Resenha: livro "Crenshaw", Katherine Applegate

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Crenshaw: a fome da imaginação", escrito pela Katherine Applegate e publicado no Brasil pela Plataforma 21 em 2016. Foi o 4° livro que li no meu desafio de ler 30 livros em janeiro.

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 "Apertei bem os olhos e contei até dez. Lentamente.
 Dez segundos pareciam ser suficientes para eu deixar de ser louco.
 Fiquei um pouco atordoado. Mas isso acontece às vezes quando estou com fome. Eu não comia desde o café da manhã.
 Quando abri os olhos, suspirei de alívio. O gato tinha sumido. O céu estava infinito e vazio.
 PLAFT! A centímetros dos meus dedos do pé, o guarda-chuva pousou na areia como um dardo gigante.
 Era de plástico, vermelho e amarelo, decorado com imagens de ratinhos sorridentes. No cabo, estava escrito com giz de cera: ESTE CHAPÉU DE SOL PERTENCE A CRENSHAW.
 Fechei os olhos de novo. Contei até dez. Abri os olhos, e o guarda-chuva – ou chapéu de sol, ou o que quer que fosse – tinha desaparecido. Assim como o gato.
 Era fim de junho, fazia calor e estava gostoso, mas eu tremi.
 Eu me sentia daquele jeito que a gente se sente antes de pular na parte funda da piscina.
 Estamos a caminho de algum lugar. Ainda não chegamos lá. Mas sabemos que não há volta." (páginas 12 e 13)

 A narração é feita por Jackson, um garoto de 10 anos que mora com a irmã mais nova, o pai, a mãe e a cachorra Aretha. Desde que o pai descobriu que tem esclerose múltipla e saiu do emprego, a situação financeira da família piorou muito, mesmo com a mãe e o pai trabalhando em empregos informais. Eles não conseguiam mais pagar o aluguel e talvez precisassem sair do apartamento e ir morar na minivan da família, como já aconteceu no passado. A situação é tão crítica que chega a faltar comida, e todos os móveis da casa estão sendo vendidos, até as camas.

 "Meus pais gostam de um tipo de música chamado blues. Numa canção de blues, alguém sempre está triste por alguma coisa. Por exemplo, pode ter terminado com a namorada ou perdido todo o dinheiro ou o trem para um lugar distante. A coisa estranha é que, quando a gente ouve as músicas, se sente feliz." (página 92)

 Os pais de Jackson são otimistas e tentam não deixar que os filhos percebam que podem ficar sem teto, mas o garoto percebe, e fica muito incomodado com a aparente falta de confiança dos pais nele. Jackson quer que seus pais falem a verdade, que digam se ele vai poder voltar para a mesma escola depois das férias, que expliquem por que precisam sair do apartamento e como ele pode ajudar.

 "Às vezes eu só quero perguntar para eles se meu pai vai ficar OK ou por que a gente nem sempre tem comida suficiente ou por que eles têm discutido tanto." (página 47)

 "Meus pais eram otimistas. Eles olhavam para meio copo de água e pensavam que estava meio cheio, não meio vazio.
 Eu não. Cientistas não são otimistas ou pessimistas. Eles só observam o mundo e veem o que é. Olham para um copo de água e medem cem milímetros ou quanto quer que seja, e esse é o fim da discussão." (página 46)

 Jackson quer ser um cientista e gosta das coisas certas, definidas, e é nessa situação incerta e indefinida vivida pela família que Crenshaw, seu antigo amigo imaginário, vai aparecer. Crenshaw é um gato gigante e falante, muito engraçado, e que Jackson acha meio inconveniente em certos momentos. O garoto tem medo de acharem que ele ficou louco se descobrirem que fala com um amigo imaginário ou de que vejam Crenshaw, afinal, cientificamente, o gato não pode ser real. Mas talvez Crenshaw tenha reaparecido para ajudar Jackson de alguma maneira...

 "- (...) Na teoria, só você pode me ver. Mas quando um amigo imaginário é deixado à sua própria sorte, sozinho e esquecido... quem sabe? (...)
 - Tá, mas e se você for visível? Não posso deixar você simplesmente atravessar o corredor até o meu quarto. E se meu pai acordar para fazer um lanchinho? E se a Robin tiver que ir ao banheiro?
 - Ela não tem uma caixa de areia no quarto dela?" (página 65)

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 "- Eu temo que você tenha me criado com um pouco de cachorro no meio. - Crenshaw estremeceu. - Às vezes eu sinto vontade de... rolar em algo fedido. Um gambá morto, talvez, ou um pouco de lixo fresco.
 - Os cachorros fazem isso porque...
 - Eu sei por quê. Porque eles são idiotas. Também sei que você nunca, nunca vai ver este belo espécime felino descendo a tal nível." (página 203)

 Não me recordo o motivo exato, se era a capa, o título ou a sinopse que me fizeram desejar muito ler esse livro, até que eu finalmente consegui comprá-lo. O fato é que eu tinha expectativas elevadíssimas para essa leitura, que não virou um favorito e foi um pouco diferente do que eu esperava, mas mesmo assim foi um livro do qual gostei e que valeu a pena ler. Acho que eu esperava mais destaque ou uma explicação maior sobre a origem de Crenshaw, mas o foco do livro é a forma como Jackson está lidando com a situação enfrentada pela família.

 Por falar nessa situação, creio que nunca li um livro onde a pobreza fosse mostrada com tanta clareza; nenhuma família está livre de passar por dificuldades financeiras como a família de Jackson está passando. E é interessante como cada um lida de forma diferente com a situação: o pai, sem perder o senso de humor, algumas vezes ficando espantado com as coisas que o filho fala, em outras parecendo orgulhoso, mas devemos lembrar que ele precisa lidar também com sua doença. A mãe parece ser mais "pé no chão", e Robin, a filha caçula, ainda enxerga tudo pela ótica da fantasia e tenta fazer o irmão também usar mais a imaginação.

 "No ano anterior, o diretor da escola disse que eu era uma 'ama velha'. Perguntei o que isso queria dizer, e ele disse que eu parecia sábio para alguém da minha idade. Disse que era um elogio. Que gostava de como eu sempre sabia quando alguém precisava de ajuda com as frações. Ou como eu esvaziava o apontador sem que ninguém pedisse.
 É assim que eu sou em casa também. A maior parte do tempo, pelo menos. Às vezes, me sinto a pessoa mais adulta na casa. E é por isso que achava que meus pais deveriam saber que podiam falar comigo sobre coisas de gente grande." (página 138)

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 Acho linda a capa, que mostra Jackson e Crenshaw sentados num banco entre as árvores. As páginas são amareladas, há poucos erros de revisão, e a diagramação tem margens grandes, bom tamanho de letras e espaçamento entre uma linha e outra, além de detalhes de gatinhos na lateral das páginas.

 "Minha irmã e eu não recebemos nomes de pessoas, recebemos nomes de violões. (...) Como não tinham mais instrumentos, meus pais deram o nome de uma cantora famosa, Aretha Franklin, à nossa cachorra. Isso foi depois que Robin sugeriu chamá-la de Princesa das Fadas Gracinha e eu sugeri chamá-la de Cachorra." (página 34)

 A escrita da autora é bem fluida, é uma leitura rápida, com capítulos curtos, uma história divertida e tocante ao mesmo tempo, que mostra a importância da amizade, da união da família e da esperança num futuro melhor. Fica a recomendação para leitores de todas as idades.

 "Às vezes isso é tudo que a gente realmente precisa: de um amigo." (página 127)

 Detalhes: 224 páginas, ISBN-13: 9788592783006, Skoob, leia um trecho. Clique para comprar na Amazon:


 E por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: alguém aí já leu "Crenshaw: a fome da imaginação" ou outro livro da Katherine Applegate?

♥ Posts sobre o #30livrosemjaneiro

Até o próximo post!

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Caixinha de Correio: "RECEBIDOS" (Dezembro e Janeiro)

Olá Leitores (as), como estão? Hoje trago a vocês a tão sonhada Caixinha de Correios dos “RECEBIDOS” entre os meses de Dezembro e esse inicio de Janeiro. Como deu para perceber o número de adquiridos e recebidos diminuiu, e por conta disso não tenho publicado tantas postagem com essa temática. Entretanto, ganhei algumas obras incríveis através dos sorteios que estavam ocorrendo no Instagram, e adquiri outras. E agora quero mostrá-los para vocês. Dessa forma, venham conferir em detalhes os meus novos livros.  


O mês de Dezembro chegou, e com ele a tão sonhada férias da faculdade. Desse modo aproveitei esse momento mais uma vez para participar de alguns sorteios, e dar uma olhada nos preços dos livros (que infelizmente estão cada vez mais caros). Por isso consegui ganhar vários títulos incríveis, que estavam na minha lista de desejados e adquirir outras duas obras que queria já fazia algum tempo. Vejam só!

Um dos primeiros livros recebidos neste mês foi o título O Conto da Aia da autora Margaret Atwood, que ganhei no sorteio do instagram Bete & Books. Esse livro estava na minha lista de desejados, pois a trama me chamou muito a atenção, e agora terei a oportunidade de lê-lo.


Recebi também o livro O Silêncio das Águas, da autora Brittainy C. Cherry que acabei adquirindo, pois era o único livro que falta para completar a série. E só leio uma série, após ter todos os livros. (risos) Você também são assim?


Ganhei no sorteio do Instagram Jovana Lima, Livros & Mais Livros o livro Caçadora de Estrelas da autora nacional Raiza Varella. Já li outro livro da autora que inclusive tem resenha aqui, e gostei tanto de sua escrita que quando soube que a Editora Verus iria publicar esse livro fiquei muito interessada na leitura. Por isso é claro que estou muito feliz de ter ganhado esse título.



Outro livro que consegui adquirir foi o título Terapia Cognitivo Comportamental- Terapia e Prática, da autora Judith S. Beck. Uma obra que tenho utilizado bastante na faculdade, porém em digital. Mas como prefiro ler em físico achei melhor comprá-lo, e com certeza também irei utilizá-lo quando estiver atuando como psicóloga, já que se trata de uma área da qual me interesso bastante.

Outro sorteio que ganhei foi a do instagram Sam- Ig Literário, na qual recebi o título O Ódio que Você Semeia, da autora Angie Thomas. Esta é uma obra que pretendo passar na frente dos livros que estão na minha meta de leitura desse ano, pelo fato de que quero ler essa obra desde o seu lançamento. Confesso que estou com altas expectativas a respeito dessa história.

Do sorteio de Natal do Portal JuLund e Amigos que ganhei, recebi o livro Terrível Encanto, da autora Melissa Marr. Eu ainda não conhecia esse título, entretanto a sinopse me chamou bastante atenção, despertando em mim o interesse pela leitura. Logo, logo, prometo trazer a resenha dessa obra para vocês.


A Maria aqui do blog também me presenteou neste fim de ano com um livro que estava louca para adquirir desde o seu lançamento. Estou me referindo ao título Mais que Amigos, da autora Lauren Layne. Muito obrigada Maria pelo carinho, amei o livro!


No sorteio do IG Hobb, ganhei a obra O Lado Sombrio dos Contos de Fadas, do autor Karin Hueck. Eu não conhecia esse livro, porém o título me chamou bastante a atenção, e agora quero mais do que nunca embarcar nessa leitura.

Para finalizar recebi o livro Por que Fazemos o que Fazemos?, do autor Mario Sergio Cortella, que também ganhei do sorteio do Instagram Motivação. Sempre leio muitos elogios a respeito de suas obras, e agora tirarei a prova. Desse modo, estou ansiosa para ler esse título.

Bom Leitores, esta foi mais uma caixinha de recebidos. Prometo que sempre que eu receber ou adquirir novos livros venho mostrar em detalhes para vocês. Dessa forma, espero que tenham gostado de conferir cada livro recebido, e fiquem ligadinhos pois sempre tem novidades por aqui. Mas e vocês leitores, gostaram de ver mais uma vez minha caixinha dos correios? Deixe nos comentários a opinião de vocês, e quais são os livros que mais lhe interessaram, ou qual desses títulos vocês me indicariam ler primeiro. Pois a opinião de vocês é sempre muito importante e bem vinda.

Espero que tenham gostado, e por hoje é só.

Até o próximo post


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Resenha: livro “Branca de Carvão”, Katherine Salles

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com “Branca de Carvão”, escrito pela Katherine Salles e publicado pelo selo Reino da Editora Portal em 2018. Foi o 5° livro lido no meu desafio de ler 30 livros em Janeiro (amanhã deve sair a resenha do 4°, acabei invertendo, rsrs, venho mostrando o andamento das minhas leituras lá no Instagram).

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 “A felicidade era isso, estar livre das garras do mal.” (página 22)

 A história se passa no final do século dezenove, na fictícia cidade mineira de Sete Chaves, e é narrada em terceira pessoa. Conheceremos Branca, filha de uma mulher negra e de um homem branco. A mãe de Branca morreu no parto, o pai se casou novamente com Magnólia, e quando ele faleceu, foi a vaidosa madrasta que passou a administrar a fábrica de carvão da qual vinha a riqueza da família.

 Magnólia não gostava de Branca e mantinha a jovem cada vez mais isolada dentro de casa, além de ter planos malignos para o futuro da garota. Não suportando mais aquela situação, Branca decidiu fugir e descobrir o que havia após aquela cortina de fumaça que via da janela.

 Branca não iria muito longe, pois logo se depararia com sete pequenos operários que necessitavam de sua ajuda. Enquanto isso, a madrasta veria a oportunidade perfeita de se livrar de vez da garota, e para isso contrataria Simão, um caçador. Será que Branca conseguiria ser livre como desejava?

 “Acreditava mais do que nunca que a cortina de fumaça era seu chamado, afinal ela foi levada até ali para salvar a vida dos sete meninos esquálidos, embora a sua ainda não estivesse salva.” (página 30)

 Como talvez vocês tenham percebido, a história é uma releitura do clássico conto de fadas Branca de Neve. Mas as semelhanças ficam só nas referências aos personagens: a garota, a madrasta má, o caçador e os pequenos operários. A trama de Katherine tem vários diferenciais, como o foco nas questões ligadas ao fim da escravidão dos negros. Não é apenas a história de Branca que conhecemos, mas também a de seus pais e os desafios que enfrentaram ao se rebelarem contra a sociedade e se casarem numa época em que as uniões inter-raciais eram polêmicas.

 “É tão triste, minha querida, que algumas vítimas se acostumem tanto com seus algozes, que não saibam viver sem eles.” (página 77)

 É um livro curto e de leitura rápida, um romance de época quase sem romance romântico, já que o foco principal é a saga de Branca para ser livre da tirania de Magnólia e não um relacionamento amoroso. É interessante a contextualização histórica, a temática da representatividade negra e o desfecho, mas a sequência de acontecimentos ficou confusa para mim no início, por não seguir uma ordem linear e por ter algumas repetições, e por isso classifiquei-o no Skoob com 3 estrelas.

 “Simão estava encantado, não um encantamento carnal e passageiro, mas do tipo que se transforma em amor, pois era a alma dela que o encantava. Esse tipo de sentimento, sabia a mais velha, era daqueles que se transformavam como as lagartas se transformam em borboletas.” (página 53)

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 A edição traz uma capa que acho bem bonita, representando a personagem com seu cabelo crespo. As páginas são amareladas, a diagramação traz letras, margens e espaçamento de bom tamanho, além de detalhes nas bordas das páginas e fontes diferentes.

 “- Uma maldição se quebra com uma benção – pense nisso, senhorita Branca.” (página 101)

 E por hoje é só, espero que tenham gostado de conhecer essa releitura de Branca de Neve em terras brasileiras cheia de representatividade. Me contem: gostaram da premissa? Já leram algo da autora?

 Detalhes: 113 páginas, Skoob. Clique e compre na loja da editora, na Amazon (disponível no Kindle Unlimited):

Até o próximo post!

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Resenha: livro "Sob a luz da escuridão", Ana Beatriz Brandão

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Sob a luz da escuridão", escrito pela Ana Beatriz Brandão e publicado pela Verus Editora em 2018.

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 "Algum dia você já imaginou como é ser despedaçado? Rasgado em mil pedaços e depois reconstruído? E tudo isso em apenas alguns segundos? Com certeza não é nada agradável. É doloroso e complicado. Inexplicável.
 Para onde eu fui não existia isso. Não existia dor, raiva, tristeza ou felicidade. Não existia céu nem terra. Luz ou escuridão. Era o nada, ou talvez nem mesmo o nada existisse, só o vácuo da inexistência elementar. O início e o fim de todos os começos e términos." (página 252)

 A história é narrada em primeira pessoa por 4 personagens: Lollipop, Jéssica (Jazz), Samuel (Sam) e Evan, e se passa num futuro distópico, alguns séculos a frente, após mais duas guerras mundiais que dizimaram boa parte da população humana (a primeira causada por um ditador que buscava criar uma raça pura e a segunda pela revolta da população que já não tinha mais nada a perder). Líderes de países não existiam mais, e as poucas fábricas em funcionamento pertenciam ao Instituto, criado  pelos "Eles", os seguidores do antigo ditador.

 "Milhares de pessoas foram executadas, principalmente os mais pobres, que não tinham condições financeiras de se adequar às imposições do governo de Goyle. Era... monstruoso. Tão monstruoso que, em certo momento, a humanidade perdeu o medo de morrer. E deu sua resposta.
 Assim se iniciou a Quarta Gerra Mundial.
(...) A partir de então, ninguém mais queria ter líderes. Os partidos políticos haviam sido destruídos, os grupos religiosos tinham perdido seus patriarcas e não havia nem um presidente, monarca, chanceler, duque, deputado ou senador sequer. As leis já não valiam e a 'justiça' se tornou uma palavra quase arcaica.
 A partir daquele momento, seria cada um por si.
 Assim foi criado o mundo em que vivíamos: as pessoas matavam por nada e brigavam por tudo. O planeta tinha sido tomado pelo caos. O que tínhamos a perder? Ninguém poderia nos castigar, e sentir medo da morte era para os fracos. Aliás... o medo era um sentimento quase inaceitável. Quem tivesse não sobreviveria uma semana sequer naquele lugar." (página 21)

 As pessoas se reuniam em “áreas”, pequenas cidades, onde a sobrevivência era um pouco mais fácil que no exterior, e sempre que o Instituto liberava alguns produtos, havia briga para conquistá-los. Por causa da radiação de bombas e armas químicas, pessoas passaram a nascer com características diferentes, Jazz, por exemplo, podia produzir fogo. Quem nascia assim era chamado de singular ou metacromo e era perseguido pelo Instituto para ser usado como cobaia em pesquisas.

 Uma jovem acorda num prédio e sai correndo de lá, pois explosões estão ocorrendo próximas ao local, e acaba entrando num carro onde já está Jéssica, outra garota de 16 anos que viveu a vida toda naquele prédio que pertence ao Instituto. Depois de algum tempo, Lollipop (como passou a se chamar, já que não se lembrava de nada do seu passado) e Jéssica, vão acabar parando na Área 4, liderada por Evan, um vampiro (em comum com os vampiros dos livros sobrenaturais, ele tem apenas a necessidade de se alimentar de sangue e a longevidade).

 "Eu ri, surpresa por saber de algo assim. Evan, o cara que podia ter qualquer garota, apaixonado duas vezes pela mesma, só que em épocas diferentes. Como podia ser possível? Só havia um problema...
 - Mas eles não eram inimigos?
 - Eram sim. Eu nunca disse que não. É que eles não eram o tipo de inimigo mais convencional." (página 147)

 Evan e Samuel parecem ter pouca diferença de idade, aparentando estar na casa dos dezoito anos, mas a verdade é que ele criou Samuel desde que o garoto era um bebê. Além disso, Evan e Lollipop já se desentenderam no passado, mas como isso seria possível, se ela parece ter no máximo vinte anos? Enquanto as duas jovens tentam se inserir na rotina da Área 4, Lollipop também precisará aprender a lidar com Evan e com tudo o que rolou entre eles num passado do qual ela não se lembra, em meio ao risco de o Instituto atacá-los a qualquer momento.

 "O que tínhamos representava a paz. Nosso clã era intocável, inalcançável, um dos maiores e mais fortes, que ajudava a abastecer os outros. Todas essas eram características vindas de Evan. Ele representava nossa força, coragem e determinação. Se por algum motivo o perdêssemos, eu sabia que seria questão de tempo até que já não restasse nem mesmo uma lembrança do que fomos um dia." (página 175)

 Fui uma dos selecionados para participar da leitura coletiva de “Sob a luz da escuridão” e abracei a oportunidade com entusiasmo, já que era super curiosa para ler algo da Ana, uma escritora de apenas 19 anos, mas que já tem 5 livros publicados e é muito elogiada pelos leitores. Na leitura coletiva, em cada semana leríamos até determinada página e depois tínhamos um debate, o que foi bem legal para ir trocando teorias com outros leitores. Essas teorias eram bem importantes, pois “Sob a luz da escuridão” é um livro cheio de mistérios (foi até difícil fazer um resumo da trama aí em cima, pois nem tudo é o que parece, mas não posso dar grandes spoilers para vocês), tanto sobre os personagens quanto sobre os acontecimentos que levaram a humanidade ao ponto que estava.

 "Fechei os olhos tentando imaginar a cena. Se fossem mesmo como ele estava contando, então os fogos deviam ser uma coisa majestosa. Estrelas cadentes que partem da Terra. Eu não conseguia visualizar com clareza, mas só as palavras já causavam impacto.
 - E existe alguma chance de eu conseguir ver um dia?
 - São quase tão raros quanto encontrar um diamante, Lollipop - respondeu, e não pude deixar de sorrir ao ouvi-lo me chamar daquele jeito. - Mas acho que você tem sim uma chance, se tiver esperança.
 - Esperança? - Levantei uma sobrancelha. - Eu nem sabia que essa palavra estava no seu vocabulário, vampiro.
 - Está. - Finalizou o curativo em minhas costas por cima dos pontos e se colocou à minha frente. - Muito mais do que você imagina, garotinha. - Tocou a ponta do meu nariz por apenas um momento.
 Algo em seu tom e em seu olhar me dizia que aquilo tinha um significado um pouco mais profundo do que parecia, e que tinha, sim, a ver comigo." (página 121)

 Falando nesse ponto, é preciso ter em mente que a vida não é como conhecemos hoje, Lollipop e Jazz se veem inseridas numa sociedade onde as regras são diferentes, mas ainda são apenas jovens com sentimentos e desejos de jovens. A autora não se demora muito na descrição dos acontecimentos que levaram ao futuro distópico, o foco fica, na maior parte, na adaptação das garotas na área 4, na descoberta do passado de Lollipop e sua ligação com Evan, já adianto que os dois vivem se estranhando.

 A escrita da autora é bem fluida, e a leitura rende. A narração por 4 pontos de vista nos permite ver a história de uma forma mais ampla. Eu demorei um pouco para me apegar aos personagens, mas acho que leitores da mesma faixa etária deles podem se identificar mais com seus jeitos de ser e de agir. Há bastante romance no livro, mas também tem momentos de tensão, ação e humor. É interessante como muito da sociedade distópica da trama pode servir de reflexão para a nossa realidade, onde mesmo tendo mais organização e tecnologia, continuamos não pensando no coletivo.

 "(...) As pessoas se aproveitam do fato de não termos leis ou punições e matam pela primeira vez só para ver como é, e algumas infelizmente gostam da sensação. Não matam pensando em proteção. Elas matam pra conseguir o que os outros têm e se apossar daquilo sem nem pensar na possibilidade de uma união. E são essas pessoas que estão se tornando cada vez mais comuns (...)
 - Nós não vivemos num mundo pós-apocalíptico - murmurei, com certo tom de compreensão. Estamos presenciando o apocalipse.
 - É mais do que isso - Yone prosseguiu. - Somos nós que o estamos causando." (página 81)

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 A edição tem uma capa condizente com o cenário e as personagens, páginas amareladas, boa revisão, diagramação com bom tamanho de letras, espaçamento e margens, além de detalhes indicando quem está narrando.

 "- Eu tenho uma coisa para você.
 - Para mim? - questionei, abrindo apenas um dos olhos. O azul, porque era o de que ela mais gostava." (página 309)

 "(...) pensava que ele fosse louco quando contava aquela história maluca de uma garota que ia e vinha do nada, e batia nele, e era superdemais, e tinha superpoderes superlegais... Aí, quando a Lollipop apareceu, eu finalmente vi que ele não era maluco." (página 290)

 "Um vampiro e uma singular, separados várias vezes pelo tempo, mas sempre voltando um para o outro, independente do que se colocasse entre eles." (página 285)

 E por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Fica a minha recomendação para quem procura  uma distopia nacional ou um romance adolescente pós-apocalíptico. Me contem: já leram ou querem ler "Sob a luz da escuridão" ou outro livro da Ana Beatriz Brandão?

 Detalhes: 336 páginas, ISBN-13: 9788576866909, Skoob. Clique e compre na Amazon:

Até o próximo post!

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Caixa de Correio e leituras de dezembro

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje venho mostrar os livros que recebi em dezembro e os livros que li no último mês. Vocês podem apertar o play e conferir no vídeo ou continuar lendo:



Leituras:

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"Pôr do Sol No Central Park" da Sarah Morgan publicado pela Harlequin, é um romance contemporâneo divertido onde a amizade é um dos destaques. Clique para conferir a resenha.

"O Homem de Areia" de Lars Kepler publicado pela Alfaguara é um suspense sueco com serial killer eletrizante. Clique para conferir a resenha.

♥ "Uma Coisa Absolutamente Fantástica" do Hank Green publicado pela Seguinte é uma ficção científica young adult absolutamente fantástica, com misteriosos robôs gigantes que podem ser alienígenas e uma jovem que fica famosa com um vídeo na Internet. Clique para conferir a resenha.

"A Caçadora de Dragões" da Kristen Ciccarelli publicado pela Seguinte é uma fantasia sensacional, com protagonista girl power e muitas reviravoltas. Clique para conferir a resenha.

"O Ogro e a Louca" da S. G. Fidelis publicado no Wattpad é romance de época muito bem escrito e divertido entre uma governanta que não tem medo de falar o que pensa e seu patrão carrancudo. Clique para conferir a resenha.

Gostaria de ter lido mais, mas gostei de todos os livros que li, inclusive 2 entraram para a minha lista de favoritos do ano (clique para conferir).

Recebidos:

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 "Sob a Luz da Escuridão" da Ana Beatriz Brandão publicado pela Verus é um romance distópico adolescente que recebi para participar da leitura coletiva promovida pela LC Agência de Comunicação, e inclusive já li e tem post com citações favoritas lá no Instagram (por favor, cliquem e deixem um like para me ajudar no concurso de quotes que estou participando =]).
 Sinopse: O mundo não está a salvo dos humanos. Da autora de O Garoto do Cachecol Vermelho.
 Guerras e destruição, causadas pela ganância de um homem, quase levaram a raça humana à extinção. Com a radiação das bombas nucleares, o DNA humano sofreu mutações e uma nova espécie surgiu: os metacromos, seres especiais, com poderes extraordinários. Em meio ao caos de um mundo pós-apocalíptico, Lollipop e Jazz são resgatadas do instituto onde eram mantidas prisioneiras. Com as memórias apagadas, elas não sabem por que estavam ali nem quem as libertou.
 E, enquanto buscam respostas sobre suas origens, só lhes resta lutar pela sobrevivência. Evan, um vampiro milenar, lidera com mãos de ferro uma das mais poderosas áreas do planeta. Mas quando, por obra do destino, ele reencontra a mulher que pensou estar morta há décadas, tudo desmorona e ele é obrigado a enfrentar o passado.
 Ana Beatriz Brandão apresenta um mundo totalmente novo ao leitor em Sob a Luz da Escuridão. A raça humana não é mais a mesma, novas espécies foram criadas e agora é cada um por si. Uma história eletrizante, cheia de ação, tensão e romance, que vai provocar fortes emoções no leitor. Prepare-se e escolha seu lado nessa guerra: você é um metacromo ou um Deles?

"O preço de uma vida" da Cristiane Krumenauer publicado pela Editora Novo Século fala sobre uma investigadora tentando desvendar um assassinato que talvez tenha ligação com a venda de uma criança há anos atrás, foi enviado pela autora para ser resenhado no blog.
 Sinopse: Naiona, uma analista de inteligência empobrecida, tem a chance de pôr sua vida em ordem com a recontratação pela empreiteira J. G. Tavares. Mas, para isso, terá que aceitar a missão mais desconcertante de sua carreira: investigar o assassinato do único herdeiro do empresário, Danúbio Tavares. Enquanto a investigação se aprofunda, Naiona mergulha em detalhes mórbidos da família da vítima, incluindo a venda de uma garotinha na década de 1980, resultando na fortuna que patrocinaria a fundação da construtora. Terá essa Garotinha-sem-Nome as respostas quanto ao assassinato de Danúbio? Talvez ela e seus problemas estejam mais perto do que todos imaginavam.

"Angústia na cidade do caos" do Lennon Lima publicado pela Editora Multifoco foi enviado pelo autor para ser resenhado no blog.
 Sinopse: “Jamais esqueceria o riacho de sangue que se formava.” E a Angústia veio a cair na Cidade do Caos. Revestida de carne humana e trajes civis. A carne, caucasiana. Os trajes, masculinos. O semblante? Banal.
Estirada no capinal costeiro a um cemitério clandestino, é descoberta pelo coveiro de uma comunidade miserável assolada pelo poder paralelo. Ferida, mas não ensanguentada. Confusa, mas sã. Preocupada, mas determinada… Sem recursos, sem identidade, sem passado.
Acolhida na casa do jardim de cadáveres, inicia busca para desvendar os mistérios que envolvem o seu passado e a causa de se encontrar em ambiente tão árido – e perverso. Conforme testemunha fenômenos perturbadores ao interagir com os habitantes da favela, descobre-se em uma jornada que excede os limites do consenso de realidade, que desafiará a sua aptidão de permanecer imune aos silvos ardilosos da loucura…

 No vídeo, mostro como os livros recebidos em detalhes. Me contem: já leram ou querem ler algum dos livros citados no post de hoje?

Até o próximo post!

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Resenha: livro "Por trás das grades - contos de prisão"

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com a antologia "Por trás das grades - contos de prisão", organizada pela Rô Mierling e publicada pelo selo Antologias Brasileiras da Editora Illuminare em 2016. Foi o 3° livro que li no meu desafio de ler 30 livros em janeiro.

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 A antologia é composta por oito contos que envolvem a temática do encarceramento. O 1° é "Grades" do Carlos Asa; traz um presidiário que é chantageado pelos colegas de cela, mas eles se esquecem que se ele está ali, algum motivo teve!

 "As grades. Apesar de intransponíveis, elas não são o obstáculo maior para se alcançar a liberdade. Eu passei a maior parte da minha vida do outro lado e nem por isso me sentia livre; as tribulações, os contra-tempos, as mesmices cotidianas e as tentações... Estas sim são as verdadeiras correntes que nos prendem, destroem nossas aspirações, podam nossas assas, corrompem nossas almas." (página 7)

 "O sucesso da vingança" da Carol Dantas é protagonizado por um policial, preso por uma trama de vingança que pode dar um nó na nossa cabeça. "Bibi: amor entre grades" do Demóstenes Pontes é o maior conto do livro, tem a narração feita por um advogado, usando uma linguagem mais formal para relatar seu envolvimento com Bibi, onde sua profissão seria útil, acredito que poderia ter mais um ou dois parágrafos para dar outro desfecho à história.

 "Prisioneiro Cinco" do Edson Guimarães Duarte foi meu conto favorito, pois me surpreendeu ao revelar "o quê" de fato era o prisioneiro número cinco, encarcerado numa prisão onde havia pena de morte; acreditem, é um conto fofo no final das contas! "Cela 9" do Fernando Nunes traz um preso muito introvertido, que parecia só se importar com um rato do qual cuidava, mas dizem que quem procura, acha!

 "Sob o céu quente de junho" do Leonardo Messias é protagonizado por um jovem que sai da cadeia e é recebido com festa pela família, ainda que para ele seja difícil imaginar o futuro. "Vivendo no Vale da Sombra da Morte" do Marcio Muniz traz um homem preso por assassinato (embora ele não se lembre de ter cometido o crime) que cumpre pena no Carandiru, vocês sabem do massacre que ocorreu lá em 1992, né?!

 "Já vi de tudo aqui dentro, sou um sobrevivente. Já sou parte do sistema, ainda que uma parte invisível diante da sociedade, uma sujeira varrida para debaixo do tapete. Estou longe de ser aquele novato que deu entrada no pavilhão 9 naquela manhã, caminho na corda bamba pois aqui é o verdadeiro "vale das sombras da morte". Meus sonhos e esperanças, se é que um dia tive algum, morreram há tempos quando dei entrada neste lugar. Culpado ou inocente já tanto faz, aqui, em um mês ou menos já se cumpriu a pena por qualquer delito cometido. Alguns rezam para ir logo par o inferno já que não podem sair daqui tão cedo, mal sabem que já estão inseridos nele." (página 57)

 "Tempo esgotado...Vamos?" do Roberto Mello fecha a antologia, com um relato cheio de gírias e sentido figurado sobre a realidade na prisão.

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"Reformemos as nossas escolas, e não teremos que reformar grande coisa nas nossas prisões." John Ruskin
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 A edição traz uma capa que combina com a ideia da privação da liberdade. As páginas são amareladas, só encontrei alguns erros de revisão no primeiro conto, a diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho, além de detalhes no início de cada conto e algumas citações de outros autores renomados relacionadas ao tema na orelha.

 "Por trás das grades" foi uma leitura rápida como eu esperava, já que tem apenas 66 páginas. Me surpreendi positivamente com a escrita ótima de todos os autores e as histórias interessantes que eles contaram. A antologia nos permite refletir sobre como o encarceramento pode deixar marcas em uma pessoa, sobre como  é a vida na prisão e sobre a liberdade.

 Por ser uma edição limitada, talvez seja bem difícil encontrar o livro para comprar, mas é uma leitura que recomendo que façam se surgir uma oportunidade. E por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já leram essa antologia ou algum outro livro que fale sobre a prisão?

♥ Posts sobre o #30livrosemjaneiro

Até o próximo post!

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