Resenha: livro "O Grande Gatsby", F. Scott Fitzgerald

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "O Grande Gatsby", um clássico da literatura norte-americana, escrito pelo estadunidense F. Scott Fitzgerald, publicado originalmente em 1925, lido na edição de 2013 da Editora Landmark.

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 "Quando eu era mais jovem e vulnerável, meu pai me deu alguns conselhos nos quais sempre reflito, desde aquela época.
 'Sempre que sentir vontade de criticar alguém, pense que nem todas as pessoas deste mundo tiveram as vantagens que você teve', foi o que ele me disse.
 Ele não falou mais nada, mas, de um modo reservado, sempre fomos invulgarmente comunicativos e compreendi que havia um significado muito mais profundo em suas palavras. Como consequência, tendo a ser reservado em todos os meus julgamentos, um hábito que me desvendou várias naturezas curiosas e me tornou vítima de não poucos importunos inveterados." (página 9)

 Assim nosso narrador, Nick Carraway, começa a contar a história, ambientada na década de vinte do século passado. Ele foi passar o verão em uma casa alugada, e como vizinho tinha o extravagante Jay Gatsby, um homem que dava festas grandiosas. Nick foi convidado para uma dessas festas, e notou que muitos dos presentes, além de nem terem convites, não faziam ideia de quem era o dono da festa e só estavam lá para se divertir.

 "Creio que na primeira noite que fui à casa de Gatsby, eu era um dos poucos convivas que realmente haviam sido convidados. As pessoas não eram convidadas – simplesmente apareciam. Embarcavam em automóveis que as transportavam de Long Island e terminavam na porta de Gatsby. Uma vez ali¸ eram apresentadas por alguém que o conhecia, e depois disso se comportavam de acordo com regras de conduta próprias de um parque de diversões. Certas vezes, surgiam e partiam sem se encontrar com Gatsby, chegavam para a festa com uma pureza de coração que, por si só, se tornava seu bilhete de admissão." (página 33)

 Pelo seu comportamento extravagante e esbanjando dinheiro como um milionário, diversos boatos surgiam sobre Gatsby, mas aos poucos, Nick descobriria a verdade. Descobriria também que Gatsby desejava, mais que tudo, se aproximar de Daisy, prima de Nick, e que tudo o que ele fazia para chamar a atenção era numa tentativa de reencontrar Daisy.

"'Que estranha coincidência', comentei.
 'Mas não foi coincidência alguma.'
'Por que não?'
 'Gatsby só comprou essa casa por que Daisy estaria do outro lado da baía." (página 55)

 "Catherine chegou mais perto e cochichou no meu ouvido: 'Eles não suportam a pessoa com quem se casaram.'" (página 28)

 A bela prima de Nick era casada com Tom Buchanan, um casamento que não andava muito bem, pelas constantes traições de Tom. Teriam Gatsby e Daisy uma segunda chance? O passado de Gatsby poderia esconder algum escândalo?

 "Pois Daisy era jovem e seu mundo artificial tinha o aroma de orquídeas, do esnobismo alegre e das orquestras que determinavam o ritmo do ano e sintetizavam a tristeza e os aspectos do mundo em novas canções." (página 99)

 Quem acompanha o blog talvez se lembre que já comentei sobre "Incrível", um livro escrito pela Sara Benincasa, e que é uma releitura de "O Grande Gatsby", mas feita com adolescentes, com protagonismo feminino e ambientada nos dias atuais. E se lembre também que já vi a adaptação cinematográfica da obra de Fitzgerald (com Leonardo Dicaprio no elenco). Então, eu li o livro já tendo duas outras obras como base, sendo impossível para mim analisá-lo isoladamente.

 O que posso dizer é que o filme complementa o livro, ainda que tenha algumas modificações, por exemplo: na obra escrita há destaque para mais personagens (incluindo alguns que nem são citados no filme) e o contexto da época através da narração de Nick; já na adaptação cinematográfica é o romance que domina. Talvez pela diferença de épocas da releitura e pela extrema beleza visual do filme, o livro não tenha tido todo o brilho que eu esperava encontrar, mas foi uma leitura que gostei bastante.

 "Ele sorriu compreensivo – na verdade, foi muito mais do que isso. Foi um desses sorrisos raros, com uma qualidade de tranquilidade eterna, que você só encontra quatro ou cinco vezes em sua vida. Um sorriso que por um instante encarava o mundo todo – ou parecia encarar – e depois se concentrava em você com um irresistível preconceito a seu favor. Ele o compreendia na medida em que você desejava ser compreendido, acreditava em você como você mesmo gostaria de acreditar, e lhe assegurava que tinha de você exatamente a impressão que, na melhor das hipóteses, você gostaria de produzir. Precisamente nesse ponto, o sorriso se desvaneceu e encontrei-me diante de um jovem elegante e rude, de 30 e poucos anos, cuja elaborada formalidade ao falar era quase absurda. Pouco antes de se apresentar¸ eu tivera a impressão que ele escolhia as palavras com todo o cuidado." (página 37)

 "O Grande Gatsby" é um livro pequeno, com pouco mais de cem páginas, e por isso pode ser lido rapidamente. Por ser uma obra traduzida, sinto que não posso fazer comentários definitivos sobre a escrita do autor, visto que já vi que em outras traduções a organização das palavras varia, ainda que o sentido seja o mesmo, mas essa edição não apresenta muitas palavras complicadas, como alguns temem em clássicos. Tenho vontade de ler uma outra edição com outra tradução para talvez captar melhor alguns significados, visto que o narrador nem sempre é direto e há muitos pensamentos e opiniões além de simples ações dos personagens.

 "Visualmente, ele já passara por dois estágios e entrava em um terceiro. Depois do seu constrangimento e da alegria ilógica, estava consumido pelo milagre de sua presença. Alimentara essa ideia durante tanto tempo, sonhara com ela em todos os seus detalhes, esperara com os dentes cerrados, por assim dizer, em um inconcebível grau de intensidade. Agora, sua reação era desandar como um relógio ao qual haviam dado corda demais." (página 63)

 Me chamou bastante a atenção a forma como tantas pessoas compareciam nas grandiosas festas de Gatsby, mas eram raras as que estavam lá por ele e para ele, para o conhecerem de verdade. Chega a ser espantoso a forma como só se interessavam por seu dinheiro e como diziam as coisas mais absurdas sobre o anfitrião. A forma como Gatsby correu atrás de seus desejos, como amou cegamente e depositou todas as suas esperanças nesse amor também é tocante, mas não se pode colar um vidro que se parte nem fazer com que o tempo volte exatamente de onde queremos. E Daisy? Seria uma sedutora ou uma irresponsável? Acredito que ela era uma mulher produto da sociedade de sua época e da criação que teve, e não são todas as mulheres que abririam mão de sua segurança e estabilidade financeira. E o desprezível Tom Buchanan, que não aceitava perder?!

 "Algo o fazia beliscar a margem de ideias já caducas, como se sua imensa vaidade física não mais nutrisse seu coração resoluto." (página 20, considerações de Nick sobre Tom Buchanan)

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 A edição traz uma sobrecapa inspirada no pôster do filme, com uma capa idêntica, páginas amareladas, diagramação com letras, margens e espaçamento de bom tamanho, e apresenta alguns erros de revisão.

 Detalhes: 240 páginas, ISBN-13: 9788580700114, Skoob. Clique e compre na Amazon (disponível em físico, e-book e também no Kindle Unlimited):

 Foi complicado para mim fazer essa resenha com a presença da releitura e do filme ainda tão vivos em minha memória, mas espero que vocês tenham gostado. Fica a minha recomendação para que vocês leiam "O Grande Gatsby", um livro que fala sobre amor, correspondido e não correspondido, fala sobre esperanças e sobre sociedades que só se importam com a aparência.

 "Gatsby acreditava na luz verde, no orgástico futuro que, ano a ano, recua diante de nós. Esse futuro nos iludiu então, mas isso não importa - amanhã correremos mais depressa, abriremos mais amplamente os nossos braços... E em uma belíssima manhã...
 E, assim prosseguiremos, barcos contra a corrente, incessantemente atraídos para o passado." (página 117)


 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já leram esse clássico ou outra obra do autor? Já viram o filme?

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Resenha: livro "Assim como és", Naiara Aimee

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o romance de época "Assim como és", escrito pela Naiara Aimee e publicado em 2018.

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 Nossa protagonista é Rebecca Kingsbury, uma jovem que tem um problema de gagueira com o qual a sua mãe nunca soube lidar, e por isso acabou dando mais atenção e amor à filha caçula, a bela Rosamund. Em compensação, Rebecca sempre recebeu muito afeto do pai e da irmã mais nova. Eis que Rosamund tem um pretendente: Henry Ashford, com quem Rebecca se desentendeu no passado, mas pela irmã eles teriam que ter uma boa convivência. O problema é que talvez o coração de Henry não tenha sido destinado à Rosamund, e Rebecca descubra que Henry é bem diferente do que ela achou por tantos anos...

"- Como vê, a beleza um dia se desvanece; e, além disso, nem todas as manhãs são de Sol, mas todas as noites são de sonhos."

 A Naiara é mais uma autora que participou da coletânea "Querida Jane Austen, uma homenagem", motivo que me fez querer ler outras obras dela. "Assim como és" é uma história da qual já havia visto comentários positivos, e lhes garanto que todos os elogios ao livro são merecidos!

 Livro, pois não consigo classificá-lo como um simples conto, mesmo que tenha menos de cem páginas. É uma história completa, na medida certa, com um enredo bem desenvolvido e personagens bem construídos, tanto os principais quanto os secundários tem suas subtramas. A autora até comenta sobre a possibilidade de acrescentar cenas e transformá-lo num romance mais longo, mas acredito que no máximo um ou dois parágrafos que nos dessem um vislumbre maior do que levou Henry a olhar para a irmã mais velha e estaria (ainda mais) perfeito.

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 A premissa lembra um pouquinho a de "Um conde para minha amiga" da Tânia Picon já resenhado no blog (mocinha que não é a mais bela e se interessa pelo pretendente da amiga), mas os fatos en "Assim como és" são bem mais sérios do que no bem humorado "Um conde para minha amiga". É tocante ver como Rebecca era incompreendida pela mãe (numa época em que uma mulher precisava fazer um bom casamento para ser bem sucedida e ter algum "defeito", como a gagueira, poderia reduzir as chances de sucesso). Nossa protagonista passou a evitar conflitos, ela era uma jovem com um coração muito bom e generoso, mas que não colocava a própria felicidade acima da felicidade dos outros.

 Na sinopse é dito que a história é cheia de surpresas e reviravoltas, e é mesmo, tanto que eu não sabia o rumo que a história iria tomar até o capítulo final. A autora cita as obras das irmãs Brontë, de Elizabeth Gaskell (uma das minhas escritoras clássicas favoritas) e de Jane Austen como suas inspirações, e fica bem perceptível a influência dessas escritoras na escrita (maravilhosa) da Naiara, por exemplo, a religiosidade da Rebecca me lembrou bastante a protagonista de "A Senhora de Wildfell Hall" da Anne Brontë. E como a gente sabe que os clássicos nem sempre têm um final feliz, me batia aquele medo durante a leitura do desfecho de "Assim como és".

 Fica a minha recomendação para quem procura uma história para todas as idades, bem escrita e rápida de se ler (por causa do número de páginas), especialmente para os apaixonados pelos romances clássicos, que nos deixam aflitos para saber se o desfecho da heroína não-convencional será feliz ou não. Para os que curtem e-books, ele está no Kindle Unlimited da Amazon, e para quem prefere os físicos, pode adquiri-lo no formato impresso na loja da editora Portal (a capa é linda e a revisão está bem feita).
 Detalhes: 85 páginas, Skoob.

 Por hoje é só, espero que tenham curtido a resenha. Me contem: já conheciam o livro ou a autora? Já leram livros protagonizados por personagens com gagueira?

Resenha: livro "Recomeço à francesa", Katherine Salles

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Recomeço à francesa: Uma história de amor (próprio) em Paris", escrito pela Katherine Salles e publicado em 2017, que faz parte da minha saga de ler tudo o que estiver disponível no Kindle Unlimited escrito pelas autoras que participaram da antologia maravilhosa "Querida Jane Austen, uma homenagem".

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 "Recomeço à francesa" nos apresenta Mel, que trabalhava na Madame Bovary, a padaria da família do noivo, numa cidade do interior de São Paulo. Além disso, Mel fazia tortas de pote para juntar dinheiro pro tão sonhado casamento. Imagem o choque que ela levou ao descobrir que era traída pelo noivo?

 Tentando ajudar a levantar o astral da irmã, já que Mel estava sem perspectiva de futuro por até então viver voltada para os planos do casamento, Cecília, uma advogada mochileira, convence Mel a ir para Paris como au pair, onde as duas poderiam trabalhar como babás na casa de uma brasileira por alguns meses.

 Em Paris, Mel acaba sendo convidada para participar do programa Guerra de confetes, um realitty show de confeiteiros do qual ela era fã. E com isso veremos como Mel reencontrará o seu amor próprio, a vontade de estimular o seu talento com os doces e de traçar planos para si mesma. Esse tempo na França também fará bem para Cecília, uma mulher que nunca conseguia se fixar em um lugar por muito tempo e que, como a irmã, já havia vivido uma decepção amorosa e fechado seu coração.
"Diferente de uma dupla na competição, ele era... ah, o que ele era afinal? Talvez ele fosse a pessoa que faria Mel parar de dar valor aos nomes nas relações. Meu namorado, meu noivo, meu marido, tudo tinha pronome possessivo, tudo girava em torno de mudar sua vida para encaixar alguém, e agora ela não estava disposta  a mudar nada. Pierre era apenas Pierre, e isso o suficiente, assim como ela era suficiente para si mesma."
 "Recomeço à francesa" tem cerca de cem páginas e é uma leitura super rápida, mas muito boa! É impressionante como a Katherine consegue dar destaque para cada personagem e torná-lo encantador, por menor que seja a participação dele na história. Por exemplo: a união da mãe da Cecília e da Mel com as irmãs dela, a senhora para quem Mel vende seus doces em Paris e que é responsável por fazê-la ser cotada para o realitty show, a mulher com quem as duas vão trabalhar como babás e que vive o dilema de ser muito bem sucedida na carreira e por isso não ter tanto tempo para ficar com os filhos. Assim como em "Garotaausten.com", o conto da Katherine Salles na antologia "Querida Jane Austen, uma homenagem", aqui novamente a autora mostra o seu talento para criar personagens reais, com os quais a gente se identifica.

 Se não bastasse tudo isso, ainda temos a ótima escrita da Katherine e a junção de duas coisas que eu amo: Paris (é muito fácil se sentir nos locais onde a história se passa, graças à narração) e realitty show de confeitaria (sou viciada neles!). Fica a minha recomendação para que vocês façam essa leitura deliciosa também!

 Detalhes: 99 páginas, Skoob, clique para comprar na Amazon:

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já leram algo da Katherine Salles? Temos algum apaixonado por Paris ou realitty show de culinária aí?


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Resenha: livro "Formas reais de amar", Val Alves, Solaine Chioro, Lavínia Rocha e Olívia Pilar

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Formas reais de amar", escrito pelas autoras Val Alves, Solaine Chioro, Lavínia Rocha e Olívia Pilar, publicado pela Agência Página 7 em 2018.

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 Como devem lembrar, em maio a atriz Meghan Markle se casou com o príncipe Harry, um casamento que quebrou tradições da realeza britânica, como o fato de Meghan não ser de origem branca. E "Formas reais de amar" é uma coletânea que vem com a proposta de trazer princesas que fogem dos padrões. Em comum, todas as protagonistas tem o fato de serem de ascendência negra. Um pouquinho sobre cada história:

 "Catarina, do Reino Unificado" da Val Alves, é narrado pela Catarina, que queria aproveitar o lanche de um evento da ONU mas foi obrigada pela amiga Manu a ir pra frente da Abadia por causa do casamento do príncipe com uma plebeia. Lá, elas se envolveriam numa confusão com uma garotinha perdida, um membro da família real (um reptiliano, talvez?) e um crush da faculdade que é a cara do Chris Evans (amo!) com covinhas! Esse é o conto mais engraçado do livro! A escrita da Val é super bem humorada! A história tem muitas semelhanças com a da Meghan e do Harry, então quem acompanhou o casamento deles e conhece um pouco da realeza britânica, certamente vai entender as referências.
 "Como dizem por aí, nem toda heroína usa capa, não é mesmo?"
 O segundo conto é "Kayla, do Reino de Sídera", escrito pela Solaine Chioro. A princesa Kayla volta para o seu reino depois de concluir a faculdade, e novamente tem que aturar os pais jogando-a para cima do príncipe Thando. Mas será que se não houvesse essa pressão dos pais, Kayla resistiria tando à ideia de formar um casal apaixonado com Thando? Quais são os verdadeiros sentimentos dos dois? Achei super interessante nesse conto as referências às culturas africanas, especialmente a cultura zulu.
 "Ser princesa nunca mudou o fato de eu ser gorda e disso permitir que todos se sentissem livres para opinar sobre o meu corpo."
 "Eu estava cansada das pessoas tentando decidir a minha vida amorosa. Não aguentava mais a pressão, mesmo que indireta, que todos pareciam colocar sobre mim e Thando. Eu era dona da minha vida e encontraria o amor do jeito que eu queria, não como meus pais e todo o reino esperavam."
 "Às vezes eu me esqueço de que mulheres negras são chamadas de agressivas sempre que deixam de sorrir por dois segundos."
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 "Lorena, do Reino de Minas" da Lavínia Rocha foi o meu conto favorito! Na história, não existe Minas Gerais, e sim dois reinos: Minas e Gerais. A situação no reino de Minas não é das melhores. Uma aproximação política e econômica com o reino de Gerais poderia ser de grande ajuda. O problema é a inimizade entre os dois povos por causa de antigos conflitos. Para aumentar o índice de aprovação da reaproximação dos reinos, é sugerido um relacionamento entre a princesa Lavínia de Minas e o príncipe Raul de Gerais. Será que isso vai dar certo, ainda mais quando temos alguém tentando sabotar essa reaproximação?
"— Agora percebo que talvez não tenha nada contra Gerais. — Ah, sobre isso não posso concordar. — Ele parou o que estava fazendo e me encarou, sério. — Não cultivo muita simpatia pela princesa de Minas. Raul imediatamente deixou escapar um sorrisinho. Percebi que ele era péssimo para fazer brincadeiras teatrais: nunca conseguia se manter sério o bastante para causar um efeito."
 A premissa lembra um pouquinho "A Seleção": casamento real para mudar a opinião pública, mas a semelhança fica só aí. Amei a escrita da Lavínia. Ela conseguiu criar uma trama na medida certa para ficar crível, acreditável. Além de personagens bem construídos, pelos quais sentimos empatia logo de cara, especialmente pela princesa e pelo príncipe em sua determinação de fazer o melhor para o reino. Obviamente, amei também a ambientação no meu estado.
"Não me importava se no pacote de criação de meninas estava a lição 'ser sempre doce, não interessa o que façam com você', o que falei sobre príncipes inconvenientes era verdade."
 Mas o que mais gostei foi a atitude da mãe da Lorena, que disse para a filha que ela não precisava abrir mão de si mesma, embarcando num relacionamento que poderia não lhe fazer bem, só por ser uma princesa e ter deveres com o reino, afinal, estamos no século vinte e um e mulheres são bem mais do que "mercadoria" para ser usada em casamentos.
"— Lorena, eu sei por que você concordou com o casamento, sei dos motivos e imagino tudo o que passou pela sua cabeça. Também sei que te criei a vida inteira para pensar no povo antes de si mesma. Eu sei de tudo. — Ela apertou um pouco mais minhas mãos e assentiu. — Mas quero que saiba que sempre pode negar. Mesmo depois que oficializarem, se casarem, unirem os reinos… não importa! Você precisa saber que se esse relacionamento estiver te fazendo mal, você pode e deve sair dele."
 "Amara, do Reino das Marés" da escritora Olívia Pilar fecha a obra, nos apresentando Amara, que precisará se casar em pouquíssimo tempo para subir ao trono do Reino das Marés, um pequeno reino onde só mulheres podem governar. Antes de assumir suas obrigações, Amara consegue algumas semanas para viajar ao Brasil, onde conhece Izabela, que trabalha no hotel onde se hospeda. A relação das duas começa com uma amizade e se torna algo mais. Além da boa escrita da Olívia, da ambientação num resort brasileiro, o diferencial desse conto é trazer uma protagonista lésbica de um reino onde uniões de pessoas do mesmo sexo são aceitas. Acho que esse conto só não empatou com o conto da Lavínia como favorito pelo final, que eu queria que fosse diferente, embora tenha sido compreensível.

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 Falei pouquíssimo sobre cada conto, ainda que cada um merecesse uma resenha só para si. "Formas reais de amar" foi o meu primeiro contato com a escrita das quatro autoras, além de ter sido o primeiro e-book que li no Kindle Unlimited. E foi uma ótima experiência de leitura. Recomendo muito que vocês também o leiam, principalmente por ser uma obra que traz a diversidade e a representatividade tão necessárias na nossa literatura. Além disso, é fascinante como cada autora conseguiu criar o seu reino e inseri-lo nos dias de hoje, trazendo protagonistas que enfrentam os velhos dilemas do coração, mas com muito bom humor e força feminina.

 A capa é um encanto, condizente com nossas protagonistas. Por ser e-book, não há muito o que falar sobre a diagramação, quanto à revisão, encontrei pouquíssimos erros. Clique aqui para adicionar ao Skoob. Número de páginas: 262. Clique para comprar na Amazon:

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já conhecia "Formas reais de amar" ou alguma das autoras? Qual história chamou mais a sua atenção?

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Resenha: livro "O mal de Lázaro", Krishna Monteiro

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com um dos melhores livros que li esse ano: "O mal de Lázaro", escrito pelo paranaense Krishna Monteiro e publicado em 2018 pela Editora Tordesilhas.

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 "Talvez seja esta uma forma de extrair da morte grãos de paz." (página 87)

 Temos uma narradora sem nome que certo dia encontra um homem voltando para casa. Ela, invisível, o segue. Descobre onde ele mora, entra em sua casa e vê seu estranho costume de fechar porta e janelas, vedando toda fresta para que os sons do exterior não entrem, observa como esse homem desenha por horas e horas antes de dormir. O que ele desenha? Os animais que precisa abater em seu trabalho no matadouro todos os dias. Um trabalho que ele não escolheu para si, visto que tinha outros sonhos, mas foi o trabalho que aquela cidade lhe impôs.

 "Nas ruas onde hoje à noite homens brigarão rixas simples de porta de bar, nestas mesmas ruas, escondidos nos desvãos das pedras, ainda persistem dessa forma sons antigos. Mas  para ouvi-los há que se ignorar os primeiros deles, os evidentes: ignorar os sons mais jovens, recém-nascidos, de superfície e relevo espessos - gritos e copos que se enchem; pois numa camada logo abaixo destes e quase inaudível ainda existe o som remoto em sua origem - o dos tiros sobre um soldado debaixo de fogo nas trincheiras; o das mãos do centurião de Roma escavando o solo, estourando torrões de terra, forma única de se esquecer a dor dos ferimentos. Aquele capaz de captar em sua plenitude  os sons veria assim se dissolver o tempo. É como se os passos que durante anos contribuíram para desgastar degraus de mármore ressoassem no mesmo instante aqui agora. Curioso, porém, que todos estes sons carreguem um mesmo signo: o da lembrança que lateja e dói, propagando-se pelo ar como herança de anéis concêntricos.
 Os sons têm vida própria." (página 68, grifo meu)

 Talvez vocês já tenham lido em algum lugar que o som se propaga em ondas, coisa que aprendi nas aulas de Física na escola, mas o capítulo treze do livro explica isso de forma bem compreensível para quem ainda não sabe. E se os sons se propagam em ondas, eles nunca desaparecem completamente, só deixam de ser captados pelos ouvidos humanos. Esses sons que ficam na memória do homem que trabalha no matadouro, os sons dos bezerros em seus últimos segundos de vida, sons que podem ser aterrorizantes, sufocantes! Sons que Lázaro precisa calar, tirar de dentro de si, colocar em outro lugar, já que esses sons não morrem.

 Lázaro, é esse o nome que nossa narradora dá ao homem que passa a observar. Na Bíblia são mencionados dois Lázaros, o que Jesus ressuscita, e um leproso de uma parábola, o segundo tem mais a ver com o personagem do livro (vale lembrar que hoje a lepra ou hanseníase é uma doença que tem tratamento e cura, não condenando mais os doentes a serem excluídos da sociedade). Qual será o mal de Lázaro: aquele que lhe atinge o corpo, ou o que lhe tira o sossego da mente, os sons que só se calam quando são colocados no papel?

 "Chamei-te Lázaro, nomeei-te Lázaro, batizei-te Lázaro. Chamei-te Lázaro, muito embora nunca tenha sabido teu nome. Naquela noite, Lázaro, a tarde assentava seu fecho, e do cume de um monte eu vi teu corpo na distância pela trilha. Passos secos como os do homem do poema, braços pesados, dormentes, tu palmilhavas a estrada que, dentro de instantes, dará no mar. Estrada que não é de Minas, mas na qual teus pés ainda assim caminham. Fachos de luzes de homens cortavam o escuro, marcavam ossaturas de sangue em tua pele, faziam com que vozes logo atrás subissem de tom e timbre, estimulando os cães. Mas, Lázaro, escuta: o mar não tarda. Escalado o monte, haverá o cume. E ao fim, que se aproxima, uma descida sobre encostas de arbustos. O fim." (página 14, grifo meu)

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 Do Krishna Monteiro eu já havia lido no ano passado "O que não existe mais", um livro de contos indicado ao Prêmio Jabuti. Comecei a leitura de "O mal de Lázaro" sem expectativa alguma, mas já nas primeiras páginas fui cativada pela narrativa. Essa mulher de quem nem o nome sabemos, a nossa narradora, descreve o que vê com tamanha vivacidade, que é muito fácil imaginar a história, imaginá-la nos contando sobre a rotina de Lázaro, sobre a luta dele com a crueldade de seu trabalho.

 Na minha cidade o matadouro municipal fechou faz pouco tempo, mas ainda me recordo dos comentários sobre como era trabalhar nele, sobre os barulhos dos animais na hora em que eram mortos, um trabalho que não deve ser dos mais agradáveis. Assim como a lepra não é agradável, uma doença que vai atingindo cada pedacinho do corpo, pouco a pouco, e que na época em que a história se passa, precisava ser escondida. Uma época e uma cidade onde se acredita em milagres, como num homem fazendo outro voltar da morte, e esse homem que fez o outro voltar a viver passa a ser visto como a solução de todos os problemas. Mas ele próprio tem seus problemas, como os sons que não consegue calar. Ouvir esses sons eternos seria uma benção ou uma maldição?

 "Desenhas como quem segura firme uma recém-descoberta aldrava, sabendo estar agora em seu poder bater à porta - ou calar o som" (página 88)

 Sinto que já divaguei demais no parágrafo anterior. Enfim, "O mal de Lázaro" é um livro relativamente pequeno, com menos de duzentas páginas, e que eu li em dois dias, bem rápido pros meus padrões. E eu o li em pouco tempo não tanto pelo número de páginas, mas sim pela forma como a história me prendeu. Eu ficava mais curiosa a cada capítulo com o destino de Lázaro, ainda que já imaginasse o provável desfecho, torcia por uma reviravolta, um milagre que o libertasse daquela vida! Assim como ficava encantada com toda a questão dos sons que nunca se extinguem e inquieta para descobrir quem era a narradora. Como já comentei, a narradora fala com tanta vivacidade que é impossível não imaginá-la nos contando a história, mas isso é mérito da escrita do Krishna, uma escrita bela, como disse na resenha de "O que não existe mais", mas uma escrita que me agradou ainda mais nessa segunda obra que li dele, palavras usadas de forma poética sim, mas compreensível, desenhando as cenas.

 Na sinopse consta que o livro foi inspirado no poema "A Máquina do Mundo" do Carlos Drummond de Andrade, um poema sobre um homem que caminha numa estrada de Minas Gerais, que é o meu amado estado, e mesmo que o Krishna não seja mineiro, foi muito fácil encontrar na obra semelhanças com a minha terra, com cenas que conheço vivendo numa cidade do interior. Acredito que o leitor certamente conhecerá novas palavras durante a leitura, e se alguma dúvida surgir, uma simples busca no Google ou dicionário pode resolvê-la, e vale muito a pena embarcar nessa história onde as respostas vão sendo dadas aos poucos.

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Diagramação de "O mal de Lázaro", "O que não existe mais" é o livro de contos do Krishna Monteiro

 A edição da Tordesilhas tem uma capa condizente com a trama, em tons de roxo, páginas amareladas, boa revisão, letras, margens e espaçamento entre uma linha e outra de bom tamanho.

 Fica a minha recomendação para que leiam "O mal de Lázaro", um dos melhores nacionais que já li. Um daqueles livros onde, por mais que eu fale, sempre sentirei que ainda há algo a ser comentado, destacado, mas fiz o melhor que pude nessa resenha (muito prazerosa de ser escrita, reler alguns trechos para escrevê-la já foi muito bom, tanto que pretendo reler toda a obra). E se ela ainda não foi o suficiente para convencê-lo a ler, dê uma chance assim mesmo ao livro se a oportunidade surgir. Se a leitura dele lhe prender como me prendeu, se a escrita do autor lhe encantar como me encantou, se você sentir a mesma vontade de entrar na história e proteger o protagonista de tudo e de todos como eu senti, certamente terá valido a pena!

 Detalhes: 176 páginas, ISBN-13: 9788584190621, Skoob. Clique aqui para ler um trechinho ou comprar na loja da editora. Clique para comprar na Amazon (e-book e físico)

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o livro ou o autor?


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Unboxing: Tag Curadoria de Junho (literatura japonesa)

 Olá pessoal, tudo bem? Hoje venho mostrar para vocês o que veio no kit de junho do clube de assinaturas literário TAG - Experiências Literárias na modalidade Curadoria, você pode apertar o play ou continuar lendo (se você é assinante e o seu kit ainda não chegou, não aperte o play nem continue lendo se quiser ser surpreendido quando seu kit chegar, hein?!):


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Resenha: livro "Uma família feliz", David Safier

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Uma família feliz", escrito pelo alemão David Safier e publicado no Brasil em 2013 pela Editora Planeta.

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 "- Um ditado indiano diz que: quanto mais se ama alguém, mais a gente quer matá-lo - declarou minha funcionária.
 Pensei comigo: 'Nossa! Tenho que amar minha família'.
 Pela enésima vez, meu celular tocou durante o expediente na minha lojinha de livros infantis. Primeiro foi minha filha adolescente Fee me preparando psicologicamente para a notícia de sua reprovação (infelizmente, em matemática, ela tinha o talento de um cão labrador).
 Depois foi seu irmão caçula Max que me ligou para dizer que não poderia entrar em casa, porque tinha esquecido a chave outra vez (sera que existe Alzheimer em crianças?)." (Emma, página 9)

 Assim começa o livro, nos apresentando a família Wünschmann. Emma, a mãe, tem uma livraria que não vai muito bem. Frank, o pai, passa tempo demais trabalhando. Fee, a filha adolescente, não consegue a atenção dos garotos. Pelo menos ela tem mais sorte do que Max, o caçula, que apesar de ser super inteligente, vive sendo perseguido por Jacqueline, a valentona da escola. A verdade é que a convivência da família não está muito boa, e Emma vê numa festa à fantasia a oportunidade de passarem um tempo juntos e se divertirem.

 Emma se veste de vampira, Frank de Frankenstein, Fee de múmia e Max de lobisomem. Só que a festa se torna mais um motivo para as brigas da família, culminando com a aparição de uma bruxa que os amaldiçoa a se tornarem aquilo em que se fantasiaram. E agora, será que a família Wünschmann vai ficar como monstros para sempre? Ou haverá uma maneira de desfazer a maldição? Eles bem que vão tentar, com a ajuda de Cheyenne (uma senhora hippie que trabalha na livraria com Emma) e Jacqueline (que também não tem uma relação muito boa em casa). Mas para complicar um pouquinho mais as coisas, o conde Drácula parece estar muito interessado em Emma...

 Escolhi "Uma família feliz" para ler em abril no meu desafio de desencalhar doze livros em 2018, no tema "livro com capa feia ou estranha", e já comecei a dar risadas na primeira página. É um livro com cenas muito engraçadas, mas também fala sobre assuntos sérios como a convivência em família. Os Wünschmann passam por problemas que muitas outras família também passam, como o excesso de trabalho de Frank ou a dificuldade de convivência entre os adolescentes e seus pais. Uma coisa que me chamou atenção, foi como Fee nem imaginava tudo de que sua mãe abriu mão por causa dela, como uma carreira que poderia ter sido de muito mais sucesso.

 "O arrependimento é pior do que a velhice.
 Perto disso, a incontinência urinária é uma verdadeira festa." (página 177, Cheyenne)

 Além de todo o humor e dos problemas reais que o livro aborda, ainda temos a inserção de seres fantásticos, como a bruxa Baba Yaga, um golem, múmias, vampiros... E foi bom ver a história acontecendo com uma família alemã, fugindo um pouco daquela ambientação inglesa ou norte-americana que vejo com mais frequência. Essa foi uma leitura que me prendeu, que me fez dividar se a família voltaria ao normal ou se cada membro viveria sua existência como monstro em um lugar. É uma história sobre como muitas vezes a rotina vai destruindo os relacionamentos, e é também sobre o crescimento dos personagens e sua busca por serem pessoas melhores.

 "Típico de mim. Pela primeira vez alguém me amava. De verdade. Sem que eu o tivesse hipnotizado. E tinha que ser precisamente uma múmia egípcia de três mil anos que usava sainha." (página 221, Fee)

 A escrita do David Safier é bem fluida, há várias referências aos anos 80 e 70; a narração é dividida entre os personagens, e um detalhe interessante é que Frank como Frankenstein não era capaz de falar, então as partes narradas por ele vinham em desenhos, ilustrações bem simples mas que passavam bem as cenas. Ainda que possa parecer, acho que "Uma família feliz" não é um livro infantil, talvez indicado para leitores já na faixa etária dos adolescentes, visto que há menções bem superficiais à sexo, drogas e bebidas (como já disse, Cheyenne faz parte da geração hippie, por exemplo).

 "Por que éramos incomodados na escola com os celenterados, os logaritmos e a construção de castelos medievais em vez de aprendermos sobre as mulheres extraordinárias que existiram no mundo? Assim, talvez eu tivesse tido alguma verdadeira inspiração e, para variar, aprendido algo útil na vida." (página 183, Fee)

Uma-família-feliz, David-Safierf, sinopse
Uma-família-feliz, David-Safierf
Ilustração, Uma-família-feliz, David-Safierf

 A edição da Planeta tem uma capa que lembra a maldição dos personagens, páginas amareladas, boa revisão e diagramação com margens, espaçamento e letras de bom tamanho (mais para grande do que pequena).

 Detalhes: 288 páginas, ISBN-13: 9788542202250, Skoob. Curiosidade: ano passado saiu a adaptação do livro para o cinema em animação. Clique e compre na Amazon (disponível em físico e e-book, também no Kindle Unlimited:

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Fica a minha recomendação para quem procura uma leitura divertida, que mistura fantasia com problemas do cotidiano. Me contem: já conheciam o livro ou o autor?

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