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terça-feira, 29 de março de 2016

Resenha: livro "Respeite o medo", Ana Cristina Soares (com sorteio de um exemplar)

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "Respeite o medo", escrito pela Ana Cristina Soares e publicado pela Chiado Editora em 2015.

Resenha: livro "Respeite o medo", Ana Cristina Soares (com sorteio de um exemplar)

 A Ana entrou em contato comigo perguntando se eu gostaria de ler o livro dela, me falou mais ou menos do que se tratava e eu aceitei, pois gosto de livros de contos, mas não fazia ideia do que ia cair em minhas mãos! Aí, como ele era relativamente pequeno se comparado com os outros livros que estavam na minha lista de leitura, surgiu um tempinho e eu resolvi pegar ele para ler. Já no primeiro conto a Ana me nocauteou, me deixou extremamente surpreendida com a história que ela criou, e foi só o primeira de muitas maravilhosas surpresas que tive ao longo da leitura.

 Alguém me explica o que está acontecendo com os escritores de contos desse país, que estão cada dia melhores?! Quem acompanha o blog sabe que eu já havia sido surpreendida positivamente com outro livro de contos de terror, o "Eu me ofereço! Um tributo a Stephen King", só que ele era escrito por vários autores, já o "Respeite o medo" é escrito por uma só, mas é tão bom quanto "Eu me ofereço!".

 O livro é composto por 20 contos, alguns menores, outros maiores, mas todos muito bons! Se não me engano, apenas 1 é narrado em primeira pessoa, todos os demais são em terceira. Não tem como eu falar de todos ou a resenha ficaria enorme, mas também é difícil escolher um para citar, já que, como disse anteriormente, todos tem um nível elevadíssimo no que diz respeito a história contada pela autora.  Ele não é um livro de contos de terror, tem uma mescla de temas e gêneros: alguns vão mais para o lado da fantasia e do sobrenatural, outros são bem realistas, uns são mais engraçados e leves, outros são mais pesados e sombrios.

 Falando sobre o primeiro, que já mostrou o talento da escritora, em "Má companhia" temos a história de um cara rico que se apaixonou por uma mulher com um poder aquisitivo menor, mas por causa de um amigo que vivia desconfiando dela e dizendo que a moça era interesseira, ele não viveu essa paixão com a intensidade que ela merecia. Durante boa parte da leitura, fiquei aguardando para ver se a mulher tinha algum podre mesmo ou até que ponto a desconfiança plantada pelo amigo da onça iria chegar, mas aí veio o desfecho inesperado! Se o protagonista tivesse deixado seu orgulho de lado e confiado mais no seu coração...

 O segundo conto, que dá título à obra, conta a história de Helena, uma garota que sentia uma presença estranha em seu quarto. Ela não via nada, mas sentia que tinha algo lá. Helena não conseguia dormir de noite, e teve toda a sua vida afetada por essa presença e pelo medo que sentia. Procurou ajuda com "especialistas": padres, pastores, médiuns, videntes, psicólogos e até ufólogos, mas nada realmente ajudava. O desfecho é perturbador e me deixou de boca aberta!

 Alguns dos conselhos que Helena recebeu:

 "- São espíritos obsessores. Venha ao meu centro, pois você é médium e precisa se desenvolver.
 - É o demônio, em uma de suas formas mais violentas. Você precisa ir a doze missas em Aparecida e rezar o terço toda noite.
 - É a civilização de Atlântida querendo usar você para retomar o poder na Terra. Você precisa aprender grego para se comunicar com eles. (...)
 - São lembranças reprimidas da primeira infância. Você precisa enfrentar." (páginas 18 e 19)

 Em "Cecília e a Morte", conheceremos Cecília, uma mulher aparentemente comum, mas que era uma espécie de ajudante da Morte. Apesar de ter uma personagem tão temida como a Morte, é um dos contos mais delicados e emocionantes da obra.

 "- (...) queria saber como é.
 - Como é o que?
 - O Amor. Como é sentir Amor? Eu conheço o Amor, ele me ajuda muitas vezes. Acompanha os que vão e os que ficam. Mas eu não sei como é senti-lo. Sempre pergunto isso para as pessoas, mas as respostas sempre são diferentes. Como é?
 Cecília olhou a Morte longamente e então respondeu:
 - Sabe o que é? É que está muito acima de sua compreensão. Você não pode saber nada do meu mundo.
 E a Morte sorriu." (página 32)

 Quero ressaltar a criatividade da autora para os títulos dos contos, alguns são interessantíssimos, por exemplo: "A Lua, o Sol (e o Trambiqueiro)", que traz três primos como protagonistas, sendo que um é "diferente", e traz uma questão bem polêmica.

 Em vários contos, a autora colocou reviravoltas, eu lia uma parte a achava que já sabia como a trama ia acabar, mas aí vinha o próximo paragrafo e mudava tudo. Foi o caso de "Péricles", onde conheceremos a história de um homem que se arriscou para salvar a vida da esposa que estava com ele no carro quando sofreram um acidente. Ele podia ter se salvado sozinho, mas decidiu também ajudá-la, ficando de certa forma incapacitado depois do ocorrido. Três anos depois, a esposa não suportava-o mais e queria se livrar dele. Eu já estava julgando a ingratidão dela, e talvez vocês também estejam, afinal, o cara ficou do jeito que ficou para salvar ela, mas aí a autora, que havia me enganado direitinho, explicou como realmente o Péricles estava.

 A penúltima história é "O Flagra!", onde conheceremos Flávia, uma secretária comilona que, por esquecimento, teve que voltar na empresa onde trabalhava bem depois do fim do expediente, e...
 "- D. Flávia! A senhora vive com fome e por pouco não morreu com fome!" (página 153)

 Foi interessante observar que todos os contos traziam mulheres como personagens importantes na história, algumas faziam coisas boas, outras faziam coisas ruins. Eu não estou aqui para julgar as ações de cada uma das personagens, mas creio que se analisarmos os papéis que as mulheres costumam receber, "Respeite o medo" é ainda mais recomendado por trazer personagens femininas que vivenciam histórias fortes e que fogem dos esteriótipos de beleza, pureza e "casaram-se e foram felizes para sempre" que vemos por aí. Temos mocinhas, vilãs e as duas coisas numa mesma pessoa, mas temos pessoas, mulheres, em diversas situações! O conto "Não brinque comigo", cujo trecho está na capa, é revoltante e proporciona uma reflexão sobre a sociedade machista em que vivemos, onde um cara acha que pode fazer o que quiser com a namorada, mas se ela paga na mesma moeda, ele faz uma monstruosidade com ela.

 "A morte o transformara em alguma outra coisa que Marília não podia amar." (página 112)

"Muita gente pensa que o enterro é importante para que os vivos vejam que seu ente querido está morto. Mas, o mais importante é que o morto saiba que está morto também." (página 112)

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A autora mora perto da minha cidade :) !
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 Sobre a parte visual: eu achei a capa bonita e condizente com o tom da obra, mas a editora poderia ter usado um material um pouco mais resistente. As páginas são amareladas e porosas. A diagramação está ótima, com margens, letras e espaçamento de ótimo tamanho.

 Ah, quero mostrar para vocês (para quem não viu quando postei no Instagram) o envelope em que recebi o livro, com algumas palavras que são temas dos textos. Amei!

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 Eu poderia ficar aqui falando sobre "Respeite o medo" por horas e horas, e certamente ainda teria algo para dizer, o fato é que eu gostei muito do livro e super recomendo que vocês leiam ele. Quem gosta de ser surpreendido, quem gosta de histórias bem escritas, cativantes e de leitura fluidas, ou gosta de personagens fortes, certamente vai amar "Respeite o medo". Aliás, acho que é uma obra que certamente agradará a qualquer leitor, mesmo quem gosta de leituras mais leves, provavelmente vai ser surpreendido por pelo menos um conto.

 Detalhes: 164 páginas, Skoob (minha nota: 5/5), ISBN-13: 9789895152957. Onde comprar online: loja da editoramercado livre.

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 Agora vem a melhor parte: assim que terminei a leitura, falei para a autora que tinha certeza que vocês iam ficar interessados no livro, e ela cedeu um exemplar para sortear no blog!

 Para participar, é super fácil: comente na resenha, curta as páginas do blog e da autora no Facebook e preencha o formulário abaixo. Quem seguir o blog tem direito a chances extras, assim como quem convidar amigos ou fizer outras ações propostas no formulário, aproveitem para aumentar as chances de ganhar.

 - As inscrições começam hoje e terminam no dia 29/04/2016, o sorteio será feito no dia 30/04/2016 e o resultado será divulgado nesse mesmo post e nas redes sociais do blog.
 - É preciso ter endereço de entrega no Brasil.
 - O sorteado será comunicado por e-mail e tem o prazo de uma semana para responder ao e-mail enviado informando seus dados para envio do prêmio ou será desclassificado e o sorteio será refeito.
 - O prêmio será enviado pela autora em até 30 dias após recebimento dos dados do ganhador.
 - Não nos responsabilizamos por danos, extravios ou devolução do prêmio por parte dos Correios em caso de endereço incorreto fornecido pelo participante ou ausência de quem o receba.

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 Boa sorte!

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha e que participem do sorteio.


Até o próximo post!
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segunda-feira, 28 de março de 2016

Resenha: livro "O segredo da caveira de cristal", Mallerey Cálgara

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "O segredo da caveira de cristal", escrito pela mineira Mallerey Cálgara e publicado em 2015 pela Editora Mundo Uno.

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 "O tempo é como o vento. Não apenas leva, mas também traz" (página 69)

 A história é narrada em terceira pessoa e ocorre num passado distante, tendo como cenário principal o reino de Heilland, que era cercado por quatro outros reinos. A rainha Arápia teve dois filhos gêmeos, dois meninos que eram muito diferentes um do outro: o sombrio Sulco e o simpático Heian. Sulco nasceu primeiro, e deveria ser o próximo rei, mas após uma visita a uma loja de artefatos mágicos, e levando em conta a opinião de sua esposa, o rei Alphonsus decidiu que Heian seria uma escolha melhor para governar o reino, mas ele não imaginava o que essa decisão acarretaria para a sua vida, a de sua esposa e de toda Heilland!

 "O segredo da caveira de cristal" foi uma grata surpresa para mim, confesso que minhas expectativas sobre ele eram pequenas, quando comecei a leitura eu esperava um livro de fantasia leve e infanto-juvenil, e ele até parecia isso nos primeiros capítulos, uma história sobre dois irmãos que disputam o trono, mas aí os capítulos foram passando e eu fui me surpreendendo com o crescimento da história, e tenho que dizer uma coisa para vocês: leiam!

 No começo, os gêmeos são adolescentes ainda, e nessa tal loja de artefatos mágicos que mencionei, eles conhecem Mongho, o filho do dono. Heian acaba se tornando amigo dele, e a dimensão que essa amizade toma é enorme. Parece que a história vai ficando mais forte conforme os jovens vão crescendo. E mesmo tendo partes inimaginavelmente tensas, eu gostei de a autora ter colocado cenas mais leves, onde era possível ainda ver o bom humor de Heian e a juventude de Mongho, a relação dos dois parecia a que eu tenho com meus amigos e com as pessoas próximas de mim, havia frases e tiradas bem humoradas para descontrair.

 "Era certo que Mongho teria que pagar poe essa ajuda extra, mas ele não se importou. Quatro moedas de ouro a menos nos cofres de Heilland não fariam diferença, e um homem morto não precisa de ouro, pensou, depositando as moedas na mão de Jamil, o guia do grupo, que ria de um canto da orelha a outro." (página 255)

 Foi uma leitura que realizei rapidamente (como tinha uma montanha de outras coisas para fazer, levei três dias), a escrita da autora é ótima e fluida, acho que ela se equipara a grandes autores do gênero que já li, a ambientação é boa e os personagens merecem destaque especial. Cheguei a ter pena de Sulco no início, mas depois vi o quanto ele poderia ser cruel. Heian me surpreendeu, ao mostrar o grande potencial que tinha para governar, além de ser um homem bom. Mais surpreendente ainda foi a rainha Driadh, esposa de Heian, a força que aquela mulher teve para colocar a sua responsabilidade perante seu povo acima da paixão pelo marido, foi algo que eu nunca vi antes. E o que foi aquele final do casal? Gente! Vocês não tem noção do que aconteceu!!! E o Mongho, para quem no início torci o nariz por causa do nome estranho, achei que seria só um personagem secundário, mas que foi se revelando e pode ser considerado o protagonista da trama. Tenho que citar também a Nadjra, cujo papel na história não vou revelar, mas que é a grande prova de que a autora consegui dar vida e identidade sólida a seus personagens.

 Tenho que agradecer a autora, pois ela poderia ter enrolado em alguns pontos (como nas viagens de Mongho), ter enchido linguiça em algumas partes e feito a história ficar maior ou até mesmo com mais volumes, mas preferiu deixar a trama ágil, sem correr mas sem diminuir o ritmo, mostrando que realmente tinha domínio da trama e talento, obrigada Mallerey!

 O mais interessante de tudo, foi ver os personagens tentando evitar uma espécie de profecia, mas fazendo com suas ações justamente o oposto, correndo de encontro ao que mais temiam. Cada decisão deles levava exatamente para onde eles não queriam ir, e nem eu queria que eles fossem. Os dois capítulos finais são arrebatadores, e me deixaram ansiosíssima para o próximo livro, que pelas pistas do volume um e se manter o ritmo do primeiro, certamente será indescritivelmente bom!

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 Sobre a parte visual, devo lembrar que a Mundo Uno é uma editora nova e pequena, mas o trabalho que ela fez ficou no mesmo nível das maiores editoras do país, muito bom! A capa é bem bonita, condizente com a história, de um material bom e fosco. As páginas são amareladas, lisas, e de uma boa grossura. Em cada início de capítulo, a numeração dele está com uma fonte diferente, além da ilustração do brasão de Heilland. A diagramação está ótima, com margens, letras e espaçamento de bom tamanho. Há alguns erros de revisão, mas que não comprometeram a leitura. Há algumas ilustrações em determinada página, e quero ressaltar um diferencial: muitos livros trazem uma página com um mapa do lugar onde a história se passa, em "O segredo da caveira de cristal" o mapa está na contracapa!

 Enfim, "O segredo da caveira de cristal" é um livro que eu gostei e que recomendo, tanto para quem gosta de fantasia quanto para quem não é muito fã do gênero, pois todo mundo precisa ser surpreendido por uma história dessas, que ganhou cinco estrelas em minha avaliação no Skoob pelo crescimento que ela apresentou e por ter me transportado para o universo de Heilland. Leiam!

 Detalhes: 326 páginas, ISBN-13: 9788582550663, Skoob (média de nota: 5/5, quase 400 pessoas também concordam comigo!) página no Facebook, book trailer (maravilhoso!). Onde comprar online: loja da editora, e-book na Amazon.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Me contem: já leram "O segredo da caveira de cristal" ou algum outro livro da autora?


Até o próximo post!

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domingo, 27 de março de 2016

Seis anos de Pétalas de Liberdade

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 Mais uma vez, eu começo um post com "Olá pessoal, tudo bem?", mas o post de hoje é especial, não só pela Páscoa, mas também pelo fato de o blog estar completando 6 anos justamente nesse dia 27 de março de 2016.

 No último ano, tivemos mais de 200 posts, o blog passou a ter um canal no Youtube e ganhou dois colaboradores: a Anne e o Izaac.

 A cada dia, aprendo algo novo e sempre tento melhorar.

 Há dias melhores e outros, nem tanto.

 Há alegrias, como quando consigo que um texto fiquei exatamente como eu queria, ou quando recebo um comentário legal ou conquisto uma nova parceria, mas há também aqueles dias em que me sinto desmotivada e penso em abandonar o blog, aí eu deixo a decisão para depois, e amanhã sempre surge uma nova ideia ou motivação.

 O fato é que 6 anos é um tempo considerável na vida de uma pessoa, e um projeto ao qual já dediquei todo esse tempo, com certeza é uma parte muito importante da minha vida.

 Hoje, como em todos os aniversários anteriores do blog, quero agradecer a cada um de vocês que contribui, com uma visita ou um comentário, para que o Pétalas de Liberdade seja o que ele é.

 Obrigada!



Até o próximo post!

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sábado, 26 de março de 2016

Resenha: livro "Na esquina do mundo", Luiz Augusto França

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "Na esquina do mundo", escrito pelo Luiz Augusto França e publicado em 2014 pela Capitolina Edições.

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 A história é narrada em terceira pessoa e se passa no ano de 1510 (pouco após a "descoberta" do nosso país pelos portugueses). Os capítulos vão alternando sua ambientação entre Portugal e Brasil (e o caminho de lá até aqui). No livro conheceremos Kaluanã e Apoema, dois jovens índios da tribo ibiaçu, a tarefa deles era caçar. Conheceremos também Diogo e Nuno, dois homens portugueses que não tinham muito o que os prendesse em sua terra natal.

 Certo dia, enquanto caçavam, Kaluanã e Apoema ouviram um barulho muito estranho, parecido com um trovão, mas o céu estava claro. Indagando na aldeia, eles começaram a desconfiar que o barulho poderia ser obra de um tipo estranho de gente, homens brancos que vinham do mar numa grande canoa. Ninguém nas redondezas sabia ao certo se eles realmente existiam, mas o fato é que o espírito aventureiro de Kaluanã foi despertado, e ele sentia uma necessidade enorme de ver com os próprios olhos esses homens estranhos. Já que Apoema era seu melhor amigo, acabou sendo convencido a ir junto. A dupla teria que atravessar um longo caminho da tribo até o litoral, passando por regiões bem perigosas, e será que realmente veriam esse povo estranho de pele pálida?

 "Aquela história havia se tornado fixação na cabeça do jovem ibiaçu. (...)
 - Aimberê, meu mestre, o Pajé sempre diz que o coração tem que ficar em paz, para que o olho consiga ver as coisas como elas são. Porque se não tem paz, o coração atrapalha o olho e ele não vê as coisas direito." (página 173)

 Longe dali, Diogo sentia que Portugal não tinha mais nada a lhe oferecer e via a vontade de embarcar numa expedição rumo ao Novo Mundo ficar cada vez maior. Mesmo sem entender nada da vida num navio, ele conseguiu embarcar em uma expedição que buscaria pau-brasil. Nuno, sendo seu melhor amigo, acabou indo junto. Uma viagem do tipo era arriscada, cheia de perigos (dentro e fora do barco, já que Diogo teria uma missão extra), e sem garantia de volta.

 "Para seguir em tamanha aventura será preciso um pouco de desespero e desprendimento, pois essa alma não pode ter muito o que abandonar neste cais." (página 44)

 Será que os quatro homens se encontrariam na praia? Será que achariam as respostas para suas inquietações? O fato é que "Na esquina do mundo" é um livro diferente de tudo o que eu já li! Eu gosto muito de livros que falem sobre momento históricos ou sobre épocas passadas, e tenho curiosidade sobre a cultura indígena (num ponto bem longe da minha árvore genealógica, tenho antepassados indígenas), Então, quando o autor entrou em contato comigo, me perguntando se gostaria de resenhar o livro dele, decidi me arriscar. No fim, quando a última palavra foi lida, o saldo foi positivo.

 Como já disse, a obra é diferente de tudo o que eu já li. A escrita do autor é um pouco formal, um pouco mais elaborada do que a dos livros que costumo ler, o que torna a leitura mais complicada em alguns momentos mas também poética em outros. Nos diálogos, o autor escreve as falas numa linguagem mais próxima do que imaginaríamos ser a usada na época (e confesso que as falas portuguesas eram mais fáceis de ler do que as falas indígenas).

 "Por certo, aqueles homens vinham de outra dimensão, de outro mundo. Para eles nenhuma explicação diferente disso faria sentido. Eles eram de uma tribo, sim, de uma tribo com a qual nunca - nem sequer em seus pensamentos mais criativos - imaginaram encontrar." (página 12)

 O que eu mais gostei no livro, foi que consegui ver claramente o choque entre as culturas, o medo e a curiosidade pelo novo. Pela primeira vez, pensei como deve ter sido estarrecedor, tanto para os índios quanto para os portugueses, descobrir que havia humanos morando do outro lado do mar, com uma sociedade com regras próprias, com outro idioma, com outra cor de pele. Creio que para os índios tenha sido ainda mais difícil, não só pelo fato de os portugueses (infelizmente) terem armas mais letais, mas também porque acho que as tribos eram mais isoladas uma das outras. É claro que também foi interessante saber mais sobre como eram as expedições e a vida dentro de uma embarcação em alto-mar naquela época.

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 Sobre a parte visual: não tenho muito o que falar sobre a capa, é uma capa normal, simples; as páginas são amareladas; o espaçamento e as margens são grandes, as letras tem um tamanho bom; e há algumas ilustrações no livro.

 Enfim, fica a minha sugestão para quem quer um livro com uma temática diferente, uma leitura que pode ser rápida já que a obra tem pouco mais de 200 páginas. Deixo meu agradecimento ao Luiz, por ter disponibilizado um exemplar para leitura e resenha. Me contem: alguém aí já conhecia "Na esquina do mundo"? Já leram algo parecido?

 Detalhes: 226 páginas,ISBN-13: 9788567526188, Skoobpágina no Facebooksiteprimeiro capítulo. Onde comprar online: site da editora.


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sexta-feira, 25 de março de 2016

Resenha: conto "Hop-Frog", Edgar Allan Poe #12MESESDEPOE

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho trazer meus comentários sobre "Hop-Frog", terceiro conto lido para o Desafio literário #12MESESDEPOE (o desafio foi criado pela Anna Costa e consiste em ler um conto predeterminado do escritor Edgar Allan Poe por mês).

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 No conto, narrado em terceira pessoa e publicado originalmente em 1849, conheceremos a história de um anão que foi arrancado de sua terra natal, juntamente com uma anã, e enviado para um reino para servir de divertimento para o rei e sua corte. Seu apelido era Hop-Frog. Cansado de tantas humilhações e de ser tratado de forma desumana, ele armou um plano com a ajuda da anã para se vingar do rei e de seus conselheiros.

 Dos três contos lidos até hoje, esse foi o que mais teve cara de conto (da forma que eu estou acostumada a ler) e o que considerei de mais fácil leitura e compreensão. Ainda não me tornei fã do autor, mas quem sabe os próximos contos me surpreendam, né? "Hop-Frog" não me surpreendeu, mas me tocou, fiquei indignada com a forma como o Hop-Frog era tratado, me sensibilizei por ele e senti que a vingança foi merecida, talvez se houvessem mais páginas eu gostasse ainda mais.

 O conto de abril será "Morella". Para saber mais sobre o desafio é só clicar aqui. Tem alguém aí que também está participando? O que achou do conto do mês?

- Acesse a fan page do desafio
- Resenha do conto de janeiro: Metzengerstein

Até o próximo post!
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quinta-feira, 24 de março de 2016

Sorteio de aniversário do blog: concorra ao livro "Filha da Floresta" da Juliet Marillier

 Olá pessoal, tudo bem? Como vocês sabem, março é o mês de aniversário do blog, o Pétalas de Liberdade completa 6 anos em 2016. A Editora Butterfly, parceira do blog, liberou um exemplar do livro "Filha da Floresta" da Juliet Marillier para ser sorteado para os leitores!

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 Sobre o livro:

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Sinopse: O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos... 
Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lorde Colum, e dos seus seis amados irmãos, vítimas de uma terrível maldição que somente Sorcha é capaz de quebrar. Em sua difícil tarefa, imposta pelos Seres da Floresta, a jovem se vê dividida entre o dever, que significa a quebra do encantamento que aprisiona seus irmãos, e um amor cada vez mais forte, e proibido, pelo guerreiro que lhe prometeu proteção.
Ano: 2012, 616 páginas, Skoobresenha.



 Eu li e resenhei o livro em 2015, depois de ver comentários super favoráveis a ele, comecei a leitura e pude comprovar que era realmente tudo aquilo que diziam. É uma boa indicação para quem gosta de história intensas, com personagens fortes, e também para quem gosta de fantasia. E só pela edição linda da Butterfly, com essa capa maravilhosa, já vale a pena ter o livro.

 Como participar do sorteio:

- É preciso curtir a página do blog no Facebook: www.facebook.com/petalasdeliberdade .
- Curtir a página da Editora Butterfly: www.facebook.com/butterfly.editora.
- Marcar um amigo nos comentários da foto da promoção: http://migre.me/tjvSO.
- Compartilhar a foto da promoção: http://migre.me/tjvSO.
- Confirmar a sua participação no formulário abaixo:

 Regras gerais:
- É preciso ter endereço de entrega no Brasil.
- O sorteado será comunicado por e-mail e tem o prazo de uma semana para responder ao e-mail enviado informando seus dados para envio do prêmio ou será desclassificado e o sorteio será refeito.
- O prêmio será enviado pelo blog em até 30 dias após recebimento dos dados do ganhador.
- Não me responsabilizo por danos, extravios ou devolução do prêmio por parte dos Correios em caso de endereço incorreto fornecido pelo participante ou ausência de quem o receba.
- As inscrições para o sorteio se iniciam hoje, 24/03/2016 e se encerram no dia 24/04/2016. O resultado será divulgado na mesma semana, nesse post e nas redes sociais do blog.

 Em caso de dúvidas, entre em contato com o blog.
 Boa sorte!


Até o próximo post!
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quarta-feira, 23 de março de 2016

Resenha: livro "Garotas de vidro", Laurie Halse Anderson

 Olá pessoal, tudo bem? Em janeiro resenhei "Garotas de vidro" no blog onde sou colaboradora, o "As letras da Anne", hoje venho colocar a resenha dele também aqui no Pétalas de Liberdade, confiram!

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 Eu ganhei "Garotas de vidro" (livro da Laurie Halse Anderson publicado no Brasil pela Editora Novo Conceito em 2012) em uma gincana em 2013, na época eu queria muito lê-lo, mas após ganhá-lo, acabei deixando-o parado na estante. A Anne sugeriu que eu o lesse para resenhar aqui no blog, já que era uma obra pela qual ela tinha curiosidade, e foi essa sugestão que me fez finalmente tirá-lo da estante.

 "Eu olho para mim; não consigo atuar, nem jogar futebol, e a maioria delas têm notas melhores que as minhas. Mas, eu sou a garota mais magra na sala, sem dúvida." (página 78)

 O livro conta a história de Lia, uma garota de 18 anos que tem anorexia. Filha de pais separados, atualmente ela mora com o pai, a madrasta e a irmã postiça, a pequena Emma. Lia morava com a mãe antes de sua última internação em uma clínica, mas depois foi para a casa do pai, já que lá ela supostamente teria mais pessoas para ficarem de olho nela.

 A história começa quando Lia recebe a notícia de que sua amiga Cassie foi encontrada morta em um quarto de motel. O mais perturbador é que, antes de morrer, Cassie ligou 33 vezes para o celular de Lia, celular que ela não atendeu e agora fica se culpando e pensando se ter atendido a ligação teria impedido a morte da amiga.

 Lia e Cassie eram amigas há anos, mas nos últimos tempos tinham se afastado um pouco por causa das internações de Lia (é, ela foi internada mais de uma vez por causa de sua magreza doentia). Cassie também tinha problemas com o peso, mas no caso dela a bulimia era o mais preocupante.

 Minha opinião:

 Eu gosto bastante de livros de sick-lit e young adults com personagens deprimidos ou sobre bullying, mas acho que "Garotas de Vidro" foi o primeiro livro que li sobre distúrbios alimentares. E diferente de outros YA que eu amei, não consegui me conectar tanto com a história escrita pela Laurie. Fiquei bem em dúvida se daria 4 ou 3 estrelas quando fosse avaliá-lo no Skoob, acabei dando 3, considero o livro bom, mas não mais que isso.

 "Não me lembro mais de como é comer sem planejar tudo, anotando as calorias e o teor de gordura e medindo meus quadris e minhas coxas para ver se mereço e geralmente decidindo que não, que não mereço, e então mordendo a língua até sangrar e fechar minha boca com arame e mentiras e desculpas enquanto uma lombriga cega se enrosca na minha traqueia, fungando e cutucando em busca de uma abertura úmida para meu cérebro." (página 203)

 Lia está doente, muito doente, e não enxerga isso. Ela costurou pesos em seu roupão para que a balança utilizada por sua madrasta para pesá-la (segundo ordens médias) não mostre seu peso real, ela só diz o que sua terapeuta ou os pais querem ouvir e não a verdade, seu objetivo é chegar aos 38 quilos e ela conta as calorias de cada coisa que come (quando come alguma coisa). Lia tem pais que se preocupam com ela, sua madrasta é uma boadrasta, sua irmã caçula é uma fofura, mas só o que Lia quer é ficar sem comer. 

 Eu não consegui gostar da Lia, não conseguia ver nela algo além da doença, não senti que se eu pudesse entrar na história e dar algum apoio a ela faria qualquer diferença; Lia não queria ajuda! A autora disse nos agradecimentos que buscou mostrar a deterioração psicológica da personagem com precisão, e talvez por ser uma narração em primeira pessoa só o que consegui ver foi essa deterioração e não uma pessoa. Não é que alguém tenha feito algo de ruim para Cassie e Lia e que tenha desencadeado problemas psicológicos para elas, parecia que elas mesmas se meteram em um problema que se tornou maior do que elas imaginavam e as engoliu.

 Enquanto lia, fiquei bem em dúvida sobre como seria o final: se a protagonista ia querer viver ou se ia se entregar como a Cassie se entregou, e confesso que o desfecho teve poucas páginas para o meu gosto. A forma de narrar escolhida pela autora acabou contribuindo um pouco para eu não dar uma nota mais alta para o livro, há muitas divagações criadas pela mente deteriorada da Lia e pouco desenvolvimento da história, partes que talvez pudessem trazer algo mais instigante (como a descoberta do que Cassie tanto queria falar em suas 33 ligações ou um personagem que trabalhava no motel e que eu achei que poderia ter mais importância) acabaram não sendo exploradas como eu gostaria.

 "A adrenalina entra em ação com tudo quando você está morrendo de fome. É isso que ninguém entende. Exceto por sentir frio e fome, na maior parte do tempo sinto que sou capaz de fazer qualquer coisa. (...) Toda noite eu subo mil degraus até o céu para ficar exausta e, assim, nem me dar conta de Cassie quando vou para a cama." (página 184)

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 Tenho que mencionar que se levasse em conta só a parte visual do livro, já valeria a pena tê-lo na estante. A capa é linda! A diagramação é ótima: margens, espaçamento e fonte de bom tamanho, folhas amareladas e boa revisão.

 Recomendaria? É um livro bom sim, que trata de um tema super importante, e que eu recomendo para quem quer ter uma ideia do que é ter um transtorno alimentar, foi uma leitura que me fez entender um pouco mais sobre a anorexia e quero ler outros livros sobre o assunto.

 Releria? Talvez sim, talvez em uma segunda leitura eu conseguisse enxergar melhor a protagonista.

 "Não é legal quando uma garota morre." (página 5)

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado. Alguém aí já leu "Garotas de vidro" ou algum livro com o mesmo tema?



Até o próximo post!

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terça-feira, 22 de março de 2016

Playlist: "Holy Cow: Uma Fábula Animal", David Duchovny

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 Olá pessoal, tudo bem? Vocês lembram que na resenha do livro "Holy Cow: Uma Fábula Animal" (autor: David Duchovny, Editora Record) eu contei que alguns capítulos tinham nome de músicas? Então, caso alguém não saiba, "Holy Cow" é narrado por Elsie, uma vaquinha que decide fugir da fazenda onde morava, após descobrir de forma abrupta qual o destino das vacas que não produziam leite (elas eram abatidas para consumo humano). Na sua tentativa de ir para a Índia, ela e seus dois companheiros (um peru e um porco) vivem divertidas aventuras.


Para quem quiser conferir a sinopse: "Uma aventura irreverente e itinerante com muita personalidade, e uma heroína quadrúpede que você não vai esquecer tão cedo.
Elsie Bovary é uma vaca muito feliz em sua bovinidade. Até o dia que resolve sair sorrateiramente do pasto e se vê atraída pela casa da fazenda. Através da janela, observa a família do fazendeiro reunida em volta de um Deus Caixa luminoso – e o que o Deus Caixa revela sobre algo chamado “fazenda industrial” deixa Elsie e tudo o que ela sabia sobre seu mundo de pernas para o ar. A única saída? Fugir para um mundo melhor e mais seguro. Assim, um grupo para lá de heterogêneo é formado: Elsie; Shalom, um porco rabugento que acaba de se converter ao judaísmo; e Tom, um peru tranquilão que não sabe voar, mas que com o bico consegue usar um iPhone como ninguém. Munidos de passaportes falsos e disfarçados de seres humanos, eles fogem da fazenda e é aí que a aventura deles alça voo – literalmente.
Elsie é uma narradora marrenta e espirituosa; Tom dá conselhos psiquiátricos com um sotaque alemão um tanto forçado; e Shalom, sem querer, acaba unindo israelenses e palestinos. As criaturas carismáticas de David Duchovny indicam o caminho para um entendimento e uma aceitação mútuos dos quais esse planeta tanto precisa."


 Me contem: que tipo de música vocês acham que a Elsie escolheria? A resposta está na playlist abaixo, que vai de Led Zeppelin a Aladdin! Essa vaquinha é demais! Vamos ouvir:


 Das oito músicas, além da do Aladdin, eu só conhecia "Another Brick In The Wall" do Pink Floyd (uma professora de inglês usou ela em sala de aula). E vocês, já conheciam todas as músicas? Gostaram da playlist? Caso ainda não tenham visto ou queiram conferir a resenha do livro, é só clicar aqui.


Até o próximo post!
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segunda-feira, 21 de março de 2016

Resenha: livro “H Stern: a história do homem e da empresa”, Consuelo Dieguez

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é “H Stern: a história do homem e da empresa”, “ao mesmo tempo uma biografia e um livro de negócios” escrito por Consuelo Dieguez e publicado pela Editora Record em 2015.

Resenha: livro “H Stern: a história do homem e da empresa”, Consuelo Dieguez, Record

 Quando eu recebi o livro da editora, eu não tinha a menor ideia do que ou quem era H Stern, mas decidi dar uma chance à obra, já que gosto de variar minhas leituras. Comecei a ler e fui surpreendida positivamente com uma leitura interessantíssima! No livro vamos conhecer a saga da família de Hans Stern, desde antes da fuga/expulsão (não sei ao certo que nome dar para a maneira como eles tiveram que sair de lá) da Alemanha na época do nazismo, até a criação e a consolidação da joalheria H Stern, uma das mais famosas do mundo.

 “O saldo daquela noite de terror por toda a Alemanha foram 815 empresas totalmente destruída e 7500 saqueadas; 119 sinagogas incendiadas e mais 176 completamente destruídas; 20 mil judeus presos e levados para campos de concentração; outros 36 gravemente feridos e mais dezenas deles mortos por assassinato ou chacinados quando tentavam escapas do fogo. O governo do Terceiro Reich não só ignorou a violência – que secretamente estimulara através de instruções aos líderes da SS – como decidiu impor uma descabida penalidade à comunidade judaica. Através de um bizarro comunicado do Ministério da Fazenda, os judeus foram avisados de que seriam responsabilizados pelas pilhagens e destruições de suas próprias propriedades, ‘em virtude de seus crimes abomináveis’.” (página 12)

 Em 1938, Hans era um garoto de 16 anos, na fatídica noite dos cristais, onde muitos judeus tiveram suas propriedades depredadas. Depois daquela noite, percebendo que a situação para os judeus estava cada vez mais difícil na Alemanha, ele, seu pai Kurt, sua mãe e seu avô materno vieram para o Brasil num navio trazendo o pouco que lhes foi permitido pelo governo nazista. O restante de suas coisas que viria em contêineres, acabou chegando quase que totalmente destruído no país vários meses depois. Para Hans, apesar da situação financeira difícil, tudo era novidade na nova e ensolarada terra. Já para sua mãe e seu avô, a adaptação foi bem mais difícil.

 “Ela sonhava com a volta ao passado, ele olhava para o futuro. Ela flutuava sem ter onde se agarrar. Ele se cravava no chão. Eram formas de vida irreconciliáveis, e Hans foi cada vez mais se apartando da mãe.” (página50)

 “Aos 70 anos, Albert não tinha disposição para começar de novo. Via-se como uma árvore partida. As raízes ficaram enterradas no solo alemão, os galhos com suas folhas tinham sido arrastados para o Brasil. Mas, sem as raízes, não havia seiva. Os galhos se enfraqueciam. (...) Sabia que não veria mais a Alemanha que tanto amara e que o desprezara. Sabia também que o Brasil não lhe pertencia. E ele não tinha para onde voltar.” (página 51)

 Só pelos primeiros capítulos, que me fizeram enxergar melhor as consequências cruéis que o nazismo trouxe, já valeria a pena ter lido o livro e recomendá-lo para vocês. Mas outro ponto também me agradou: nele podemos, em segundo plano, acompanhar as mudanças pelas quais o país passou desde os anos 40 até os dias atuais. E foi interessante ver como era a vida antes da tecnologia, em uma época bem diferente da que vivo. Hans trabalhou numa casa filatélica, uma loja especializada em vender selos, um grande negócio na época. E fazer um curso de datilografia para usar bem uma máquina de escrever era algo importantíssimo.

 Até que Hans decidisse abrir uma joalheria, o caminho foi longo, mas não tão longo quanto o caminho que a H Stern percorreu até os dias de hoje, para se tornar uma das maiores joalherias do mundo, com lojas em diversos países. Um caminho interessantíssimo para quem tem curiosidade sobre o mundo dos negócios. A H Stern me pareceu querer aprimorar cada vez mais os seus processos administrativos e de produção de forma que a empresa se mantivesse coesa mesmo estando presente em tantos lugares diferentes.

 No livro conheceremos várias situações curiosas que aconteceram na empresa, como um dia em que o sistema de transporte coletivo não estava funcionando e os funcionários que tinham carro iriam dar carona para os que não tinham; eis que surge Hans Stern em seu fusquinha perguntando quem ia para o mesmo bairro que ele; ou a forma inusitada como as joias da empresa foram transportadas de uma sede para outra através dos próprios funcionários. Hans tinha uma forma interessante de lidar com as pessoas, em certa ocasião, quando um de seus filhos se interessou pelo socialismo, Hans levou a família toda para uma viagem à antiga União Soviética e, sem uma palavra, fez com que o filho percebesse que o sistema socialista não era assim tão bom, visto que eles passaram por alguns perrengues lá.

 "A joia retém o momento. Ela marca uma ocasião única, um instante especial guardado para sempre na memória afetiva. Um sentimento que se perpetua ao se passar uma joia de uma geração para outra. Ninguém entra em uma joalheria como entra em uma loja de sapatos. Joias são obras de arte, que se adquire em comemoração: um nascimento, um aniversário, um casamento, um grande amor, um afago a si mesmo. Assim também são as festas: ocasiões especiais de celebração para marcar um momento." (página 268)

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      Consuelo Dieguez

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 Certa vez, a equipe de designers da H Stern, teve que desenvolver uma coleção inspirada no brilho das ruas de uma cidade turística depois de uma chuva. Apenas um dos inúmeros desafios que ela enfrenta para desenvolver coleções cada vez mais ousadas e belas.

 A edição do livro está bem caprichada, uma capa bonita e clean, com orelhas grandes. As páginas são grossas e brancas. As margens, fonte e espaçamento tem bom tamanho, e a obra está bem revisada. Só gostaria que tivesse mais fotos.

 Enfim, recomendo o livro para quem gosta de biografias e também para quem não gosta; para quem já ouviu falar da H Stern ou para quem, assim como eu, não fazia a menor ideia do que era; para quem se interessa por temas como joias, negócios, segunda guerra mundial, o Brasil do último século, etc. É uma obra que certamente vai acrescentar alguma coisa a quem ler, nem que seja uma palavra nova que será aprendida (a autora usa algumas palavras que eu não conhecia, mas sem complicar a leitura, que é super fluida e em nenhum momento fica monótona).

 Detalhes: 269 páginas, ISBN-13: 9788501106643, Skoob. Onde comprar online: Submarino, Americanas.  Se alguém quiser conhecer o site da H Stern, é só acessar: http://www.hstern.com.br/.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Me contem, já conheciam o livro ou a H Stern?


Até o próximo post!
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