Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

Resenha: livro "Notas sobre ela", Zack Magiezi

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Notas sobre ela", escrito pelo Zack Magiezi e publicado pela Bertrand Brasil em 2017.

 "Amizade é uma palavra usada para as pessoas que dispensam palavras" (página 60)

Resenha, livro, Notas-sobre-ela, Zack-Magiezi, Bertrand, Poesia, trechos, quote, opiniao, blog-literario, petalas-de-liberdade, capa

 "(...) As pessoas acham estranha essa mania de dançar sozinha
 Mas ela dança com a multidão que está do lado de dentro" (página 38)

 Em "Notas sobre ela", através de versos, o autor conta a história de uma mulher, desde sua infância, passando pela juventude, pela vida adulta, até a velhice. Não há rimas nos poemas, mas eles tem uma sonoridade muito agradável, é como se alguém os tivesse declamando enquanto lemos.

  "A saudade é sempre dos detalhes
 Que estão escondidos em um dia comum" (página 62)

 "Notas sobre ela" estava há um bom tempo na minha estante, e desde a primeira página, a sensação que tive foi de que deveria ter lido-o antes, assim que chegou em minhas mãos, pois demorei demais para iniciar uma leitura tão maravilhosa!

 "Ela gosta das pessoas que deixam
 a maioria da sua beleza do lado de dentro" (página 90)

 É um livro lindo! A mulher descrita pelo autor poderia ser qualquer uma de nós, ou até mesmo qualquer um de nós. É muito fácil se identificar com a vida dessa mulher, com sua infância, com as lembranças dos avós, com seu encanto pelo mar, as dúvidas da juventude, os amores, com aquela sensação de que ainda se é jovem demais. Tenho certeza que cada leitor vai se ver um pouquinho nessas notas. Zack Magiezi descreve a vida de forma muito real.

  "Para mim a única diferença
 Entre a velhice e a juventude
 É que nós os velhos
 Somos jovens mais experientes" (página 105)

Resenha, livro, Notas-sobre-ela, Zack-Magiezi, Bertrand, Poesia, trechos, quote, opiniao, blog-literario, petalas-de-liberdade, capa, sinopse
Notas-sobre-ela, Zack-Magiezi
Notas-sobre-ela, Zack-Magiezi, Bertrand
Resenha, livro, Notas-sobre-ela, Zack-Magiezi, Bertrand, Poesia, trechos, quote, opiniao, blog-literario, petalas-de-liberdade, capa

"Foi progredindo
Mas ela estava indo para onde?
Essa pergunta sempre estava esperando
no travesseiro
Será que os sonhos se transformaram
em apenas ter dinheiro para ter coisas?"

  A edição tem capa dura, com o detalhe da máquina, do título e do nome do autor em baixo-relevo. É um pouco maior que um livro de bolso, creio eu. A revisão é bem feita. As páginas são de um amarelado forte, as letras são azuis, com um bom tamanho de fonte, espaçamento e margens, e há ilustrações lindas dividindo as partes do livro.

 MEUS DOIS TRECHOS FAVORITOS (grifo meu):

"Um pequeno refúgio
Que ainda está guardado dentro do tempo
Quando ela fecha os olhos
Tudo ainda é tão igual
O quintal ainda é imenso
O cheiro da terra molhada
Galinhas correndo pela sobrevivência
As mãos fortes do vô
As veias imensas apareciam quando ele
embelezava o jardim
Como um homem pode ser tão bruto e tão doce?
As mãos hábeis da vó
Sempre ocupadas
As mãos da vó parecem os empresários
Que correm sem parar
Sempre preparando algo importante
Sempre tricotando amor
Ela abre os olhos
E a sala vazia da sua casa
Recebe uma visita da memória
O perfume de um bolo de cenoura
Preparado há muitas décadas passadas
E ela se sente protegida
E o medo fica para a vida adulta" (página 10)

"Sempre foi tímida
Uma garota tímida que ama as palavras
Uma garota paradoxo
Mas ela ainda se enxerga menina
Apesar de os anos já terem avançado um pouco
ela ainda está lá
Ela ainda não tem certeza
se as pessoas ouviriam
Se os ouvidos seriam carinhosos
para com a sua voz
Ela ainda conta tudo para o silêncio
Esse amigo antigo e carinhoso
Que abraça a sua voz
E dança
Ela ainda prefere observar
Ver o que ninguém viu
O rosto do silêncio
Ver a voz de Deus correndo por aí" (página 23)

 Com toda certeza é uma leitura que recomendo, acredito que qualquer leitor pode se emocionar e se encantar com a deliciosa escrita de Zack Magiezi, devorando as pouco mais de 100 páginas da obra em questão de horas, mas voltando sempre que possível para reler um ou outro trecho.

 Detalhes: 120 páginas, ISBN-13: 9788528621747, Skoob. Clique para comprar na Amazon:


 E por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha do 6° livro lido no meu desafio de ler 30 livros em janeiro (lá nos destaques do meu perfil no Instagram tem pequenos comentários sobre os 14 livros até agora). Me contem: gostaram das citações que coloquei no post? Já leram ou querem ler "Notas sobre ela" ou outro livro do Zack Magiezi?

♥ Posts sobre o #30livrosemjaneiro
Resenha: livro "Crenshaw", Katherine Applegate

Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:

Resenha: livro "Outros jeitos de usar a boca", Rupi Kaur

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Outros jeitos de usar a boca", que traz poesias e ilustrações da Rupi Kaur, canadense nascida na Índia. Inicialmente, a obra foi publicada no exterior de forma independente, mas fez um sucesso estrondoso e chegou ao Brasil pela Editora Planeta em 2017.

Resenha, livro, Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur, blog-literario, petalas-de-liberdade

 A obra é dividida em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura, e a leitura pode ser feita em poucas horas. Há tanto poemas de poucas linhas, parecidos com provérbios, como poesias maiores. Alguns textos se mostram particulares à cultura da autora, como sua constante menção a leite e mel ("Milk and honey" é o título original da obra, embora eu ache que o título escolhido pela Planeta é mais atraente). Outros textos abordam assuntos em pauta nos dias atuais, como a violência contra as mulheres, o machismo, os relacionamentos abusivos, a luta pela aceitação do corpo feminino fora dos padrões irreais impostos pela mídia. Há ainda poesias tocantes sobre a relação entre pai e filha.

 Por ser um livro tão comentado, minhas expectativas estavam elevadíssimas para essa leitura. "Outros jeitos de usar a boca" não roubou o lugar de "Mulheres em cena: Em poesia" como meu livro de poesias favorito, talvez por eu já ter lido muito sobre os temas presentes na obra, mas foi uma leitura que eu gostei muito e que recomendo. Tenho certeza que todo leitor certamente vai se identificar com vários dos textos de Rupi Kaur.

 "Outros jeitos de usar a boca" traz mensagens de autoaceitação, de esperança, de incentivo. É um daqueles livros que, se estamos tristes ou desanimados ao começar a leitura, podemos terminar de ler com algo diferente surgindo dentro de nós, uma motivação diferente.

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur, Editora-Planeta

 A edição da Planeta está ótima, com uma capa bonita, páginas amareladas e de boa gramatura, boa revisão, diagramação com letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 Alguns dos meus poemas favoritos:

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

 não quero ter você
 para preencher minhas partes vazias
 quero ser plena sozinha
 quero ser tão completa
 que poderia iluminar a cidade
 e só aí 
quero ter você 
porque nós dois juntos 
botamos fogo em tudo (página 59)

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

 sua arte
não é a quantidade de pessoas
que gostam do seu trabalho
sua arte
é
o que seu coração acha do seu trabalho
o que sua alma acha do seu trabalho
é a honestidade
que você tem consigo
e você
nunca deve
trocar honestidade
por identificação
- a todos vocês poetas jovens (página 202)

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

 toda vez que você
diz para sua filha
que grita com ela
por amor
você a ensina a confundir
raiva com carinho
o que parece uma boa ideia
até que ela cresce
confiando em homens violentos
porque eles são tão parecidos
com você

- aos pais que têm filhas (página 19)

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

 você é igualzinha à sua mãe
acho mesmo que a ternura dela me cai bem
vocês duas têm os mesmos olhos
porque nós duas estamos exaustas
e as mãos
temos os mesmos dedos secos
mas essa raiva sua mãe não veste esse ódio
tem razão
essa raiva é a única coisa
que vem do meu pai
(tributo a herança, de warsan shire) (página 34)

quando minha mãe abre a boca
para conversar durante o jantar
meu pai enfia a palavra silêncio
nos seus lábios e diz que ela
nunca deve falar com a boca cheia
foi assim que as mulheres da minha família
aprenderam a viver com a boca fechada (página 35)

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

 remover todos os pelos
 do seu corpo é ok
se é isso que você quer
assim como manter todos os pelos
 do seu corpo é ok
se é isso que você quer
- você só pertence a você

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

aceite-se
como você foi projetada

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

se a tristeza vem
a felicidade também
- tenha paciência

todos nascemos
tão bonitos

a grande tragédia é que
 nos convencem de que não somos

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

 quero pedir desculpa a todas as mulheres
 que descrevi como bonitas
 antes de dizer inteligentes ou corajosas
fico triste por ter falado como se
 algo tão simples como aquilo que nasceu com você
fosse seu maior orgulho
 quando seu espírito já despedaçou montanhas
de agora em diante vou dizer coisas como
 você é forte ou você é incrível!
 não porque eu não te ache bonita
 mas porque você é muito mais do que isso

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

 se você nasceu com
fraqueza para cair
você nasceu com
força para levantar (página 156)

Outros-jeitos-de-usar-a-boca, Rupi-Kaur

se você não é o suficiente para você mesma
você nunca será o suficiente
para outra pessoa (página 197)

sexo exige o consentimento dos dois
se uma pessoa está ali deitada sem fazer nada
porque não está pronta
ou não está no clima
ou simplesmente não quer
e mesmo assim a outra está fazendo sexo
com seu corpo isso não é amor
isso é estupro (página 22)

se já tivesse visto
a segurança de perto
eu teria passado menos
tempo caindo em braços
que não eram (página 21)

pai. você sempre liga sem ter nada especial a dizer. você pergunta o que estou fazendo ou onde estou e se o silêncio entre nós se estende por uma vida dou um jeito de encontrar perguntas que façam a conversa continuar. o que eu queria mesmo dizer é. eu sei que o mundo te despedaçou. foi com tudo pra cima de você. não te culpo por não saber ser delicado comigo. às vezes fico acordada pensando em todos os machucados que você tem e nunca vai dizer. eu venho do mesmo sangue dolorido. do mesmo osso tão sedento por atenção que desabo em mim mesma. eu sou sua filha. eu sei que a conversa-fiada é o único jeito que você conhece de dizer que me ama. porque é o único jeito que eu conheço. (página 37)

nada mais seguro que o som de você lendo alto para mim - o encontro perfeito (página 53)

você disse. se é pra ser. o destino vai nos unir de novo. por um segundo me pergunto se você é mesmo tão ingênuo. se acredita de verdade que o destino funciona assim. como se ele vivesse no céu e nos observasse. como se tivesse cinco dedos e passasse o tempo movendo a gente como peças de xadrez. como se não fossem as escolhas que fazemos. quem foi que te ensinou isso. me diz. quem foi que te convenceu. de que você ganhou um coração e uma cabeça que não pertencem a você. que suas ações não definem o que vai acontecer com você. quero gritar e berrar que somos nós seu idiota. somos as únicas pessoas que podem nos unir novamente. mas em vez disso eu sento quieta. sorrindo de leve pensando entre lábios trêmulos. é ou não é uma coisa trágica. quando você vê tudo tão claro mas a outra pessoa não vê nada. (página 84)

vou perdendo pedaços de você como perco cílios sem perceber e por todo lugar (página 135)

pelo
se não era pra estar aqui
não cresceria
em nosso corpo pra começo de conversa
- estamos em guerra com o que há de mais natural em nós (página 193)

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o livro ou a autora?

 Detalhees: 208 páginas, ISBN-13: 9788542209303, Skoob. Clique e compre na Amazon (e-book disponível no Kindle Unlimited):


 Ps.: meu perfil no Instagram chegou em dez mil seguidores, e tem sorteios para comemorar: até dia 30/09 tem sorteio valendo um kit de marcadores , até 10/10 tem sorteio de dois livros da Carol Dias e até 14/10 tem sorteio valendo o livro Beco da Ilusão, cliquem e participem.
Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:

Resenha: livro "Poemas ao desabrigo", Raul de Taunay

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Poemas ao desabrigo", escrito pelo Raul de Taunay e publicado em 2016 pela editora 7Letras.

Poemas-ao-desabrigo, Raul-de-Taunay

 Como o nome já sugere, é um livro de poesias, com mais ou menos oitenta poemas de diferentes formas e tamanhos: alguns com poucas linhas, outros com mais de uma página, alguns com estrofes, outros apenas com versos, sonetos, entre outros formatos de poemas.

 O autor é diplomata, e na data da publicação do livro, estava trabalhando no Congo. Alguns de seus poemas expressam essa realidade de se estar longe do Brasil, como Carnaval na Ásia (páginas 28 e 29), imaginem como deve ser estar acostumado à folia no nosso país e estar do outro lado do mundo mas com a cabeça pensando na festa no Brasil...

 Essa sensação de alguém habituado a ir de um país para outro, de uma terra à outra, é uma que também se destaca na obra, que traz ainda descrições da natureza com sua mudança de estações, além da mudança e do amadurecimento do ser humano ao longo do tempo, um sentimento que o autor expressa bem após mais de seis décadas de vida. Há também poemas do tipo que mais gosto e admiro quem consegue os escrever: os que contam histórias através dos versos, como "Tocaia" na página 101, sobre um boêmio carioca.

 Meus poemas favoritos foram "A tristeza da partida" ("Seguir, pois ficar não traz nada,/ Infeliz quem naufraga,/ Sem a obra cumprir.", página 13), "Soneto ao Rio Doce" (sim, temos um soneto sobre o vazamento de lama que prejudicou o rio, na página 92), "Lamentares" ("Quisera encontrar os anjos,? Ouvir que o meu caso/ Não é exclusivo./ Escutar que há outros/ Em busca de abrigo.", página 55), "Rindo da Vida ("Vençamos os cabelos brancos,/ Os desencantos, os desenganos, rindo.", página 82) e "Arado" (página 22), que tomo a liberdade de postar na íntegra na foto abaixo:

Arado, Poemas-ao-desabrigo, Raul-de-Taunay, 7letras, resenha, livro, poesias,
"A cada dia me descubro
em alguém que desconheço:
Era falante, hoje sou calado,
Agora quieto, antes agitado,
Buscava encontrar o mundo,
No presente, dele me afasto,
Procurava incendiar a alma,
Atualmente, vou sossegado.
Não sou mais o que sonhei?
Não importa, estou vacinado."
Poemas-ao-desabrigo, Raul-de-Taunay, 7letras, resenha, livro, poesias, capa

A edição traz uma capa feita través de uma foto que me agradou bastante, páginas amareladas, boa revisão, letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 Detalhes: 112 páginas, ISBN-13: 9788542105223, Skoob. Onde comprar online: Amazonloja da editora.

Enfim, fica a recomendação para quem procura por um livro de poesias que tem tudo o que é necessário no gênero: bom vocabulário, boa sonoridade, boas temáticas e bons formatos. Por hoje é só, espero que tenham gostado do post, me contem: já conheciam o livro ou o autor?

 Ps.: tem sorteio valendo livro da DarkSide, clique aqui para participar.

 Clique aqui e participe de todos os sorteios que estão rolando no blog.

Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:

Resenha: livro "Em Poesia", Lara Braga, Coleção Mulheres Em Cena

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Em Poesia" da Lara Braga, publicado em 2017 pela Editora Bambual na coleção Mulheres Em Cena.

Resenha: livro "Em Poesia", Lara Braga, Coleção Mulheres Em Cena

 Lara Braga escreveu o melhor livro de poesias que eu já li na vida! A obra reúne poemas de sua autoria e algumas letras de músicas compostas em parceria com outros compositores. Eu comecei a leitura sem expectativa alguma, e nas primeiras páginas já me vi encantada pela poesia da Lara Braga!

 Já vi vários leitores dizendo que não gostam de poesia, mas acredito que o que tenha acontecido com essas pessoas é que elas ainda não conseguiram encontrar poesias com as quais se identificassem. O trabalho do poeta não é fácil, nem sempre o que ele coloca em palavras consegue ser compreendido e sentido por qualquer leitor, já aconteceu comigo. Mas eu compreendi e senti praticamente todos os poemas da Lara.

 A autora consegue fazer algo que admiro muitíssimo entre os poetas, que é contar uma história através de versos. Por exemplo, no poema "Salve Jorge" (páginas 16 e 17), conhecemos a história de um personagem que estava com uma dor, e a tia fez uma promessa para São Jorge para essa pessoa melhorar. Surtiu efeito, mas a pessoa descobriu que teria que pagar a promessa ao invés da tia. E pior, ao chegar na Igreja onde pagaria a promessa, descobriu que a tia prometeu para o santo errado!!!

 E autora nos traz temas bem atuais, como a vida agitada das grandes cidades. "A transfusão do Gullar" (páginas 33 e 32) é um poema onde um filme em homenagem ao Ferreira Gullar, escritor e poeta que faleceu em 2016, promove um encontro entre duas pessoas. Trecho:

"Eu guardo na memória
O flerte encantado
Inspirado e motivado
Pelos verso do Gullar"

 "O querer" (página 25) foi um dos poemas com que mais me identifiquei. os versos "Eu quero saber, aprender/ Você quer televisão/ Eu quero a natureza respirar/ Você quer comer e se deitar" super combinam comigo e com o meu marido que parece que tem um ímã que o prende deitado no sofá vendo televisão.

 "O poeta em poesia" (página 66) fala do trabalho do poeta de uma forma tão sincera que foi meu escolhido para postar lá no Instagram quando finalizei a leitura. Trecho:

"O poeta de hoje em dia
Faz do verso terapia
Tira onda de artista
Mas no fundo é agonia"

 "Eu fantasma" (página 60) é outro poema que me tocou, ao falar dos medos que nos aprisionam, dos fantasmas que nós mesmos criamos. Trecho:

"Tem uma fagulha
Um fio de esperança
Não desisto
Creio um dia
Anistio-me
Liberto-me de mim
Vou ser som de passarinho"

 "Divisa" (página 52) é um poema que nos faz refletir sobre a questão dos refugiados e também da migração e da xenofobia, se somos todos humanos, criar barreiras por quê? Trecho:

"O irmão é limitado
Castigado pela sina
De nascer em terra árida
Ou escassa de comida

Se a espécie é uma só
Porque é que há divisa"

Resenha: livro "Em Poesia", Lara Braga, Coleção Mulheres Em Cena
Resenha: livro "Em Poesia", Lara Braga, Coleção Mulheres Em Cena

 A edição de "Em poesia" (assim como a "Maria Isabel & Soraia", o outro livro da coleção Mulheres Em Cena) está caprichada, com um tamanho diferenciado (formato 15x18), capa linda com boa escolha de cores e fontes. Na segunda e na terceira capa (partes internas da capa) há ilustrações de flores e um poema da autora manuscrito na caligrafia da mãe dela. As páginas são na cor rosa claro, de um material agradável e não tão poroso como em outros livros com páginas coloridas que já vi. Não me lembro de ter encontrado erros de revisão. A diagramação tem fonte, espaçamento e margens de bom tamanho; as letras são coloridas, um tom de rosa escuro. Além de muitas ilustrações de plantas ao longo das páginas, os títulos de cada poema são colocados em locais estratégicos, e inclusive temos um poema de cabeça para baixo: "O avesso" (página 43).

Resenha: livro "Em Poesia", Lara Braga, Coleção Mulheres Em Cena

 Enfim, repito que "Em poesia" foi o melhor livro de poesias que já li na vida. Recomendo que leiam a obra, mesmo se nunca tiverem encontrado um livro de poesias com o qual se identificaram. Tenho certeza que pelo menos um dos poemas irá tocá-lo. Seja nas palavras de Lara para irmã, para o filho que está crescendo e já não quer mais o "grude" da mãe, para a filha que irá crescer e brilhar... Certamente a poesia de Lara Braga irá lhe encantar!

 "Brilha estrelinha cândida
 Porque a florzinha já se foi
 Para dar lugar à diva
 Que o tempo transformou"
(trecho do poema "Pluma", página 13)

 Detalhes: 94 páginas, ISBN-13: 9788592320911, Skoob. Saiba mais em: mulheresemcena.com.br.Onde comprar online: loja da editora, site da coleção.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam a coleção Mulheres em Cena? Gostaram dos trechos dos poemas?


Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:

Vídeo: resumo das leituras de dezembro

 Olá pessoal, tudo bem? Demorou mais saiu lá no canal o vídeo onde faço um resumo de tudo o que li no último mês. Eu queria ter lido bem mais em dezembro, mas foi um mês tão complicado, ouso até dizer que foi o mês mais difícil da minha vida, que não deu. Acabei lendo sete livros, todos eles relativamente finos (como vocês podem ver na imagem de abertura do vídeo). Apertem o play para conferir um pouquinho sobre cada um:



 Fiquei contente por ter lido quatro nacionais. Li também um livro de literatura africana, e explorar a literatura de outros continentes além da América e Europa é algo que quero fazer mais esse ano. Graças à maratona literária Desencalhando Livros, consegui ler alguns títulos que já estavam até criando teia de aranha na estante é mentira esse negócio das teias de aranha. Pude ler um sick lit, um dos gêneros que mais amo! Li o segundo volume de uma duologia cujo primeiro livro me arrebatou. Dois dos livros ganharam três estrelas no Skoob, e os outros cinco livros ganharam quatro estrelas. E li o melhor livro de poesias da minha vida, olha essa belezura:

"Em poesia" da #LaraBraga é simplesmente O MELHOR LIVRO DE POESIA QUE EU JÁ LI NA VIDA! A autora faz de forma brilhante algo que eu admiro muito: contar histórias através de #versos. Me identifiquei com inúmeros #poemas, sabe aquela coisa de ler e pensar "Também acho isso!"?! Também identifiquei várias situações reais que serviram de base para poemas, mais um ponto que me encantou na obra. SE VOCÊ SENTE QUE NÃO GOSTA DE #POESIA, é que ainda não leu poesias verdadeiramente boas! Super recomendo o #livro da Lara. #ediçãolinda #leiturafinalizada #leiamulheres #literaturanacional #mulheresemcena #books #bookgram #igreads #booktuber #bookphoto #booksofinstagram #goodreads #bookofthemonth #currentlyreading #bookcommunity #amreading #blogliterario #bookreview #readinglist #literature #ilovebooks
Uma publicação compartilhada por Maria - Pétalas de Liberdade (@marijleite) em

 Enfim, vamos considerar que foi um mês bom para as leituras. Aqui no blog já tem resenha de "O Segredo da Caveira de Cristal - Livro II" da Mallerey Cálgara, cliquem no título para conferir. Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem, já leram ou querem ler algum dos livros mostrados?

Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:

Conheça "Dois Dedos", o novo livro do Pedro Pennycook

 Olá pessoal, tudo bem? Hoje venho apresentar mais um livro bacana para vocês: "Dois Dedos", o novo livro de poesias do Pedro Pennycook que está em pré-venda na loja online da editora Autografia. A capa linda:

Conheça "Dois Dedos", o novo livro do Pedro Pennycook

 Sinopse: O Dois Dedos passa um sentimento de melancolia, conformismo e desesperança. O livro segue a estória do antecessor, (DES)AMOR, encontrando a personagem em total desilusão com seu estado — catatónico e apreensivo com tudo que se passara.

 Informações de contato do autor → Email: pedropennycook@gmail.com, Facebook: Pedro Pennycook. Para adquirir, acesse: http://www.autografia.com.br/loja/pre-venda:-dois-dedos-os-livros-serao-entregues-apos-o-lancamento/detalhes.

 Abaixo, colocarei um dos poemas do Pedro que eu li e gostei bastante, para vocês já conhecerem um pouquinho da escrita dele:

Coraline.

perdi-me aí dentro.

vai, achas-me depressa

pois ainda sei que tenho 

o que viver. então achas-me

em ti, para eu ser e florescer 

mesmo que sem flor ou cor

ou cheiro ou broto ou raízes

ou mesmo uma bituca de cigarro 

velho, como o primeiro poema 

escrito deste velho — cinzeiro —

quem lembrará no futuro, quando 

tudo estiver escuro; e s'eu ainda

estiver perdido aí, dentro de ti? 

então tenta, tenta mais uma vez.

mas achas-me por uma logo, 

já não ando sem teus pés

ou como sem teus lábios 

ou vivo sem teu sangue

que decidiu mudar de veia 

justo para o par que parecia, 

de tão certo, errado.

então vai, faz de uma vez.

acha-me solto, perambulando

em teu espírito. acha-me em pó, 

carreira em cancha reta de tanto

que abusei — do primeiro ao último, 

hein? quem lembrará dos versos

quando forem só o que restarem

das minhas cinzas amargas

numa narina fraca e mansa, 

um beijo de criança,

uma garganta seca,

um afago de dama,

mais um morto d’amores 

que s’afoga na lama.

pois vai, achas-me duma vez.

já não aguento teu sorriso de cocaína

em meus olhos de Coraline, enferrujados

e abotoados para sempre no passado

— junto a ti. vai, busca-m’aí. que sei ainda 

ser servil, sei ainda ser teu. nem que por uma

brincadeira, nem que por um truque sádico 

de saudade. vai. só digita d e v a g a r,

como quem a procurar, 

costurando teu destino 

em meus botões

mais uma vez. 

 E aí, gostaram do poema? Alguém já conhecia o autor?

Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:

Resenha: conto "O poço e o pêndulo" e poema "Os sinos", Edgar Allan Poe #12mesesdepoe

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje venho trazer meus comentários sobre os textos lidos em agosto no desafio literário 12 meses de Poe.

resenha, conto, o-poço-e-o-pendulo, edgar-allan-poe, medo-classico, darkiside, doze-meses-de-poe, ilustração, livro

 Em agosto, o conto lido foi "O poço e o pêndulo", cuja história é contada por um narrador sem nome. Tudo o que sabemos é que ele foi condenado à pena de morte pela Inquisição (o motivo não é revelado). Após o julgamento, no qual desmaiou, ele acorda e se encontra em um lugar que não consegue bem definir por estar muito escuro, talvez uma cela, talvez uma masmorra. O fato é que há um poço e um macabro pêndulo nesse local. Será que o narrador conseguiu escapar de sua prisão (já que está nos contando sua história)?

 "Estava exaurido, mortalmente exaurido por aquela longa agonia; quando enfim me soltaram e permitiram que me sentasse, os sentidos me deixaram. A sentença - a temida sentença de morte - foi a última coisa que alcançou meus ouvidos."

 Eu gostei do conto, não foi uma leitura muito difícil. Foi possível imaginar o horror de se estar preso num lugar daquele, foi possível sentir revolta pela crueldade das torturas impostas pela Inquisição. Mas quando finalizei a leitura, fiquei com aquela sensação de que precisava de pelo menos mais alguns parágrafos para entender exatamente como aquele desfecho se deu.

 "Desejava, mas não tinha coragem de abrir os olhos. Receava contemplar os objetos ao meu redor pela primeira vez. Não que temesse me deparar com uma cena horrível; meu medo era que não houvesse nada para ver."

 Composto por quatro estrofes, o poema The Bells, "Os sinos" ou "Os sinos dobram" (dependendo da tradução), fala sobre algumas ocasiões em que os sinos tocam, algumas felizes, outras nem tanto. E sendo um poema escrito pelo Poe, a última estrofe nos faz imaginar algumas coisas sombrias. O poema usa uma repetição de palavras, lembrando o barulho de um sino. 

 Por ser de domínio público, o conto pode ser lido gratuitamente em e-book no arquivo que contem os textos do desafio. Eu li no formato impresso, no livro "Edgar Allan Poe: medo clássico" publicado pela Editora Darkside. Já gravei um vídeo mostrando alguns detalhes da edição do livro, que tem capa dura e muitas ilustrações, para quem não viu ou quiser rever, é só apertar o play:



 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o conto ou o poema? Para conferir mais posts e resenhas sobre o desafio, clique em #12mesesdepoe.

 Participe do TOP COMENTARISTA  de agosto para concorrer ao livro "Dois Mundos", clique aqui para deixar seu e-mail no formulário de inscrição.



Até o próximo post!

Me acompanhe nas redes sociais:
Topo