Resenha: livro "O preço de uma vida", Cristiane Krumenauer

 Olá, pessoal! Tudo bem? Na resenha de hoje, venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "O preço de uma vida", escrito pela Cristiane Krumenauer e publicado em 2018 pela Editora Novo Século.

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 "A justiça deve ser feita. De um jeito, ou de outro.
 Faça sua parte, querida Naiona. Confio em você" (página 337)

 Getúlio Tavares era dono de uma empreiteira em São Paulo. Seu filho, Danúbio, morreu de forma misteriosa em uma viagem à África do Sul, onde morava Josiano, o irmão de Getúlio e tio de Danúbio.

 Naiona, uma detetive particular e amiga da família, foi contratada para investigar a morte do rapaz, já que a polícia da África do Sul não investigaria o caso por achar que se tratava apenas de um rapaz que faleceu por descuidar da diabetes. A questão é que Danúbio nunca tinha falado pra ninguém que tinha diabetes, além do fato de, há algum tempo, ameaças terem sido feitas à família Tavares.

 "- Getúlio... não falei nada ao telefone, porque talvez fosse muito chocante, mais chocante do que já é, na verdade. É que o Danúbio não morreu de coma alcoólica.
 - Não? Ora, se não foi como alcoólica, foi o quê? O Nubinho estava doente, era isso? Estava doente e não me contou nada? O que ele tinha? Ele morreu de quê?
 O adido militar coça a macia pele do rosto imberbe. Está na desconfortável posição de ter que dar os detalhes da morte de um filho, o único filho, a um pai.
 - Infarto do miocárdio.
 - Infarto? Um garoto de 25 anos?
 - E não é só isso. Os resultados dos exames toxicológicos (...)
- O quê, Josiano? O que você está tentando esconder?
 - Ora... nada! Não estou tentando esconder nada. É que o resultado do exame foi... estranho.
 - Estranho. Estranho como?
 - Ele mostra que... o Danúbio aplicou insulina em si mesmo.
 - O quê? Como assim? O Danúbio não tomava insulina, ele não era diabético.
 Josiano silencia, refletindo sobre o próprio pensamento. Segundos depois, apenas diz:
 - Pois é. Eu sei." (páginas 44, 45 e 46)

 Paralelamente à investigação de Naiona sobre a morte de Danúbio, conheceremos a história de uma menina nordestina, órfã, que foi vendida na década de 1980.

 "Estranho como os dias podem ser tão diferentes um do outro. Antes, ela pensava que a seca era cruel. Pensava também que a fome e a sede eram as piores inimigas.
 Foi um médico, num jipe, que mostrou que sempre podia haver algo pior." (página 12)

 A autora conseguiu me fazer ficar presa na história, tentando juntar todas as peças do caso, curiosíssima para descobrir o que realmente tinha acontecido com Danúbio e qual a relação da morte dele com a menina vendida nos anos oitenta. E o final foi surpreendente! Por mais que eu desconfiasse de que havia algo de errado com determinado personagem, nunca imaginei que ele fosse capaz de fazer o que fez. O livro nos mostra a importância do diálogo e como a vida é imprevisível.

 "O mal podia ter sido evitado. Com as palavras certas. Não com aquelas que Getúlio disse no aeroporto, apenas para provocar o filho" (página 341)

 A narração é feita em primeira pessoa nos capítulos de Naiona e em terceira pessoa nos capítulos onde acompanhamos outros personagens como a menina e a família de Danúbio, e confesso que as partes em terceira pessoa foram as minhas favoritas e onde o talento narrativo da autora se destacou para mim.

 Talvez pelo fato de a Naiona ser uma personagem que não me despertou tanta empatia inicialmente; ela havia trabalhado na empresa de Getúlio anos antes, num alto cargo, mas foi demitida quando Getúlio se casou com Beatriz (que não era a mãe de Danúbio), e desde então, enfrentava dificuldades financeiras. Além disso, havia uma história entre ela e Josiano no passado que não acabou bem.

 "Vigiar o marido não é sua prioridade. Não até então.
 De todo modo, batalhas se perdem por falta de informação. Nunca, nunca, por excesso delas." (página 224)

 A autora vai nos revelando o passado dos personagens aos poucos, e todas as revelações sobre eles são muito interessantes, assim como a resolução do caso. Para mim, algumas coisas poderiam ter sido mais explicadas, especialmente no que diz respeito à menina vendida. Ainda assim, foi uma leitura que me cativou muito e que recomendo, especialmente para quem gosta de romances policiais com casos difíceis de resolver, onde desconfiamos de tudo e de todos e somos surpreendidos no final.

 "O quebra-cabeça está montado e revela uma imagem atormentadora de equívocos. Mentiras. Falta de comunicação entre pai e filho. Enganos. Vingança." (página 337)

 A história é envolvente. A ambientação em São Paulo e na África do Sul é boa. Os problemas familiares retratados lembram os reais. A escrita da autora é fluida e o livro, com cerca de 350 páginas, pode ser rápido de se ler. Há muito mais na trama do que falei no post, mas não posso comentar sobre tudo para não dar spoilers nem atrapalhar a experiência de quem ainda for ler. Enfim, fica a minha recomendação de leitura!

 "A morte pode ser ruim de vários ângulos. Mas é certo que ela significa o fim de muitos males." (página 212)

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 A edição tem uma capa com boa combinação de cores, fontes e imagens, páginas amarelas, boa revisão, diagramação com letras, margens e espaçamento de bom tamanho, fontes diferentes e detalhes no início de alguns capítulos.

 "As resposta vêm quando a gente precisa delas." (página 78)



 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o livro ou a autora? Gostam de romances policiais? Já criaram alguma teoria sobre o responsável pela morte de Danúbio?

Até o próximo post!

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7 comentários

  1. Olá!
    Achei a sua resenha bastante instigante, ainda mais porque eu não conhecia o livro. Fiquei curiosa para saber quem está por trás da morte do garoto e o que seria essa relação com a menina vendida. Por ter sido escrito por uma mulher isso também acaba me atraindo ainda mais, já que estou dando prioridade para autoras. Dica anotada!

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  2. Oi Mari.

    Eu sabia desse livro, mas no ainda não tive a chance de lê-lo. Imagino que dever ser bem interessante pois eu conheço a escrita da autora através dos livros. Vou adicionar na lista de desejado. Parabéns pela resenha e obrigada pela dica.

    Bjos

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  3. Agora fiquei curiosa para saber o que realmente aconteceu com ele e oque essa menina tem de ligação com o personagem. Goste da resenha, achei a premissa incrível e deve ter sido uma leitura bem envolvente.

    Sai da Minha Lente

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  4. Olá, tudo bem? Fiquei bem curiosa com a sua resenha e com certeza é uma obra que vai para a minha lista de desejos! A trama parece ser bem intensa e já quero saber como a história irá se desenrolar.

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  5. Oi, Mari.
    Ainda não conhecia o livro e gostei bastante de saber mais sobre a história e sobre suas impressões. Nem sempre a gente é cativado pelos personagens logo de cara, não é mesmo? Gosto de histórias ambientadas aqui em São Paulo e vou anotar a dica!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  6. Oi, Mari! Achei interessante a premissa do livro, a gente nunca sabe o que esperar de uma história. Personagens que não nos cativam à primeira vista meio que nos fazem querer parar a leitura, mas que bom que vc prosseguiu e pôde se surpreender!
    bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  7. Olá, tudo bem? Interessante a temática do livro, e também fiquei curiosa em ver como as coisas se desenrolariam. Gosto também de narrativas em terceira pessoa, então deve ser a parte que gostarei mais. Já quero conferir mais dos personagens e do enredo, e achei a capa bonita também. Adorei a resenha!
    Beijos

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