Olá pessoal, tudo bem? Mas um mês começando, mais um ano quase no fim... Hoje venho trazer meus comentários sobre os textos de outubro do desafio literário 12 Meses de Poe. Era para esse post ter saído antes, mas só pude postar agora, já em novembro.
O conto do mês, cujo título varia de tradução para tradução, sendo "A máscara da morte escarlate" no arquivo do desafio e "O Baile da Morte Vermelha" no livro "Edgar Allan Poe: medo clássico" da Darkside (que foi onde li) é um conto bem interessante, com menos de dez páginas. Têm um ar sombrio de conto de fadas, com narração em terceira pessoa.
A história é sobre um país que estava sendo devastado por uma doença chamada Morte Vermelha. O príncipe Próspero, para tentar se salvar e salvar parte do seu povo, foi com cerca de mil súditos, que não apresentavam sinais da doença, para uma espécie de castelo. Lá, eles ficariam isolados do resto do mundo e seguros, pelo menos era isso o que acreditavam.
O príncipe propôs um baile de máscaras para entreter seus súditos, mas a aparição de uma figura com uma fantasia extremamente excêntrica até para os gostos exóticos do príncipe, causaria um alvoroço na festa. Quem teria tido a ousadia de usar uma fantasia tão desafiadora no baile do castelo?
"A música cessou, como já contei, interrompendo também a evolução dos que valsavam; repetiu-se a mesma interrupção incômoda de antes. Agora, porém, eram doze badaladas a soar no relógio e parecia que, em virtude do tempo que transcorria mais demorado, os convivas mais pensativos acrescentaram maior energia às suas meditações. E foi talvez assim, do mesmo modo, antes que silenciassem os ecos das derradeiras badaladas, que muitos participantes na multidão do baile, vendo-se desocupados por um instante, atinaram para a presença de uma figura mascarada que, até então, não tinha chamado a atenção de ninguém. E o rumor provocado por essa nova presença, espalhando-se em sussurros pelo baile, fez surgir entre os convidados um burburinho, um murmúrio de desaprovação, surpresa - e, por fim, terror, horror e repulsa." (página 79)
O que lhes digo é que o desfecho é trágico! Foi um conto que gostei, e que, como já comentei, parece ter um ar de fábula, com sua ambientação num palácio, com a existência do príncipe, com o baile, e com o desfecho que pode passar a mensagem de que ninguém está imune. Para quem ainda não leu nada do autor, pode ser um bom primeiro contato com a obra dele.
Sobre o poema, trago a tradução dele para que vocês possam ler e, talvez, conseguir captar mais dele do que eu fui capaz:
ESPÍRITOS DOS MORTOS
I
Tua alma encontra-se solitária
Entre pensamentos trevosos sob pedra mortuária
Ninguém, dentre toda multidão, irá espreitar
Durante a tua hora de se ocultar
II
Fica em silêncio e isolado,
Mas não solitário - Para que então,
Os espíritos dos mortos que outrora estavam do outro lado,
Quando em vida, perante a ti novamente estão
E agora em morte te rodeiam - o que desejam
Ofuscar-te a visão - não permitas o que anseiam
III
A noite, embora iluminada, há de observar
E as estrelas, para baixo, não irão olhar
De seus altos tronos celestiais
Que iluminam como Esperança aos mortais.
Mas teus rubros orbes, sem feixe de luz,
À tua fadiga podem fazer jus
Tal como uma queimação e uma febre
Que podem apossar-se de ti para sempre
IV
Agora há pensamentos que não deves banir
Agora há visões que nunca irão partir
De teu espirito eles passarão
Nada além do que gotas de orvalho sobre o chão
V
A brisa a soprar, quieta e divina
E a névoa sobre a colina
Sombria, sombria, porém virginal
É um símbolo, é um sinal
Que se ergue sobre as árvores sem critérios,
Como o mistério dos mistérios!
Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o autor ou o conto? O que acharam do poema?
Até o próximo post!
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