Resenha: livro “Tempos de Inocência” (e meu primeiro conto publicado)

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 Olá pessoal, tudo bem? O post de hoje é muito especial, pois venho falar de um livro do qual faço parte. “Tempos de Inocência – Contos de uma Infância Feliz” é uma antologia com 12 contos com a infância como tema, organizada pela Rô Mierling e publicada pelo selo Antologias Brasileiras da Editora Illuminare em 2016. Quem acompanha o blog pelo Facebook, deve ter visto quando compartilhei minha alegria por ter tido um conto selecionado para a obra, o primeiro conto que escrevi (que eu me lembre) e que se chama “A bicicleta amarela”.

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 É impossível ser imparcial ao falar sobre o meu próprio texto, então, o que posso dizer sobre “A bicicleta amarela” é que baseei a história em um fato que realmente aconteceu comigo e com meus amigos quando éramos crianças, mas com o passar dos anos, o caso real acabou ficando um pouco nublado em minha memória e, ao escrevê-lo, mudei muita coisa da pequena aventura que vivemos em um de nossos passeios de bicicleta. É um conto de três páginas e muito amor colocado em cada palavra.

 Agora que já tive meu momento “babona”/encantada, deixem-me fazer a resenha da obra para vocês e falar um pouco sobre cada história.

 A primeira história é “O Reinado de Nina”, escrita pelo Alexandre Braoios, fala sobre o final da infância de uma garota, que antes era a princesinha e agora estava fazendo a transição para ser uma “rainha”. “A Pequena Grande Menina”, da Ana Rapha Nunes traz uma protagonista muito especial, com um coração enorme e que seria ótimo conhecer. “Super-Heróis”, escrito por Carlos Asa, é o maior conto do livro e fala sobre um garotinho apaixonado por super-heróis, mas que nem imaginava que tinha um verdadeiro herói morando na mesma casa que ele.

 “Espelho meu, existe criança mais feliz do que eu?” do Carlos Alberto Betinho, “Minhas Raízes!” da Sonia J. Oliveira, “Areia e vizinhança” da Taís Moreira e “Doces lembranças” da Luciana Santos trazem um resumo de brincadeiras e memórias de infâncias. Destaco o texto da Luciana, que fala sobre uma amizade que o tempo e a distância separaram, mas não destruíram, amizade que é um refúgio para a personagem, um conto de apenas duas páginas, emocionante e encantador e, na minha opinião, o mais bem escrito de todos.

 “Ela se tornou uma sombra na árvore do meu passado.(...) No meu íntimo sinto que a distância e a ausência dela é apenas uma questão de espaço, porque hoje o jardim não é mais lá fora, e sim dentro de mim. Minha amiga sempre esteve e estará aqui em algum lugar(...).” (“Doces lembranças”, página 40)

 “Pequenos Aeromodelos”, escrito pela Carol Dantas, nos apresenta Sarah Teresa, uma garota que amava aviões, motivo pelo qual era criticada pelos preconceituosos que diziam que aviação não era coisa para meninas. Felizmente, surgiram em seu caminho um amigo e um professor que a enxergaram como o ser humano capaz que ela era e não como a sociedade machista a via, e Sarah pôde “voar alto” e ensinar uma lição sobre como os sonhos podem se tornar realidade. O conto também mostra a importância da representatividade ao colocar Amelia Earhart, pioneira na aviação dos Estados Unidos, como inspiração para Sarah. Minha história favorita do livro!

 “(...) Sarah fez um poderoso discurso sobre como meninos e meninas podiam ter os mesmo sonhos. Nas palavras inocentes da criança havia poder e persistência que, somados a presença de Aart, mudaram o pensamento dos outros alunos.” (página 28)

 “Perfeição” de Gentil Garcia tem aquele estilo de história clássica, que vai passando de geração em geração o mito do menino que finalmente alcançou a perfeição. “Noite de autógrafos”, escrito pela Ingrid Pinheiro foi mais um conto que gostei muito, e que retrata, trabalhando as palavras de uma forma muito delicada, a vida de um leitor que começou a se aventurar no mundo dos livros bem cedo, e que passou para o outro lado. “A pequena vendedora de fósforos numa noite de Natal”, da Lorena Caribé, traz uma protagonista que, ainda criança, só tem felicidade em suas lembranças, pois a realidade que está vivendo é muito difícil.

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 Sobre a edição: capa muito lindinha, páginas amareladas e num ótimo papel, diagramação com letras, margens e espaçamento de ótimo tamanho, ilustração no início de cada conto e fontes diferentes para o título dos contos e nome dos autores, só a revisão que poderia estar melhor.

 “Tempos de Inocência” é um livro pequeno e de leitura rápida, e mesmo com diversos autores, é possível perceber vários elementos que se repetem em alguns contos, mostrando que infâncias diferentes podem guardar memórias e saudades semelhantes.

 Para quem tiver se interessado pelo livro, ele pode ser adquirido pela loja online da editora, mas há poucos exemplares à venda.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado do post. Me contem: qual conto chamou mais a atenção de vocês? Qual a lembrança mais marcante que vocês tem da infância?

Até o próximo post!

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Resenha: conto "A abnegada", Hugo Dalmon

 Olá pessoal, tudo bem? O Hugo Dalmon já teve seus dois livros pulicados, "Babilônia Encantada" e "Quero me lembrar de você, Amy Winehouse", resenhados no Pétalas de Liberdade. E hoje venho falar sobre seu conto, "A abnegada", lançado recentemente na Amazon.

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 "A abnegada" é um conto de ficção científica protagonizado por Miranda. Certo dia, enquanto ela estava na escola, conheceu Elvis, um garoto meio tímido. Eles combinaram de se encontrar no recreio, mas quando ela foi no banheiro durante a aula, apareceu um homem estranho lhe implorando para apertar um botão branco para ajudá-lo a finalmente ter paz. Ela quis ajudar, foi lá e "Pá!".

 Aí, tudo mudou, ela foi transportada para muitos anos depois, onde tinha um novo amor e uma vida relativamente boa, mas descobriu que Elvis, aquele garoto tão encantador, tinha se transformado num homem que estava numa situação bem ruim. Talvez se ela não tivesse apertado aquele botão...

 Miranda tentou desfazer o que tinha feito, mas... as coisas não saíram como ela queria. Será que a garota estaria para sempre presa entre futuros infelizes?

 É um conto curto, mas com uma premissa super interessante que, aliada à ótima escrita do autor, proporciona uma leitura rápida mas fascinante, daquelas em que mergulhamos na história e ficamos pensando sobre o que aconteceu com Miranda e sobre o que faríamos no lugar dela. Super recomendo!

 Leiam "A abnegada" e os demais livros do Hugo, e comprovem o quanto ele é talentoso e sabe contar boas histórias, independente do número de páginas que tenham.

 Detalhes: 4 páginas, Skoob, blog do autor, fan page, comprar na Amazon.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o autor? Voltariam no tempo para tentar mudar a vida de alguém?

Até o próximo post!

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Resenha: livro “O grande zoológico”, Howard Jacobson

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro “O grande zoológico”, publicado no Brasil pela Editora Bertrand Brasil em 2016.

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 “- É preciso ler um livro para descobrir que você gostaria de não tê-lo lido, e a essa altura já é tarde demais. Mas quer saber? Eu quase nunca me arrependo.” (página 59)

 O livro é narrado por Guy Ableman, um escritor inglês que está desiludido com a profissão. Ele acredita que ninguém mais lê, que o livro de papel perdeu seus apreciadores. Além da falta de leitores, ele está com dificuldades para escrever seu novo livro, pois não sabe ao certo do quê falar. Junte-se a isso a atração que ele sente pela sogra, Poppy.

  Antes de ser um escritor, ele trabalhava na loja de roupas dos pais numa pequena cidade, e certo dia, Poppy e Vanessa entraram no estabelecimento, duas mulheres lindas que poderiam se passar por irmãs, mas eram mãe e filha. Guy acabou se casando com Vanessa e escrevendo livros que foram perdendo espaço com o passar dos anos. Até que ele se vê sem um editor e com uma esposa que talvez consiga terminar seu romance de estreia antes de Guy conseguir decidir sobre o enredo de sua próxima obra. E Poppy, será que percebe o interesse do genro? E será que escrever sobre a fixação pela sogra é uma boa ideia?

 “O impulso de escrever é um impulso para alterar as condições da própria infância. Não no sentido de falsificá-las, mas para fazer do mundo outra coisa que não o buraco negro que ele nos parecia quando éramos crianças. Me mostrem uma criança feliz e consigo imaginar todo tipo de ocupações futuras para ela – no esporte, na política, na moda varejista -, mas nenhuma delas na literatura. Romances nascem do sofrimento, motivo pelo qual os melhores não são sofridos, por mais que o sofrimento faça sucesso. O fato de o romance ter sido escrito prova que o sofrimento foi superado.” (página 99)

 “O grande zoológico” foi um livro que eu quis ler por me interessar por histórias com escritores como personagens. A leitura estava demorando um pouco para engrenar, mas como na página 18 o autor menciona a escritora Elizabeth Gaskell, autora de Cranford (um dos meus livros favoritos) e Esposas & Filhas, eu considerei isso como um sinal e resolvi persistir na leitura.

 É uma leitura que exige certo tempo, que recomendo para leitores mais adultos, e acredito que quem tiver uma bagagem maior de leituras de clássicos, certamente vai conseguir captar mais das referências a autores clássicos que o narrador faz. Além disso, o autor usa um vocabulário com muitas palavras pouco utilizadas em nosso cotidiano. 

 Guy vai nos contando sua história entre idas e vindas, transitando entre as diversas fases de sua vida, antes do casamento, os primeiros anos de casado e os últimos, antes e depois de perder seu editor, e acho que essa alternância, apesar de poder causar alguma dificuldade na compreensão da linha do tempo da trama, acaba fazendo com que a história, que se passa num período longo de tempo, fiquei mais agradável e interessante de ser lida. Ouso dizer que ele é um narrador não confiável, mas pela narração ser feita em primeira pessoa, só podemos enxergar o que ele nos deixa ver, temos Poppy, Vanessa e os demais personagens apenas pela visão dele, que vai mudando ao longo do tempo e dos capítulos.

 Acredito que quando um autor faz com que o leitor torça pelo personagem, sorria, chore e se surpreenda com o protagonista, então o livro é bom, e sendo assim, “O grande zoológico” é um bom livro, pois diversas vezes me peguei sentindo empatia pelo protagonista. Howard Jacobson escreveu um livro de altos e baixos, de momentos engraçados e outros não muito memoráveis, mas o resultado final, aquele que fica ao chegar na última página e fechar o livro, esse sim é marcante e certamente o escritor Guy Ableman ficará em minha memória por um longo tempo.

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 Sobre a edição da Bertrand: capa chamativa, boa revisão, páginas amareladas, diagramação com letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 “Experimentar o sucesso quando já se conheceu o fracasso faz a lembrança do fracasso ficar mais amarga a cada novo prêmio ganho. O sucesso é arbitrário e voluntarioso, só o fracasso é a real medida das coisas.” (página 277)

 Detalhes: 350 páginas, ISBN-13: 9788528618495, Skoob. Onde comprar online: Submarino, Americanas.

 Enfim, fica a recomendação para quem gosta de histórias com personagens que são escritores e para quem procura conhecer um pouco mais sobre o mercado editorial. Fica a recomendação também para quem procura leituras voltadas para um público mais adulto e com um toque de humor.

Até o próximo post!

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Resenha: livro “Adolescer”, Eva Zooks

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro “Adolescer”, escrito pela Eva Zooks e publicado em 2016 pela Ler Editorial.

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 “Adolescer” é o primeiro livro infanto-juvenil publicado pela Eva Zooks, e eu acho que ela começou muito bem ao falar sobre a rotina de uma família composta por pai, mãe e três filhos adolescentes: o mais velho, Tom, a do meio, Jô, e a caçula, Jú.

 Segundo os filhos, seus pais trabalhavam demais. Talvez por sentir falta de atenção paterna, a Jô acabou não se dedicando muito aos estudos (os pais ficavam cobrando que ela tivesse um bom desempenho, mas eles mesmo não iam nas reuniões que ocorriam na escola), além disso, ela estava sempre mal-humorada e brigando com os irmãos.

 Os pais resolveram tentar melhorar a relação com os filhos, mas para isso seria necessário que os adolescentes também colaborassem. Mas como fazer Jô colaborar? Aí entram Tom e Jú. O Tom era um garoto muito bonito, estilo Clark Kent, e a Jú era uma menina fofa, muito esperta e apaixonada por balé. Eu acabei de dizer que a Jú é esperta, né? Ouso dizer que, mesmo com os gostos infantis normais para a idade, ela era a pessoa mais sensata da casa. Então, a Jú vai bolar um plano para fazer com que a Jô deixe de ser uma garota malvada, volte a ser uma boa irmã e uma boa filha e passe a valorizar o amor que recebe da família. Será que esse plano vai dar certo? Uma coisa a Jú já tinha: a cumplicidade do Tom.

 “- Tenho uma proposta para fazer.
 (...) – Quero boicotar a Jô.
 Isso parece prender sua atenção. Com um sorriso de comercial de pasta de dente e um brilho diamante nos olhos, ele me puxa para um abraço.
 - Nem sei o que é, mas já concordo.” (Jú e Tom, página 18)

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Tom, Jô e Jú
 “Adolescer” foi mais um infanto-juvenil que eu comecei sem expectativas, e novamente fui surpreendida positivamente por um livro do gênero. Achei muito pertinente a autora ter colocado a temática dos rachas e dos riscos que as corridas de carros clandestinas podem trazer para vidas que estão apenas começando. Espero que os leitores de “Adolescer” possam se conscientizar sobre o tema através da história.

 “Por fim, decidi que os jovens não conseguem encontrar seu lugar no mundo, pois ao mesmo tempo em que querem transformar o mundo, estão agindo de forma irresponsável, que leva a consequências muito dolorosas.” (Tom, página 45)

 A autora colocou muito dos dias atuais na trama, tem várias referências a temas que estão em alta atualmente, como o jogo Pokêmon Go, o filme Esquadrão Suicida, e os irmãos protagonistas estão por dentro de tudo o que tem sido produzido nessa área do entretenimento. Achei bem interessante o fato de o Tom ser youtuber, de mostrar um pouco da rotina de um criador de conteúdo (seja ele em vídeo, seja em blogs) e como essa é uma área que pode ser também uma profissão.

 A caracterização dos personagens foi um ponto positivo e todos eles tiveram o seu momento de destaque. Espero que a premissa de fazer com que a Jô voltasse a valorizar a sua família inspire outras pessoas, independente da idade, a também valorizar e a ser carinhoso com aqueles que o amam. Tenho que comentar sobre o pai da Jô! Ele me irritou um pouco, com seus pensamentos machistas, mas felizmente o resto da família não se deixava levar por essas ideias e rebatia na hora os comentários infelizes dele, que precisava amadurecer um pouquinho e parar de pensar que podia dizer o que as meninas tinham ou não que vestir e como conduzir as próprias vidas.

 “- Quando você cresceu?” – Percebo que ele não espera uma resposta, mas mesmo assim a dou.
 - Venho fazendo isso desde que nasci e ainda não parei. O pediatra disse que vou crescer até completar dezoito anos. – Sorrio. – Ainda bem, pois não quero continuar sendo a tampinha da casa.” (diálogo do pai e da Jú, a tampinha mais esperta que já vi, página  87)

 Minha única ressalva ao livro foi o fato de a narração ser feita por vários personagens, algo que num primeiro momento me pareceu legal, mas que me deixou confusa em alguns momentos, pois eu demorava um pouquinho para identificar quem estava narrando, se era a Jô, se era a Jú, o Tom ou a mãe. E há ainda partes que são narradas em terceira pessoa. Talvez se aparecesse o nome do narrador para que o leitor visse quem narraria aquela parte, pudesse ajudar.

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 Sobre a edição: eu confesso que essa capa lindinha foi um dos motivos de eu querer ler o livro! As páginas são amareladas, há poucos erros de revisão, as letras, as margens e o espaçamento tem um bom tamanho. Há algumas ilustrações no decorrer dos capítulos.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado do post. Fica a minha sugestão de livro para leitores de todas as idades, especialmente para quem procura uma leitura rápida e leve ou também precisa de alguma ideia para lidar com adolescentes, irmãos, pais, a família num geral.

 Detalhes: 108 páginas, ISBN-13: 9788568925324, Skoob. Onde comprar online: loja da editora.

 Me contem: o que acharam do livro pela resenha? Já conheciam "Adolescer" ou algum outro livro da Eva?

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Até o próximo post!

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Vídeo: livros recebidos em setembro

 Olá pessoal, tudo bem? Eu havia gravado o vídeo mostrando os livros que recebi e adquiri em setembro já tem algumas semanas, mas só consegui postá-lo agora. Apertem o play e confiram o que recebi de parcerias, o último livro que ganhei na rifa e um pouco sobre como foi a minha primeira visita a uma livraria:


 Me contem: já leram ou querem ler algum dos livros citados? Cliquem aqui e se inscrevam no canal.

Até o próximo post!

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Resenha: livro “Sou Dessas: pronta pro combate”, Valesca

 Olá pessoal, tudo bem? Hoje venho trazer meus comentários sobre a minha experiência de leitura com o livro “Sou Dessas”, escrito pela cantora de funk Valesca, lançado em 2016 pelo selo Best Seller da Editora Record.

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 “Já estava cansada de ouvir músicas em que os homens rebaixavam as mulheres de uma forma que me ofendia muito mais do que o funk que dizia que a pussy tem o poder.” (página 172)

 “Existem várias formas de rotularem minhas músicas como polêmicas, e eu sempre questiono se estão julgando pelo fato de ser funk ou pelo fato de eu ser uma mulher libertária cantando funk.
 Será que, se fosse um homem cantando letras desse tipo, daria tanta discussão assim? Claro que não. Tá aí o meu grande amigo Mr. Catra, que tem legiões de fãs, desde o gueto até a alta sociedade, por ser considerado pelos machos um exemplar valiosíssimo de homo erectus.” (página 184)

 Quem der uma rápida observada nas resenhas do blog ou assistir os meus vídeos de leituras do mês, vai observar que leio de tudo: ficção, não ficção, nacional ou estrangeiro, clássico ou lançamento, romances de todos os tipos, fantasia, terror, infanto-juvenil, New adult, Young adult e o que mais aparecer! Não há preconceito no Pétalas de Liberdade, inclusive já recebi comentários de leitores que dizem achar interessante essa diversidade que encontram no blog. Sendo assim, quando surgiu a oportunidade de ler o livro da Valesca, fui correndo aproveitar, já que passei a me interessar mais pela carreira da cantora nos últimos anos, especialmente ao vê-la se autodeclarando feminista. Primeiramente, quero lembrar que, em todo gênero musical, há músicas com conteúdo e sem conteúdo, com letras legais e não legais; e que cultura é diferente de gosto pessoal, mesmo que não gostemos de algo, aquilo ainda não pode ser considerado lixo apenas por esse gosto, que sofre influência de diversos fatores.

 “Sou Dessas: pronta pro combate” é um livro relativamente curto (tem menos de 200 páginas) e que pode ser lido rapidamente, em um ou dois dias. Como a própria autora esclarece, não é uma biografia, mas sim uma obra dedicada aos fãs, para que eles e o público em geral possam conhecer suas ideias além do palco e das músicas.

 Com uma escrita fluida e sem muitas palavras rebuscadas, Valesca fala sobre diversos assuntos que, de alguma forma, tem relevância na sua vida e na vida de seus fãs. Ela conta sobre a infância difícil, sobre a admiração pela mãe, que sempre fez o que pôde por ela e pelos irmãos mais novos, mesmo que isso significasse não se alimentar para que eles tivessem o que comer; sobre a decisão de deixar o sonho de ser atriz para continuar no emprego num posto de gasolina, que lhe garantiria uma situação financeira mais estável quando ficou grávida; sobre o início da carreira e a escolha, motivada pelo interesse do público, pelas letras com forte teor sexual; sobre a passagem por um reality show; a partida para a carreira solo, a mudança na vida após o sucesso estrondoso de uma de suas músicas e opção por se manter como uma artista independente, sem uma gravadora; sobre a forma como ela, por ter um alcance tão grande, pode influenciar a vida de outras pessoas: seja com uma conversa com um jovem homossexual que queria se suicidar por não ter o apoio da família e que, após esse bate-papo, conseguiu ver outras alternativas; seja conversando com uma mulher que vivia num relacionamento abusivo em que corria risco de morrer, e que encontrou na cantora uma ouvinte e um apoio para conseguir sair de casa e denunciar seu agressor.

 “Quantas meninas têm vídeos ou fotos íntimas vazadas na internet e são massacradas, enquanto as fotos dos meninos são esquecidas rapidamente?
 Por falta de informação, muitas meninas se matam pela pressão que sofrem da sociedade e pela culpa por terem registrado uma coisa íntima e pessoal. Parece que ninguém nunca fez sexo, né? Elas deixam de ser vítimas e passam a ser culpadas pela nossa falta de liberdade sexual. A culpa é da mãe delas? Não! A culpa é dessa sociedade machista em que nós vivemos.” (página 51)

 “Tenho visto nas redes sociais muitos vídeos bacanas falando sobre esse assunto. Os mais legais são os vídeos em que os homens trocam de lugar conosco e passam a ser alvo de assédio e cantadas (de homens para outros homens). São engraçadas as reações. De todos que eu vi, nenhum gostou, mas ninguém nunca parou para pensar se nós, mulheres, gostamos, né?” (página 86)

 Por esses e outros motivos, “Sou dessas” foi uma leitura que valeu a pena e que eu recomendo. Não tenho críticas para fazer ao que foi escrito por Valesca, acredito que ela acertou na escolha dos temas para comentar em seu livro e espero que os leitores, fãs ou curiosos, que lerem o que ela escreveu, possam refletir verdadeiramente sobre os temas tratados. Temos opiniões divergentes sobre dois assuntos: aborto e prostituição, sobre os demais, pensamos de forma semelhante.

 Por fim, queria destacar dois pontos que a Valesca mencionou, primeiro: será que ela é tão criticada por cantar músicas que falem sobre mulheres que gostam de sexo por vivermos numa sociedade onde a liberdade sexual feminina é reprimida e a masculina é exaltada? E segundo: quantas pessoas confundem o que ela canta com o que ela vive de fato, já que, desde antes do início de sua carreira, Valesca era casada com seu atual empresário, que inclusive a ajudava na escolha do repertório musical?

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 A edição da Best Seller está caprichada, bem revisada, colorida e com muitas fotos, algumas páginas são brancas e outras são pretas, as letras, margens e espaçamento tem um bom tamanho.

 “Algumas pessoas pensam que por eu ter uma vida pública, por ter assuntos pessoais expostos aos holofotes, deixo de ser uma mulher, com um coração,  uma alma e muitos sentimentos.” (página 75)

 “Eu enfrento um preconceito muito grande, primeiro por ter vindo da favela, depois por ser mulher. Para fechar com chave de ouro, eu ainda sou funkeira assumida. Imagina como eu sou vista pelos homens?
 Quando vou a uma reunião de negócios, procuro debater, conversar e expor minhas ideias, e muitas vezes percebo que, quando estou com o meu empresário, a conversa é sempre dirigida a ele. Eles se esquecem de que estou ali, esquecem que sou uma pessoa que opina e que tem interesses. Nós também temos voz, também temos ideias, mas não é difícil sermos tratadas com indiferença pelos simples fato de sermos mulheres.” (página 98)

 Enfim, fica a minha recomendação de leitura, especialmente para quem é fã da cantora ou para quem gosta de livros que falem sobre empoderamento feminino. Fica também o convite para uma reflexão sobre se devemos ou não classificar um livro como bom ou ruim antes de lê-lo, e se devemos julgar as pessoas e o trabalho delas segundo os padrões da sociedade machista em que vivemos, ou se devemos ouvir e ler o que ela tem a dizer antes de fazer esse julgamento e de colocar rótulos.


  Detalhes: 191 páginas, ISBN-13: 9788576849971, Skoob. Onde comprar online: Submarino, Americanas

 Por hoje é só, me contem o que acharam do livro pela resenha e se acompanham a carreira da Valesca. Ah, quem quiser ver mais coisas escritas pela Valesca, é só acessar a coluna que ela escreve no Extra desde 2014, clique aqui.

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Até o próximo post!

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Resenha: livro "Doadores de Sono", Karen Russell

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro “Doadores de Sono”, escrito pela Karen Russell e publicado em 2016 pela Editora Record.

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 "A deficiência foi associada à narcolepsia em seres humanos, mas esta disfunção causa o efeito oposto: um estado insustentável de hiperexcitação. O sono se torna impossível." (página 17)

 A história é narrada por Trish, uma jovem mulher que perdeu sua irmã mais velha alguns anos antes, morta por um novo tipo de insônia, que não podia ser controlada com remédios; sem dormir, o corpo não conseguia descansar e, com o tempo, parava de funcionar.

 Após perder a irmã, Trish começou a trabalhar para o Corpo do Sono, uma empresa que recolhe doações para tratar esse novo tipo de insônia que vem vitimando pessoas em todo o continente americano. Mas não são doações comuns, são doações de sono! O trabalho de Trish é convencer possíveis doadores, para isso, ela lhes conta a história da falecida irmã e de como, se na época de sua morte já existisse o Corpo do Sono, uma pequena doação poderia ter salvado a vida de Dori (nome da irmã).

 Quem se torna doador, vai até centros de doações ou recebe uma van de coleta em casa, onde tem seu sono induzido e, através de um capacete especial, tem seu sono recolhido e transportado para estações de tratamento onde esse sono é tratado e distribuído para os insones.

 Trish começa a repensar seu trabalho quando conhece uma família cuja filha, uma bebê, é doadora, e o pai da menina tem medo que as doações possam afetar a saúde da garotinha. Surge um Doador Q, que doa seu sono contaminado e provoca transtornos para quem recebe o seu sono, colocando a credibilidade do Corpo do Sono em risco. E Trish não sabe mais se a sua forma de trabalhar é certa ou errada.

 "Certo, então foram infectados por um pesadelo, mas, pelo amor de Deus, o que pode ser tão assustador a ponto de a morte parecer melhor do que dormir?" (página 62)

 Eu li "Doadores de Sono" em um dia, pois é um livro pequeno, com capítulos curtos e diagramação que ajuda, além da escrita super fluida da autora. Talvez, o que tenha me motivado a ler o livro, tenha sido o comentário do Stephen King na capa, ele diz que é ficção científica, mas para mim tem um toque de distopia.

 Eu gostei do livro, mas o desfecho não foi totalmente satisfatório, me pareceu que nada foi realmente resolvido, não se descobriu a cura nem a causa da doença, não ficou definida a situação da Tris e do Corpo do Sono. Muitas perguntas foram lançadas mas as páginas acabaram antes de todas serem respondidas satisfatoriamente, e olha que eu criei um monte de hipóteses que, se se confirmassem, poderiam ter deixado a trama bem mais interessante. Além disso, eu entendi como a captação do sono dos doadores era feita, mas não ficou claro para mim como esse sono era passado para os doentes. Ainda assim, foi uma boa leitura, que mereceu quatro estrelas no Skoob pela sua premissa interessante. Se tivesse o dobro de páginas e cada personagem e situação fosse melhor explorada, certamente se tornaria meu favorito.

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 Sobre a diagramação: achei a capa muito bonita, a escolha das cores e o jogo de sombra e luz foi ótima. As páginas são amareladas, há alguns erros de revisão (como a falta de traços na separação de sílabas) e a diagramação traz letras, margens e espaçamento grandes.

 Detalhes: 168 páginas, ISBN-13: 9788501105226, Skoob. Onde comprar online: Submarino, Americanas.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Fica a sugestão para quem procura uma leitura rápida e interessante, que é boa, mas poderia ser ainda melhor. Me contem: o que acharam da premissa? Já conheciam o livro ou a autora?

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Até o próximo post!

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