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sábado, 3 de setembro de 2016

Resenha: livro "Hot Sul", Laura Restrepo

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "Hot Sul", escrito pela colombiana Laura Restrepo e publicado no Brasil pela Editora Bertrand Brasil em 2016.

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 "- O que quero que saiba, senhor Rose, é que o perigo está por perto. Tem estado vagando por aqui. E talvez tenha entrado nesta casa." (página 324)

 A história é contada basicamente sobre três pontos de vista: o de Cleve Rose, um jovem escritor de histórias em quadrinhos, que foi trabalhar como professor de escrita criativa num presídio feminino chamado Manninpox, o de María Paz, pseudônimo escolhido por uma jovem nascida na Colômbia mas que morava há um bom tempo nos Estados Unidos e que estava presa em Manninpox, e o de Ian Rose, pai de Cleve.

 Cleve procurava estimular suas alunas a escreverem, e foi especialmente importante para María Paz, para que ela pensasse sobre sua história. O rapaz tinha ido morar com o pai para se reaproximar dele, já que, por causa da separação de Ian e de sua esposa, eles ficaram um pouco afastados. A relação dos dois parecia ir bem, até que Cleve morreu (isso acontece bem no começo, no segundo capítulo, então, creio que não vá comprometer a leitura de ninguém). Abalado pela morte do filho, Ian começa a tentar saber mais sobre ele, já que o tempo que passaram juntos foi muito curto, e descobrir mais sobre María Paz, a aluna favorita de seu filho, parece ser uma forma de manter Cleve vivo em sua memória, especialmente quando Ian recebe um manuscrito de María, onde ela conta sobre sua vida na esperança de que Cleve pudesse transformá-lo em livro.

 "É preferível que lhe dê um nome de flor, que disso ela gosta; das flores, das pedras, das árvores, de tudo o que está semeado, preso na terra, o que permanece em seu lugar e não se move nem vai embora. Ponha Violeta, que é uma flor esquiva e temperamental. Assim é ela, minha irmãzinha, tímida, mas terrível. Parecem coisas opostas, tímida e terrível, mas não são, combinam bem com a personalidade da minha irmãzinha. Acho que Violeta lhe cairia bem porque é um nome doce, quase silencioso, e ao mesmo tempo está a apenas um N de violenta." (página 48)

 María tinha uma irmã, Violeta, e um marido que já foi policial, Greg; por que ela teria ido parar no presídio de Manninpox? Qual teria sido o seu crime? Como e quando Ian encontraria María? Durante a leitura, essas questões vão surgindo e se resolvendo, mas o que lhes garanto é que "Hot Sul" é um livro cheio de surpresas, onde é impossível prever como as histórias dos protagonistas vão se encontrar.

 "Em algum momento tiraram minha foto, a famosa foto de frente e de perfil dos presos, e me deram um número, o 77601-012. Eu lhe asseguro, mister Rose, que naquele momento, senti que talvez fosse me salvar. Pelo menos já tinha um número, estava anotada em algum registro e se um dia Violeta perguntasse por mim lhe diriam que não era culpa minha que não tivesse voltado a visitá-la. Se sumirem comigo, pensava, terão de prestar contas a alguém, será aberta uma investigação sobre essa 77601-012 que está em algum lugar.
 A foto que tinham acabado de tirar seria minha garantia de sobrevivência." (página 238)

 O que me fez querer ler "Hot Sul", além do título e da capa interessantes, foi o fato de ter sido escrito por uma autora latino-americana, e eu tenho tentado, sempre que possível, ler mais do que é produzido pelos sul-americanos. O tema da imigração, especialmente para os Estados Unidos, o tal sonho americano de fazer fortuna lá, que muitas vezes é só uma ilusão, e a vida nos presídios também são temas que me interessam e são abordados na obra. Porém, "Hot Sul" foi muito além do que eu esperava; em determinado momento, até parecia que tinha virado uma história de terror (como comentei lá no Instagram, e isso foi bem depois daquela parte, também no segundo capítulo, em que o rosto de um homem é arrancado).

 "Cozinhei com emoção, quase com lágrimas nos olhos, juro, é uma verdadeira cerimônia isso de preparar a sua própria comida em terra estranha, é algo patriótico, como cantar o hino ou içar a bandeira, você sente que aquilo que está fervendo na panela é você mesma, seus antepassados, sua identidade." (página 189)

 Eu gostei do livro e é uma leitura que recomendo; talvez pela resenha eu  não consiga passar a dimensão surpreendente que a história toma, e nem é algo que eu de fato queira fazer, pois quero que vocês também possam se surpreender quando estiverem lendo. Ainda assim, preciso ressaltar que não é um livro que vá ser lido rapidamente, pois é grande, com capítulos longos, e os parágrafos também são extensos (talvez seja uma característica da literatura sul-americana, como acontece em "Cem anos de solidão"). Confesso que, para mim, o clímax da história pareceu chegar antes da hora, fazendo com que uma cena muito aguardada acabasse não sendo tão impactante assim, fiquei querendo algo mais no "embate entre o bem e o mal", algumas palavras ficaram por ser ditas, o capítulo final não foi tudo o que eu esperava. De qualquer forma, reafirmo que é uma leitura interessante por trazer personagens bem construídos (meu preferido é o Ian Rose) e falar sobre o que há de ruim e de bom nas pessoas, com seus sonhos, seu desejo de vingança, seus erros e acertos, sua humanidade.

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 Sobre a edição: capa bonita, páginas amareladas, alguns erros de revisão, margens e espaçamento de bom tamanho e letras um pouco menores do que os últimos livros que li.

 Detalhes: 518 páginas, ISBN-13: 9788528617160, gênero: thriller, Skoob (minha nota: 4/5). Onde comprar online: Submarino, Saraiva.


 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já conheciam o livro ou a autora? Convido vocês para participarem dos sorteios que estão rolando no blog, serão seis livros sorteados, um em cada rede social, para participar é só clicar aqui.



Até o próximo post!

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4 comentários:

  1. Ual! Nunca tinha lido nada sobre a obra, adoreeei o enredo, a leitura parece fluir mto bem, eu qroo!!
    Bjs!

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  2. Oii!

    Não conhecia a autora nem a obra. Me pareceu uma obra bem interessante. E a capa é linda!

    Beijos!

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  3. oLÁ
    eU ACHO QUE JÁ DISSE QUE VC É UMA RESENHISTA INCRÍVEL!
    e MESMO VC ACHANDO QUE NÃO CONSEGUIU PASSAR EXTAMENTE O QUE QUERIA. jÁ QUERO LER.
    bJS

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  4. Oi Mari!
    A história parece ser interessante mas não faz muito meu estilo de leitura, ainda mais por ser uma leitura mais dificil e pesada. Mas achei interessante saber um pouco mais sobre a obra.

    Beijos
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br

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