terça-feira, 27 de setembro de 2016

Resenha: livro "Cobra Norato", Raul Bopp

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro "Cobra Norato", poema escrito pelo Raul Bopp, "texto emblemático da primeira fase do modernismo brasileiro", publicado pela primeira vez em 1931 e que tem sua trigésima edição lançada em 2016 pela Editora José Olympio.

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 Creio que todo mundo já ouviu ou ainda vai ouvir falar na escola sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, o Movimento Antropofágico, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade... "Cobra Norato" é uma obra dessa época e, por ter visto algo sobre ela na escola, decidi lê-lo assim que tive a oportunidade.

 A história gira em torno de Cobra Norato, um ser lendário, uma cobra que atravessa a floresta em busca de sua amada, a filha da rainha Luzia. Não se sabe muito sobre ele, apenas sobre o que ele encontra em seu caminho na procura da filha da rainha Luzia. É uma leitura que pode ser feita em poucas horas, devido ao pequeno número de páginas. Não traz uma história marcante, bem construída ou inesquecível para mim, é um poema sem rimas e que foge de métricas ou formatos exatos. O que gostei em "Cobra Norato", foi como, durante a leitura, era possível visualizar as cenas com clareza, como se eu estivesse ali, junto com "Cobra Norato", vendo as árvores, os rios, me senti na floresta! Acho que isso é o que busco em qualquer leitura: ser conectada ao que estou lendo, e por isso e por ser um clássico nacional, valeu a pena ler o poema de Raul Bopp.

 Os extras que essa edição traz são de grande ajuda para contextualizar e complementar o entendimento da leitura, os textos das orelhas (que mostram de quais lendas vieram a inspiração para Bopp escrever seu poema e o que o levou a se interessar pelas temáticas da floresta), informações sobre o autor e uma entrevista com ele, onde foi possível relembrar de onde a denominação Movimento Antropofágico surgiu (basicamente com uma intervenção de Tarsila num discurso de Oswald sobre as rãs e a evolução das espécies em pleno restaurante).

 "-Vocês estão condenadas a trabalhar sempre sempre
 Têm a obrigação de fazer folhas para cobrir a floresta" (página 22)

 "- Se não sabem a lição vocês têm que ser árvores" (página 22)

 "Uei! Aqui vai passando um riozinho
 de águas órfãs fugindo
 - Ai glu-glu-glu
 Não-diz-nada pra ninguém
 Se o sol aparece ele me engole

 - Então mande chamar a chuva compadre

 Há gritos e ecos que se escondem
 aflições de falta de ar
 Árvores corcundas com fome mastigando e estalando
 entre roncos de ventres desatufados" (página 40)

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 A nova edição da José Olympio está bem bonita, com uma capa de cores vibrantes, páginas amareladas, boa revisão, diagramação com letras, margens e espaçamento de bom tamanho. Há algumas ilustrações de Ciro Fernandes.

 Detalhes: 96 páginas, ISBN-13: 9788503005289, Skoob. Onde comprar online (edição antiga): AmericanasSubmarino.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado do post. Quem aí já leu "Cora Norato"?

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Até o próximo post!

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10 comentários:

  1. Olá Mari!
    Gostei mto dessa obra, eu já tinha ouvido fla, mas nunca li resenhas, me agradou mto...
    Fiquei curiosa pra saber se Cobra Norato encontra sua amada!
    Bjs!

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  2. Oi, nunca li esse livro e na verdade acho que não havia nem ouvido falar hahaha. O problema é que não curto muito poemas, sabe? Não é algo que chame minha atenção. Mas, caso tenha a oportunidade um dia, darei uma olhadinha nesse livro. Beijos :)

    ourbravenewblog.weebly.com

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  3. Oi Maria!
    Devo admitir que nunca tinha ouvido falar sobre esse livro. Mas fiquei bem surpresa que é um livro da época da semana de arte moderna, ao contrário de você nunca o mencionaram pra mim na escola. Não gosto muito de ler livros do gênero e não fiquei muito curiosa pra lê-lo, mas gostei do fato dele ter conseguido fazer você se conectar. É muito bom quando um autor consegue fazer isso!
    Gostei bastante da capa e adorei que tem ilustrações.
    Beijos

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  4. Oie

    Eu não conhecia o livro antes do post e achei tão interessante, fiquei muito curiosa pra saber o que aconteceu no final, se encontrou a amada.
    Gosto de livros nesse estilo e com certeza já estou levando a dica.
    Outra coisa que gostei é que tem ilustrações.

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  5. Oii
    apesar de gostar muito do tema "semana de arte moderna de 1922" acredito que ele não é abordado como deveria nas escolas e saímos sem muita informação. Ainda bem que existem blogs como o seu que contextualizam uma obra literária além de resenhá-la. Achei legal sua opinião sobre o livro, a questão de se conectar com a obra, e o tema do história também parece interessante, mas poemas, ainda mais sem rimas ou métricas, não fazem o meu estilo de leitura, então provavelmente não leria esse livro :/
    livroslapiseafins.blogspot.com.br

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  6. Olá,
    Achei bem interessante você apresentar uma contextualização da obra e então resenha-la.
    Não sou muito de ler poemas porque acredito não conseguir captar a essência deles e sempre parece que está faltando alguma coisa.
    Adorei sua opinião acerca da obra e achei a diagramação muito bonita.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  7. Bem, não fiquei interessada na obra, achei interessante o enredo, mas um tanto confuso e com pouco impacto, não fiquei realmente curiosa em conhecer mais de Cobra Norato, talvez seja pelo fato de que não sou o tipo de leitura para esse livro, mas foi bom ler sua opinião, só acho uma pena que não tenha me interessado, mas quem sabe dando uma chance futuramente, eu mude de ideia? A edição está bem legal!

    http://www.daimaginacaoaescrita.com/

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  8. Olá, Maria! Eu não conhecia o livro e também nunca li nada da autora. Me pareceu uma história interessante, o cenário, o fundo histórico... porém não chega a me atrair para a leitura. No entanto é bem interessante mesmo quando nos sentimos conectadas a uma leitura, e imagino que isso tenha sido muito bom pra você! parabéns pela resenha!

    Bjs
    Yohana Sanfer
    http://www.papelpalavracoracao.com.br/

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  9. Maria, como você mesmo disse não parece ser o tipo de livro que arrebata a gente, mas parece ser uma boa leitura para sair de uma ressaca literária.
    Achei legal e fiquei interessada nesse poema sem rima. :)

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  10. Oi Marijleite, sua linda, tudo bem?
    Eu já fiz uma pesquisa sobre a semana da arte moderna e descobri esse poema. Ainda não tive a oportunidade de ler, pois confesso que embora tenha ficado curiosa, não faz meu gênero de leitura no momento. Se estivesse sendo trabalhado em sala de aula, acho que ficaria mais empolgada. Gostei muito da sua resenha e achei bem diferente a sua dica.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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