Resenha: livro "Pelos caminhos da vida", Cristina Censon & Daniel

Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "Pelos caminhos da vida", psicografado pela Cristina Censon e publicado pela Petit Editora em 2016.

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 "Um dia entenderá que nem todas as criaturas são efetivamente livres, mesmo sem nunca terem sido escravizadas ou dominadas. Impeça uma criatura de pensar por si e já a está conduzindo a uma prisão, mesmo que sem grades." (página 77)

 A história se passa no século catorze, na França, e é narrada em terceira pessoa. Somos apresentados a Adrien, um jovem que viu toda a sua família morrer por causa da peste negra, ele não sabia o que fazer agora que estava sozinho, até que apareceram em sua casa uma mulher chamada Justine e uma garota chamada Adele. Elas estavam fugindo do pai da menina que queria colocá-la num convento, pois Adele tinha dons especiais: era capaz de ver e falar com pessoas mortas e de adivinhar pensamentos, coisas que a colocavam na mira da Igreja naquela época de inquisição. Provavelmente ela não sairia viva se fosse colocada nesse convento, que tinha métodos bem questionáveis.

 Adele só tinha 13 anos, mas falava como se já tivesse vivido muito mais, ela fugiu com sua amiga Justine para poder encontrar Elise, uma pessoa que, segundo sua falecida mãe, poderia lhe ajudar e lhe proteger. Como seria um caminho longo e nada mais tinha a perder, Adrien decidiu acompanhá-las, e no caminho conheceram Jules, um homem que era extremamente diferente do pai de Adele: ele também tinha uma filha sensitiva, Aimée, e a tratava com todo o amor e a protegia de quem quer que pudesse lhe fazer mal por ser diferente. E Jules faria o possível para ajudar Adele também.

 A tal Elise que Adele procurava não tinha uma boa fama na região, e encontrá-la poderia ser um erro, mas a decisão de ir até ela ou não só caberia a Adele, e traria consequências para a vida de muita gente.

 "Pelos caminhos da vida" é um livro que fala sobre o passado (peste negra e inquisição), ms também fala sobre respeitar as escolhas de cada um, escolhas que só aquela pessoa pode fazer e arcar com as consequências delas. Foi uma leitura um pouco mais demorada do que eu esperava, mas tem seus pontos altos, as personagens femininas em sua maioria são bem fortes e à frente do seu tempo, e a amizade de Jules com o frei Jaques (que deveria ser um inimigo, afinal, trabalhava para a Igreja, mas não era) acabou trazendo um toque mais divertido para a história.

 "- (...) Jules, quantos problemas!
 - Minha vida estava muito monótona e precisava de novas emoções." (página 224)

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 Sobre a diagramação: margens, letras e espaçamento tem bom tamanho. As páginas são brancas e a capa é bem bonita.

 Detalhes: 384 páginas, ISBN-13: 9788572533034, Skoob. Onde comprar online: Saraiva, no site da editora: www.petit.com.br.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha de hoje. Me contem: já conheciam o livro ou a autora? Já leram histórias que se passem nessa época?

Até o próximo post!

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Resenha: livro "A garota de treze", Lilian Reis

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "A garota de treze", escrito pela Lilian Reis e publicado pela Mundo Uno Editora em 2016.

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 "Esse é o problema de se estar fazendo algo errado. Você sempre tem a impressão de que alguém está te observando." (página 129)

 A narração é feita por Lucinda, ou Luce para os íntimos, uma garota que acaba de completar treze anos, ela mora com a mãe num condomínio numa cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Luce tem uma melhor amiga, a Rafa, e juntas elas enfrentam as dificuldades da adolescência, não são as mais populares da escola e nunca foram beijadas. Tem também o Bruno, amigo delas, mas parece que ele quer ser mais que amigo da Luce, porém ela só gosta dele como amigo, e a mãe da Luce, super protetora, não gosta nem um pouco de ver esse garoto perto da filha, o que acaba fazendo com que a garota e sua amiga decidam bolar um plano para fazer o Bruno tirar o foco de cima da Luce, mas brincar com os sentimentos dos outros nunca dá certo, né? E essa é só a primeira das muitas confusões em que a nossa protagonista vai se meter!

 "O fato é que, sempre que tento contar algo ou pedir opinião, ela me dá um sermão. Eu não quero sermões! Quero ser compreendida! Até acho que mamãe deveria ser minha amiga, mas ela não é, infelizmente." (página 32)

 A Luce detesta ter treze anos, queria mesmo é ter dezesseis, que parece ser a idade mágica onde ela vai poder usar maquiagem e se divertir mais, ter mais liberdade. Ela gostaria que os garotos mais velhos olhassem para ela como olham para outras garotas, e acha que sua falta de atrativos físicos impede que isso aconteça, de forma que, junto com a Rafa, decide encontrar um jeito de parecer mais velha. Mas será que um disfarce funcionaria? E é assim que começam as mentiras que vão se tornando uma bola de neve enorme, mas que no final ensinarão lições importantes para a garota de treze.

 "- Ah, é legal... eu acho. Sabe, a gente não vai conseguir nada com esses meninos mais velhos. Luce, temos que dar um jeito!
 - Andei pensando. A minha mãe me deu o cartão de crédito e me autorizou comprar o que eu quisesse...
 - Não me diga que está pensando no que eu estou pensando! - A Rafa exclamou, cheia de bobeira na cabeça. - Não tá pensando em... silicone, tá?
 - Socorro, Rafa! Era só o que me faltava. Nem se pagasse o Pitangui, ele colocaria isso em mim. Treze, esqueceu de novo? Mas pensei numa coisa mais fácil." (página 19)

 Quando peguei o livro para ler, pensei que seria algo inofensivo, afinal, é uma história especialmente voltada para o público adolescente, mas já nos primeiros capítulos precisei fazer uma pausa na leitura, pois me identifiquei demais com a situação de incompreensão materna pela qual a Luce passava. Minha adolescência, assim como a de todo mundo, teve partes difíceis. E relembrar isso no início da leitura foi algo doloroso, doeu recordar aquela sensação de ter que esconder algo de alguém que você ama, de ter que guardar para si todas os medos, as angústias, as dúvidas, podendo conversar apenas com amigos da mesma idade, que na maioria das vezes estão tão perdidos quanto você mesmo. A partir daí, passei a ver o livro com outros olhos! Fica o conselho para pais de adolescentes: não queiram impor aos seus filhos as suas regras, ele não vai deixar de beijar porque você não quer que ele beije, ele vai dar o primeiro beijo e não vai te contar para que você não brigue com ele; e se ele tem medo de te contar sobre um beijo, também vai ter medo de contar se algo maior acontecer.

 E foi isso o que aconteceu com a Luce: sem poder se abrir com a mãe e achando que ninguém além da Rafa a entendia, ela foi mentindo para conseguir realizar seus desejos, mas as coincidências e o fato de viver uma mentira não ser tão bom quanto poder viver algo real acabou pesando. E como Luce sairia da enrascada em que se meteu?

 "Eu estava presa pelas minhas próprias mentiras. Tinha conseguido o que queria, mas só podia falar pra Rafa" (página 139)

 "A garota de treze" é um livro que pela edição lindinha e pela premissa eu esperava que fosse bom, mas foi melhor ainda. Mesmo a Luce sendo tão diferente de mim (classe média, pais separados, onze anos mais nova), eu me identifiquei demais com ela, e creio que a autora fará com que outros leitores também se identifiquem. Teve momentos em que eu ri e outros em que meu coração ficou apertado e fiquei extremamente tensa para saber o que aconteceria no capítulo seguinte. A história me prendeu! Sobre o final: como uma adulta, eu esperava algo diferente; mas creio que se eu ainda fosse adolescente, o final teria sido do jeito que meu coração adolescente desejaria, um final que me daria esperanças.

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 Agora deixa eu falar sobre a edição, essa coisa linda que a Mundo Uno Editora fez! Só por isso já valeria a pena ter "A garota de treze" na estante. Minhas fotos não fazem jus a beleza do livro! A capa é muito bonita, amei a escolha das cores. As páginas são amareladas e lisas. No início de cada capítulo tem uma ilustraçãozinha. Na diagramação as margens são grandes, o espaçamento e a fonte tem bom tamanho e as letras são fofas.

 Enfim, "A garota de treze" é um livro de leitura rápida e história cativante, que eu indico para leitores de todas as idades, certamente ajudará adolescentes (meninas e meninos) a entenderem melhor certas questões dessa fase da vida, assim como pode auxiliar pais a compreenderem melhor os seus filhos, e quem não é mais adolescente nem tem filhos nessa idade, que é o meu caso, vai encontrar uma leitura superdivertida, que vai deixar aquele sentimento bom de nostalgia.

 Detalhes: 220 páginas, ISBN-13: 9788567218045, Skoob, acompanhe a Mundo Uno e a autora no Facebook. Onde comprar online:  loja da editoraAmazon.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha de hoje? Me contem: vocês se lembram de terem se metido em alguma confusão aos treze anos assim como a Luce?

Até o próximo post!

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Feira do Livro de Resende (FLIR) e Turnê Estrelas da Ler Editorial: vamos?

 Olá pessoal, tudo bem? O post de hoje é para falar sobre a FLIR, a Feira do Livro que acontecerá no Parque de Exposições da cidade de Resende, estado do Rio de Janeiro, do dia 09 ao dia 12 de junho (de quinta até domingo). A entrada é gratuita.

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 O evento contará com a participação da escritora Thalita Rebouças no dia 11, sábado, e do Raphael Montes no domingo, dia 12.

 Além deles, no dia 11 estarão presentes a escritora Ana Cristina Soares (autora do livro "Respeite o medo", que eu amei e já resenhei no blog), o Lucinei Campos (autor de "Lavínia e a Árvore dos Tempos", livro que tenho vontade de ler por achar a premissa interessante e já ter visto uma resenha positiva. e autor que eu quero conhecer por se fantasiar de mago, me julguem)  e a Thati Machado (autora de "Ponte de Cristal", já resenhado no blog).

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 Autoras da Editora D'Plácido também estarão presentes:

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 Mas por que eu estou falando desse evento? E por que estou destacando o dia 11? É que no dia 11, sábado, EU VOU ESTAR LÁ!!! É isso mesmo! Como talvez vocês já tenham me visto reclamando por aí: moro numa cidade pequena e é raro ter evento literário por aqui, e eu não tenho muitas condições de ir em outras cidades, para vocês terem noção: nunca entrei numa livraria, mas eis que estarei em Resende no dia da FLIR! Gente, será que eu vou surtar quando me deparar com aquele monte de livros? Espero que não!


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 E não é só isso, não estarei na FLIR como uma simples leitora! Eu estarei lá para mediar o bate-papo da edição especial da Turnê Estrelas da Ler Editorial! Será um bate-papo onde estarão presentes a escritora Cátia Mourão (autora da série Mais Além da Escuridão), a Halice FRS (autora de Obsessão), a Carol Dias (autora do livro "Clichê", que eu gostei bastante e já resenhei no blog), a Eva Zooks (autora de "Rick e Cath", série Recomeçar), a JC Ponzi (autora de "Sob a Face do Poder"e o Felipe Frasi (autor de "Beijos inflamáveis").

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 Então, fica aqui o convite para quem puder ir no evento, e se alguém (leitor, blogueiro, autor) for estar lá no dia 11, na parte da manhã ou no início da tarde, me avisa, que eu vou amar conhecer vocês pessoalmente!


 Enfim, na FLIR vai ter atrações para todos os públicos, desde crianças até o público nerd: lançamentos, bate-papos, palestras, oficinas. O que eu mostrei aqui é só um pouquinho do que teremos, mas convido vocês a acessarem a página da FLIR ou a página do evento no Facebook, e o site para conferir a programação completa. Sobre a Ler, clicando aqui vocês serão redirecionados para a página do evento no Facebook.

Até o próximo post!

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Resenha: livro "Kinshi na Karada - O Corpo Proibido", Josiane Veiga

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "Kinshi na Karada - O Corpo Proibido", escrito pela Josiane Veiga. Eu já havia lido outro livro da autora, "Esmeralda" (clique aqui para conferir a resenha), e após ler uma resenha maravilhosa de "Kinshi na Karada" no blog Eu insisto! fiquei curiosíssima para ler a obra, e quando a autora decidiu postá-la no Wattpad, eu fui correndo ler. Hoje, venho trazer meus comentários sobre o livro, que realmente merece os elogios que já recebeu!

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Imagem original
 Sobre o que fala a história: A história se passa no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Aiko era o dono de um prostíbulo, a Casa Ai, ele tinha dois melhores amigos: o rico comerciante Ryo, e Shin, um militar que era parente do imperador. Era uma amizade improvável e que resistia desde a infância, apesar da diferença de classes sociais (que fazia com que Aiko nunca pudesse frequentar os mesmo ambientes que os outros dois) e do fato de Shin ser bissexual e de Aiko ser apaixonado por ele sem ser correspondido.

 De certa forma, talvez até mais do que a guerra, a chegada do jovem Shiro mudaria a vida do trio. Shiro perdeu os pais muito cedo, e a única coisa que tinha era sua beleza afeminada; prostituí-lo foi a forma que o irmão mais velho encontrou para conseguir algo de comer para os dois. Shiro passou por coisas terríveis até que Aiko aparecesse em sua vida e o comprasse, mas Aiko não era uma pessoa má e não queria submeter uma criança à exploração sexual, na Casa Ai o garoto trabalharia como dançarino, apresentando números e deixando a platéia impressionada com a beleza da suposta gueixa.

 Ryo tinha premunições, e sabia que um dia se casaria com a mulher de suas visões. Imaginem a surpresa dele quando viu que a nova gueixa da Casa Ai era idêntica a mulher de suas visões! Agora imaginem o choque quando ele descobriu que ela não era ela, e sim Shiro! Mas como não é possível fugir do destino, ele ficou atraído por Shiro, o que tornou Ryo muito confuso, afinal, ele nunca havia se interessado sexualmente por homens, e essa confusão estava afetando sua vida, de forma que ele achava que precisava conseguir "experimentar" Shiro para poder tirá-lo da cabeça e seguir com sua vida. Shiro também se sentiu atraído por Ryo, mesmo após sofrer tantos abusos seu coração ainda era capaz de amar, mas ele não venderia mais seu corpo por mais que Ryo pudesse e quisesse comprar, Shiro queria uma vida nova.

 Enquanto isso, surgiu na vida de Shin um outro homem: Saito, também militar, que lhe ensinaria como ser menos bruto, mas que acabaria se encantando por Aiko, formando uma espécie de triângulo amoroso, que faria com que Shin e Aiko tivessem que parar de esconder o que realmente sentiam um pelo outro. Mas havia um problema: Aiko guardava um segredo sobre seu passado que poderia colocar sua vida em risco, o que Shin faria quando descobrisse a verdade?

 Sobre os personagens: Kinshi na Karada é um livro de anti-heróisRyo se aproveita da inocência de Shiro, não é totalmente sincero com ele, se finge de amigo para conseguir uma aproximação necessária para seduzir o garoto, é incapaz de esquecer o que ele foi obrigado a fazer e de vê-lo como ele é agora e não apenas como um brinquedo ou algo que seu dinheiro pode comprar, uma prova que relacionamentos abusivos não acontecem só entre homens e mulheres. Talvez o leitor continue lendo só para ver Ryo quebrar a cara e se dar mal para ver se deixa de ser tão orgulhoso, dá vontade de entrar no livro e bater nele! Embora ele não seja de todo mal e faça algumas coisas boas as vezes.

 Shiro é um personagem adorável, que aprendeu com seu passado sofrido a valorizar o que a vida lhe dá de bom: a amizade de Aiko, que é como um irmão para ele e a companhia de Nana, uma senhora que mora na Casa Ai e sempre tem um bom conselho para dar. Aiko também é um personagem por quem senti afeição, faz o que pode por Shiro, mas acaba se debilitando por seu amor por Shin, ficando cego por esse amor.

 “- Nem sempre comida e teto bastam para nos fazer feliz, Shiro.
 - Oh, para mim bastam - afirmou. - Só chora por outras coisas quem nunca teve que dormir sob as estrelas, sentindo a barriga doer de fome.”

 Shin é detestável no começo da história, mas talvez ele seja o personagem que mais evolui ao longo dela, mas claro: sem perder seu jeitinho (a criatura acha que cortar a cabeça de alguém que agrediu seu amado é uma prova de amor). Quando Shin sai da bolha em que vivia, de seu mundo perfeito onde nada de mal poderia lhe acontecer por ser parente do imperador, e encontra o mundo real onde a guerra está matando pessoas e o nazismo está cometendo atrocidades, ele acorda para a vida e passa a tentar fazer algo de bom, do seu jeito peculiar como mencionei anteriormente. E é como se Saito estivesse ali para compensar a existência de Ryo e Shin, é uma pessoa admirável embora também carregue sua carga de sofrimentos. Como vocês podem perceber, a maioria dos personagens é masculina, cabendo às mulheres papéis secundários na obra, talvez por elas não serem muito respeitadas e valorizadas no meio em que a trama se passa.

 Creio que por mais que eu diga, só lendo para que vocês compreendam como é um bom livro. Confesso que no início, tive um pouco de dificuldade com a alternância entre o uso do nome e do sobrenome dos personagens, mas é daquele tipo de história que vai nos cativando pouco a pouco, até que começamos a torcer e a sofrer por um ou outro personagem e, no caso do Wattpad, torcendo para que o próximo capítulo saia logo. Há cenas bem pesadas e há outras muito delicadas. O que eu tenho certeza é que não dá para ficar indiferente ao longo da leitura, alguma coisa você vai sentir: admiração, revolta, contentamento... Além de personagens bem construídos, a ambientação foi muito bem feita, provavelmente fruto de um bom trabalho de pesquisa feito pela autora. Com o desenrolar da guerra, a vida dos personagens vai se tornando mais perigosa e difícil, e se não bastasse as besteiras que eles podem cometer (no caso, os que mais fazem besteira são Ryo e Shin), há também o medo de que no próximo capítulo eles estejam na hora errada e no lugar errado e sejam fatalmente vitimados pela guerra.

 Como esse livro ainda não foi publicado por nenhuma editora?  Algumas pessoas podem ter receio por ser uma obra que traz personagens homossexuais, mas é um romance como qualquer outro (embora haja o preconceito da sociedade da época), tem umas cenas mais quentes, tem desentendimentos, tem todo o caminho que uma relação precisa percorrer, e é convincente. Quero acreditar que esse não seja um empecilho para que Kinshi na Karada possa ser publicado por uma grande editora, afinal: é uma história bem construída, com uma narrativa fluida e uma temática interessante, mas talvez o fato de ser um livro longo (cerca de 600 páginas) seja o que realmente dificulte essa publicação (pelo pouco que já li a respeito, me parece que editoras não gostam de apostar em publicações de livros grandes de autores não muito conhecidos). Há um livro dois, que, se não me engano, começa logo após o final do livro um (mas no qual os personagens já estão mais maduros em relação ao primeiro e a guerra já está em seu fim), e talvez se, ao invés de uma duologia fosse uma trilogia, ou talvez optando por uma diagramação que possibilitasse um número menor de páginas a publicação fosse possível (fica a dica para as editoras).

 É uma resenha difícil de fazer, tanto que precisei estruturá-la de uma forma diferente, por se tratar de um livro longo, mas que fiz por achar que é uma leitura válida de ser feita, não só para quem se interessa por histórias com personagens homossexuais, mas também para quem gosta de ler sobre a Segunda Guerra Mundial (no caso, pelo ponto de vista dos japoneses, coisa que eu ainda não tinha lido) ou de tramas com personagens diferentes: tem aqueles que amamos odiar (Ryo, Shin), os que nos surpreendem por sua evolução (Shin, Shiro), sua bondade (Aiko, Saito) ou sua determinação (Shiro).

 O livro dois (Jiyuu na Karada - O Corpo Liberto) já está sendo postado no Wattpad, e talvez por isso eu não tenha ficado incomodada com a forma que o livro um termina, mas para leitores que tiveram que esperar a continuação sair deve ter sido sofrido. Creio que só continuem disponíveis alguns capítulos do livro um no Wattpad, que vocês podem ler clicando aqui, mas ele pode ser adquirido em formado impresso no Clube de Autores ou em e-book na Amazon (gratuito para quem tem Kindle unlimited). O livro também está no Skoob. Obrigada a você que leu até aqui e se leu só uns pedaços saiba que isso é feio e desrespeitoso! Me contem: o que acharam do livro pela resenha?

Até o próximo post!

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Vídeo: Caixa de correio - livros recebidos em março

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 Olá pessoal, tudo bem? Antes tarde do que nunca: finalmente estou publicando o vídeo onde mostro os livros que recebi em março! Ele foi gravado no mesmo dia do vídeo com as leituras de março (publicado em abril), mas como tive que dedicar mais tempo aos meus estudos na faculdade e fazer o upload no YouTube e editar é algo que requer um certo tempo, só hoje consegui postá-lo. O vídeo com os livros recebidos em abril já está gravado e logo irá ao ar. E o de maio será gravado em breve. Confiram:



 Creio ter sido um dos meses em que mais recebi livros! Me contem: vocês já leram ou querem ler algum deles? Na descrição do vídeo tem os links das resenhas citadas, mas vocês também podem acessá-las na página de resenhas do blog. Quem acompanha o blog sabe que o canal é novo, então, se tiverem dicas ou sugestões, podem dizer.

Até o próximo post!

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Resenha: livro "As reputações", Juan Gabriel Vásquez

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é  "As reputações", escrito pelo colombiano Juan Gabriel Vásquez e publicado no Brasil em 2016 pela Bertrand Brasil.

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 "O passado de uma criança é de massa de modelar, senhor Mallarino, os adultos podem fazer com ele o que lhes der na telha." (página 103)

 No livro, cuja história se passa na cidade colombiana de Bogotá, conheceremos Javier Mallarino, um homem de sessenta e cinco anos que foi indicado para receber um prêmio nunca antes concedido a um caricaturista, profissão que ele exerce por mais de quarenta anos e onde tem muito destaque e influência. Javier não gosta muito de tecnologias, mora numa casa no alto de uma montanha e, por causa de sua profissão, é temido pelos desonestos por medo de virarem alvo de suas denúncias, e algumas pessoas se afastaram dele por não concordarem com suas opiniões, mas Javier tem a consciência tranquila pela certeza de estar fazendo a coisa certa, e a indicação para esse prêmio seria a prova de seu sucesso, não?

 "- Rodrigo disse que lhe manda parabéns, que você já está onde deveria estar. Que neste país, uma pessoa só é alguém quando um outro alguém quer lhe fazer mal." (página 34, mais uma evidência do alcance da obra de Mallarino, se não estivesse incomodando no início de sua carreira não sofreria ameaças de morte)

 Porém, após o evento, Mallarino é procurado por uma mulher que pede que ele se recorde de um acontecimento em especial, e quando Mallarino começa a buscar em sua memória as respostas para as questões trazidas por essa mulher, ele passa a duvidar se realmente fez tudo certo no passado, e essa dúvida pode por em risco a carreira do cartunista: e se as denúncias feitas por ele forem infundadas?

 "'Não seja ingênuo', respondeu Magdalena. 'As pessoas já sabem o que pensam. As pessoas já têm seu julgamento prévio bem formado. Só querem que alguém com autoridade lhes confirme o julgamento, embora seja a autoridade de mentira que os jornais têm. É esse o seu prestígio, Javier: você dá às pessoas material para que possam confirmar o que já pensam.'" (página 58)

 Eu não tinha muitas expectativas em relação a "As reputações" e fui surpreendida positivamente. Foi interessante ver uma trama ambientada em Bogotá, cidade sobre a qual sei menos do que sobre Londres, por exemplo, a América Latina tem cenários tão ricos e que quero conhecer mais, mesmo que através da literatura. Viajar ao passado de Javier e descobrir um pouco sobre o que é ser um caricaturista e vislumbrar a influência e o alcance que esse trabalho pode ter foi uma experiência valiosa. A obra me fez refletir sobre a responsabilidade que temos sobre as opiniões emitidas e nossos julgamentos, e sobre as consequências que eles podem trazer, especialmente quando se tratam de figuras públicas.

 Javier Mallarino é um personagem bem caracterizado, humano, seus conflitos são compreensíveis, e mesmo que ele tivesse errado em seu julgamento (coisa que creio que não aconteceu), ainda seria digno de admiração. O final deixa uma questão em aberto, mas é aceitável se levarmos em conta quem é o protagonista da obra.

 Há um tema abordado na trama sobre o qual talvez eu não falaria em outra época, mas com um caso de estupro coletivo repercutindo tão fortemente nos dias atuais, creio ser relevante mencionar que a temática do estupro está presente na obra e a leitura traz uma reflexão sobre a questão do que um crime desses acarreta para a vida da vítima, mais um fator pelo qual recomendo a leitura de "As reputações".

 "Há mulheres que não conservam, no mapa da face, nenhum traço da menina que foram, talver porque se esforçaram muito em deixar a infância para trás - as humilhações, as sutis perseguições, a experiência da desilusão constante -, talvez porque, enquanto isso, aconteceu algo, um daqueles cataclismos íntimos que não moldam a pessoa, e sim arrasam-na, como a um edifício, e a obrigam a se construir de novo desde os alicerces." (página 55)

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 Sobre a edição: não me lembro de ter encontrado erros de revisão, as páginas são amareladas e porosas, a diagramação é simples (margens, espaçamento e letras de bom tamanho) e eu achei a capa criativa e bem mais bonita que a de outras edições estrangeiras.

 Enfim, fica a recomendação para quem procura uma leitura cativante, que pode ser feita em pouco tempo (apesar dos parágrafos longos) por ser um romance curto, indicado especialmente para quem gosta de literatura latino-americana ou quer saber um pouco mais sobre a vida de um caricaturista e refletir sobre o poder da arte.

 Detalhes: 140 páginas, ISBN-13: 9788528618631, Skoob (minha nota: 4/5). Onde comprar online: SubmarinoAmericanas.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já conheciam o livro ou o autor? Gostariam de mais alguma informação na resenha?

Até o próximo post!

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Resenha: livro "Outro conto sombrio dos Grimm", Adam Gidwitz

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "Outro conto sombrio dos Grimm", escrito pelo Adam Gidwitz e lançado no Brasil em 2016 pelo selo Galera Junior da Editora Galera Record.

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 Era uma vez um sapo falante e de três pernas que morava num poço com salamandras, ele se chamava Sapo e gostava de olhar para o céu. Um dia ele encontrou uma princesa chamada Jill, ela estava indo ao encontro do primo, após fugir do castelo depois de ser humilhada. Jill tinha a mãe mais linda do mundo, mas todo o seu ser se resumia em ser bela, não sobrava espaço algum para que fosse mãe, ainda assim, a garota a admirava. O Sapo decidiu acompanhar Jill até a casa de João, mas as coisas para o menino também não estavam muito boas. João era um garoto sonhador, sonhador demais, inocente, até bobo. Tudo o que ele desejava era ser aceito pelo grupo de Maria, o valentão do povoado em que vivia (sim, Maria é o nome de um garoto) e, influenciado por Maria, achou que trocar a vaca, um dos poucos bens da família, por um feijão supostamente mágico seria um bom negócio.

 "Eu faço aniversário?, se perguntou a pequena Jill. Ela achava que apenas a rainha fazia aniversário. Ela sabia que nem sempre tinha estado viva, obviamente, mas jamais tinha passado por sua cabeça que ela - ou qualquer um além de sua mãe, na verdade - tinha nascido num dia específico. Era quase uma ideia tola pensar que pessoas além de sua mãe fizessem aniversário." (página 48)

 Quando Jill, João e o Sapo estavam juntos, apareceu uma velha que lhes fez uma proposta: ela realizaria os desejos da garota e de seu primo se eles recuperassem um objeto mágico. Sentindo que não tinham nada a perder e desejando ter uma vida diferente, os dois aceitaram a proposta da velha, e o feijão que João tinha se mostrou realmente mágico após um encantamento da velha, sendo capaz de levá-lo com Jill e o Sapo para um castelo no céu, e assim começaria a busca pelo objeto mágico que poderia mudar suas vidas, ou acabar com elas, caso não encontrassem o que procuravam.

 Em "Outro conto sombrio dos Grimm", o escritor Adam Gidwitz faz uma releitura de clássicos dos contos de fadas, como "João e o pé de feijão", com o intuito de provar que os contos de fadas podem não ser fofinhos como conhecemos quando crianças. E ele se sai muito bem nessa empreitada! João, Jill e o Sapo precisam de coragem e inteligência para vencer gigantes, sereias, duendes e outros perigos que enfrentarão na busca de uma vida mais feliz, e precisam permanecer juntos. Ao final da jornada, a relação do trio se torna ainda mais forte, uma amizade para a vida toda, e eles descobrem que, talvez, a paz e a felicidade que procuravam estava muito mais próxima do que imaginavam.

 "Outro conto sombrio dos Grimm" não é um livro que recomendo para crianças muito pequenas; minha sobrinha que tem cinco anos, já estava meio horrorizada quando, bem no começo da obra, descobriu como o sapo perdeu uma perna, mas acho que a partir dos dez anos já é uma leitura interessante de ser feita, especialmente por falar sobre crianças/adolescentes que procuravam o seu lugar no mundo, que queriam encontrar a sua identidade. Essa lição de não viver em busca da aprovação dos outros, mas de descobrir suas potencialidades e viver em paz consigo mesmo, é algo que precisamos recordar, seja em qualquer época da vida.

 Eu esperava um livro bem mais levinho do que encontrei, em algumas cenas fiquei extremamente tensa, com o coração acelerado e os olhos grudados nas próximas palavras, achando que não haveria saída para os protagonistas (ou que eles não sairiam inteiros de algumas situações), mérito da narração do autor, que alterna esses momentos com outros onde ele parece conversar com o leitor. Onde já se viu, em plena página 84, ele aconselhar que se largue o livro? Se bem que pode ser um bom conselho, pois o que os protagonistas encontram no capítulo 11 é assustador, muito assustador!

 "Na verdade, se vocês são o tipo de pessoa que não gosta de ler sobre sofrimento, derramamento de sangue e lágrimas, por que não fingem que o dia acabou ali e fecham o livro agora mesmo?
 Por outro lado, se vocês são o tipo de pessoa que gosta de ler sobre sofrimento, derramamento de sangue e lágrimas... bem, posso perguntar educadamente:
 - O que há de errado com vocês?" (página 84)

 Apesar de me irritar um pouco com a inocência extrema do João, eu gostei bastante dos protagonistas, especialmente da Jill, que parecia tão inteligente, mas tinha seu ponto fraco na vontade de agradar a mãe e ser como ela. O Sapo é uma figura divertidíssima, um dos personagens que mais gostei na trama. E queria mencionar que achei ótima a forma como o autor fez com que as histórias dos protagonistas se entrelaçasse, todos tinham um passado concreto e crível, eles vieram de algum lugar antes do "Era uma vez". Só no final que o desfecho de alguns coadjuvantes não me satisfez, acho que a mãe da Jill precisava de um espaço maior para se redimir, mas compreendo que o livro não era sobre os adultos, e sim sobre João e Jill.

 "-Viu? - falou ela para o sapo. - Eu disse que ele ia gostar de você.
 - Nesse caso - disse o sapo -, João, sinto muito por ter feito xixi em você. Nós, sapos, não temos muitas defesas, sabe.
 O menino riu e ofereceu um sorriso meio amarelo.
 - Está tudo bem - respondeu ele. - Meninos também não têm." (página 84)

 Sobre a parte visual: a capa é linda e condizente com a obra, tem verniz localizado e confesso que foi o que inicialmente chamou minha atenção. As páginas são amareladas e porosas. No início de cada capítulo, há uma ilustração. A diagramação tem letras de bom tamanho, espaçamento entre as linhas e margens grandes. É uma edição bem bonita e cheia de detalhes, com poucos erros de revisão. Preparem-se para muitas fotos dela a seguir:

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 Enfim, "Outro conto sombrio dos Grimm" é um livro de leitura fluida, que recomendo para quem gosta de fantasia e contos de fadas, ou para quem gosta de terror (se não gosta, também pode ler que não é tão assustador assim, afinal, é uma ficção juvenil, mas que certamente passará uma boa lição e será uma fonte de inspiração para leitores de todas as idades). Há, essa não é a primeira obra de Adam Gidwitz, ele também é autor de "Um Conto Sombrio dos Grimm", que traz a "verdadeira história de João e Maria".

 "Seu lar é onde você pode ser você mesmo." (página 317)

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha de hoje. Me contem: já conheciam a obra ou o autor? Gostam de releituras de contos de fadas? O que vocês acham que João e Jill tinham que encontrar?

 Detalhes: 352 páginas, ISBN-13: 9788501106865, Skoob. Onde comprar online: Americanas, Submarino.

Até o próximo post!

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