Uma obra com personagens cativantes (especialmente a vovó Betsy♥), escrita fluida (já quero ler ouros livros do autor) e temas importantes.

 "Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão." (página 272)

 Detalhes: 392 páginas, ISBN-13: 9788555340635, Skoob, leia um trecho. Curiosidade: o autor morou por dois anos no Brasil e fala português, no canal da Seguinte no YouTube tem uma entrevista com ele, clique para conferir. Clique para comprar na Amazon:


 Por hoje é só, espero que tenham curtido essa resenha cheia de citações (não consegui deixá-las de fora). Me contem: já conheciam o livro ou o autor?

 "Você venceu a infecção na ferida, então agora ela pode se curar." (página 372)

 Tem vários sorteios de livros legais rolando, clique aqui para conferir os do blog e aqui para conferir os do Instagram.

Até o próximo post!
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Resenha: livro "A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos", John Russo

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos" escrito pelo estadunidense John Russo e publicado no Brasil pela Editora Darkside em 2014.

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 "Pense em todas as pessoas que já viveram e morreram e que nunca mais verão as árvores, a grama ou o sol.
 Tudo parece tão breve, tão... inútil, não é? Viver um pouquinho e depois morrer? Tudo parece resultar em nada.
 Ainda sim, de certa forma, é fácil invejar os mortos. Eles estão além da vida, além da morte.
 Têm sorte de estarem mortos, de terem feito as pazes com a morte e não precisarem mais viver. Então debaixo da terra, alheios ao medo de morrer.
 Não precisam mais viver, nem morrer, nem sentir dor, nem conquistar nada. Ou saber qual é o próximo passo, e nem se perguntar como seria enfrentar a morte.
 Porque a vida parece ao mesmo tempo tão feia, bonita, triste e importante quando estamos vivos? E tão banal quando chegamos ao fim?
 A chama da vida arde por um tempo e depois se apaga. (...) A morte é o fim de toda vida. Quando sopra a brisa alegre de uma nova vida, ela não sabe e nem se importa com a antiga vida, e quando chega a hora, morre também.
 Viver é se remexer constantemente em um túmulo. As coisas vivem e morrem. As vezes vivem bem, e as vezes vivem mal, mas sempre vivem. E a morte é aquilo que reduz todas as coisas ao menor denominador comum.
 Por que será que as pessoas têm medo de morrer?
 Não é pela dor." (página 17)

 Assim começa "A Noite dos Mortos-Vivos", onde conheceremos Bárbara, que estava indo com o irmão ao túmulo do pai. Mas no cemitério, uma coisa que parecia humana, matou o irmão dela. Desesperada, Bárbara conseguiu refúgio numa casa aparentemente abandonada, mas logo apareceu Ben, também em busca de abrigo, já que seu carro estava quase sem combustível. A jovem estava em choque com o que tinha acabado de acontecer, e coube a Ben a tarefa de tentar fortificar a casa para conseguirem ficar seguros.

 O único contato com o mundo exterior era pelo rádio e a TV, que de hora em hora davam informações sobre o caos que estava acontecendo, com mortos retornando parcialmente à vida, com um único desejo: carne humana. A situação era pior nas regiões mais isoladas, como a casa onde Ben e Bárbara estavam, mas a força policial estava se organizando para resgatar essas pessoas. Será que Ben e Bárbara conseguiriam resistir o suficiente, com a casa cada vez mais cercada por motos-vivos, até que o resgate chegasse?

 Talvez vocês saibam que há um filme de mesmo nome lançado em 1968, cujo roteiro foi escrito por John Russo e George Romero (e equipe). Um filme que é referência para muitas histórias que tem zumbis como personagens, e que eu ainda não assisti. "A Noite dos Mortos-Vivos" traz uma gama de personagens, cada um tendo destaque em um momento. Há partes mais monótonas, como enquanto Ben e Bárbara estão presos na casa, e outras onde tudo acontece rápido demais. Além dos dois, surgem mais pessoas na casa, pessoas diferentes, com histórias diferentes, e cada uma acha que deve fazer uma coisa, nem sempre eles entram em consenso. O final me decepcionou um pouco, é até crível, mas dá aquela sensação de que foi tudo em vão, todo aquele esforço resultou em nada. 

 "Para acabar com eles, basta mirar no cérebro. Pode dizer para todos que estão escutando: basta fazer uma boa pontaria e atirar no cérebro; ou derrubá-los no chão e arrancar a cabeça deles. Eles não vão a lugar nenhum depois que você corta a cabeça deles fora. Aí então é só queimá-los." (página 98)

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 Aí temos a segunda parte, "A Volta dos Mortos-Vivos" (cujo texto do livro não foi usada para fazer nenhum filme), que se passa uma década depois. Por temor de que o episódio do despertar dos mortos pudesse se repetir, algumas pessoas destruíam com estacas o cérebro dos falecidos, para que não houvesse chance de eles se tornarem zumbis, mas nem todos faziam isso.

 O fazendeiro Ber tinha três filhas: Ann, Sue Ellen e  Karen (a caçula, que estava grávida). Eles foram ao velório da filhinha de um vizinho, mas lá chegou a notícia de que tinha acontecido um acidente com um ônibus, deixando muitos mortos. Bert e as duas filhas mais velhas foram com as demais pessoas do velório para martelar os cérebros dos mortos, mas a polícia apareceu e eles não puderam terminar o serviço.

 "Ele dera a Ann e Sue Ellen duas opções: ou ajudavam a carregar os mortos ou martelavam as estacas. Elas escolheram carregar os corpos de livre e espontânea vontade, portanto, tinham de cumprir a tarefa." (página 183)

 Já em casa, chegou a notícia de que estava acontecendo de novo: os mortos estavam levantando dos túmulos e atacando as pessoas, para devorá-las. E logo chegariam onde a família de Bert morava. Só que dessa vez estava sendo pior, pois muitas pessoas estavam se aproveitando da situação para cometer crimes, estupros e roubos. Estaria a família de Bert protegida? E se o bebê de Karen resolvesse nascer logo naquela hora?

 Para mim, a segunda história foi mais pesada que a primeira, apesar de ela ter algumas partes repetitivas, como trechos de transmissões que já vimos em "A Noite dos Mortos-Vivos". Há aquela dúvida se pessoas que surgem na casa da família de Bert são realmente quem dizem ser. E há mortes, muitas mortes, algumas que eu achei bem desnecessárias. Gostei um pouquinho mais do desfecho da segunda parte do que da primeira.

 Zumbis não são meus seres fantásticos preferidos, mas como eu gosto de ler coisas diferentes e clássicos, decidi ler esse livro e acho que valeu a pena. Até algum tempo atrás, eu me definia como medrosa, não mais! "A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos" é um clássico do terror e do horror, mas eu não senti medo durante a leitura. Era mais aquela vontade de avisar os personagens que "ia dar ruim", que tinha um morto-vivo bem ali, pertinho deles, e que poderia atacá-los, que era melhor ficar quietinho onde estava, que aquela criança que eles tanto amavam não era bem o que eles estavam pensando (adoraria saber mais do que aconteceria com o bebê da Karen!).

 Achei que a transposição entre romance e roteiro ficou bem feita, o livro não aprofunda tanto os personagens, e é fácil imaginar aquelas cenas como num filme. Os capítulos são curtos, o que torna a leitura fluida.

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 Essa edição da Darkside não tem capa dura, gostei da escolha das cores e de fontes. A revisão está bem feita, as páginas são amareladas, a diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho. Há algumas fotos do filme, o que pode ser interessante para quem já o assistiu.

 Detalhes: 320 páginas, ISBN-13: 9788566636215, Skoob. Clique para comprar na Amazon (tem uma edição comemorativa nova, de capa dura):


 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já leram ou viram o filme de "A Noite dos Mortos-Vivos"? Participem do sorteio de "A Incendiária" do Stephen King que está rolando no blog clicando aqui.

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Até o próximo post!
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TAG 20 FATOS LITERÁRIOS SOBRE MIM

 Olá pessoal, tudo bem com vocês? No post de hoje venho responder a TAG 20 fatos literários sobre mim, quem me indicou foi a Virgínia do canal Livros da Tuca, vocês podem conferir minhas respostas no vídeo ou continuar lendo:



TAG 20 FATOS LITERÁRIOS SOBRE MIM

01-  Sou fã incondicional do autor(a): tenho duas, a Eleonor Hertzog (autora da minha série favorita) e a Marian Keyes (que consegue falar de forma brilhante sobre temas sérios).

02-  Comprei pela capa: além da capa, algum outro fator tem que me chamar a atenção para que eu compre um livro, mas Codinome Lady V primeiro me encantou pela capa e depois a sinopse me convenceu a comprá-lo.

03-  Leitura que mais me custou tempo: "Ghost Rider: A estrada da cura" que retrata viagens do Neil Peart após a perda da mulher e fiha.

04- Não suporto o gênero literário: leio de tudo, mas fujo dos romances dramáticos.

05 - Amo a personagem: o Charlie de "As vantagens de ser invisível" e a Naomi de Incrível (releitura de O grande Gatsby) são dois personagens que gosto muito.

06-  Minhas 3 editoras favoritas: essa é difícil, mas a maioria dos meus livros favoritos é da Bertrand Brasil, e acompanho e gosto da Mundo Uno e da Ler Editorial há anos.

07-  Nunca li e me envergonho de nunca ter lido: meu exemplar de "As Crônicas de Nárnia" está encalhado na estante desde 2013! Já III - A Hora Morta volume 2, antologia de terror onde um conto meu foi publicado, está há meses na minha estante. Tem sorteio de um exemplar da antologia no Instagram, clique aqui para participar.

08-  Coleciono: não considero os marcadores de página que tenho como uma coleção, mas entre os livros, coleciono romances de época e as obras da Marian Keyes.

09- Marco página com: marcador de página de papel.

10-  Leio ao mesmo tempo: até tento, mas sempre acabo dando mais atenção pra um livro do que para  o outro.

11- Lendo no momento: no dia que gravei a tag, estava lendo o MARAVILHOSO romance sobrenatural "Cores de Outono" da Keila Gon (tem sorteio dele aqui, clica para participar) e o romance "Pertinácia" da Sue Hecker, hoje estou lendo "Dias de despedida" do  Jeff Zentner.

12- Já abandonei a leitura de: "Peça-me o que quiser" da Megan Maxwell, já tinha lido e amado outro livro dela e fui tentar ler esse mas me irritei demais com o mocinho que não era claro com a mocinha sobre suas preferências, abandonei pela metade. "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban", tentei ler em e-book no celular mas desisti e comprei o físico. "Anna e o beijo francês" foi um dos primeiros livros que peguei para ler em e-book, mas acabei conseguindo outros livros físicos e deixei ele sem terminar apesar de estar gostando da história. Uma trilogia da Anne Rice que traz uma releitura muito pesada de Bela Adormecida. E um romance nacional onde o cara era apaixonado pela esposa do irmão que morreu, mas abandonei pelo excesso de palavrão e machismo do mocinho.

13-  Tatuagem literária: não tenho ainda, mas não descarto a possibilidade.

14- Tenho várias edições: "Chá de Sumiço", já tinha um de segunda mão e acabei comprando um novo para alcançar o total para frete grátis, a intenção era vender esse novo mas não consegui até hoje. "Irmandade de Copra", já tinha um e acabei ganhando outro numa rifa.

15-  Meu gênero literário favorito: gosto de tudo, mas romance de época, chick lit e sick lit roubam o meu coração.

16-  Nunca me presenteie com o livro: que eu já tenha, ou livros de receitas (pois sempre me falta algum ingrediente =[), biografias de religiosos ou famosos e livros religiosos.

17-  Geralmente leio ouvindo: o barulho ambiente, se for esperar silêncio nunca vou conseguir ler na minha casa barulhenta, rsrs.

18-  Li mais de uma vez: aquela edição adaptada/resumida de "Os Miseráveis", li umas quinhentas vezes na escola de tanto que gostava. "Fortaleza Negra" (primeira e segunda edição) e "Herdeira?", li antes de ser publicado e depois.

19- Nunca li, nunca lerei: só li o primeiro da série "Outlander" e não tenho vontade de ler os outros (clique no título para conferir a resenha", nem lerei livros de autores que se mostram machistas ou preconceituosos nas redes sociais, tenho uma pequena listinha mental de autores que não pretendo mais acompanhar por já ter percebido que esses preconceitos são levados para suas obras.

Resenha: livro "As filhas da noiva", Susan Mallery

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "As filhas da noiva", escrito pela Susan Mallery e publicado no Brasil em 2018 pela Editora Harlequin.

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 A história é narrada em terceira pessoa e nos apresenta as irmãs Watson, por ordem de idade: Rachel, Sienna e Courtney. Elas perderam o pai há mais de vinte anos e Maggie, a mãe, acabou tendo que se dedicar ao trabalho para conseguir sustentá-las. Agora, a mãe vai se casar novamente e a trama acompanhará o período anterior ao casamento, onde mudanças importantes acontecerão nessa família.

 Courtney teve um retardo na aprendizagem escolar que demorou a ser detectado e tratado. Oficialmente, ela trabalhava como camareira no hotel de Joyce, uma mulher que ajudou a família quando ficaram até sem teto após a morte do senhor Watson. Maggie vivia insistindo para que a filha fizesse algum curso para ter um emprego melhor. O que ela não imaginava é que Courtney era muito mais que uma simples camareira que morava no hotel. A jovem desempenhava muitas outras funções lá, inclusive organizaria praticamente tudo referente à cerimônia de noivado e de casamento. Courtney, que sempre foi vista como desastrada, até incapaz, por causa de seu desempenho escolar e por ser muito alta, surpreenderia ao mostrar o quão capaz era.

 Além de surpreender no trabalho, Courtney reencontraria Quinn, empresário do ramo musical e neto que Joyce criou. Quinn havia resolvido sair de Los Angeles e transferir seus negócios para Los Lobos, onde a avó morava. Quinn era rico, bonito, mas sentia que talvez fosse a hora de encontrar alguém para lhe fazer companhia para o resto da vida. Seria Courtney a pessoa certa?

 Sienna tinha um emprego muito bacana: trabalhava numa ONG que ajudava mulheres vítimas de violência doméstica. Ela arrecadava dinheiro com empresários, doações para um brechó cujos lucros eram revertidos pra ONG, e até ajudava casos de emergência onde mulheres fugiam de maridos violentos. O problema de Sienna era na parte amorosa. Ela estava noiva de David, mas não tinha certeza se queria se casar com ele. Sienna já tinha rompido dois noivados, seria esse o terceiro?

 Rachel estava sobrecarregada de trabalho mas dificilmente pedia ajuda. Era dona de um salão de beleza, cuidava do filho adolescente e estava separada de Greg há alguns anos, ainda muito magoada pelo fato de ele ter lhe traído. Mas parecia que Greg estava tentando se reaproximar, se apenas para ser um pai mais presente na vida do filho ou se para tentar reatar, Rachel teria que descobrir. Mas ela conseguiria confiar novamente nele após a traição?

 "- Sorvete, né? - disse Quinn, olhando para a cadela sentada no banco do passageiro de seu Bentley. - Então, vamos tomar sorvete.
 Joyce deu um passo para trás. Ela mal alcançava o ombro do neto e precisava olhar para cima para encará-lo.
 - Você não vai levar o cachorro para tomar sorvete. Não sei que tipo de coisas ridículas você vê em Los Angeles, mas aqui, no mundo real, cachorros não tomam sorvete.
 Quinn ergueu as sobrancelhas.
 - Estou aqui há trinta segundos e você já está mentindo para mim, vovó.
 Joyce sorriu.
 - Está bem. Eles tomam sorvete, mas em casa. Não os levamos para tomar sorvete. Além disso, se levar Pearl, vai ter que levar Sarge também. Caso contrário, ele vai sentir ciúmes.
 Como se tivesse ouvido o próprio nome, uma bolinha de pelos passou pela porta e desceu pelo caminho." (página 37)

 Resenhar "As filhas da noiva" está sendo uma tarefa difícil, pois não sei como avaliar essa leitura, ainda que tenha gostado do livro. Já tinha visto comentários super positivos sobre a história, o que, juntamente com a ideia que eu tinha da trama pela sinopse, me fez começar a leitura com expectativas grandes demais, que não foram superadas. Também já tinha visto elogios à escrita da autora, esse foi meu primeiro contato com ela e acho que preciso ler outras de suas obras para poder formar melhor uma opinião, pois em alguns momentos eu gostava e em alguns momentos não.

 Achei interessante como Susan Mallery trouxe personagens que tem seu lado bom e ruim. Sienna, por exemplo, fazia algo maravilhoso em seu trabalho, mas agia de forma não muito legal com Courtney. Maggie conseguiu construir uma carreira admirável, mas para isso não pôde estar tão presente com as filhas. É nítido que a perda do pai e as dificuldades financeiras que vieram com isso marcaram a família, e eu ficava pensando se depois de vinte anos ainda fazia sentido culpá-lo pelos medos de cada irmã e pelos problemas de relacionamento entre elas. Mas quem sou eu para julgar se nunca passei por isso? Se nunca me vi perdendo a casa e com três crianças pequenas para alimentar?

 "De todas as coisas horríveis e cruéis a se dizer, aquela era a pior. Porque Greg queria que ela acreditasse no que dizia. Que confiasse nele. Que desse a ele o controle para fazer as coisas. Rachel já tinha tentado isso antes. Com ele, com a mãe, até com alguns amigos. E sabia como acabava. Com a outra pessoa deixando-a completamente decepcionada e sozinha. Sempre tinha sido assim e sempre seria." (página 72)

 Acho que o caso da Rachel foi sobre o qual mais refleti. Há pouco tempo circulou pela internet uma história em quadrinhos intitulada "Era só pedir" (vale a pena dar uma pesquisada no Google para conferir), que mostra como as mulheres precisam lidar com uma carga mental muito maior. Por exemplo, Rachel terminava a semana já tendo que pensar  na limpeza, comida e organização pra próxima semana, ela não tinha tempo nem ânimo pra mais nada, e foi assim durante o período de casada também. Ela e Greg se casaram e foram pais jovens, e ele dizia que ela não pedia ajuda, mas o fato é que Rachel não tinha que dizer pro Greg o que ele precisava fazer (como se por ser mulher ela tivesse nascido com uma capacidade especial de saber sempre o que precisava ser feito numa casa), o Greg é que deveria se conscientizar que se ele morava naquela casa e tinha um filho, também deveria cuidar dessa casa e desse filho.

 "Para Rachel, divertir-se era dormir até tarde e deixar que alguém preparasse seu café da manhã. Mas não havia ninguém. O filho precisava da mãe, e ela fazia questão de estar sempre por perto. Cuidando das coisas." (página 15)

 O livro tem muitos pontos positivos, como as cenas super divertidas, por exemplo, as ideias extremamente criativas que Maggie tem para o casamento e, no início, onde Courtney tenta se controlar para não rir na cara de um hóspede que volta correndo para pedir ajuda após ter escolhido o hotel concorrente para um evento e o local ter sido invadido por abelhas. O fato de Maggie estar em um novo relacionamento saudável, o destaque para as personagens femininas bem sucedidas, ou ainda Quinn ser um cara legal já que infelizmente vemos tantos exemplos de relacionamentos abusivos romantizados em outros romances e a ambientação na fictícia (eu acho!) cidade de Los Lobos com boa parte das cenas ocorrendo em um hotel são coisas que me agradaram.

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 Sobre a edição: a capa do livro é muito bonita e os vestidos trazem essa referência ao casamento. As páginas são amareladas, a revisão poderia estar melhor, a diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 Enfim, "As filhas da noiva" foi um livro que li rapidamente, eu me importava sim com os personagens e queria saber o que aconteceria com eles, mas acho que também lia com aquela vontade de que algo mais acontecesse para me fisgar de vez. Acredito que cada leitor, baseado em sua experiência de vida, vai ter uma opinião sobre os dilemas que cada personagem enfrenta (dilemas que muitos leitores também podem ter enfrentado na vida real), com isso, com certeza a experiência de leitura de cada pessoa vai ser diferente. Eu gostei de "As filhas da noiva", não tanto quanto esperava, mas recomendo sim essa leitura, especialmente para quem curte tramas que falem sobre relações familiares.

 Detalhes: 352 páginas, ISBN-13: 9788539826001, Skoob. Clique para comprar na Amazon.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha, me contem: já conheciam o livro ou a autora?

 Tem vários sorteios de livros legais rolando, clique aqui para conferir os do blog e aqui para conferir os do Instagram.

Até o próximo post!
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Caixa de Correio: os livros que vieram para minha estante em junho

 Olá pessoal, tudo bem? Vocês acreditam que quase esqueci de fazer esse post mostrando os livros recebidos no último mês? Pois é, mas lembrei em tempo e hoje venho mostrar para vocês os seis novos títulos que se tornaram moradores da minha estante no mês de junho. Vocês podem apertar o play e conferir o vídeo ou continuar lendo:



Fortitude, recebi do autor Gustavo Carvalho, Editora Pandorga, acredito ser um young adult (a capa é linda!).
As Filhas da Noiva, Susan Mallery, chegou da parceria com a Editora Harlequin Brasil, é minha leitura atual e estou gostando bastante, o título já dá uma ideia de sobre o que é.
A Cor das Almas, Neide Barth Rosenscheng, Editora Autografia, ganhei num sorteio #CHOCADA! Fala sobre racismo, eu acho.
Livre, Cheryl Strayed, Editora Objetiva, história real de uma mulher que caminhou por uma longa distância, comprei na loja da TAG Experiências Literárias com um crédito que tinha.
F de falcão, Helen Macdonald, Editora Intrínseca, também uma história real que comprei na loja da TAG, sobre uma mulher em luto que decide se dedicar à falcoaria.
Aquela Moça, novo livro de contos da Francine S. C. Camargo, Editora Penalux, já li e amei outro livro dela de crônicas e contos.


 Clicando nos títulos vocês podem conferir as sinopses e onde comprar. Me contem: já leram ou querem ler algum desses livros?

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Até o próximo post!
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Resenha e sorteio: livro "Cores de Outono", Keila Gon

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha (premiada) de hoje, venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Cores de Outono: descobrindo a magia" escrito pela Keila Gon e que teve sua segunda edição lançada em 2017 pela Mundo Uno Editora.


 A história é narrada por Melissa, uma jovem de vinte e um anos que perdeu a mãe Angelina e o padrasto Oliver há poucos meses. Eles moravam em São Paulo, mas ao se ver sozinha com a pequena Alice, sua irmã caçula, Melissa decidiu se mudar para a casa de George, seu avô. Melissa havia morado parte de sua infância com ele, a mãe e a avó em Campo Alto, uma cidadezinha turística aos pés de uma montanha, até que Angelina resolveu levar a filha para longe de todos os boatos que cercavam as duas pelo fato dela ser mãe solteira.

 Agora, com Melissa de volta, os boatos talvez recomeçassem, mas não seriam tão fortes, já que havia outra família excêntrica em Campo Alto: os Von Berg, donos das terras da montanha que tinha fama de ser assombrada. Alexander e Viviana, que trabalhavam na Casa Botânica, até eram simpáticos, apesar de não se misturarem muito, mas o primo deles, Vincent, morador da cidade há cerca de um ano, um rapaz muito alto, sempre vestido de preto, mal-humorado, antipático e com jeito de vilão de filme antigo, causava medo nos demais moradores.

 Tudo o que Melissa e George queriam era reconstruir a família marcada pela perda recente da esposa, da única filha e do genro dele, para que Alice pudesse ter uma infância saudável. Se para Melissa a saudade da mãe era dolorosa, ela imaginava que também era difícil para Alice, e temia que a irmã estivesse encontrando nas fantasias infantis uma fuga para sua dor. Melissa estava disposta a se dedicar totalmente à irmã, mas precisava lidar com o medo do avô de que ela estivesse deixando sua vida de lado. Por isso, Melissa se via tendo que conviver com Arthur, irmão da melhor amiga de infância dela e filho do casal de melhores amigos de George. Na infância, Arthur era muito implicante e Melissa, desastrada por natureza, era um alvo fácil para ele. Mas agora, adulto, Arthur talvez pudesse se mostrar um bom amigo, ou algo mais...

 "-Melissa... Você precisa evitar esse tipo de coisa. Por nós.
 - Coisa? - questionei, em dúvida à qual coisa George se referia.
 - A morte.
 O silêncio tomou a cozinha por um bom tempo. Foi o sermão mais curto que ouvi em toda minha vida. Sabia que George não esperava uma resposta, aquilo era mais um apelo. E eu era a única que podia entender seus motivos." (página 87)

 Falando em ser desastrada, nossa protagonista é mesmo atrapalhada, e sempre que esbarrava em Vincent pela cidade pequena, tinha confusão. Melissa perceberia que ele merecia sim a fama de grosseiro. Mas Melissa também se sentiria atraída por aqueles olhos turquesa escondidos no homem sombrio. O que ela descobriria depois, é que a família da montanha estava mais ligada à ela do que imaginava, não só pelo fato de, anos atrás, Melissa ter se perdido nas terras dos Von Berg e ser encontrada com uma cicatriz e sem se lembrar de nada daquelas horas em que esteve desaparecida. Caso se aproximasse de Vincent, poderia ser perigoso? Valeria o risco?

 "- Melissa, você disse que confia em mim e gostaria muito de acreditar nisso, mas sei que sua opinião pode mudar durante nossa conversa. - Ele estava sério. - A verdade é que você não me conhece, e o pouco que conhece a deixa confusa. Mas preciso... - Vincent parou, me avaliando. Não tenho ideia do que ele viu, mas, pela sua expressão, não deveria ser bom. - Preciso que me ouça até o fim. - A tensão do seu discurso desceu por meu rosto, imobilizando-me na cadeira. - Para começar, gostaria que compreendesse que coisas e pessoas podem ter uma máscara de normalidade, e, ao mesmo tempo, esconder algo mais complexo, mais difícil de entender." (página 233)


 "- Sua casa é intimidadora, Vincent. Como você. E isso não me assusta. - Levantei o queixo, e ele espremeu os olhos para me olhar com atenção. - Pode desistir, não tenho medo de você. - Tentei parecer confiante, mas seu olhar torto acabou com minha confiança. Cedi, com ironia. - Tudo bem, às vezes você me assusta, mas, quando acontece, tem mais a ver com seu temperamento. Admita, encarei suas oscilações de humor melhor que o resto da cidade.
 Ele diminuiu o passo, seu rosto tinha a tristeza estampada em cada traço.
 - Realmente, você nunca correu como os outros. Mas sempre pode escolher ir, se quiser.
 - Não vou correr, Vincent - falei, quase revoltada. - Aceitei ser sua amiga mesmo sabendo que você é difícil. Não é? - Tentei provocá-lo, mas aquela tristeza ainda estava lá. E a dor recíproca voltou. - Desculpe, não quero julgá-lo. Não sei quais são seus motivos para agir dessa maneira.
 - Mas você está certa. Você aceitou um amigo mal-humorado e de temperamento instável. Minha dúvida é... Por que aceitou?
 Vincent parou os olhos violeta em mim. Por essa eu não esperava." (página 213)

 Eu já havia visto muitos comentários positivos sobre "Cores de Outono", e já nas primeiras páginas percebi que ele realmente merecia entrar para o seleto catálogo da Mundo Uno. A Keila tem uma escrita muito fluida e envolvente (apesar de eu achar que algumas vezes a palavra SUV poderia ter sido trocada por carro ou outro sinônimo). Ela descreve as cenas de uma forma que é muito fácil visualizar os cenários e compreender a dor e o medo que a protagonista experimenta ao perder as pessoas que mais amava e receber a responsabilidade de cuidar da irmã.

 "A linha tênue que nos separava dos perigos desse Mundo Mágico era inexistente e agora eu podia ter uma dimensão do perigo que nos envolvia." (página 337)

 A história tem todo um ar sombrio, marcado pelo luto de Melissa e George, complementado pelo clima de Campo Alto, nublado e chuvoso, além de todos os mistérios que rondam a montanha e a família Von Berg. Destaco que há sim cenas divertidas e leves, como a esperteza e fofurice da Alice e a bonita interação entre a família de George e Arthur.

 Eu sabia que esse era um livro que misturava romance com fantasia, e tinha algumas teorias sobre o que havia de sobrenatural na família dos Von Berg, mas a autora conseguiu brilhantemente me deixar em dúvida sobre se o que eu via era algo comum, aumentado pelo medo do novo em Campo Alto, ou realmente algo mágico. Fiquei tão surpresa quanto a Alice quando as primeiras respostas foram dadas. O que posso adiantar para vocês é que nessa história a gente tem um universo mágico maravilhoso, com muitos seres sobrenaturais (elfos, magos, demônios...).

 "Cores de Outono" é o primeiro volume da trilogia das Cores (os outros dois livros "Sombras da Primavera" e "Luz de Inverno" já foram publicados), tem um final que conclui uma parte da trama, mas acho impossível alguém não sentir vontade de ler os outros dois pra descobrir o que mais nos aguarda nessa trilogia. Acredito que a personalidade dos protagonistas deve evoluir (com Vincent se tornando menos fechado e Melissa menos insegura e mais aberta ao sobrenatural) e vamos compreendê-los melhor nos próximos volumes.


 A edição da Mundo Uno tem uma capa que passa bem a ideia de outono, páginas amareladas e diagramação com letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 "- As pessoas escolhem ser boas ou más, e essa é uma escolha que continuamos a fazer por toda a vida, todos os dias. Desde as pequenas até as grandes decisões." (página 276)

 Eu poderia ficar falando de "Cores de Outono" por horas, pois é uma trama muito rica e interessante tanto na questão da volta de Melissa para a cidade e sua tentativa de reconstruir sua família, quanto no romance e na parte sobrenatural. Enfim, recomendo muito que também leiam esse livro, que não é uma leitura rápida por ser longo, mas é uma trama muito cativante. É fantástico se sentir em Campo Alto através da narrativa da Keila e descobrir um mundo mágico e novo juntamente com Melissa e Vincent.


 E por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já conheciam o livro ou a autora? Algum palpite sobre os segredos que a família Von Berg esconde?
 Como o que é bom precisa ser compartilhado, a Editora Mundo Uno disponibilizou um exemplar de "Cores de Outono" para ser sorteado para vocês.

 Para participar você precisa curtir a página do blog facebook.com/petalasdeliberdade e a página da editora no Facebook facebook.com/mundounoeditora, compartilhar o post da promoção https://www.facebook.com/160935083972330/posts/1974125529319934/ e preencher o formulário abaixou ou no link http://www.rafflecopter.com/rafl/display/818a3f1146/? (se não sabe como usar o formulário, clique aqui e confira no final da página um tutorial). Há várias chances extras no formulário para você aumentar as suas chances de ser sorteado (por exemplo, comentando na resenha, já tem direito a uma entrada extra), aproveite-as!
INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
- Inscrições até 13/08/2018. Sorteio em até uma semana após o término das inscrições. O sorteado será avisado por e-mail. O nome do vencedor aparecerá no formulário.
- O prêmio será enviado pela Mundo Uno Editora em até 30 dias após recebimento do endereço do ganhador. É necessário ter endereço de entrega no Brasil. Não nos responsabilizamos por danos ou extravios do Correios.
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