Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Sorrisos Quebrados", escrito pela portuguesa Sofia Silva e publicado em 2017 pela
Editora Valentina.
"Às vezes, encontramos conforto no lugar que um dia tememos." (página 23)
Paola viveu um relacionamento abusivo, sofrendo todo tipo de violência. Conseguiu sair dele, pagando um preço alto. Agora ela é uma mulher marcada por dentro e por fora, morando numa clínica que atende pessoas com problemas físicos e psicológicos. Anos atrás, foi nessa clínica que André encontrou ajuda para sua filha, a pequena Sol, que estava muito mal. O tempo passou e Sol continuou se tratando na clínica, pois a garotinha tinha medo de interagir com outras pessoas além do seu pequeno clico familiar, composto pelo pai, avô e avó.
André, sempre que podia, trabalhava como voluntário na clínica, e num certo dia, ele deu de cara com Paola. Já tendo sido vítima de violência física, Paola não reagiu bem ao ver um homem como André, muito alto e extremamente forte e musculoso, próximo dela. Pouco tempo depois, os caminhos de Sol e Paola se cruzaram na clínica, e através das tintas e dos pincéis, as duas acabaram se aproximando. A menina via em Paola muito além de um rosto marcado, Sol sentia que ambas já haviam sofrido muito e que Paola seria capaz de compreendê-la. Com a proximidade das duas, André e Paola foram se tornando próximos também. Será que haveria uma possibilidade de recomeço para duas pessoas que tiveram seus corações tão quebrados?
"Quero afastar as pessoas com a minha aparência, e ela não quer que a dela seja um fato de solidão, mas, no final, somos duas pessoas que só querem dormir sem pensar como estão marcadas eternamente por quem não as merece." (página 109)
"Sorrisos Quebrados" é um livro que tem feito um sucesso enorme, desde a publicação no Wattpad, passando pela Amazon e agora na publicação pela Valentina. Perdi as contas de quantos leitores já vi elogiando o livro. Ele estava na minha estante há meses e aproveitei a
JornadaMLV para finalmente lê-lo, sentindo certo receio de não gostar tanto quanto os outros leitores, já que romances dramáticos não são meu tipo de história favorita.
Felizmente, "Sorrisos Quebrados" foi totalmente diferente do romance água com açúcar e da história
ao estilo Nicholas Sparks (onde as coisas demoram pra acontecer) que eu esperava encontrar.
A narração é feita em alguns capítulos por Paola e em outros por André, e senti que as vozes desses personagens eram bem nítidas. A história aborda temas importantes como os relacionamentos abusivos e a violência contra a mulher. Paola viveu uma realidade que, infelizmente, muitas mulheres vivem. Na nossa sociedade machista e patriarcal, onde o casamento parece ser sinal de sucesso na vida, as pessoas achavam que ela, que não tinha uma beleza estonteante, deveria se sentir agradecida por ter encontrado alguém que lhe quisesse. O algoz de Paola conseguiu destruir toda a autoestima que ela tinha, fazendo-a se sentir culpada e insuficiente. Temos na história uma mulher que precisa descobrir o quão maravilhosa é.
"'Ele é o sonho de toda mulher. Nunca o deixe escapar. Você não vai encontrar homem melhor', disseram-me a noite inteira enquanto eu recebia os cumprimentos. De nós dois, todas as pessoas deixavam claro que a felizarda era eu. Eu também pensava assim quando ouvia essas palavras.
Como, dentre todas as minhas amigas que nutriam uma paixãozinha por ele, fora eu a escolhida? Meus sonhos não poderiam ser mais perfeitos. Roberto era a prova de como os homens não são românticos somente na literatura. Ele era o meu conto de fadas. Só não imaginei que o papel dele na nossa história não seria o de príncipe, mas o do pior dos vilões.
Olhando para trás consigo perceber que tudo era perfeito demais, e ninguém pode ser assim. Não existe um homem sem falhas, mas, por ele parecer tão bom, fui me modificando para fazê-lo feliz.
“Te amo tanto, Paola. Faço tudo para sermos felizes. Só estou pedindo para não vestir essa saia, (…) não vá passear com as suas amigas hoje e fique aqui comigo, já não suporto ficar longe (…) não sorria para outros homens porque esse sorriso quero só para mim (…) não (…) não (…) não…”
Nãos que começaram como pedidos que eu acreditava serem de um marido apaixonado, com ciúmes normais. Um homem religioso que não conseguia ficar longe da mulher e que, perante Deus, meus pais e todos os nossos amigos, prometera me amar e me fazer feliz até a nossa morte. Muitas vezes dizia que nem a morte poderia diminuir o que sentia por mim. Era eterno. Hoje, essas palavras me assustam terrivelmente." (página 8)
André deu tudo de si, entregou seu coração e seus sonhos, dedicou a sua vida e não foi o suficiente. Então, decidiu que a única mulher em seu coração seria sua filha, e que faria tudo por ela. Achei bacana como ele é ciente de que o fato de cumprir sua obrigação como pai não o torna melhor do que os outros, visto que há tantas mães que criam sozinhas seus filhos.
"Não existe nada pior do que tentar salvar alguém e terminar soterrado." (página 24)
O livro não é muito longo, e é daqueles em que a gente tem que ir até o último capítulo para ter todas as respostas. Ao contrário de alguns leitores, não chorei, mesmo com as situações muito sofridas vivenciadas pelos personagens. Foi uma leitura que me cativou, daquelas em que fechava o livro mas continuava pensando na história. Como a própria Sol diz, Paola poderia ser a Fera de "A Bela e a Fera", e seu pai é que seria o belo, gostei de termos uma protagonista que mostra que a beleza não precisa ser necessariamente exterior e que você pode se amar mesmo com suas marcas. A escrita da autora me pareceu OK, sem marcas de um Português de Portugal. Ela conseguiu ambientar a história no Brasil sem deixar furos, criou bons personagens, as cenas mais quentes foram bem escritas. A forma como a pintura, as cores e as tintas foram colocadas na história foi muito coerente... Enfim, gostei e recomendo!
"- Um dia me fecharam num frasco com receio de que eu pintasse o mundo.
- E?
- Pintei o meu mundo no frasco." (página 119)
A Editora Valentina caprichou na edição. A capa é linda e condizente com a trama, com áreas de verniz localizado. As páginas são amareladas. Não me lembro de ter encontrado erros de revisão. Há detalhes no início de cada capítulo. A diagramação traz letras, margens e espaçamento de bom tamanho.
"- Mas, assim como o inferno, o paraíso não deve ser a nossa casa enquanto estamos vivos.
Desvio os olhos da paisagem e foco nele.
- Como assim? - Inclino a cabeça, curiosa com o que vai falar.
Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Fica a minha recomendação de leitura para quem procura romances cativantes e obras que falem de dramas reais e tragam boas mensagens. Me contem: já conheciam o livro ou a autora?
Até o próximo post!
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