Olá pessoal, tudo bem? O post de hoje é muito especial, pois venho falar de um livro do qual faço parte. “Tempos de Inocência – Contos de uma Infância Feliz” é uma antologia com 12 contos com a infância como tema, organizada pela Rô Mierling e publicada pelo selo Antologias Brasileiras da Editora Illuminare em 2016. Quem acompanha o blog pelo Facebook, deve ter visto quando compartilhei minha alegria por ter tido um conto selecionado para a obra, o primeiro conto que escrevi (que eu me lembre) e que se chama “A bicicleta amarela”.
É impossível ser imparcial ao falar sobre o meu próprio texto, então, o que posso dizer sobre “A bicicleta amarela” é que baseei a história em um fato que realmente aconteceu comigo e com meus amigos quando éramos crianças, mas com o passar dos anos, o caso real acabou ficando um pouco nublado em minha memória e, ao escrevê-lo, mudei muita coisa da pequena aventura que vivemos em um de nossos passeios de bicicleta. É um conto de três páginas e muito amor colocado em cada palavra.
Agora que já tive meu momento “babona”/encantada, deixem-me fazer a resenha da obra para vocês e falar um pouco sobre cada história.
A primeira história é “O Reinado de Nina”, escrita pelo Alexandre Braoios, fala sobre o final da infância de uma garota, que antes era a princesinha e agora estava fazendo a transição para ser uma “rainha”. “A Pequena Grande Menina”, da Ana Rapha Nunes traz uma protagonista muito especial, com um coração enorme e que seria ótimo conhecer. “Super-Heróis”, escrito por Carlos Asa, é o maior conto do livro e fala sobre um garotinho apaixonado por super-heróis, mas que nem imaginava que tinha um verdadeiro herói morando na mesma casa que ele.
“Espelho meu, existe criança mais feliz do que eu?” do Carlos Alberto Betinho, “Minhas Raízes!” da Sonia J. Oliveira, “Areia e vizinhança” da Taís Moreira e “Doces lembranças” da Luciana Santos trazem um resumo de brincadeiras e memórias de infâncias. Destaco o texto da Luciana, que fala sobre uma amizade que o tempo e a distância separaram, mas não destruíram, amizade que é um refúgio para a personagem, um conto de apenas duas páginas, emocionante e encantador e, na minha opinião, o mais bem escrito de todos.
“Ela se tornou uma sombra na árvore do meu passado.(...) No meu íntimo sinto que a distância e a ausência dela é apenas uma questão de espaço, porque hoje o jardim não é mais lá fora, e sim dentro de mim. Minha amiga sempre esteve e estará aqui em algum lugar(...).” (“Doces lembranças”, página 40)
“Pequenos Aeromodelos”, escrito pela Carol Dantas, nos apresenta Sarah Teresa, uma garota que amava aviões, motivo pelo qual era criticada pelos preconceituosos que diziam que aviação não era coisa para meninas. Felizmente, surgiram em seu caminho um amigo e um professor que a enxergaram como o ser humano capaz que ela era e não como a sociedade machista a via, e Sarah pôde “voar alto” e ensinar uma lição sobre como os sonhos podem se tornar realidade. O conto também mostra a importância da representatividade ao colocar Amelia Earhart, pioneira na aviação dos Estados Unidos, como inspiração para Sarah. Minha história favorita do livro!
“(...) Sarah fez um poderoso discurso sobre como meninos e meninas podiam ter os mesmo sonhos. Nas palavras inocentes da criança havia poder e persistência que, somados a presença de Aart, mudaram o pensamento dos outros alunos.” (página 28)
“Perfeição” de Gentil Garcia tem aquele estilo de história clássica, que vai passando de geração em geração o mito do menino que finalmente alcançou a perfeição. “Noite de autógrafos”, escrito pela Ingrid Pinheiro foi mais um conto que gostei muito, e que retrata, trabalhando as palavras de uma forma muito delicada, a vida de um leitor que começou a se aventurar no mundo dos livros bem cedo, e que passou para o outro lado. “A pequena vendedora de fósforos numa noite de Natal”, da Lorena Caribé, traz uma protagonista que, ainda criança, só tem felicidade em suas lembranças, pois a realidade que está vivendo é muito difícil.
Sobre a edição: capa muito lindinha, páginas amareladas e num ótimo papel, diagramação com letras, margens e espaçamento de ótimo tamanho, ilustração no início de cada conto e fontes diferentes para o título dos contos e nome dos autores, só a revisão que poderia estar melhor.
“Tempos de Inocência” é um livro pequeno e de leitura rápida, e mesmo com diversos autores, é possível perceber vários elementos que se repetem em alguns contos, mostrando que infâncias diferentes podem guardar memórias e saudades semelhantes.
Para quem tiver se interessado pelo livro, ele pode ser adquirido pela loja online da editora, mas há poucos exemplares à venda.
Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado do post. Me contem: qual conto chamou mais a atenção de vocês? Qual a lembrança mais marcante que vocês tem da infância?
Até o próximo post!










