Resenha: livro "Mais que amigos", Lauren Layne

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Mais que amigos", escrito pela Lauren Layne e publicado em 2018 pela Editora Paralela.

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 A história se passa em Portland (EUA), e a narração é dividida entre os dois protagonistas: a Parker Blanton e o Ben Olsen. Eles se conheceram na faculdade, tornaram-se amigos, amizade que continuou depois da formatura, tanto que foram dividir a mesma casa. Parker namorava Lance há anos, até tinha planos de se casar com ele. Ben estava sempre com alguma mulher, mas nunca em um relacionamento sério, e algumas vezes quebrava a regra da casa de não usar Parker como desculpa para mandar embora sua companhia da noite.
 "Ben faz cara de lamento. 'Adoraria, mas prometi que iria até a IKEA com Parker comprar uma prateleira pra coleção de bonecas dela.' (...)
'Quantas bonecas você tem?', Liz pergunta, com uma expressão dividida entre desprezo e pena.
'Cinquenta e sete', digo na maior cara de pau. 'Na verdade, Ben, se você for demorar, acho que vou dar uma penteada nos cabelos delas. Ontem à noite percebi que o da Polly está meio embaraçado.'
Ben vira todo o café, se afasta do balcão e sacode a cabeça negativamente para mim. 'Coitada… Tão maluquinha…'” (página 12, onde as gargalhadas começaram, com Ben inventado que Parker tinha um problema com bonecas, mas não pensem que isso ficou sem troco.)
 Tudo ia aparentemente bem, até Lance terminar com Parker, quer dizer, a vida sexual dos dois estava muito parada, mas ela não imaginava que ele fosse terminar o namoro. Parker ficou arrasada, Ben, como um bom amigo, tentou consolá-la. Parker decidiu que precisava sair mais, conhecer pessoas novas, ser como Ben e Lori, sua colega de trabalho, que tinham diversão - leia-se sexo - sem compromisso.

 O problema é que Parker nunca conseguia encontrar um cara que lhe interessasse realmente, que tivesse um bom papo, lhe atraísse e passasse segurança o suficiente para dar o próximo passo. Subindo pelas paredes, acabou achando que Ben poderia ser esse cara com quem se divertiria sem compromisso, ele tinha prática no assunto e ela ficava confortável com ele. Será que os dois conseguiriam manter a amizade ao se relacionarem fisicamente?
 "Mas passamos anos e anos tentando explicar para o mundo inteiro que não somos amigos que transam de vez em quando, que não reprimimos uma paixão pelo outro, e agora ela está querendo jogar tudo pela janela por…
 'Por quê?', pergunto, percebendo que deveria ter começado por aí. Meu tom de voz está um pouco mais suave agora que sei que deve haver alguma razão por trás desse surto de insanidade.
 Ela volta a me encarar. 'Por todos os motivos que falei. Quero… quero que o sexo seja divertido, sabe? Mas não tem como se a outra pessoa me entediar, me irritar, se eu estiver com medo de que tenha DST ou seja um psicopata…'
 Abro um sorriso ao ouvir isso, porque é a cara dela. 'Você está pensando demais no assunto.'
 'Exatamente! Meu cérebro não vai me deixar fazer isso com um desconhecido, porque tem muitas variáveis envolvidas. Não vou conseguir relaxar e aproveitar o momento. De repente, se eu tivesse anos de prática como você, ou como a Lori…'” (página 75)

 Esse foi meu segundo contato com a escrita da Lauren, o primeiro foi em "Em Pedaços", e definitivamente não sei de qual dos dois livros gostei mais. Até certo ponto, me parecia que os protagonistas de "Mais que amigos" não tinham um grande conflito para resolver, o que tornaria "Em Pedaços" mais interessante, mas aí a trama foi se desenvolvendo e vi que o conflito existia sim, e que mesmo que os protagonistas não se dessem conta, estava afetando a vida dos dois há algum tempo.

 Já li vários romances entre pessoas que eram apenas amigas, e até temi que a história de Parker e Ben me parecesse clichê, mas isso não aconteceu, pois a autora criou personagens com identidade própria, me fez acreditar nos sentimentos e nas atitudes deles. Confesso que tive medo de que eles não fossem ficar juntos no final, chegou um momento em que eu não fazia ideia de como eles poderiam se acertar, mas a autora resolveu muito bem essa questão.
 "Mal consigo respirar quando seus olhos encontram os meus. E ali ficam.
 Apesar de ter centenas de pessoas no recinto, de Lance estar bem do meu lado, sinto que está cantando para mim. Por mim.
 Não mexo um músculo enquanto ela canta.
 Sobre amizade. Sobre apoiar o outro.
 Seus olhos não desgrudam dos meus, e tenho certeza de que a música é pra mim. Pra gente.
 E não é uma melodia pop sobre melhores amigos.
 É uma letra ao mesmo tempo doce e amarga. Sofrida. Sincera.
 Quando termina, as lágrimas escorrem pelo seu rosto. Vou negar isso até o fim dos meus dias, mas a verdade é que meus olhos estão meio marejados também." (página 199)
 Não encontrei pontos negativos no livro. O Ben no início me pareceu meio folgado em relação à organização da casa, mas isso foi mais engraçado do que incômodo. A autora consegue nos fazer ficar com vontade de conhecer o lugar onde a história se passa (a ambientação do outro livro dela também me trouxe essa sensação). As cenas de sexo são leves, sem ser sem graça. O fato de Parker e de Ben terem outros amigos além de um ao outro é bacana e os torna mais reais. E, assim como em "Em Pedaços", a autora traz algo que gosto muito: relações familiares legais. Nesse caso, é Parker quem tem uma relação muito bonita com os pais, e eu amei a mãe dela, responsável por cenas hilárias.

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 "Os olhos dela percorrem meu rosto à procura de algo. 'Sério mesmo que você não sabe?'
 Meu coração está mais do que disparado agora, mas não consigo me mover.
 'Acho que…' Eu me interrompo, e preciso limpar a garganta para poder continuar. 'Acho que não vou aguentar o tranco se estiver errado.'”  (página 211, momento de querer guardar o protagonista num potinho.)
 A edição tem uma capa bonita, um pouco diferente do que se vê comumente por aí. As páginas são amareladas, a diagramação e a revisão são boas. Enfim, gostei muito de "Mais que amigos" e é um livro que recomendo para quem procura um romance divertido e apaixonante, de leitura rápida e envolvente (e com muitas referências à músicas, séries...). E vocês, já leram ou querem ler esse livro?

 Detalhes: 224 páginas, ISBN-13: 9788584391073, Skoob, tradução: Alexandre Boide, leia os primeiros capítulos. Compre na Amazon:

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Resumo das leituras de setembro

 Olá pessoal, tudo bem? Hoje é dia de comentar com vocês um pouquinho sobre as minhas leituras do último mês, vocês podem apertar o play e conferir o vídeo ou continuar lendo:



 Eu separei uma pilha com uns dezesseis livros que eu ainda quero ler esse ano, não consegui ler todos em setembro, mas li (clique nos títulos para conferir as resenhas):

Orgulho e Preconceito, romance clássico da Jane Austen na edição da Editora Pé da Letra. Um livro que demora para cativar, mas chega um momento em que não queremos parar de ler.

Em Pedaços, romance da Lauren Layne publicado pela Paralela. Alguns não curtiram, eu gostei bastante, escrita fluida e personagens que me causaram empatia.

A Noiva do Barão, romance de época medieval da Simone O. Marques, Ler Editorial. Uma história sobre um amor proibido.

III - A Hora Morta: volume 1, antologia de contos de terror organizada pelo Fernando Bins, tem contos dos convidados Cesar Bravo e Rô Mierling, publicada pela Luva Editora. Em agosto eu tinha lido o volume 2, então li também o primeiro e trouxe resenha e sorteio para vocês, está super fácil de participar, acessem: Sorteio dos dois volumes de III : A Hora Morta.

O Tempo Desconjuntado, ficção científica do Philip K. Dick lançada em edição com capa dura pela Suma. Apesar de deixar alguns pontos sem respostas, foi um primeiro contato interessante com a escrita do autor e a história nos deixa curiosos.

A Mulher Entre Nós, thriller psicológico das autoras Greer Hendricks e Sarah Pekkanen, editora Paralela. Foi minha melhor leitura do mês, me surpreendi muito com essa história que não é nem de longo sobre uma ex mulher perseguidora!

O sol na cabeça, contos com inspiração autobiográfica do Geovani Martins publicado pela Companhia das Letras. Foi bem diferente das minhas expectativas.

Carta a D., André Gorz fala sobre seu amor por sua esposa nessa obra publicada pela Companhia das Letras.

 Acabei demorando para liberar o post, pois queria postar todas as resenhas desses livros primeiro. Vocês já leram ou querem ler algum deles?

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Resenha: livro "O Sol na Cabeça", Geovani Martins

 Olá pessoal, como vocês estão? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com "O Sol na Cabeça", livro escrito pelo Geovani Martins e publicado em 2018 pela Companhia das Letras.

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 A obra é composta por 13 contos, sobre os quais vou comentar resumidamente.

 Em Rolézim, o narrador fala, com o uso de muitas gírias, sobre um dia quente em que ele e os amigos vão para a praia, usam drogas, aproveitam o calor. Na volta para casa, são parados pela polícia, e o medo de morrer como o irmão ou de decepcionar a mãe, movem o personagem principal. O protagonista de Espiral convive a vida toda com pessoas preconceituosas tendo medo dele, por ser morador da favela, o que lhe machuca e lhe faz passar a alimentar esse medo até níveis perigosos.

 Em Roleta-russa, um garoto curioso pega a arma do pai, um segurança, sem que ele saiba e contrariando suas ordens. O garoto vai para a rua exibir a arma para os amigos, dividido entre o exibicionismo e a culpa por saber que decepcionaria o pai se ele descobrisse que estava traindo sua confiança. O caso da borboleta também é protagonizado por um garoto, o Breno, de nove anos, que certa noite, vai à cozinha (uma cozinha que tem janela, assim como a minha) procurar algo para comer e se depara com uma borboleta caída no óleo usado para frituras, é um dos contos mais poéticos do livro.

 A história do Periquito e do Macaco traz novamente o uso de gírias, ao falar sobre um tenente da UPP, cujo "bagulho não era pegar traficante", mas sim viciado. Esse tenente foi emboscado e morto pelos traficantes. Primeiro dia nos apresenta André, um garoto de onze anos, empolgado por ir para uma escola nova, onde teria outros adolescentes como ele, uma escola onde toda semana tinha "porradeiro" com a turma de outro colégio. Mas no primeiro dia de aula, também enfrentaria um trote, ligado à lenda da Loura do Banheiro.

 O rabisco fala de Fernando, um pichador que foi confundido com um ladrão e correu para o terraço do prédio. Embaixo, policiais e a população se aglomerando, aumentando o desespero que Fernando, que foi pai recentemente e tinha decidido deixar a pichação por ser arriscado.
 "Chegam sem entender o que está acontecendo, se informam do motivo da aglomeração, e então são envolvidas pela rua e a sua incrível capacidade de transformar pessoas comuns, que amam e choram, que sentem fome e saudade, em algo completamente diferente, numa unidade capaz de ir além dos limites de cada um dos indivíduos reunidos, que não se incomoda em ver o sangue escorrendo pela roupa do objeto atingido, se isso satisfizer a sua noção de justiça no momento exato do choque. Era mais uma vez a sede de fazer justiça contra o desconhecido, como sempre foi, desde o início dos tempos." (página 54)
 "Fernando sabia que esperando ali não corria o risco de levar um tiro à queima-roupa. Não com tanta gente acompanhando a história, dentro de um prédio residencial. Com certeza levaria um couro bem dado. Chutes e socos descontando a espera e sabe-se lá quantas outras frustrações.
 O foda é que porrada também mata. Impossível esquecer o tanto de amigo que se foi depois de apanhar na pista, com traumatismo craniano, hemorragia interna. E, mesmo que não fosse sua hora, que sobrevivesse à surra, ia precisar explicar em casa aqueles hematomas todos, e saberiam que voltou a pichar, que cedeu ao vício, e o jugariam fraco e também hipócrita, por viver reclamando que seu pai o havia trocado pelo álcool e agora trocava seu filho por tinta." (página 57)
 A viagem se passa próximo a virada de ano, onde o personagem principal vai com a garota que ele está começando a namorar e um amigo para Arraial do Cabo, aproveitar o feriado na casa de um primo argentino desse amigo. Drogados, vão passear e passarão por uma situação inusitada por uma confusão.

 Em Estação Padre Miguel, um grupo de amigos se reúne na linha do trem para fumar maconha. Estava proibido pelos traficantes o uso de crack na região, mas até os amigos explicarem que "focinho de porco não é tomada" na mira de uma arma...
 "A noite protegia os que tinham medo de explanar o vício. Quando escurecia, na linha do trem ninguém tinha mais nome nem rosto para quem passasse de fora, era tudo um único monte de viciado." (página 72)
 "É engraçado, porque no auge do crack pelas ruas de Bangu, assim como todo mundo, eu ria de piada de cracudo, fazia piada de cracudo, mas a verdade é que, nas vezes que me demorava demais na cracolândia, começava a imaginar as histórias daquelas pessoas antes da pedra e sentia vontade de chorar." (página 72)
 "Sorri da precisão que tive prevendo aquelas palavras. Essas conversas repetidas às vezes me enchiam o saco, por fazerem parecer que estávamos sempre repetindo os dias. Mas algumas vezes eu me envolvia, e conseguia sentir todo o prazer contido nas conversas decoradas.
 - Vocês só falam de droga, nunca vi.
 - Isso é porque o mundo tá drogado, irmão. Até parece que tu não sabe. Já te falei, vou falar de novo: uma semana sem drogas e o Rio de Janeiro para. Não tem médico, não tem motorista de ônibus, não tem advogado, não tem polícia, não tem gari, não tem nada. Vai ficar todo mundo surtando de abstinência. Cocaína, Rivotril, LSD, balinha, crack, maconha, Novalgina, não importa, mano. A droga é o combustível da cidade.
 O Alan adorava falar isso, a gente adorava ouvir.
 - A droga e o medo - concluí. (páginas 74 e 75)
 "Eu nunca entendi esse movimento. Quero dizer, sempre me senti profundamente incomodado com esses silêncios inexplicáveis. É sempre como se alguma coisa estivesse rompendo. De um momento pro outro tudo se desfaz, tudo desaba, e ficamos sozinhos frente ao abismo que é a outra pessoa. Daí vem uma vontade de falar não sei o quê, só pra tentar reunir uns pedaços da gente, meia dúzia de restos espalhados pelo mistério que é a convivência." (página 75 e 76)
 O cego é sobre Seu Matias, um homem cego que contava sua história em ônibus.
"Quando pequeno, Matias não suportava a companhia de outras crianças, tagarelando sobre tudo numa velocidade absurda, atropelando os assuntos, embolando as vozes, sobrepondo imagens; as palavras voavam sempre pra muito longe. Por esse motivo, preferia conversar com os velhos, esses sempre tinham paciência pra tentar explicar detalhadamente a forma de cada coisa, de um jeito tão cuidadoso como só mesmo a solidão dos velhos permite. O céu, os rios, os ratos, a chuva, as pipas no alto, o arco-íris, tudo isso que é dito sem pensar no passar dos dias." (página 86)
 O mistério da vila foi meu conto favorito. Dona Iara, uma senhora bem idosa, é conhecida como a macumbeira, alvo da curiosidade das crianças e dos comentários ofensivos de quem tem religiões diferentes, mas que nas horas de desespero, recorrem às rezas dela. Até que dona Iara fica doente, e as crianças vão perceber o quanto ela é importante para eles, independente da religião. Um conto que mostra a hipocrisia de alguns, mas também mostra que Deus é um só.
"Sem comentar com ninguém, Thaís passou toda a semana pedindo a Jeová pela vida de dona Iara. Colocou a velha em todas as suas orações diárias; até na congregação, na reunião de domingo, pediu por ela, mesmo sem saber se era pecado orar pela macumbeira dentro da casa de Deus.
Ruan ficou muito abatido, enfiado em casa, brincando sozinho, sem sorriso nem barulho. A avó, percebendo tristeza no garoto, perguntou se havia brigado com os amigos.
- Eu não quero que a dona Iara morra, vó. Você lembra quando ela veio aqui e acabou com os carrapatos? Não fosse por isso, o Máilon tava morto hoje, sem sangue, eu lembro.
A velha, comovida, aconselhou:
- Pois então peça a Deus por ela, meu filho. Ou melhor, pede pra um santo. Se você tiver fé, ele te ajuda com Deus. E, com santo pedindo, Nosso Senhor sempre atende." (página 95)
 Sextou é protagonizado por um rapaz que vai comprar droga com o pagamento da primeira semana de trabalho, mas dá de cara com os policiais. Travessia traz Beto, que trabalhava numa boca, matou um cara e agora tinha que dar um jeito de sumir com o corpo.

 Esse é um resumo muito superficial dos contos. "O Sol na Cabeça" teve bastante divulgação no lançamento. O Geovani é poucos meses mais velho do que eu, e como seus contos, segundo a orelha, têm inspiração autobiográfica, eu estava com expectativas elevadas para conferir esse livro tão elogiado no lançamento e curiosa para ver o que tinha para dizer alguém que viveu na mesma época que eu, mas em lugares diferentes (o autor nasceu em Bangu e morou no Vidigal).

O-Sol-na-Cabeça, Geovani-Martins
O-Sol-na-Cabeça, Geovani-Martins

 É inegável a capacidade do autor de escrever contos que quase dão um nó na nossa cabeça pelo uso constante de gírias, que talvez nem todos entendam, e no conto seguinte, já utilizar uma linguagem mais sensível e poética. Muitas das situações vividas pelos personagens, muitos dos seus inquietamentos, das suas dúvidas sobre a vida, são situações e pensamentos com os quais os leitores podem se identificar. Alguns contos, como "Roleta-russa" e "O rabisco", terminam justo no momento em que estamos mais tensos para saber o que acontecerá em seguida... Essa diversidade na escrita, essa identificação e as emoções passadas ao leitor são  pontos positivos da obra, mas que infelizmente não fizeram "O Sol na Cabeça" superar as minhas expectativas.

 Em certo momento, eu já estava cansada de ver as histórias sendo protagonizadas por usuários de drogas ou traficantes, mais da metade dos contos é sobre eles, ficou repetitivo, maçante. Me parece absurdo, por exemplo, ir para a casa de uma pessoa que você nem conhece, com uma garota com quem se está começando um relacionamento, e levar drogas, como acontece em "A viagem". No nosso país, quem usa maconha, está ciente de que pode ser parado pela polícia e ter problemas, ou seja, está buscando encrenca com as próprias mãos (alguns contos mostram como o risco não vale a pena). Eu e os meus amigos nunca precisamos estar sob o efeito de drogas para nos divertirmos juntos nem para termos reflexões sobre a vida ou nos aproximarmos de outras pessoas. Por que alguém precisa estar fora de si para viver? E não é só em cidade grande que tem gente que ganha pouco e trabalha onde não é valorizado, essa é uma realidade de muitos brasileiros, que nem por isso descontam suas frustrações nas drogas.

 Apesar de discordar das atitudes de alguns personagens e de ter achado cansativo a repetição de alguns temas, pela versatilidade da escrita do autor e por saber das diferentes realidades do nosso país, acredito que "O Sol na Cabeça" possa proporcionar experiências de leitura, no mínimo, interessantes. A edição traz uma capa com cores vibrantes, páginas amareladas, boa revisão e diagramação. E vocês, já leram ou querem ler o livro?

Detalhes: 122 páginas, ISBN-13: 9788535930528, Skoob. Clique para comprar na Amazon:

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RESENHA: Minha Vida Fora de Série (2º Temporada), de Paula Pimenta


Olá Leitores (as), como estão? Espero que estejam todos bem. Hoje venho trazer a vocês a resenha do livro Minha Vida Fora de Série “Segunda Temporada", da autora Paula Pimenta. Comecei a ler essa obra logo após concluir a leitura do primeiro livro da série, e desta vez a história me proporcionou um turbilhão de sentimentos. Ficaram curiosos para saber mais sobre essa história? Então venham conferir minha opinião completa.

Foto: Skoob
Título: Minha Vida Fora de Série “Segunda Temporada”
Autora: Paula Pimenta
Editora: Gutenberg
Ano: 2013
Páginas: 424
Gênero: Infanto Juvenil / Literatura Brasileira / Romance

SINOPSE
Na 2ª temporada de "Minha vida fora de série", Priscila agora está com 16 anos e começa a lidar com questões mais sérias da adolescência: a proximidade do vestibular e, com ele, todos os receios desta fase; amizades que parecem sólidas e que de repente se perdem; o aprendizado de que um namoro tem de ser constantemente cuidado para não se desgastar. Ela também descobre que atos sem pensar, que parecem estar esquecidos no passado, podem marcar irreversivelmente o presente. Nossos queridos personagens - já conhecidos pela série "Fazendo meu filme" estão de volta, para não deixar ninguém com saudade. Não perca os próximos episódios da vida fora de série de Priscila. Você não vai conseguir desgrudar até terminar de ler. (Skoob)


Na semana passada contei em detalhes para vocês minha opinião sobre a leitura do livro “Minha Vida Fora de Série “Primeira Temporada”, e o quanto havia gostado e me surpreendido com essa história. Para você que ainda não conferiu essa resenha e ficou interessada é só clicar aqui. Bom, logo após já fui correndo pegar a continuação, pois queria saber o que iria acontecer na vida da Priscila e de todos a sua volta. Contudo admito que houveram pontos positivos e negativos no decorrer da trama, e vou contar tudinho para vocês nessa resenha.


“(...) Eu me divertir com seus gritos nos brinquedos, adorei te contar a história dos parques e ver que você estava interessada de verdade… E esse seu astral para cima contagia. Do seu lado, é como se o sol aparecesse mesmo nos dias nublados.” (Pag.106)


Nesta sequência o livro continua retratando a história da Priscila (Pri), no entanto vamos acompanhar também um pouco da vida de outros personagens que possuem um papel fundamental nessa história. A trama dá um salto bem grande de tempo do livro anterior para este. Por isso nos deparamos com a Priscila aos 16 anos, madura, e bastante familiarizada com as pessoas, a cidade e as amizades. Contudo um namoro que antes parecia sólido irá se deparar com momentos desagradáveis que todo relacionamento passa, as incertezas, insegurança, colocando realmente a prova o amor que um sente pelo outro. A trama também aborda temas como primeira vez de uma forma bem sutil, amizade, vestibular,  e como vamos lidar com algumas responsabilidades que temos de adquirir quando nos tornamos adultos. O livro é narrado em primeira pessoa com a perspectiva intercalada entre a Priscila e o Rodrigo, ambos os personagens possuem uma personalidade carismática e divertida, de forma que faz com que o leitor acredite que eles são reais.



“(...) Porque sei que é esse amor que vai estar comigo em todos os momentos. Que vai gostar de mim mesmo nos dias em que eu estiver me sentindo mais feia, mais preguiçosa de lavar os cabelos e com vontade de ficar de moletom dentro de casa.” (Pag.112)


Ao começar a ler esta obra como eu não havia lido a sinopse anteriormente, logo de cara me assustei ao me deparar com a personagem aos 16 anos. Simplesmente fiquei com a sensação de que perdi alguma coisa no meio do caminho. No entanto percebi que talvez fosse me familiarizar mais com a personagem, o que não aconteceu muito. Até porque senti de que apesar de estar em uma idade mais “madura”, vamos chamar assim, sua forma de pensar era um pouquinho imatura. Sem julgamento, mas teve momentos que quis dar um sacode nela sabe? Apontar alguns erros, e idiotices que ela estava cometendo, como se fosse sua amiga. (Risos) Quem já leu esse livro vai saber exatamente ao que estou me referindo. Mas, foi exatamente esses momentos de tensões que me prenderam a leitura, eu queria saber como a Priscila e o Rodrigo iriam lidar com aquela situação, e como ela sairia daquela enrascada.

Além do romance, achei muito legal a forma como a autora tratou de assuntos importantes, como assumir responsabilidades, e como isso muita das vezes nos faz ter de abrir mão de outras coisas, que gostamos de fazer.  A questão da amizade vir primeiro que os relacionamentos amorosos de nossas amigas, e que ter um relacionamento pautado na fidelidade, e na confiança é muito importante. Pois sem isso as coisas podem acabar não dando muito certo.


“(...) Até falei a respeito com o Daniel, mas ele me disse que era normal, que todo relacionamento era assim, no começo a paixão vinha com toda a força, mas aos poucos o amor dominava, e o namoro ficava mais calmo.... Mas, então por que eu ainda sentia tudo aquilo do começo?” (Pag.145)


Foram tantos assuntos que a autora pontuou nesta obra, que eu acredito que não consegui mencionar todos. Porém gostaria de apontar que desta vez a autora conseguiu desenvolver de forma muito bem elaborada esta história, fazendo com que a leitura te prendesse e fizesse com que o leitor virasse as páginas sem perceber. Já que era bomba atrás de bomba. Teve momentos leves, e outros tensos que me deixaram de cabelo em pé. A Paula também conseguiu explorar de forma ampliada outros personagens, descrevendo estes ora através de e-mails, ora através de mensagens de texto. Inclusive achei essa ideia genial.

A escrita da autora continua leve, cativante, e envolvente, fazendo com que a leitura flua. Admito que esta obra continua no mesmo pique que o livro anterior, contudo não me diverti tanto como no primeiro livro, talvez seja porque nesta história houve mais drama, e tensão.



(...)Porque o que eu julgava ser apenas uma frase clichê da internet acabou acabou se revelando verdade: era possível, sim, se apaixonar várias vezes pela mesma pessoa. Eu podia dizer isso por experiência própria.” (Pag.191)



Estou ansiosa para ler a continuação desta obra, mas ainda não a fiz, pois não quero ler tudo de uma vez, quero devorar esta série aos poucos! Continuo recomendando a leitura dessas obras, pois estou amando acompanhar a vida da Priscila e de seus amigos. E se você gosta de um bom romance, e de ver adolescentes vivendo momentos mais divertidos e dramáticos durante essa fase da vida que nos marca profundamente, não percam essa oportunidade. Prometo que assim que eu concluir a leitura irei trazer a resenha do livro Minha Vida Fora de Série (3º Temporada). Mas, e vocês já tiveram oportunidade de ler este livro, ou se interessaram por esta leitura? Deixem nos comentários a opinião de vocês, é sempre muito importante e bem vinda.


Espero que tenham gostado, e por hoje é só.

Até o próximo post


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Resenha: livro "A mulher entre nós", Greer Hendricks e Sarah Pekkanen

 Olá pessoal, tudo bem? A resenha de hoje é sobre "A mulher entre nós", livro escrito pelas autoras Greer Hendricks e Sarah Pekkanen, publicado no Brasil em 2018 pela Editora Paralela.

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 "Levanto, ando silenciosamente na escuridão, pego meu celular pré-pago e meu laptop na última gaveta da cômoda.
 Richard não pode casar de novo.
 Começo a fazer os preparativos. Da próxima vez que a encontrar, vou estar pronta." (página 105)
 Pela narração em primeira pessoa, conhecemos Vanessa, uma mulher de 37 anos que está no fundo do poço após se divorciar. Foi morar na casa da tia, passou a trabalhar numa loja de roupas, e quando fica sabendo que seu ex-marido Richard já está em um novo relacionamento e pretende se casar, ela não se conforma e está decidida a impedir esse casamento de qualquer maneira.

 Pela narração em terceira pessoa, somos apresentados à Nellie, uma jovem professora de vinte e poucos anos que divide apartamento com a amiga Samantha em Nova York. Nellie está empolgada com a proximidade do seu casamento com Richard, mas segredos do seu passado não lhe deixam ter paz. Algo aconteceu há anos na Flórida, algo que fez Nellie se mudar, sempre verificar se todas as portas e janelas estão bem fechadas, sempre estar com o celular por perto, e, depois do noivado, ela passou a receber estranhas ligações, será que alguém está lhe perseguindo?
 “'Olha só vocês dois', dissera Samantha ao ver a foto dos bonequinhos de porcelana que Richard mandara a Nellie por e‑mail. A peça havia sido dos pais dele, e Richard tinha ido procurá‑la no depósito que mantinha no porão de seu prédio depois de pedi‑la em casamento. Sam franziu o nariz. 'Já parou para pensar que parece bom demais para ser verdade?'
 Richard tinha trinta e seis anos, nove a mais que Nellie, e era um bem‑sucedido administrador de fundos de investimentos. Tinha o corpo magro e esguio como o de um corredor, e seu sorriso fácil amenizava a intensidade dos olhos azul‑escuros.
 No primeiro encontro, ele a levara a um restaurante francês e conversara com a maior familiaridade com o sommelier sobre vinhos brancos da Borgonha. No segundo, em um sábado de neve, recomendara que Nellie usasse roupas quentes e aparecera com dois trenós verdes de plástico. 'Conheço a melhor rampa do Central Park', ele dissera.
 Usava uma jaqueta jeans desbotada que caía tão bem quanto seus ternos feitos sob medida.
 Nellie não estava brincando quando respondera a Sam: 'Penso nisso todos os dias'." (página 13)
 O livro é dividido em três partes. Na primeira, vemos as tentativas de Vanessa de se aproximar de Richard e da nova namorada dele, além dos preparativos de Nellie para o casamento. É muito visível o quanto Vanessa está abalada após o término do casamento, como ela tem dificuldades para se concentrar no trabalho, como exagera na bebida. A mãe de Vanessa tinha problemas psicológicos, e ficamos na dúvida  se a filha também tem. Também ficamos na dúvida sobre o que ameaça Nellie, se é Vanessa ou algo do seu passado.
 "Comecei a prestar muita atenção aos arredores quando estava sozinha. Criei o costume de detectar olhares para não me tornar uma presa. A sensação de arrepio na pele, o movimento instintivo da cabeça em busca de um par de olhos - eram as ferramentas de que me valia para me proteger.
 Nunca passou pela minha cabeça que poderia haver outro motivo para meus instintos se tornarem tão apurados imediatamente após meu noivado com Richard. Para eu verificar obsessivamente as trancas e fechaduras, para começar a receber ligações de números bloqueados, para empurrar meu noivo amoroso com tanta força quando ele me imobilizou para fazer cócegas no dia em que assistimos a Cidadão Kane.
 Os sintomas da excitação e do medo podem se misturar.
 E eu estava de olhos vendados, no fim das contas." (página 249)
 Até mais ou menos metade do livro, eu não estava muito presa à leitura, por achar que as autoras estavam exagerando nas descrições, relatando eventos que não tinham importância. Mas aí veio a primeira virada da história, quando Vanessa e Nellie se encontram, e eu passei a perceber que tudo o que foi dito até então era sim necessário. Eu já desconfiava de como seria esse encontro das duas há alguns capítulos, pelas evidências que fui encontrando no decorrer das páginas, e por já ter visto esse recurso sendo usado em outros livros, o que eu não imaginava era o que viria depois disso.

 "A mulher entre nós" foi a minha melhor leitura de setembro e recebeu cinco estrelas na minha avaliação no Skoob pelo fato de ser uma história cheia de surpresas e reviravoltas, que terminou sem nenhuma ponta solta. Até no epílogo houve uma revelação. E não se enganem, essa não é uma história sobre uma "ex-mulher louca e perseguidora revoltado porque o marido lhe trocou por uma mulher mais jovem", felizmente. Não vou revelar a verdade sobre a trama, só digo que é um tema bem comentado atualmente e que acho muito importante a obra poder trazer uma reflexão sobre o assunto e que talvez ajude pessoas a identificar os sinais de que também estão passando por essa situação.
 “'Ele por acaso perguntou se você queria passar a véspera do seu casamento fazendo limpeza de pele?'
 'E como eu não ia gostar disso?' Só mesmo a mãe de Nellie para deixá-la irritada por causa de uma bobagem como uma ida ao spa. Mas não era bobagem. Era um presente de Richard.
 'Uma vez você me disse que odiava limpezas de pele. Por que não falou para ele? Richard comprou uma casa sem seu consentimento. Você por acaso quer morar em um condomínio residencial?' Nellie respirou fundo por entre os dentes, e sua mãe continuou: 'Ele parece ser muito impositivo'.
 'Vocês só se viram uma vez!, protestou Nellie.
 'Mas você ainda é tão jovem. Estou com medo de que acabe se anulando… Sei que está apaixonada por ele, mas, por favor, não deixe de ser quem você é.' (página 141)
 Preciso mencionar que gostei muito da Charlotte, tia da Vanessa, ela foi o porto seguro da protagonista em muitos momentos. A saúde mental da mãe da Vanessa, o medo da Nellie ligado ao que aconteceu no passado e a relação do Richard com a irmã são outros pontos que podem trazer reflexões interessantes. Além disso, destaco a ambientação bem feita, tornando fácil imaginar as cenas e a amizade bacana entre a Sam e a Nellie.
 "Começo a pensar em como minha percepção moldou minha vida; como eu só via o que queria - e precisava - durante os anos que passei com Richard. Talvez a paixão crie um filtro na nossa visão; talvez seja assim para todo mundo.
 No meu casamento, havia três verdades, três realidades diferentes e às vezes conflitantes. A verdade de Richard, a minha verdade e a verdade pura e simples, que é a mais difícil de reconhecer. Pode ser assim em qualquer relacionamento. Pensamos que estamos em uma linha reta em nossa união com alguém, quando na verdade formamos um triângulo, com uma das pontas sendo um juiz silencioso mas onisciente, o árbitro da realidade." (página 250)
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 Segundo o folheto enviado pela editora, recebi uma prova antecipada do livro, mas com ótima revisão, páginas amareladas, diagramação com letras, margens e espaçamento de bom tamanho. A capa traz a imagem presente nas maioria das edições internacionais e eu gostei da combinação de azul com amarelo. A editora também me enviou um envelope com tachinhas, um barbante e algumas palavras que são dicas importantes para desvendar a história, até tentei fazer uma foto interessante com eles, mas só consegui não espetar o dedo e já está muito bom, rsrs

 Enfim, "A mulher entre nós" foi um thriller psicológico que comecei a ler sem grandes expectativas, demorou para me cativar, mas, depois que as primeiras peças do quebra-cabeça se juntaram, eu não queria mais largar o livro até chegar ao final. Fiquei muito curiosa para descobrir como tudo terminaria, tive medo pelo que poderia acontecer com determinados personagens e torci muito por certa personagem. E essa foi a minha boa experiência de leitura com o livro, já vi avaliações negativas dele que me fizeram começar a leitura com baixas expectativas, mas me surpreendi positivamente e acho que vale muito a pena dar uma chance a "A mulher entre nós". E vocês, já leram? Querem ler?
 "Ajoelhada naquele depósito, eu me perguntei se não tinha sido tudo um erro. Entendi que o casamento não significava o fim de uma história, o 'felizes para sempre' na última página, palavras que ecoavam até o infinito. Mas a mais íntima das relações não deveria ser um porto seguro, em que a pessoa conhecia todos os segredos e os defeitos da outra e a amava mesmo assim?" (página 208)
 Detalhes: 352 páginas, ISBN-13: 9788584391066, Skoob, leia o primeiro capítuloClique para comprar na Amazon:

♥ Participe dos sorteios que estão rolando: Até 10/10 tem sorteio de dois livros da Carol Dias, até 14/10 tem sorteio valendo o livro Beco da Ilusãosorteio valendo os dois volumes de III : A Hora Morta.
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Até o próximo post!

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Resenha: livro "Carta a D.", André Gorz

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência com o livro "Carta a D.", escrito pelo André Gorz e lido na edição lançada em 2018 pela Companhia das Letras.

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 "Eu não posso me imaginar escrevendo se você não mais existir. Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância." (página 99)
 André Gorz foi um filósofo e escritor. Filho de pai judeu, foi enviado pela família da Áustria para a Suíça durante a Segunda Guerra Mundial. Depois, se mudou para a França. No livro, ele conta como conheceu Dorine, como decidiram se casar, como passaram por dificuldades nos primeiros anos, Gorz fala sobre seu trabalho como escritor, sobre a saúde da esposa que foi se debilitando por causa de uma doença degenerativa incurável, mas fala principalmente sobre seu amor e sua admiração por Dorine.

 Em 2007, cerca de um ano após a publicação de Carta a D., André e Dorine, ambos com mais de oitenta anos, se suicidaram juntos, pois um não queria ter que viver sem o outro.
 "Havia ali como que um eco do pensamento de Jacques Ellul e de Günther Anders: a expansão das indústrias transforma a sociedade em uma gigantesca máquina que, em vez de libertar os humanos, restringe seu espaço de autonomia e determina como e quais objetivos eles devem perseguir. nós nos tornamos os serviçais dessa megamáquina. A produção não está mais ao nosso serviço, nós é que estamos a serviço da produção. E em razão da profissionalização simultânea dos serviços de todos os tipos, tornamo-nos incapazes de cuidar de nós mesmos, de autodeterminar as nossas necessidades e de satisfazê-las pro nossa conta: dependemos, para tudo, de 'profissões incapacitantes'." (páginas 85 e 86)
 Sendo o autor um filósofo, ele coloca algumas reflexões filosóficas na obra. Sendo uma carta de Gorz para sua esposa, é um livro bem curtinho e que pode ser lido em poucas horas. Eu tinha receio de me debulhar em lágrimas com essa leitura, mas não cheguei a esse ponto, talvez pelo fato de ser um livro breve para relatar a história de um casal que viveu mais de oitenta anos.

 Ainda assim, há momentos bem fortes na trama, como quando Dorine quis aprender alemão, e Gorz disse "'Não quero você aprenda nem uma palavra dessa língua (...) Nunca mais vou falar alemão'" (página 57), algo compreensível para quem viveu a perseguição nazista contra o seu povo. É interessante observar as menções aos períodos históricos que o casal vivenciou, e eu adoraria ler uma biografia dos dois.

 Igualmente interessante é ler os elogios que Gorz faz à esposa. Poder envelhecer ainda amando e sendo amado, ainda sentindo aquela necessidade de estar ao lado da pessoa amada, sem dúvidas é uma dádiva.
 "O livro não é mais o 'meu pensamento', uma vez que este se tornou um objeto no meio do mundo, algo que pertence aos outros e me escapa." (páginas 66 e 67)
 "O escrevedor só se tornará um escritor quando sua necessidade de escrever for sustentada por um tema que permita e exija que essa necessidade se organize num projeto." (página 42)
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 Na edição da Companhia das Letras, o livro vem dentro de uma espécie de caixa, cujo nome acredito ser luva, e tem um tamanho menor que as edições normais. A capa traz uma foto do autor e sua esposa. Não encontrei erros de revisão. As páginas são amareladas, a diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho.
 "Estou atento à sua presença como estive desde o início, e gostaria de fazê-la sentir isso. Você me deu toda sua vida e tudo de si, e eu gostaria de poder lhe dar tudo de mim durante o tempo que nos resta.
 Você acabou de fazer oitenta e dois anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o meu corpo estreitado contra o meu pode preencher. À noite eu vejo, às vezes, a silhueta de um homem que, numa estrada vazia e numa paisagem deserta, anda atrás de um carro fúnebre. Eu sou esse homem. É você que esse carro leva. Não quero assistir à sua cremação; nem quero receber a urna com as suas cinzas." (página 101)
 "Carta a D." foi uma leitura que gostei e que recomendo, acho que a história de amor entre André Gorz e Dorine pode ser inspiradora. Por hoje é só, espero que tenham gostado do post.

 Detalhes: 112 páginas, ISBN: 9788535930979, Skoob. Curiosidade: Uma música de Kathleen Ferrier é mencionada no livro, pesquisando pelo trecho que consta na obra: "Die Welt ist leer, Ich will nicht leben mehr", que segundo a Nota Técnica, em alemão quer dizer "O mundo está vazio, não quero mais viver", encontrei essa música no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=p77JoONFX8U, vale a pena ouvir, é de arrepiar. Leia um trecho. Clique para comprar na Amazon:


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