Caixinha de Correio do Mês de Agosto

Olá Leitores (as), como estão? Espero que estejam todos bem. O mês de agosto foi muito produtivo, pois foi o mês do meu aniversário, e, além disto, tive a oportunidade de adquirir muitos livros. Por isto pensei "porque não fazer um post com o intuito de mostrar para vocês minhas novas aquisições"? Por esta razão trouxe a caixinha dos correios, que está recheada de livros fantásticos. Venham conferir o que recebi, comprei, e troquei neste mês? 

No total foram quatorze livros. Dentre eles estão, Agora e Para Sempre Lara Jean, da autora Jenny Han, que faz parte da trilogia Para Todos os Garotos que já Amei. Já li os dois livros anteriores, e por isto estava louca para ler a continuação, e ter meu exemplar em mãos. Infelizmente não sei se poderei lê-lo este ano.  O livro Confesse da autora Colleen Hoover estava dentre os meus desejados desde o lançamento, e tive oportunidade de adquiri-lo através de uma troca pelo skoob. Claro, que fiquei louca. Está edição está lindíssima, e é de uma das minhas autoras preferidas. O livro Princesa de Papel da autora Erin Watt, parceria entre as autoras Elle Kennedy, e Jen Frederick, que adquiri após ler muitos elogios positivos a respeito da obra. Já o livro Teus Casos Meus, ganhei no sorteio na página da autora Aline Sopelsa


Na promoção da amazon, pude adquirir os títulos O Jogo, e A Conquista da autora Elle Kennedy, que faz parte da série Amores Improváveis, ainda não li nenhum dos outros livros, pois estava esperando adquirir todos. 


Os títulos O Mundo de Vidro do autor Mauricio Gomyde, e Guerra das Rosas do autor Conn Iggulden, ambos foram ganhos em um sorteio, porém ainda não conhecia muito sobre as obras. Mas após ler algumas resenhas no skoob, me interessei e muito pela leitura.


Estes três livros estavam entre os mais desejados do mês. O livro Quando a Noite Cai da autora Carina Rissi, além de possuir uma edição linda, tem uma estória encantadora. Nunca li nenhum obra da Sophie Kinsella, por isto quando pude adquirir Minha Vida Não Tão Perfeita, fiquei completamente entusiasmada. Minha Lady Jane, das autoras Cynthia Hand, Jodi Meadows e Brodi Ashton, tem uma capa linda, e uma sinopse que me cativou. 


Para terminar temos os títulos Fúria Vermelha do autor Pierce Brown, que possui nota alta no skoob, e fiquei impressiona pelo sucesso desta distopia. Claro, que neste momento estou com altas expectativas a respeito desta leitura. Portões de Fogo do autor Marco Polo, que ainda estou em dúvida se leio ou não a obra. E Antes que Eu Vá da autora Lauren Oliver, um romance que possui adaptação cinematográfica, e que solicitei para uma troca através do skoob plus. 


Então é isto, este foram os livros que recebi neste mês. Mas e vocês leitores, gostaram de conferir minha caixinha dos correios? Deixe nos comentários a opinião de vocês, e se querem que eu volte no mês que vem mostrando mais uma vez minhas novas aquisições, pois a opinião de vocês é sempre muito importante e bem vinda. 

Esperam que tenham gostado, e por hoje é só.

Até o próximo post


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Resenha: livro “Entre o amor e a vingança”, Sarah MacLean

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje, venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro “Entre o amor e a vingança”, primeiro volume da série de romances de época “O clube dos canalhas” (que eu li no ano passado), escrito pela Sarah Maclean e publicado no Brasil pela Editora Gutenberg (cada volume contará a história de um dos quatro sócios do clube O anjo caído e até pode ser lido individualmente, embora vá perder um pouco da graça).

Quatro escândalos, sussurrados em salões de festas em toda a Grã-Bretanha.
Quatro aristocratas, exilados da sociedade, agora realeza no submundo londrino.
Quatro amores, poderosos o suficiente para domar a escuridão e devolver esses anjos caídos à luz. Goodreads

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 Sobre a história: O primeiro livro conta a história de Michael, o Marqêus de Bourne, que após a morte dos pais, perdeu praticamente tudo aos 21 anos num jogo de cartas  com seu tutor, que supostamente deveria ajudá-lo. Dez anos depois, em 1831, Bourne era novamente um homem rico após se tornar sócio do maior clube de jogos de Londres, o cassino “O anjo caído”, mas ainda queria vingança. Durante todos aqueles anos, ele procurou meios de tentar reaver a propriedade que perdeu, Falconwell. Eis que Chase, um de seus sócios e o maior detentor de informações entre os quatro, lhe trouxe novidades: Falconwell tinha um novo dono, um antigo vizinho, um marquês, que tinha colocado-a como parte do dote da filha mais velha, Lady Penélope Marbury.

 Penélope foi criada para ser uma dama perfeita, sempre fazendo tudo o que se esperava de alguém de sua posição social, porém, um escândalo a marcou: anos atrás, seu noivo,um duque, se apaixonou por outra mulher e o noivado foi desfeito. Desde então, Penélope passou a ser vista como uma imperfeita, afinal, não conseguiu segurar seu noivo que a trocou por uma mulher de linhagem duvidosa. As 28 anos de idade, ela ainda era solteira, mas estava sendo pressionada a se casar, para não prejudicar a possibilidade de bons casamentos para suas irmãs mais novas.

 Bourne faria de tudo para concluir sua vingança e ter Falconwell de volta, inclusive obrigar Penélope a se casar com ele. Penelope, que após ver como seu ex-noivo conseguiu encontrar um amor, que passou anos desejando também ser amada, acreditava que se casar com Michael poderia não ser tão ruim, afinal, na infância eles eram amigos. Só que Michael estava tão cego por seu desejo de vingança que parecia não haver mais nada do garoto que ela um dia conheceu.

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“Aquela mulher. Aquele casamento. Aquilo tudo. Não significava nada. Não podia significar nada. Ela era um meio para um fim. O caminho para sua vingança. Era tudo o que ela podia ser. Durante toda sua vida, Bourne destruiu tudo de valor que teve. Quando Penélope percebesse isso… que ele era todo tipo de decepção, ela o agradeceria por não permitir que se aproximasse muito. Ela ficaria grata por ele liberá-la para um mundo tranquilo e simples, onde teria tudo o que desejasse… e não precisaria se preocupar com ele.”
 Minha opinião: O que me motivou a ler o livro foi saber até que ponto Michael levaria sua vingança, pois em alguns livros em que há essa premissa, o personagem acaba se “rendendo” muito rápido, o que não aconteceu na trama escrita por Sarah: Michael realmente foi longe, quase longe demais. E como nem só de vingança vive essa história, foi bem interessante ver como a trama foi construída, como os sócios do Bourne tiveram um papel fundamental no desenrolar da trama, como Penélope foi crescendo no decorrer dos capítulos e tomando as rédeas da própria vida e como o passado dela, do Bourne e de um terceiro amigo influenciou no que eles eram quando adultos.

 Na vida real, a ideia de que uma mulher possa salvar ou mudar um homem é perigosa, pois pode fazer com que mulheres se mantenham em relacionamentos abusivos correndo o risco até de serem assassinadas, é bom ter isso em mente, já que, não só nesse primeiro livro mas como em toda a série, a premissa é a de um protagonista (note que eu disse protagonista, e não personagem masculino) que se redime com os erros do seu passado após encontrar o amor. Acredito que ninguém pode mudar se não quiser, acredito também que somos donos apenas da nossa própria vida, ainda assim, as nossas atitudes tem impacto na vida das outras pessoas.

 Pela mágoa de ser traído pelo seu tutor, alguém que deveria ser seu amigo, pouco tempo após a morte dos pais e sendo tão jovem quando isso ocorreu, Bourne parecia só ver a vingança como caminho, mas ele não tinha poder sobre os amigos e sócios, que apesar das suas próprias dores, viram algo de bom nele com a convivência e queriam que ele fosse feliz. Bourne também não tinha controle sobre Penélope, uma pessoa que tinha os seus próprios desejos e que lutaria pela sua felicidade Talvez se ela não o tivesse conhecido desde a infância, desde antes de Michael passar a se sentir menos merecedor de respeito e amor, menos nobre, não tivesse insistido em permanecer ao lado dele.

 Comparado com outros romances de época que li, “Entre o amor e a vingança” é relativamente maior, pois acontece bastante coisa na história. A escrita da autora é boa, a leitura é fluida, os personagens principais e secundários são interessantes, o fato de se passar, de certa forma, no lado obscuro da sociedade, dá um diferencial, mas a Sarah ainda não superou a Lisa Kleypas no meu ranking de autoras favoritas de romances de época.

 Detalhes: 304 páginas, ISBN-13: 9788582352939, 2015. Skoob. Onde comprar online: Saraiva, Amazon: Entre o amor e a vingança (O clube dos canalhas).

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Fica a sugestão para quem procura um bom romance de época cheio de vingança, amizade e amor. Resenharei um livro da série por semana, na próxima quarta-feira trarei o post sobre o segundo volume, aguardem! Me contem: já conheciam o livro ou a autora? Já leram romances onde havia esse desejo de vingança?

Até o próximo post!

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Resenha: livro "Tudo e todas as coisas", Nicola Yoon

 Olá pessoal, tudo bem com vocês? No post de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Tudo e todas as coisas", escrito pela jamaicana de nascimento e estadunidense por moradia Nicola Yoon. A edição que li foi a publicada pela editora Novo Conceito em 2016, mas há uma nova publicada pela Arqueiro. Essa é uma resenha cheia de citações, pois encontrei tantas lindas que tinha que registrar, leiam elas com carinho.

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 "Às vezes releio os meus livros preferidos de trás para a frente. Começo com o último capítulo e leio de trás para a frente até chegar ao início. Quando se lê dessa forma, os personagens vão da esperança ao desespero, do autoconhecimento à dúvida. Nas história de amor, os casais começam juntos e terminam como estranhos. Os romances de formação se tornam histórias sobre como perder o rumo. Os seus personagens preferidos voltam à vida." (página 160)

 Madeline Whittier, a narradora, é uma garota de 18 anos que nunca sai de casa por causa de sua doença. Ela é alérgica e tudo e todas as coisas pode acarretar em uma crise que pode matá-la. Então, Maddy convive apenas com sua mãe, que é uma médica, com a enfermeira Carla, e raramente recebe a visita de um de seus tutores de estudos. Maddy passa os dias com seus livros, estudando, vendo TV e fazendo companhia para mãe, já que seu pai e seu irmão mais velho morreram num acidente de carro quando a garota era apenas um bebê. Até que surge Olly, um garoto que não para quieto.

"Madeline: Desculpe. Não sei o que dizer. Não estou de castigo, mas não posso sair de casa.
 Olly: muito misterioso. você é um fantasma? foi o que eu pensei no dia em que nos mudamos e vi você na janela. e seria mesmo o maior azar a menina bonita da casa ao lado na verdade não estar viva.
Madeline: primeiro eu era uma espiã e agora eu sou um fantasma!
Olly: você não é um fantasma? então uma princesa de conto de fadas. qual delas você é? cinderela? você vai se transformar em abóbora se sair de casa?" (página 53)

 A família de Olly se muda para a casa ao lado. Ele, a irmã e a mãe são vítimas do alcoolismo do pai. E Maddy passa a observá-lo de sua janela. Logo, inicia-se uma comunicação entre eles, e Maddy entrará em conflito, pois aquela vida entre as paredes de sua casa já não é mais o suficiente. Só lendo para saber o desfecho dessa história!

 "Desde que Olly entrou na minha vida há duas Maddys: aquela que vive através dos livros e não quer morrer e a que vive e suspeita que a morte é um pequeno preço a ser pago por isso." (página 164)

 "Penso no Olly...
  Ele é o maior risco que eu já encarei." (página 73)

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 "Tudo e todas as coisas" foi uma obra que me interessou pela belíssima capa (adaptada da original pela Novo Conceito). Certo dia, eu estava esperando o almoço ficar pronto e peguei o livro para dar uma olhada nos primeiros capítulos, em poucos minutos já havia lido várias páginas. Isso aconteceu pela diagramação especial que a obra tem: em várias páginas há ilustrações, os capítulos são curtinhos em sua maior parte, e a diagramação traz margens, letras e espaçamento de bom tamanho. Aliando a diagramação à escrita super fluida da autora e a uma história daquele tipo que nos deixa mais curiosos a cada capítulo para saber o que acontecerá a seguir, o livro foi uma leitura rápida.

 "-Está tudo bem. Eu posso ter certeza por nós duas. Estamos juntas nesta casa há quinze anos, por isso sei do que estou falando. Quando comecei, pensei que seria apenas uma questão de tempo até que a depressão tomasse conta de você. E então houve aquele verão em que a depressão chegou perto, mas não chegou a atacar. Todos os dias você levanta e aprende uma coisa nova. Todo dia você descobre alguma coisa para deixá-la feliz. Todo dia, sem exceção, você tem um sorriso para mim. Você se preocupa mais com a sua mãe do que consigo mesma." (página 40)

 Esse é um daqueles livros onde encontramos várias citações marcantes, simples frases de efeito mas que trazem verdades, e Carla é a personagem que mais as utiliza. Imaginem como é para a Carla, trabalhar cuidando de uma garota tão legal quanto Maddy, mas que não pode sair de casa nunca?

 "- Só porque você não pode experimentar tudo não quer dizer que você não possa experimentar algumas coisas." (página 82)

 Na minha opinião, um dos grandes trunfos da história são os personagens; a autora os criou de forma que eles vão nos cativando a cada página. No final, como não querer um Olly para mim?!

 "-Então você precisou de um monte de teorias matemáticas para se dar conta de que as pessoas são imprevisíveis?
 - Você já tinha descoberto isso, não é?
 - Livros, Olly! Eu aprendi isso nos livros." (página 100)

 Recentemente li uma resenha de outro livro da autora ("O sol também é uma estrela") onde a pessoa que resenhou falava sobre como a autora nos faz ter esperança, e é isso o que também acontece em "Tudo e todas as coisas": temos esperança por Maddy, torcemos para que ela possa ter uma vida feliz, mesmo com sua alergia ao mundo, torcemos para que surja uma cura... E quando o desfecho chegou (desfecho que pode não agradar todo mundo, mas cujos indícios já estavam presentes no decorrer da história), fiquei com aquele desejo de que os capítulos finais fossem maiores, para que eu pudesse ver mais sobre os rumos que os personagens tomaram.

 "Mas qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. A segurança não é tudo. Há mais na vida do que se manter vivo." (página 290)

 Preciso mencionar também a mãe da Maddy: imaginem perder o marido, o filho e ver a filha doente! Imaginem ter uma vida feliz e vê-la desmoronando sem poder fazer nada...

 "Pela milésima vez percebi quão difícil minha doença é para ela. Este é o único mundo que eu conheço, mas antes de mim ela teve o meu irmão e o meu pai. Ela viajava e jogava futebol. Ela tinha uma vida normal que não incluía ficar enclausurada em uma bolha catorze horas por dia com sua filha adolescente. (página 36)

 "Tudo e todas as coisas" virou filme, mas aconselho que, caso ainda não tenham assistido, nem vejam o trailer antes de ler. É um livro delicado demais, sutil demais, e já saber o que acontece pode estragar um pouco da emoção da leitura. Outra coisa que quero ressaltar, é que a autora é negra e sua protagonista também, então, fica a sugestão para quem procura uma obra com diversidade.

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 A edição da Novo Conceito está linda e não me lembro de ter encontrado erros de revisão, mas talvez um pouco das sutilezas do livro tenha se perdido com a tradução do inglês para o português, me fazendo não captar alguns sentidos em certas partes.

 Detalhes: 304 páginas, ISBN-13: 9788581637884, Skoob."Tudo e todas as coisas" me ensinou o que é limerique, já que eu já conhecia o que era um haicai. Onde comprar online (edição da Arqueiro): Saraiva (ou clique aqui e use o link do blog com o cupom livro10 para ganhar 10% de desconto), Americanas.

 "-Tudo é um risco. Não fazer nada é um risco. A decisão é sua." (página 73)

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Fica a minha recomendação para que conheçam a história de Maddy. Me contem: já conheciam a autora ou o livro?

 "Você não está viva se não tiver arrependimentos." (páginas 182)

Até o próximo post!

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Resenha: livro "As Altas Montanhas de Portugal", Yann Martel

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro "As Altas Montanhas de Portugal", escrito pelo Yann Martel e publicado no Brasil em 2017 pela Editora Tordesilhas.

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 A obra é composta por três histórias que tem alguns pontos em comum. A primeira, intitulada "Sem Casa", é sobre o português Tomás. Em 1904, em uma única semana, ele perdeu o pai, a esposa e o filho para a morte. Quem suportaria uma dor dessas? Desde essa perda, Tomás passou a andar de costas, de marcha a ré, era o seu jeito de protestar contra a tragédia que ocorreu em sua vida.

 "Em resposta Tomás veio com bons argumentos em defesa de seu jeito de andar. Não fazia sentido enfrentar os elementos - o vento, a chuva, o sol, o assalto de insetos, o ar sombrio de desconhecidos, a incerteza do futuro - com o escudo constituído pelo dorso da cabeça, as costas do casaco, a traseira das calças? Esses são nossa proteção, nossa armadura. São feitos para resistir aos caprichos do destino. Enquanto isso, quando se anda de marcha a ré, nossas partes mais delicadas - o rosto, o peito, os detalhes atraentes da vestimenta - ficam ao abrigo do mundo cruel, exibidas quando e para quem quisermos com um simples volteio voluntário, que destrói nosso anonimato." (página 19)

 Ele trabalhava num museu de Lisboa, onde teve acesso ao diário de um padre chamado Ulisses, que viveu no século XVII. Esse padre relatou sua missão de "catequizar" escravos de colônias portuguesas. Seu encontro com a realidade vivida pelos escravos fez com que ele se revoltasse com a crueldade da escravidão. Padre Ulisses deixou uma relíquia, um objeto que poderia ter grande valor histórico.

 Sem motivos para viver, é atrás dessa relíquia que Tomás decide ir, em seus curtos dias de férias do trabalho. Para conseguir fazer mais rápido o percurso até a região conhecida como "As Altas Montanhas de Portugal", o rico tio de Tomás decide lhe emprestar um carro, algo que era novidade na época. No decorrer da primeira parte, acompanharemos Tomás nessa viagem por Portugal, aprendendo a lidar com o veículo que causava espanto no início do século vinte.

 "Várias vezes Tomás sente vontade de gritar, mas o rosto está paralisado de medo. Em vez disso, pressiona os pés contra o piso com toda a força. Se supusesse que o tio aceitaria ser tratado como uma boia salva-vidas, de bom grado teria se agarrado a ele." (página 48)

 Sabe quando acontece tudo o que pode acontecer de errado? A viagem de Tomás não será nada fácil, o que renderá cenas hilárias para nós, que vivemos numa época onde os veículos são algo comum.  Mas também dá uma certa pena do Tomás, pois ele sofre nessa viagem como nunca imaginou que pudesse sofrer depois de tudo o que já viveu. Foi super interessante ler sobre como eram os primeiros carros e observar a evolução que esse meio de transporte sofreu em um século. Também foi interessante descobrir um pouco mais sobre o século XVII através dos relatos do padre. E a curiosidade sobre o que seria a relíquia que ele criou me manteve curiosa até o fim.

 "- Incrível! Glorioso! Fantástico! Não falei? Olhe como dobra à esquerda! Extraordinário, absolutamente extraordinário! Veja, veja: estamos perto dos cinquenta quilômetros por hora!
 Entretanto, O Tejo desliza plácido, sem pressa, imperturbável, um mastodonte gentil ao lado da pulga que saltita ao longo de suas margens." (página 48)

 A segunda história, cujo título é "Para casa", se passa na virada de ano de 1938 para 1939. Eusébio é um médico patologista, cuja função é examinar cadáveres para definir a causa da morte. Ele recebeu a visita de sua esposa, uma mulher que gostava muito de falar. Em comum, eles tinham a paixão pelos livros da Agatha Christie, e a esposa criou uma teoria que compara os livros da escritora com a Bíblia.

 Depois da visita da esposa, Eusébio recebeu outra visita, de outra mulher: uma senhora que trazia o corpo do marido e pedia que ele descobrisse como o falecido viveu. O que Eusébio encontraria nessa autópsia é algo inimaginável!

 "(...) ela é uma apóstola moderna - uma mulher, o que já não é sem tempo, depois de dois mil anos de tagarelice masculina. E essa nova apóstola responde às mesmas questões às quais Jesus respondeu: que devemos fazer com a morte? Porque os romances policiais sempre chegam a uma resolução no fim, o mistério habilmente se desfaz. Precisamos fazer o mesmo com a morte em nossa vida: temos de solucioná-la, encontrar um significado para ela, colocá-la em contexto, por mais difícil que seja." (página 157)

 Essa segunda história trouxe dois pontos interessantes. Primeiro, foi muito legal ver fãs da Agatha Christie quando ela ainda era viva, que como os leitores de hoje em dia, ficavam ansiosíssimos pelo lançamento de um novo livro. Depois, vem a autópsia. Acredito que o autor tenha feito uso do realismo mágico (no estilo Gabriel Garcia Márquez e seu "Cem anos de solidão"), pois acontecem coisas que não são reais, não tem como explicar.

 "O triste fato é que não há mortes naturais, a despeito do que dizem os médicos. Toda morte é sentida por alguém como se fosse um assassinato, como o roubo injusto de um ente querido. E mesmo o mais afortunado entre nós se depara ao menos com um assassinato em sua iva: o próprio. É nosso destino. Todos vivemos um romance policial no qual somos as vítimas." (página 157)

 A terceira e última parte, "Em casa", se passa na década de 1980 e nos apresenta o senador canadense Peter Tovy. Ele viu sua família se desfazer por causa de brigas, e teria entrado em depressão se, numa viagem aos Estados Unidos, não tivesse visitado uma espécie de zoológico. Lá, ele sentiu uma conexão estranhíssima com um dos primatas, o chimpanzé Odo. Peter decidiu jogar tudo pro alto, comprar Odo e ir com ele para Portugal, de onde vieram os pais de Peter, uma atitude que foi vista como loucura por alguns.

 A amizade entre um senhor e seu macaco foi a história de que mais gostei, cuja leitura foi mais fluida. Odo não é um animal de estimação comum, não só por ser um primata, mas também por ter comportamentos inusitados. A relação dele com Peter começa com uma espécie de medo, pois Odo é muito mais forte que Peter e poderia matá-lo se quisesse. Assim como o carro em 1904, Odo causa curiosidade e medo por onde passa.

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 Num geral, "As Altas Montanhas de Portugal" foi uma leitura que eu gostei muito mais do que imaginava. Eu tinha um certo receio de ler um livro do Yann Martel, pois como alguns devem saber, ele plagiou o livro "Max e os felinos" do escritor brasileiro Moacyr Scliar em "As aventuras de Pi", livro que foi adaptado para o cinema. Eu tinha um certa raiva do Yann Martel por isso, confesso. Sentimento que foi amenizado durante leitura.

 As três histórias não tem um final totalmente fechado, ficam algumas questões sem respostas no final, mas não faz realmente diferença depois que as pouco mais de 300 páginas são lidas. Uma palavra que usei para definir o livro numa postagem que fiz logo após finalizar a leitura foi "espanto". As tramas narradas por Yann Martel causam espanto, espanto pela tragédia vivida por Tomás e assistida por Padre Ulisses, espanto pelo jeito de Tomás andar (que até tem sua lógica), espanto pelo espanto causado pelo carro, espanto pelas teorias da esposa do médico Eusébio, espanto pelos casos que ele vivencia no trabalho, espanto pelo que é encontrado na autópsia, espanto por Odo, espanto pelas dores e alegrias de cada personagem, espanto pelas coincidências que interligam essas três histórias.

 Yann narra todas as histórias usando os verbos no presente (não me recordo ao certo a definição para esse "presente"). Algumas partes das tramas, especialmente o início, são mais monótonas, mas num todo, elas são bem surpreendentes.

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 A Editora Tordesilhas trouxe uma capa linda para a obra (adaptada da original, só consigo babar por essas estrelinhas no topo), que me deixou encantada pelas cores escolhidas e pelos elementos que tem tudo a ver com a trama. As páginas são amareladas, a revisão é boa, a diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 Detalhes: 312 páginas, ISBN-13: 9788584190546, Skoobleia um trecho. Onde comprar online: loja da editoraSaraiva (ou clique aqui e acesse pelo link exclusivo do blog e use o cupom livro10 para ter 10% de desconto)Submarino.

 "As Altas Montanhas de Portugal" foi um livro que eu li, gostei e recomendo. Leiam, espantem-se, divirtam-se, surpreendam-se e emocionem-se nessa viagem por Portugal do século vinte! Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam ou leram algo do autor? Qual das três histórias pareceu mais interessante?

Até o próximo post!

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Vídeo: O maior unboxing do canal

 Olá pessoal, tudo bem com vocês? Lembram do post/vídeo que eu fiz mostrando os sete livros que eu tinha comprado num sebo e falando que ia ficar sem comprar até a Black Friday? Lembram também que eu estava esperando chegar outra compra de livros maior ainda? Pois é, ela chegou. Apertem o play para conferir os livros dos quais a Michele Bowkunowicz estava desapegando e que vieram parar na minha estante:



 Como falei, foi uma compra impulsiva. Eram livros que não estavam na minha lista de desejados, mas que eu tinha vontade de ler. Houve algumas mudanças na minha lista de escolhidos, pois alguns foram pedidos primeiro por outras pessoas, mas no final foram esses que comprei:

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 Olhem a sinopse do primeiro livro dessa série da P. C. Cast:

Deusa do Mar, P C Cast
Deusa do Mar: Na noite de seu vigésimo quinto aniversário, sozinha em seu apartamento, a Sargento da Força Aérea Christine Canady desejou uma coisa: um pouco de mágica em sua vida. Após beber muito champanhe, ela fez, de todas as coisas loucas, um ritual de invocação de uma deusa, esperando que aquilo de alguma maneira fizesse sua vida um pouco menos comum... Mas ela nunca acreditou que o feitiço fosse realmente funcionar! Quando seu avião militar cai no oceano, a missão de Chris no estrangeiro toma um rumo inesperado. Ela acorda para se encontrar em um tempo e lugar lendários onde a mágica governa a terra - ocupando o corpo da mítica sereia Ondina. Mas há perigo nas águas e a deusa Gaia transforma essa mulher militar e moderna em uma linda donzela para que ela possa procurar proteção em terra. Chris logo é resgatada (literalmente) por um cavaleiro de armadura brilhante. Ela deveria estar se apaixonando por esse sonho-tornado-realidade, mas ao invés disse ela deseja o mar e Dylan, o sexy tritão que roubou seu coração.

 Parece interessante, né?! A Saga Encantadas volta e meia está em promoções ainda melhores do que os R$10,00 que paguei em cada livro, vocês já leram algum livros dela? Eu não imaginava que "Laranja Mecânica" fosse tão fininho, alguém aí já viu o filme? Dia desses vi umas resenhas bem positivas sobre os livros da Rachel Gibson que me deixaram ainda mais animada para ler os livros dela! Já sobre "Magônia"...

 Enfim, me contem: já conheciam, leram ou querem ler algum desses livros? Por qual me aconselham a começar?

Até o próximo post!

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TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO: livros "O Sorriso da Hiena" ou "Rainbow" e resultado do Top Comentarista de Agosto

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje venho trazer o resultado do Top Comentarista de Agosto, mas antes vamos falar sobre o Top Comentarista de Setembro. Quem comentar em todos os posts que rolarem aqui no Pétalas de Liberdade em Setembro vai poder escolher se quer ganhar o livro "O Sorriso da Hiena" ou o livro "Rainbow". Esse mês temos mudanças nas regras, então fiquem atentos:

Regras para participar:
1° - o participante deverá deixar nos comentários um e-mail para contato (será através dele que o vencedor será avisado e terá seu endereço solicitado para envio do prêmio).
2° - o participante deverá compartilhar publicamente em alguma rede social (facebook, twitter ou instagram) o banner (a imagem abaixo) do Top Comentarista juntamente com o seguinte texto:  Top Comentarista de Setembro no blog Pétalas de Liberdade valendo os livros "O Sorriso da Hiena" ou "Rainbow": www.petalasdeliberdade.blogspot.com.br. ; e deixar nos comentários dessa postagem o link do compartilhamento.

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3° - o participante deverá comentar em todos os posts publicados no Blog Pétalas de Liberdade entre os dias 1 e 30 de setembro de 2017. O prazo para comentar termina no dia 1° de outubro de 2017.
4° - os comentários deverão ser condizentes com a postagem, não vale comentar qualquer coisa, é preciso ler o post e fazer um comentário coerente.
5° - em caso de nenhum participante comentar em todos os post do mês, o Top Comentarista será cancelado.
6° - caso mais de um participante se inscreva e comente em todos os posts do mês, o vencedor será escolhido através de um sorteio feito por um sorteador online com base na ordem de inscrição.

SOBRE O RESULTADO E O ENVIO DO PRÊMIO:
- O resultado será divulgado nesse mesmo post e nas redes sociais do blog em até uma semana após o encerramento das inscrições.
- O vencedor será avisado pelo e-mail deixado nos comentários e terá até uma semana para entrar em contato passando o endereço para entrega e escolhendo o livro.
- O envio será feito em até 30 dias após o recebimento do endereço do vencedor.
- Não nos responsabilizamos por danos ou extravios dos Correios.

 Qualquer dúvida é só deixar aí nos comentários. Então, não temos formulário e a inscrição será feita pelos comentários do post (se preferirem quando há um formulário, contem aí nos comentários que ele pode voltar no próximo mês); e há a necessidade de compartilhar sobre o Top Comentarista, para ajudar a divulgar o blog.

 Um pouquinho sobre as opções do mês:

O Sorriso da Hiena Gustavo Ávila
O Sorriso da Hiena Gustavo Ávila
Editora Verus
Resenha Sinopse: É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana.
Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas.
Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?
Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.

Rainbow M.S. Fayes
Rainbow M.S. Fayes
Editora Pandorga
Resenha Sinopse: Rainbow Walker sempre se sentiu diferente das garotas da sua idade. Com um nome peculiar e uma família estranha, ela nunca conseguiu estabelecer vínculos ou manter muitas amizades. Agora, em uma nova cidade, ela terá que se adaptar a uma nova escola e rotina, ao mesmo tempo em que precisa deixar sua introspecção de lado.
Mas Rainbow não está sozinha nessa jornada, já que uma pessoa inesperada entra em seu caminho, fazendo com que ela precise rever todos os velhos preconceitos em relação aos outros, se obrigando a deixar as pessoas entrarem na sua vida.
Reviravoltas, conflitos familiares e toda espécie de desventuras típicas de uma adolescente no Ensino Médio não podem competir com o que ela menos esperava encontrar: o amor e a autodescoberta.

 Agora, vamos ao resultado do Top Comentarista de agosto.

 Tivemos 10 inscritos no formulário, mas ao longo do mês nem todos participaram.

 A Janaina Silva e a Franciele Débora comentaram em todos os post; a Bianca Pontes só não comentou na wishlist e no post do Top Comentarista; e a Nara só não comentou no post sobre a TAG Experiências Literárias. De qualquer forma, agradeço todos os que comentaram no blog durante o mês de agosto e especialmente às quatro. Vamos ao sorteio, por ordem de inscrição, a Janaina é a número 1 e a Franciele é a número 2.

 Parabéns, Janaina Silva, você ganhou o livro "Dois Mundos" com marcador e cards, verifique sua caixa de e-mails.

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 Por hoje é só, me contem: qual dos dois livros gostariam de ganhar? Quem vai participar?

Até o próximo post!

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Resenha: livro "Fazendo meu filme: A estreia de Fani", Paula Pimenta

 Olá pessoal, tudo bem com vocês? No post de hoje venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro "Fazendo meu filme 1: A estreia de Fani", escrito pela mineira Paula Pimenta e publicado pela Editora Gutenberg em 2008. Ganhei esse livro no meu aniversário em 2012 (época em que ele já era bem comentado)! Mas só consegui tempo para lê-lo com o projeto Lendo Nacional, pois o livro se encaixava em um dos temas propostos!

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 "Fazendo meu filme" é narrado pela Fani (apelido de Estefânia), uma garota de dezesseis anos, que mora com os pais em Belo Horizonte. O hobby da Fani são os filmes, ela ama ir ao cinema mas também ama colecionar os DVDs dos seus filmes favoritos, pois acha muito mais bacana poder assistir os filmes no conforto de casa. Deu para perceber que ela é mais caseira, né?!

 "Eles ficam enfileirados na minha estante, todos os 55 filmes que já tenho. Assisti a cada um deles tantas vezes que cheguei ao ponto de quase decorar as falas. Inclusive anoto todas as minhas frases preferidas ditas por personagens, e - na minha opinião - os melhores livros são os roteiros. A Gabi diz que isso é obsessão, mas o meu pai falou que é um hobby até saudável, que, pelo menos, estou estimulando a imaginação e a criatividade. Mas eu digo pra ele que isso não é apenas um hobby... é vocação. Juro que um dia ainda vou ser cineasta. Ou diretora. Ou roteirista." (página 21)

 A Fani tem dois irmãos mais velhos que não moram mais em casa, e está no segundo ano do Ensino Médio. Tem uma super amiga na sua sala de aula: a Gabi, e tem um amigo, o Leo, além da Natália, da Priscila e do Rodrigo (esses três últimos são de outra sala). Acontecem algumas coisas que trazem suspeitas de que o Leo goste da Fani não só como amiga, algo que até então a garota nem tinha imaginado. Além disso, a Fani está meio que a fim de um outro cara mais velho, e será que esse cara dá mesmo bola para ela ou é só coisa da sua cabeça?

 "Terminei a lista e fiquei olhando. O que esses meninos têm a ver com o Leo? Nada! Todos eles são lindos de morrer e o Leo é...
 O Leo é só o Leo. O Leo que gosta quase tanto de cinema quanto eu. O Leo que tem a mãe mais gente boa do mundo.O Leo que faz palhaçada para eu rir. O Leo que me protege sem eu nem estar correndo perigo. O Leo com quem eu gosto de estar junto em qualquer momento." (página 217)

 Aí, além dessa coisa de saber se tem seu sentimento correspondido ou não, de tentar entender o que está acontecendo com o Leo e das dificuldades com os estudos, surge a possibilidade de um intercâmbio: um ano em um país diferente. Em "A estreia de Fani", acompanharemos o desenrolar desse e de outros acontecimentos na vida de nossa protagonista e narradora, numa fase em que a infância se distancia cada vez mais.

 "Foi a primeira vez que eu tive a sensação de que eu era a responsável pela minha vida. A primeira vez que eu senti que a minha mãe não estava me tratando mais como criança, e em vez disso me deixar feliz, me deixou ainda mais desesperada, como se, de repente, eu tivesse caído na real de que tudo o que estava acontecendo era por minha culpa e de mais ninguém." (página 185)

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 A história é narrada de forma que até parece que estamos lendo o diário da protagonista, ainda que ela não seja contada em forma de diário. Talvez por isso e pela escrita super fluida da autora, a leitura tenha acontecido mais rápido do que eu imaginei pelo número de páginas. Os capítulos curtos também ajudaram, já que sou vítima daquela promessa fajuta de "só vou ler mais um capítulo", aí acontece alguma coisa que me deixa mega curiosa pelo que irá acontecer a seguir e eu leio mais UNS capítulos. "Fazendo meu filme" foi um dos primeiros títulos da Paula Pimenta, eu não sei se foi uma opção dela ou se foi inexperiência (que fique bem claro que eu não estou reclamando de nada!), mas o texto ficou com uma cara bem adolescente, em todo momento imaginamos realmente que é uma garota de dezessete anos que está escrevendo, uma garota de Minas Gerais.

 A trama não é focada no romance, e sim na vida da Fani e nas mudanças que estão acontecendo com a proximidade da fase adulta, mas tenho que comentar que algumas atitudes do Leo tocaram o meu coração. Aquela carta foi linda! Ainda que haja o velho clichê da rivalidade com outra garota na sala, é muito bom ver num livro voltado especialmente para o público adolescente, um modelo de relacionamento que não prende, mas que estimula as garotas a aproveitarem as boas oportunidades que virão. Mesmo que de forma leve, "Fazendo meu filme" toca em muitos assuntos importantes para esses leitores, e fico contente por a Paula Pimenta ter falado sobre eles.

 "Só gostaria que você se empolgasse mais", ele continuou a falar, já que eu não me manifestei. 'Porque ficar longe do conforto da própria casa já é difícil para quem resolve fazer isso com muita vontade. Viajar sem estar interessados pode transformar o que seria a melhor época da sua vida em um pesadelo...'" (página 272, palavras do pai da Fani)

 Outra coisa que também gostei foi poder voltar um pouquinho no tempo e relembrar como era a adolescência sem essa febre de smartphones e aplicativos que estamos vivenciando hoje. Matar as saudades da época do Orkut e do MSN. Tecnologia é muito bom sim, mas o que percebo é que estamos nos tornando dependentes dela nesses últimos anos.

 E, como não poderia deixar de ser, "Fazendo meu filme" me fez lembrar da minha própria adolescência, das minhas inseguranças e ansiedades daquela época, da vida na escola, das saídas com os amigos... e eu sofri! Sim, eu sofri, pois meu coração não aguenta ver adolescentes sofrendo, se desiludindo, vendo amigos se afastarem, tendo seus planos (tão bem arquitetados) frustrados. Acho que livros do tipo, principalmente os nacionais, me fazem me identificar muito.

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 O meu exemplar é a oitava edição lançada pela Editora Gutenberg, e não me lembro de ter encontrado erros de revisão. A capa é muito bonita, pela escolha das cores, fontes e ilustrações condizentes com a trama. As páginas brancas não atrapalharam em nenhum momento a leitura, talvez pelo bom tamanho de margens, letras e espaçamento entre uma linha e outra. No início de cada capítulo há um trecho de um filme (já coloquei vários que foram citados na minha lista de filmes que quero ver!), além do uso de um tipo de letra diferente para marcar "extras", como listas da Fani e bilhetes, uma capricho da editora que me agradou muito.

 Enfim entendi o motivo de essa série da Paula Pimenta fazer tanto sucesso! O primeiro livro não tem um final verdadeiramente aberto, mas é impossível terminá-lo sem vontade de saber o que mais acontecerá com a Fani nos próximos volumes. Sendo assim, quero muito ler os demais. Fica a minha recomendação para quem procura um livro nacional apaixonante, seja você menino ou menina, adolescente ou adulto, tenho certeza que a história vai tocá-lo de alguma forma!

 Detalhes: 336 páginas, ISBN: 9788589239844, Skoob, site da série. Compre no Submarino. Confira todos os livros da Paula Pimenta na AmazonClique aqui, pesquise por Paula Pimenta na Saraiva e use o código livro10 para ganhar 10% de desconto na compra do livro.


 "A porta tinha sido fechada, trancando todos os meus sonhos. E quando eu abrisse de novo, não teria mais nada do lado de fora. Só o vazio." (página 308)

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já leram o livro ou algum outro da autora?

Até o próximo post!

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