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Resenha: livro "Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil", Duda Porto de Souza e Aryane Cararo

 Olá pessoal, tudo bem? Nesse 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a resenha é para comentar sobre minha experiência de leitura com "Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil",  livro escrito por Duda Porto de Souza e Aryane Cararo e publicado em 2018 pela Editora Seguinte.


 Quando você pensa em pessoas que marcaram a História do nosso país, os nomes que lhe surgem na mente são de homens ou de mulheres? Quais os nomes femininos que estão registrados nos nossos livros de História e nos são apresentados na escola?

Caixa de Correio e leituras de dezembro

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje venho mostrar os livros que recebi em dezembro e os livros que li no último mês. Vocês podem apertar o play e conferir no vídeo ou continuar lendo:



Leituras:

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"Pôr do Sol No Central Park" da Sarah Morgan publicado pela Harlequin, é um romance contemporâneo divertido onde a amizade é um dos destaques. Clique para conferir a resenha.

"O Homem de Areia" de Lars Kepler publicado pela Alfaguara é um suspense sueco com serial killer eletrizante. Clique para conferir a resenha.

♥ "Uma Coisa Absolutamente Fantástica" do Hank Green publicado pela Seguinte é uma ficção científica young adult absolutamente fantástica, com misteriosos robôs gigantes que podem ser alienígenas e uma jovem que fica famosa com um vídeo na Internet. Clique para conferir a resenha.

"A Caçadora de Dragões" da Kristen Ciccarelli publicado pela Seguinte é uma fantasia sensacional, com protagonista girl power e muitas reviravoltas. Clique para conferir a resenha.

"O Ogro e a Louca" da S. G. Fidelis publicado no Wattpad é romance de época muito bem escrito e divertido entre uma governanta que não tem medo de falar o que pensa e seu patrão carrancudo. Clique para conferir a resenha.

Gostaria de ter lido mais, mas gostei de todos os livros que li, inclusive 2 entraram para a minha lista de favoritos do ano (clique para conferir).

Recebidos:

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 "Sob a Luz da Escuridão" da Ana Beatriz Brandão publicado pela Verus é um romance distópico adolescente que recebi para participar da leitura coletiva promovida pela LC Agência de Comunicação, e inclusive já li e tem post com citações favoritas lá no Instagram (por favor, cliquem e deixem um like para me ajudar no concurso de quotes que estou participando =]).
 Sinopse: O mundo não está a salvo dos humanos. Da autora de O Garoto do Cachecol Vermelho.
 Guerras e destruição, causadas pela ganância de um homem, quase levaram a raça humana à extinção. Com a radiação das bombas nucleares, o DNA humano sofreu mutações e uma nova espécie surgiu: os metacromos, seres especiais, com poderes extraordinários. Em meio ao caos de um mundo pós-apocalíptico, Lollipop e Jazz são resgatadas do instituto onde eram mantidas prisioneiras. Com as memórias apagadas, elas não sabem por que estavam ali nem quem as libertou.
 E, enquanto buscam respostas sobre suas origens, só lhes resta lutar pela sobrevivência. Evan, um vampiro milenar, lidera com mãos de ferro uma das mais poderosas áreas do planeta. Mas quando, por obra do destino, ele reencontra a mulher que pensou estar morta há décadas, tudo desmorona e ele é obrigado a enfrentar o passado.
 Ana Beatriz Brandão apresenta um mundo totalmente novo ao leitor em Sob a Luz da Escuridão. A raça humana não é mais a mesma, novas espécies foram criadas e agora é cada um por si. Uma história eletrizante, cheia de ação, tensão e romance, que vai provocar fortes emoções no leitor. Prepare-se e escolha seu lado nessa guerra: você é um metacromo ou um Deles?

"O preço de uma vida" da Cristiane Krumenauer publicado pela Editora Novo Século fala sobre uma investigadora tentando desvendar um assassinato que talvez tenha ligação com a venda de uma criança há anos atrás, foi enviado pela autora para ser resenhado no blog.
 Sinopse: Naiona, uma analista de inteligência empobrecida, tem a chance de pôr sua vida em ordem com a recontratação pela empreiteira J. G. Tavares. Mas, para isso, terá que aceitar a missão mais desconcertante de sua carreira: investigar o assassinato do único herdeiro do empresário, Danúbio Tavares. Enquanto a investigação se aprofunda, Naiona mergulha em detalhes mórbidos da família da vítima, incluindo a venda de uma garotinha na década de 1980, resultando na fortuna que patrocinaria a fundação da construtora. Terá essa Garotinha-sem-Nome as respostas quanto ao assassinato de Danúbio? Talvez ela e seus problemas estejam mais perto do que todos imaginavam.

"Angústia na cidade do caos" do Lennon Lima publicado pela Editora Multifoco foi enviado pelo autor para ser resenhado no blog.
 Sinopse: “Jamais esqueceria o riacho de sangue que se formava.” E a Angústia veio a cair na Cidade do Caos. Revestida de carne humana e trajes civis. A carne, caucasiana. Os trajes, masculinos. O semblante? Banal.
Estirada no capinal costeiro a um cemitério clandestino, é descoberta pelo coveiro de uma comunidade miserável assolada pelo poder paralelo. Ferida, mas não ensanguentada. Confusa, mas sã. Preocupada, mas determinada… Sem recursos, sem identidade, sem passado.
Acolhida na casa do jardim de cadáveres, inicia busca para desvendar os mistérios que envolvem o seu passado e a causa de se encontrar em ambiente tão árido – e perverso. Conforme testemunha fenômenos perturbadores ao interagir com os habitantes da favela, descobre-se em uma jornada que excede os limites do consenso de realidade, que desafiará a sua aptidão de permanecer imune aos silvos ardilosos da loucura…

 No vídeo, mostro como os livros recebidos em detalhes. Me contem: já leram ou querem ler algum dos livros citados no post de hoje?

Até o próximo post!

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Resumo de 2018 (melhores e piores leituras, projetos, SoSeLit...)

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho trazer um resumo do que rolou em 2018 e falar sobre minhas metas para 2019. Apertem o play para saber como foi o último ano no canal e conferir quais  foram meus livros favoritos e quais decepcionaram ou continue lendo:



Resenha: livro "A caçadora de dragões", Kristen Ciccarelli

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje, venho comentar sobre minha experiência de leitura com "A caçadora de dragões", escrito pela Kristen Ciccarelli e publicado em 2018 pela Editora Seguinte, o penúltimo livro que li no ano passado (já tem resenha do último, clique aqui para conferir).

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 "Fora no santuário que Asha vira a imagem do rosto de Elorma pela primeira vez. Na época, ela não se importava que o Antigo a punisse por sua desobediência. Na verdade, até queria ser punida. Asha estava com raiva naquele dia. Tinha ficado furiosa, gritado e quebrado coisas. Queria lançar seu ódio contra o coração do lugar sagrado do Antigo.
 Sua mãe tinha sido assassinada pelas histórias antigas, assim como os trovadores antes dela.
 O luto tornava Asha uma presa fácil. Deixava uma rachadura nela. No momento em que colocara os pés no coração do santuário, o Antigo encontrara aquela brecha. Ele tinha aberto e enterrado uma fome maldita e insaciável ali, que colocaria Asha contra seu pai, seu povo, seu reino.
 A partir dali, as histórias antigas passaram a viver dentro de Asha, logo abaixo da superfície. Kozu tinha encontrado a garota através delas, atraído pelas histórias antigas enterradas em seu coração. Histórias que pediam para ser libertadas. E Asha quase destruíra a cidade." (página 111)

 A história é narrada em terceira pessoa e se passa no fictício reino de Firgaard, habitado pelo povo draksors e pelos escravos chamados de skrals. Asha tem 17 anos e é a filha do rei, além de caçadora de dragões, temida e odiada por muitos, apelidada de Iskari (aquela que leva destruição e morte) por algo que fez no passado.

 Quando tinha 10 anos, Asha atraiu um dragão para a cidade ao contar antigas histórias proibidas. Nenhum dragão resistia às histórias. Kozu, o dragão que ouviu Asha, destruiu boa parte da cidade com seu fogo, causando muitas mortes e deixando marcas no rosto e no corpo da garota.

 "Quando o fogo de Kozu destruíra o lar, os entes queridos e a vida do povo de Firgaard, a cabeça da garota amaldiçoada fora pedida. Incapaz de condenar a própria filha à morte, o rei oferecera a ela uma chance de redenção. Ele prometera sua mão ao garoto que a salvara. Jarek, que havia perdido o pai e a mãe no fogo pelo qual ela era responsável.
 A união seria o último ato da redenção de Asha. O casamento seria realizado assim que os dois chegassem à idade devida, e seria a prova de que Jarek a havia perdoado. Ele, que havia perdido tanto por causa da iskari, mostraria para todos os cidadãos de Firgaard como perdoá-la." (página 35)

 Ao invés de ser punida com a morte pela destruição da cidade, como forma de redenção, Asha passou a caçar e matar os temidos dragões, e foi prometida em casamento à Jarek, o rapaz que a salvou de ser morta pelo dragão e que perdeu os pais no incêndio. Jarek foi treinado pelo rei e era comandante dos soldats, o exército do reino, mas era um jovem perigoso e cruel.

 "Jarek se aproximou ainda mais.
 - É meu dever manter você fora de perigo, iskari.
 Os olhos de Asha se encheram de um fogo que tomou conta de sua visão, deixando tudo de um vermelho flamejante.
 Era possível que ele não entendesse?
 - Eu sou o perigo! - Asha disse." (página 142)

 Asha não estava contente com aquele pretendente, e foi lhe proposto que se matasse Kozu, o mais antigo dragão (cuja morte enfraqueceria todos os demais cuspidores de fogo), ela poderia se livrar do casamento, já que a população não teria mais que temer os seres que ameaçavam o reino.

 "A verdade era que o número de dragões vinha diminuindo ao longo dos anos, e estava ficando cada vez mais difícil levar cabeças para seu pai. Por isso Asha andava contando as antigas histórias em segredo, com o intuito de atraí-los. Nenhum dragão resistia a uma história sendo contada; eram como as joias para os homens.
 Mas atrair os dragões não era o único efeito que as histórias causavam: elas também os deixavam mais fortes.
 Por isso o fogo." (página 11)

 Mas além da difícil missão de matar Kozu, Dax, o irmão mais velho de Asha, lhe pediria para que ela salvasse Torwin, o escravo de Jarek. Ela não sabia o motivo de ele ser tão importante para o irmão, mas conhecia a crueldade com que o noivo tratava seus escravos, então decidiu tentar fazer algo para ajudar. Na caçada a Kozu e na tentativa de salvar Torwin, Asha começaria a perceber que, talvez, nem tudo no que ela acreditava fosse verdade.

 "De repente se sentiu como um dragão escravizado por causa de uma história antiga, incapaz de escapar da armadilha mesmo sabendo do que se tratava.
 Precisamos sofrer grandes dores para nos fortalecer contra a maldade.
 Sempre houvera algo de errado com Asha. Algo facilmente corrompível. Seu vício de infância por histórias antigas fora o primeiro sinal. O terrível incidente com Kozu fora o segundo. E agora…
 Sua incapacidade de dizer não ao skral que, por algum motivo, era importante para seu irmão." (página 131)

 Falar sobre a história de "A caçadora de dragões" é complicado, pois há muitos detalhes no cenário que a autora criou, com sua cultura própria e bem elaborada, além das inúmeras surpresas e reviravoltas da trama, e acredito que seja melhor que vocês descubram todos os segredos de Firgaard conforme forem lendo o livro. O que posso dizer é que a história é sensacional, surpreendente e cativante, nos deixando mais curiosos a cada capítulo.

 "Asha o encarou. Seria possível que tudo o que achava que sabia era mentira? (..) Ela mal conseguia acreditar. Era tão perverso. Tão cruel." (página 256)

 Apesar de ter gostado da história desde as primeiras páginas, num primeiro momento, a questão da escravidão me incomodou demais, era chocante a violência com que os skrals eram tratados e todas as regras que tinham que cumprir (como não tocar um draksor sem autorização do "dono"), a própria prima de Asha, sua melhor e única amiga, Safire, era uma skral, imaginem não poder falar abertamente com sua melhor amiga! Mas, no decorrer dos capítulos, a gente vai entendendo o quanto essa questão é vital para a trama, e a própria Asha vai repensando a forma como via esse povo que tinha uma origem diferente da sua.

 "Aprendeu que o fim do trabalho escravo por si só não impedia que as pessoas tivessem dificuldades para sobreviver." (página 358)

 Além da escrita maravilhosa da autora, os personagens são pontos positivos, por serem bem construídos e terem certa dualidade. Dax parece um jovem frágil e inconsequente no início. Roa, uma nativa (povo que vive do outro lado do deserto e não concorda com a matança de dragões e a posse de escravos), é uma incógnita, assim como o rei. Jarek é odiável. Torwin é bem ousado. Safire foi uma das minhas personagens favoritas e ansiei por saber mais dela, uma garota forte e determinada. E temos Asha, que evolui enormemente no decorrer da história, descobrindo muito sobre si mesma, o seu passado e o do reino. Em alguns momentos, ela me irritou um pouco, por não tentar investigar mais o que estava acontecendo, mas é algo compreensível se pensarmos que viveu os últimos anos cercada por pessoas que temiam se aproximar, que era muito jovem ainda e estava numa corrida contra o tempo para matar Kozu e se livrar de Jarek.

 "Seu pai não gostava de demonstrar aquilo, porque a amava. Porque não queria magoá-la. Mas às vezes não conseguia esconder. O rei-dragão temia sua própria filha." (página 37)

 Eu confesso que temi o final, pois havia leis bem severas e perigosas que foram infringidas por Asha e outros personagens queridos, e Firgaard me parecia um vulcão prestes a entrar em erupção, é como se o reino e o povo desse um passo em direção à paz e outro em direção à guerra, tudo poderia mudar em um estante, temos ainda o fato de "A caçadora de dragões" ser o primeiro livro da série Iskari (o próximo será sobre Roa), mas felizmente a autora conseguiu finalizar bem o arco da história de Asha.

 "- Assassina!
 - Mensageira da morte!
 - Iskari!
 Os olhares faziam Asha querer voltar para sua cela e trancar a porta atrás dela. Havia salvado o povo de um monstro, e ainda assim era temida. Nunca houve qualquer esperança de se redimir. Aos olhos dos outros, sempre seria a iskari." (página 358)

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 * Vem um marcador para recortar.
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The-Last-Namsara
 Gostei mais da capa brasileira do que da original. Há símbolos no início de cada capítulo que tem a ver com a história. As páginas são amareladas, a revisão é boa e a diagramação tem letras, margens e espaçamentos de bom tamanho.

 "- Greta costumava dizer que cada um de nós nasce com uma música enterrada no fundo do coração - ele disse, sem parar de tocar. - Uma música que é toda nossa. Nossa missão na vida é descobrir qual é." (pá 377)

 "A caçadora de dragões" é um daqueles livros em que, por mais que se fale, ainda há sempre algo para se comentar, e eu não quero falar muito para não dar spoilers e por acreditar que a leitura possa ser melhor se formos tão surpreendidos com as revelações quanto a protagonista. É uma história bem construída, marcante e forte, tão poderosa quanto as antigas histórias de Firgaard. Aliás, o livro nos faz refletir sobre o poder de uma história, de uma mentira bem contada. É uma leitura que recomendo muito, tanto para quem gosta de boas fantasias, quanto para quem não é tão fã, pois a narrativa nos cativa logo de cara. Há um pouquinho de romance, muita ação, tensão e personagens femininas fortes, guerreiras, heroínas que salvam a si mesmas e aos outros, sem se tornarem "irrealistas" ao não sentirem dor ou terem dúvidas. Com toda certeza vale a pena ler "A caçadora de dragões"!

 "A fogueira apagou, mergulhando Asha na escuridão.
 Ela ficou parada por um longo tempo, perdida na tempestade rodopiante de seus pensamentos.
 Namsara.
 A rara flor do deserto que podia curar qualquer doença." (página 376)

 Detalhes: 398 páginas, Skoob, ISBN-13: 9788555340529, tradução: Eric Novello, leia um trechoclique para comprar na Amazon:


 E por hoje é só, espero que tenham gostado do post, mesmo que eu sinta que talvez não tenha conseguido passar o quanto o livro é fantástico. Me contem: já leram ou querem ler "A caçadora de dragões"?

Até o próximo post!

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Resenha: livro "Uma coisa absolutamente fantástica", Hank Green

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje, venho comentar sobre minha experiência de leitura com "Uma coisa absolutamente fantástica", escrito pelo Hank Green e publicado em 2018 pela Editora Seguinte, um dos últimos livros que li no ano passado. Preparem-se para conferir muitas citações!


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 A narradora é April May, uma designer de 23 anos que vivia em Nova York. Certa noite, quando voltava do trabalho, se deparou com uma escultura enorme na calçada, parecia um robô gigante. April amava artes e sentiu que precisava dar valor àquela obra e ao artista que a tinha construído, então ligou para Andy, um amigo que era super ligado em internet, para fazerem um vídeo sobre a escultura, que ela apelidou de Carl.

  "(...) em Nova York, as pessoas passam dez anos fazendo algo incrível acontecer, algo que captura a essência de uma ideia tão perfeitamente que de repente o mundo fica dez vezes mais claro. É lindo e potente, fruto da dedicação de grande parte da vida de alguém. O noticiário local faz uma reportagem e todo mundo fica tipo 'Que legal!', mas no dia seguinte já esqueceu por causa de outra coisa absolutamente perfeita e fantástica. Isso não quer dizer que a primeira coisa não fosse maravilhosa ou única… É só que tem muita gente fazendo muitas coisas impressionantes, então você acaba ficando meio cansado.
 Foi assim que me senti quando vi o Transformer de três metros de altura usando uma armadura de samurai, seu peitoral enorme erguido a um metro ou um metro e meio da minha cabeça. (...) Parei por talvez cinco segundos antes de estremecer, tanto por causa do frio quanto do olhar daquela coisa, e seguir em frente.
 Então me senti a maior cretina do mundo.
 Quer dizer, sou uma artista dando duro em um trabalho incrivelmente desinteressante para pagar o aluguel caro demais desta cidade e assim poder ficar imersa em uma das culturas mais criativas e influentes do mundo. Aqui, no meio da calçada, tem uma obra de arte que é um empreendimento gigantesco, uma instalação em que o artista trabalhou talvez por anos para que as pessoas parassem, olhassem e refletissem. E aqui estou eu, endurecida pela vida na cidade grande e mentalmente incapacitada por horas de trabalho braçal, sem dar uma segunda olhada em algo tão magnífico." (páginas 10 e 11)

 Eis que, no dia seguinte, o vídeo tinha viralizado, tendo milhões de acessos, pelo fato de mais de sessenta outras esculturas iguais a que April encontrou terem aparecido misteriosamente ao redor do mundo. O vídeo dela e de Andy era o primeiro sobre o assunto, e estava sendo usado sem autorização pelas redes de TV, além de estar rendendo dinheiro com a monetização no YouTube (atualmente, canais com mais de 1000 inscritos e 4 mil horas de vídeo assistidas nos últimos 12 meses podem ganhar com propagandas); e o pai de Andy, um advogado, passou a atuar para garantir os direitos do filho em relação aos canais de televisão e na repartição dos lucros do vídeo.

 "A questão de ficar famosa é que, com frequência, as únicas pessoas em posição de ser honestas com você sobre a realidade da vida de celebridade são as pessoas que vão ganhar montanhas de dinheiro se você for com tudo. Elas não têm nenhum incentivo para contar a verdade nua e crua, como o sr. Skampt tentou fazer naquele momento.
 - (...) A fama destrói as pessoas, e a maioria lida com ela num grau muito menor. Você fala de si mesma como se fosse uma ferramenta, mas é uma pessoa. Que ainda está se desenvolvendo. Isso afetaria sua vida para sempre." (página 84)

 "Enquanto era incapaz de dormir naquela cama gloriosa, descobri o verdadeiro motivo pelo qual estava surtando. Não porque talvez não estivéssemos sozinhos no universo, ou porque minha vida estava mudando para sempre e eu ia precisar criar outro e-mail. Mas porque eu precisava tomar uma decisão. É o tipo de escolha que só se pode fazer uma vez e da qual não há retorno, ainda que mude completamente sua vida. E, mesmo que o caminho esteja claro, ainda é profundamente perturbador." (página 70)

 E esses foram os primeiros passos de April e Andy em direção à fama, com entrevistas em programas de TV e muitos seguidores nas redes sociais, tudo em torno da origem dos Carls. Logo ficou claro que seria difícil tantas estátuas gigantes serem obra de um único artista, e a possibilidade de uma orgiem extraterrestre começou a ser cogitada, causando dúvidas a respeito de ser uma perigosa invasão ou uma visita pacífica, espalhando medo na população. Mais sobre essa parte da história é melhor que vocês descubram lendo, o fato é que a vida de April, depois da fama, nunca mais seria a mesma, afetando seu relacionamento com Maya, com os pais, os amigos, e consigo mesma.

 "A única outra ideia que tinha era de que se tratava de alguma coisa militar ultrassecreta, mas o quê? O que um governo teria a ganhar colocando robôs em uma série de lugares ao mesmo tempo e depois deixando um estranho rastro na Wikipédia que levava a três elementos químicos?" (página 70)

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 Todas as resenhas que li desse livro não haviam me preparado para o quanto ele seria absolutamente fantástico! Eu realmente não fazia ideia de para onde a história iria enquanto lia, se teríamos mesmo alienígenas ou não, me vi em dúvida sobre como o autor finalizaria a trama, e felizmente ele conseguiu construir uma história que ficava mais interessante a cada capítulo rumo a um final que, para mim, foi satisfatório depois de toda a jornada da April.

 É impressionante como o autor traz uma vasta gama de referências culturais e históricas (desde o assassinato de Francisco Ferdinando que foi o estopim para a 1° Guerra Mundial, passando pelas pinturas de Hundertwasser - vale a pena jogar o nome no Google para apreciar -, até Carly Rae Jepsen e Queen - passei horas ouvindo as músicas da banda por causa do livro).

 "É claro que eu não tinha noção disso na época, mas, discutindo com ele, eu estava dando mais espaço a Petrawicki e seus lunáticos. Suas ideias passaram a atingir um público maior, e eu (e é claro que todos os canais de jornalismo existentes) só reforçava a ideia de que havia apenas dois lados. Foi um erro enorme, mas ótimo em termos de popularidade." (página 162)

 "Um e-mail era claramente mais assustador que os outros e-mails assustadores. É incrível quão desconcertante uma única pessoa manipuladora e vil pode ser, mesmo se você nunca a viu e nunca vai ver (tomara). O poder que cada um de nós tem de fazer com que completos desconhecidos se sintam mal, assustados e fracos é impressionante." (página 29)

 Outra coisa impressionante é o quanto essa ficção científica young adult tem de realidade. O autor retrata muito bem a sociedade atual, onde as redes sociais (e a mídia) podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal, para construir celebridades ou destruí-las, para passar informações e para espalhar mentiras e o medo, manipulando e propagando ódio. Acredito que seja uma leitura bastante enriquecedora também para quem, assim como eu, tem um espaço na internet, seja num blog, num canal ou em outra rede social, para nos permitir entender melhor a interação com o público.

 A April pode não ser uma personagem que cative a todos logo de cara, mas a gente sabe que, na vida real, ninguém é perfeito. Ela faz escolhas erradas em alguns momentos, mas eu não sei como agiria no lugar dela. A personagem é bissexual, e eu acho importante termos essa representatividade e diversidade na obra, que também traz personagens negros.

 "(...) nem sei como seria não me sentir atraída por uma pessoa por causa do gênero dela."  (página 87)

 "Mas eu não queria amor; queria destruir os Defensores. Quando olho para o período antes do breve 'debate' com Peter (se é que se pode chamar assim), vejo a trajetória que, graças a Deus, o universo não permitiu que eu seguisse. Mas posso imaginar uma realidade em que o resto desse livro não aconteceu e eu passei o resto da vida (ou pelo menos os anos seguintes) como uma comentarista amarga e raivosa argumentando profissionalmente com argumentadores profissionais.
 Não que eu também não estivesse me divertindo. Reduzir os argumentos dos Defensores a farrapos e depois ler todos os comentários concordando apaixonadamente comigo e dando tapinhas eletrônicos nas minhas costas cibernéticas era empolgante. E muito mais difícil definir a si mesmo e trabalhar em prol do melhor futuro possível do que derrubar as ideias dos outros. Então defini eu mesma e minha visão de Carl em oposição aos Defensores. Meu caminho era contrário ao deles e o deles era contrário ao meu. Tudo podia ser reduzido àquele embate. E, espreitando logo abaixo, havia o ódio.
 É tão mais fácil se empolgar com o ódio a algo do que decidir gostar de algo. A bolha ideológica era tão intensa que nem notei que estava no centro. Era tão fácil fazer com que as pessoas me seguissem E, no fim, era o que eu queria. Logo me tornei tão ruim quanto Peter Petrawicki.
 Eu não deveria ter ficado tão surpresa quando as coisas aumentaram de proporção. Quer dizer, eu sabia que as pessoas me odiavam. Era algo real. Ser reconhecida por fãs é muito diferente de ir comprar algo na loja da esquina e não saber se o caixa é um Defensor que pensa que você é uma traidora suja. Achei que minhas únicas alternativas eram lutar ou correr, então lutei. O medo é um combustível ainda melhor que a raiva. E ainda mais destrutivo." (página 219)

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 A edição tem uma capa semelhante à original, com a representação dos Carls, boa revisão, páginas amareladas, diagramação com bom tamanho de letras, margens e espaçamento entre as linhas, além de fontes diferentes para representar mensagens eletrônicas.

 Enfim, "Uma coisa absolutamente fantástica" é um livro que eu gostei muito e que recomendo, com altas doses de realidade, ficção e humor. Hank Green se saiu muito bem em seu livro de estreia!

 "Às vezes, coisas estranhas acontecem e mudam o curso da história... e aparentemente acontecem comigo." (página 241)

 "Quando você fica preso em pequenas batalhas, acaba ficando pequeno também. Pular de um noticiário da TV a cabo a outro para discutir controvérsia após controvérsia tinha me apequenado. Eu só pensava na luta, e não em por que estava lutando." (página 185)

 Detalhes: 344 páginas, tradução: Lígia Azevedo, ISBN-13: 9788555340758, Skoob, leia o primeiro capítulo. Curiosidade: Hank é irmão do escritor John Green. Clique para comprar na Amazon (que agora gera boleto como opção de pagamento):


 E por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: acreditam que há vida inteligente fora do nosso planeta? Já leram ou querem ler esse livro?

Até o próximo post!

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Caixa de Correio: livros recebidos em outubro

 Olá pessoal, tudo bem? Hoje venho mostrar para vocês os livros que recebi no último mês. Vocês podem apertar o play e conferir no vídeo, ou continuar lendo (no vídeo, mostro a sinopse de cada livro, mas vocês podem clicar no título dos livros para conferir a sinopse na Amazon, não coloquei todas no post para não ficar muito grande):



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"Tim, O Menino do Mundo de Lata" e "Papatiparapapá" são 2 livros infantis enviados por JackMichel, nome usado por duas irmãs escritoras. Elas enviaram 5 exemplares de cada um, e em breve vai ter sorteio deles para vocês, fiquem ligados no blog e nas redes sociais.

"Pôr do Sol No Central Park" é um romance da Sarah Morgan, enviado pela editora parceira Harlequin. O mocinho desse é irmão da protagonista de "Amor em Manhattan" e a mocinha é amiga dela. A Frankie tem uma personalidade bem peculiar...

 "Gaian" é o primeiro volume da série de fantasia "A Saga do Infinito" que recebi do autor Cláudio Manoel de Almeida, publicado pela Editora Novo Século.

 Chegaram alguns títulos do Grupo Companhia das Letras:

 "Maria Bonita: Sexo, violência e mulheres no cangaço" da Adriana Negreiros, Editora Objetiva, é sobre a mulher que dá título à obra, Maria Bonita, que formava um grupo de cangaceiros junto com Lampião.

 "Muito Além do Amor" é um romance (+18, eu acho) da Camila Moreira, Editora Paralela.

 "Uma Coisa Absolutamente Fantástica" é o livro de estreia do Hank Green (irmão do John Green),  lançado pela Editora Seguinte. Na história, estrangos robôs gigantes aparecem em várias partes do mundo.

 "A Missão Traiçoeira" é a continuação de "O Beijo traiçoeiro", uma fantasia da Erin Beaty também da Seguinte.

 "Graça e Fúria", é outra fantasia da Seguinte, a história da Tracy Banghart se passa num reino onde não há rainhas, mas "graças" que devem ser submissas, até que duas irmãs comecem a mudar isso.

 "O Homem de Areia" é um thriler de Lars Kepler da Editora Alfaguara, onde um rapaz que se acreditava ter sido morto por um serial killer aparece vivo.

 Vocês já leram ou querem ler algum deles?

Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:

Os livros que li em agosto

 Olá pessoal, tudo bem? Esse post já deveria ter sido publicado há dias, mas como estava enrolando para editar o vídeo, só hoje venho deixar registrado um resuminho do que li no último mês. Apertem o play ou continuem lendo:



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 Em e-book, no Kindle, li três romances ótimos de autoras nacionais (todos disponíveis no Kindle Unlimited):

 Proibido Pra Mim da Halice FRS é protagonizado pela Norah, uma fotógrafa viúva de 42 anos, que acaba se interessando pelo Caio, amigo de seu filho, e nem imaginava que ele era apaixonado por ela há anos. Gosto muito da forma real com que a Halice constrói suas narrativas e personagens, e ela acerta em cheio ao trazer esse casal com diferença de idade. Confira: Resenha: livro "Proibido pra mim", Halice FRS.

 Test Drive da Carlie Ferrer foi um livro que vi sendo comentado num grupo no Facebook, fiquei curiosa e fui ler. A Brin é uma prostituta ruim de cama, mas ótima em ouvir seus clientes, e é contratada por um senhor que quer saber se o filho é ou não gay. A Brin vai se meter em situações hilárias para se aproximar do rapaz, o Stephen Ryan, e vai descobrir que ele é virgem (algo raro nos romances do tipo). A escrita da autora é maravilhosa! E o romance é divertido e apaixonante. Confira: Resenha: livro "Test Drive", Carlie Ferrer.

 Um grande problema é outro livro da Carlie Ferrer, gostei tanto da escrita da autora que corri para ler mais história dela. Temos a Carolina que precisa fazer um trabalho na faculdade sobre profissões modernas e acaba tendo que entrevistar Jake Dustin, um muso fitness. Ela não tem nenhum interesse por esse universo dos atletas fitness, inclusive está acima do peso, e o Jake parece não querer facilitar em nada o trabalho dela, mas vai rolar um romance entre os dois. Não supera Test Drive, mas é muito bom. Confira: Resenha: livro "Um grande problema", Carlie Ferrer .

 (Eu disse que gostei da escrita da Carlie, né?! Então, li também um conto dela - e acabei não falando sobre ele no vídeo-, Uma noite, um anjo, que é bem curtinho, mas igualmente bem escrito e interessante.)

 III - A Hora Morta, volume 2 é uma antologia de contos de terror da Luva Editora, onde um conto meu foi publicado, e finalmente eu realizei a leitura! Gostei muito dos contos, que tinham em comum a ligação com a Hora Morta (oposta à da morte de Jesus) ou uma lenda urbana. Lá no meu Instagram tem comentários sobre cada conto.

 Quando Eu Parti da Gayle Forman, publicado pela Record, fala sobre uma mulher que passa por uma cirurgia no coração e foge de casa deixando marido e filhos para trás, na tentativa de se recuperar num lugar mais tranquilo. Muitas mulheres vivenciam a mesma sobrecarga da protagonista. Eu esperava um final mais elaborado, mas gostei de conhecer a história. Confira: Resenha: livro "Quando eu parti", Gayle Forman.

 Céu Sem Estrelas da Iris Figueiredo, editora Seguinte é sobre a Cecília, que é expulsa de casa aos 18 anos e vai passar um tempo na casa da melhor amiga. A Cecília tem uma quedinha pelo irmão da amiga e eles vão se aproximar estando sobre o mesmo teto. Assim como a Carolina de "Um grande problema", a Cecília não está dentro do padrão de beleza imposto pela sociedade, mas enquanto a Carolina é super bem resolvida consigo mesma, a Cecília precisa lidar com problemas psicológicos. Um livro muito válido por abordar questões relacionadas à saúde mental e trazer diversidade, numa escrita primorosa. Confira: Resenha: livro "Céu sem estrelas", Íris Figueiredo.

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 Três livros físicos, três e-books e um conto, essas foram minhas leituras de agosto! Até que li mais do que imaginei que conseguiria (e foram todos boas leituras), só falta resenhar a antologia, pois quero fazer um único post/vídeo sobre os volumes um e dois.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post, e esse deve ser o último vídeo de leituras do mês que gravo sem fazer um roteiro detalhando exatamente o que quero dizer sobre cada livro, pois sempre acabo esquecendo de falar algo quando vou gravar.
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 Ah, meu perfil no Instagram chegou em dez mil seguidores, e tem sorteios para comemorar: até dia 30/09 tem sorteio valendo um kit de marcadores e até 10/10 tem sorteio de dois livros da Carol Dias, participem.

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Até o próximo post!

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Resenha: livro "Céu sem estrelas", Íris Figueiredo

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Céu sem estrelas", escrito pela Íris Figueiredo e publicado em 2018 pela Editora Seguinte.

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 "Era tudo na minha cabeça. A dor era toda na minha cabeça, mas isso não a tornava menos real." (página 191)
 Cecília acabou de completar dezoito anos, foi demitida da livraria onde trabalhava, brigou com a mãe e teve que sair de casa. Felizmente, pôde contar com a família de sua melhor amiga, Iasmin, e foi passar um tempo com os Campanati (a outra opção era voltar para a casa da avó em São Gonçalo, o que lhe deixaria muito longe da faculdade em Niterói).
 "Segui cercada de gente, mas me sentindo absurdamente sozinha." (página 343)
 Cecília tinha uma quedinha por Bernardo, irmão mais velho de Iasmin, e morando sob o mesmo teto, eles acabariam se aproximando. Será que Bernardo se comprometeria com Cecília, mesmo ela não se encaixando no padrão de beleza socialmente aceito por ser gorda? E Cecília, conseguiria recolocar sua vida nos eixos?
 "As pessoas queriam tanto saber quanto eu pesava, deixar claro que haviam percebido que eu tinha engordado, que parecia que meu corpo era de domínio público.
 (...) Eu sabia que era mais que meu corpo, mas naqueles instantes sempre me sentia reduzida a ele - fora do padrão, estranha, indesejável. A referência do que ninguém queria ser." (página 178)
 Por favor, não se enganem com esse resumo extremamente superficial que fiz da trama, pois "Céu sem estrelas" é muito mais do que uma história de amor protagonizado por uma garota acima do peso! Aliás, a aparência de Cecília nem de longe é seu maior problema. A obra fala sim sobre gordofobia, mas desde os primeiros capítulos já dá para notar que há algo mais na jovem, algo que lhe causa sofrimento físico e mental. Cecília esconde seus verdadeiros sentimentos, tenta se mostrar sempre bem para os outros, para não ter que falar sobre suas aflições, sobre seus medos e as questões que lhe afetam por dentro e por fora. A história é, acima de tudo, sobre saúde mental, um tema que a autora conhece e que aborda nesse livro e nas redes sociais. Saber um pouco mais sobre o transtorno da protagonista foi enriquecedor.
 "Nunca gostei de comprar roupas, por isso a maioria das peças que eu tinha já podiam quase andar sozinha. Era sempre um momento cansativo e vergonhoso. Como se meu corpo não tivesse direito de existir. Como se eu não tivesse direito de existir." (página 126)
 Amizade e relações familiares são outros assuntos discutidos na obra. Cecília foi fruto de uma gravidez não planejada e sua relação com a mãe e com o padrasto não era das melhores. Iasmin tinha reprovado e ainda estava no colégio, enquanto via as amigas já na faculdade. Ela e o irmão também não tinham uma família perfeita, o que acabava interferindo de certa forma nas escolhas do rapaz. Ele queria algo além da superficialidade dos seus colegas, só preocupados com festas e garotas. Relacionamentos abusivos, automutilação/autoflagelação também são abordados em "Céu sem estrelas".
 "- Mas você não precisa entender as pessoas sempre. Ninguém consegue, por mais que tente. Mais do que compreensão, as pessoas buscam apoio, ou às vezes só alguém disposto a ouvir.
 Assenti e peguei o lápis mais uma vez, voltando minha atenção para a equação que tentava resolver. No final, sempre chegava a um resultado. Com as pessoas, não. Isso andava me deixando louco. Se eu pudesse ter calculado todas as possibilidades..." (página 237, Bernardo)
 Apesar de a narração ser feita por Bernardo e Cecília, a partir de certo momento, são os dilemas dela que ganham protagonismo. Então, tenham em mente que ela é a protagonista. No final, senti falta de saber um pouco mais sobre o desenrolar dos problemas da família do Bernardo, mas como me parece que todos os livros da Íris acabam tendo alguma ligação, quem sabe num próximo eu descubro mais sobre os rumos da Iasmin (doeu vê-la se submetendo à certas coisas).
 "Eu costumava odiar mentiras. Com o tempo, no entanto, acabei precisando delas e me tornando uma especialista. Não me orgulhava disso, mas às vezes era tão espontâneo que mal percebia." (página 152)
 Eu já acompanhava a Íris pelas redes sociais e estava bem curiosa para ler um livro dela. Já nas primeiras páginas fiquei extremamente feliz por ver como a escrita da Íris, uma autora nacional, não fica devendo em nada se comparada com outros livros estrangeiros publicados pela Seguinte ou por outras editoras grandes. É uma escrita fluida, sendo possível ler páginas e mais páginas rapidamente (embora eu tenha lido aos pouquinhos; talvez pela carga emocional que a trama me trouxe, ainda que meu entendimento maior seja sobre a depressão e não sobre o transtorno majoritariamente abordado pela escritora - o que me exigiu um exercício maior para me colocar no lugar da Cecília).
 "- Sinto um vazio tão grande... Acho que ninguém é capaz de me amar. Que, a qualquer momento, todas as pessoas da minha vida vão acabar indo embora e eu vou ficar sozinha. Não quero que isso aconteça. Então faço tudo errado... Não sei quem eu sou." (página 342)
 Sinto falta de mais histórias contemporâneas para o público jovem ambientadas no Brasil, então foi delicioso ler "Céu sem estrelas" e imaginar todas as cenas acontecendo aqui, no nosso país, vendo características de Niterói ou de São Gonçalo tão parecidas com as do lugar onde vivo. Temos aos montes tramas que se passam em faculdades norte-americanas, e foi muito bom ter esse diferencial de ver Cecília e Bernardo numa faculdade pública como a UFF, vivendo a realidade educacional do nosso país (de quebra, ainda descobri um pouquinho sobre os cursos de desenho industrial e engenharia mecânica, dos quais eu sabia pouquíssimo).

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 A edição traz uma capa linda e cheia de referências à história. Vem um marcador junto da orelha, só falta a coragem para cortar e usar. A revisão é boa, as páginas são amareladas, a diagramação traz letras, margens e espaçamento de bom tamanho.
 "(...) quando me desespero e quero sumir, lembro que a vida é muito mais do que esse sentimento que me sufoca.
 Ao menos existe um nome para o que sinto. Uma explicação não torna as coisas mais fáceis, mas ajuda a lidar com elas.
 Vivo um dia de cada vez. Descobri que sou forte, não só pelo meu gancho de direita ou pelo meu manequim, mas por seguir em frente.
 Descobri que minha força sempre esteve dentro de mim - eu só não dava muita atenção a ela. E, sempre que vejo um fusca azul, lembro que dentro dele cabem pessoas o suficiente para me estender a mão se um dia eu precisar."
(página 350)
 Enfim, fica a minha recomendação para que leiam "Céu sem estrelas", um ótimo livro nacional, bem ambientado, que aborda temas muito importantes como a saúde mental (em alta nesse Setembro Amarelo) e a gordofobia, tudo com muita representatividade (além de personagens acima do peso, temos negros, homossexuais, cadeirantes, inseridos de forma natural e nada forçado) na escrita maravilhosa da Íris. Me contem: já leram ou querem ler algo da autora?
 "- Não existe um céu sem estrelas, Cecília. Mesmo quando estão cobertas pelas nuvens, ainda estão lá. A gente só não consegue enxergar.
 - É como a esperança - ela comentou, pensativa. Sempre existe uma saída, mesmo que a gente não consiga enxergar.
 - Sim, sempre existe uma saída. Sempre existem estrelas." (página 347)
 Detalhes: 360 páginas, ISBN-13: 9788555340697, Skoob, leia um trecho. Curiosidades: você sabia que em alguns lugares, quando passa um fusca azul, você corre o risco de levar um soquinho? "Ordinary People" do John Legend é uma das músicas citadas no livro, vale a pena ouvir e conferir a tradução (já viciei). Além de música, vários livros que a Cecília e o Bernardo gostam são citados na obra, todos já foram para minha lista mental de desejados. Clique para comprar na Amazon:

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 Sorteio de desapego de 12 livros usados, clique aqui e participe.

Até o próximo post!

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Caixa de Correio: os livros que chegaram em julho

 Oi, tudo bom com vocês? O post de hoje é para mostrar os livros que chegaram na minha casa no último mês, quase todos lançados esse ano, apertem o play ou continuem lendo:



Caixa de Correio: livros de julho - Blog Literário Pétalas de Liberdade

 Só comprei um livro (além do que veio na caixa da TAG Experiências Literárias e dos dois da caixa do Clube do Livros & Citações):

 "Nihil" da Carolina Mancini publicado numa edição caprichada pela Editora Estronho. É uma obra  com ambientação meio apocalíptica. Veio com vários brindes. Li os primeiros capítulos para fazer o post de Primeiras Impressões (clique para conferir). Para comprar também, entre em contato com a autora.

 "Bruto e Apaixonado", romance da Janice Diniz foi o lançamento enviado pela parceira Harlequin Brasil. Inclusive já comentei sobre ele no post sobre as leituras de julho (clique para conferir). Ainda estou devendo a resenha, talvez por, confesso, estar um pouco desanimada com o canal e o blog ultimamente.

 "A Noiva do Barão", um romance de época escrito pela Simone O. Marques (que também escreveu a fantasia sensacional "Dois Mundos") é um lançamento da Ler Editorial, que caprichou na edição. Estou super contente por termos a Simone no time de autores de Ler.

 "Só Escute", young adult da Sarah Dessen, publicado Seguinte, ficou por meses no Correio até chegar para mim.

 "Céu Sem Estrelas" da Iris Figueiredo, lançamento da Seguinte, é minha leitura atual e estou gostando muito!

"A Nuvem" é a continuação de "O Ceifador" do Neal Shusterman, também da Seguinte.

"Despertar" e "Desejar" são os dois primeiros livros da trilogia de romances "Espiral do Desejo", escritos pela Nina Lane e publicados pela Paralela.

"Em Pedaços" da Lauren Layne é mais um romance da Paralela.

 "O Tempo Desconjuntado" é ficção científica do Philip K. Dick em edição de capa dura da Suma.

 Me contem: já leram ou querem ler algum desses?

Clique e participe dos sorteios do blog:

Até o próximo post!
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