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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Resenha: livro "O Voo da Bailarina", Michaela DePrince e Elaine DePrince

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "O Voo da Bailarina", escrito por Michaela Deprince e Elaine Deprince e publicado no Brasil em 2016 pela editora BestSeller.

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 Mabinty Bangura nasceu em 1995 em Serra Leoa. Ela teve sorte em nascer na casa da direita e não na casa da esquerda (onde morava seu tio que batia em suas esposas e filhas). Na casa da direita, ela foi  recebida com amor e vista como uma benção por seu pai e sua mãe, mesmo tendo nascido com vitiligo (causa de suas manchas pelo corpo). Ela continuo tendo sorte quando seu pai a viu como uma pessoa, um ser humano que merecia o melhor, que merecia poder estudar e desenvolver todas as suas potencialidades (se tivesse nascido na casa da esquerda, seria vista como uma mercadoria que só daria lucro quando se casasse e rendesse um dote, não precisando saber mais do que as tarefas domésticas).

 A sorte de Mabinty pareceu acabar quando seus pais morreram por causa da guerra civil que acontecia no país, ela foi levada pelo tio para um orfanato, onde passou a ser a número 27. Entre outras coisas, ser a número 27 queria dizer que haviam 26 outras crianças que se alimentariam antes dela. Nesse orfanato, ela conheceu outra Mabinty, que viria a se tornar muito mais do que sua melhor amiga.

 "Aquela foto era minha única esperança. Era minha promessa de uma vida melhor em algum lugar longe de toda essa loucura." (página 71)

 No tempo em que viveu no orfanato, Mabinty viu coisas terríveis que uma criança jamais deveria ver. Mas foi lá que ela encontrou algo que lhe daria esperança: um pedaço da capa de uma revista onde estava a foto de uma bailarina, a imagem encantou a garota e tornou-se o seu amuleto. A vida dela mudou novamente quando as crianças do orfanato tiveram que fugir e apressar sua ida para lares adotivos nos Estados Unidos.

 "Ela havia me defendido, protegido,  assim como minha mãe africana teria feito. Ela era minha mãe a partir de então, e me aninhei em seu braços. Fazia muito tempo que não me sentia protegida." (página 85)

 No novo país, Mabinty foi morar na casa de Elaine DePrince, uma mulher que, junto com o marido, resolveu adotá-la, assim como adotou outras crianças africanas, apesar de já ter filhos biológicos adultos. Nos Estados Unidos, Mabinty adotou um novo nome: Michaela, e finalmente teve possibilidade de realizar o seu sonho de ser bailarina. Para se tornar uma bailarina clássica, Michaela teria que começar cedo e se esforçar muito, como todas as bailarinas, e um pouco mais, por ser negra, e o balé clássico ser uma área onde há poucas negras. Michaela venceu e continua vencendo o preconceito e o racismo para viver o seu sonho e trabalhar com a sua arte, e sua história é inspiradora!

 "Minhas amigas bailarinas se divertem com isso. Nós somos todas parecidas: magras, pernas compridas, coques e, por causa da rotação dos quadris, nossos pés apontam para fora. Por que as pessoas presumem que elas são bailarinas enquanto eu seria uma dançarina de hip hop?" (página 136)

 "O Voo da Bailarina" é a história real de Michaela, contada por ela própria e sua mãe, e creio que o principal motivo que meu levou a ler o livro e o motivo dele ter sido escrito são os mesmos: representatividade! Para quem não sabe ou não entende a importância da representatividade, vou dar um exemplo que usei com meu irmão: imagine que na sua cidade, um representante de cada bairro seja chamado pela prefeitura para dizer quais melhorias o bairro precisa, todos os bairros tem representantes convidados para se reunir na prefeitura, menos o seu, o seu bairro fica de fora, e você acha que qual é a chande de esses outros bairros falarem por você, buscarem melhorias para o seu? Seriam chances remotas, não? Aí está a importância da representatividade, de ter voz assim como todos os outros.

 E Michaela vem para dar voz e esperança as meninas negras, órfãs, nascidas num país em guerra civil, numa sociedade onde a mulher é desvalorizada, e posteriormente, para dar voz as famílias onde há adoção, onde o amor e o respeito falam mais alto que os laços de sangue, para falar contra o preconceito e o racismo, para mostrar que a cor da pele de uma pessoa é só cor, nada mais do que isso (e que se a pela dela for diferente por causa do vitiligo, ainda assim ela não merece ser discriminada), que os estereótipos tem que ser quebrados! Até eu que me considero mais desconstruída, aprendi muito lendo "O Voo da Bailarina", além de ter passado a admirar e compreender mais o balé.

 "'Eu não sabia que os brancos vinham em cores diferentes, como os gizes de cera da professora Sarah', sussurrei no ouvido de Mabinty Suma." (página 59, Michaela ao ver mulheres brancas pela primeira vez)

 Algumas pessoas dizem que não gostam de biografias, talvez por pensarem que encontrarão um texto sem emoção, cheio de datas, mas pelas últimas biografias que li, posso garantir para vocês que os livros do gênero não são assim! "O Voo da Bailarina" foi uma leitura rápida e muito fluida, muito fácil de se fazer. Gostei do fato de todas as minhas perguntas serem respondidas no momento certo. E mais de uma vez, senti meus olhos se enxerem d'água, me emocionei, foi difícil segurar as lágrimas, mas elas não eram de tristeza. Eram de gratidão.

 "Esse é o meu papa. Ele sempre hesita nas pequenas coisas, por exemplo, que tipo de cereal comprar no supermercado; mas, quando se trata de decisões grandes e importantes como uma adoção, ele responde imediatamente com seu coração aberto e generoso." (página 116)

 Gratidão é o que fica após "O Voo da Bailarina", gratidão e admiração, por existirem no mundo pessoas como Elaine DePrince e seu marido Charles. Não foi só uma, mas cinco meninas africanas que eles adotaram! E dá para perceber que eles não eram milionários, nem tinham uma vida sem sofrimentos, o que eles tinham era amor de sobra pelas pessoas, o suficiente para poder fazer o melhor por elas. Talvez algumas pessoas se questionem se levar essas crianças para outra país foi realmente o melhor, no caso de Michaela foi sim, foi a possibilidade de viver ao invés de morrer. E Michaela compreendeu logo qual era a sua missão na terra, além de viver seu sonho, a missão de mostrar caminhos para outras pessoas.

 "Eu sabia que, na condição de aprendiz na ABB, levaria o ballé para milhares de pessoas em todo o norte de Nova Inglaterra, e poderia mostrar ao meu pedaço de mundo que as meninas negras podem ser bailarinas também." (página 194)

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 Sobre a parte visual: capa linda, ótima escolha de tipos de letras, cores e imagem. Páginas amareladas, boa revisão, diagramação com margens, espaçamento e letras de bom tamanho. No meio do livro há algumas páginas com um papel diferente, onde estão fotos da vida de Michaela, que ajudam a complementar a compreensão da obra. Um excelente trabalho da editora BestSeller!

 "Certa vez, perguntei a mamãe:
 'Como vou saber se um menino me ama?'
 Ela disse:
 'Ele vai ser seu amigo e fazê-la feliz. Vai lhe dar espaço e ser fiel a você. Vai respeitar suas escolhas. Vai deixar você voar e não tentará cortar suas asas." (página 235)

 Enfim, fica aqui a minha recomendação, o meu pedido, para que vocês leiam "O Voo da Bailarina", independentemente de a qual público leitor você pertença. E, se possível, presenteie com o livro alguém que precisa de esperança, que precisa acreditar na vida e descobrir que, por mais obstáculos que surjam, sempre podemos fazer algo para que ela valha a pena!

 Detalhes: 372 páginas, Skoob (dei CINCO ESTRELAS e favoritei ele). Onde comprar online: SubmarinoAmericanas. FICA A DICA para quem vai participar da #MLI2016: a quarta semana da maratona literária tem como tema a diversidade, dá tempo de comprar o seu exemplar de "O Voo da Bailarina" para ler nessa semana.

 Por hoje é só, me contem: gostaram da resenha? Já conheciam o livro ou as autoras? Qual característica de Michaela mais chamou a sua atenção?

Até o próximo post!

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9 comentários:

  1. Que livro maravilhoso, ou pelo menos, com sua resenha eu fiquei simplesmente apaixonado pela história e todo esse enredo que é bem envolvente. E sobre a representatividade, amei demais a sua explicação e até pouco tempo eu sabia o que era, mas não conseguia explicar, graça a umas aulas eu acabei aprendendo.
    E no momento que eu me encontro, seria uma boa leitura para mim O voo da bailarina, vou procurar depois e com certeza comprarei para ler o mais rápido possível.
    https://leitorironico.wordpress.com/

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  2. Oiee

    Que lindo esse livro! Eu adoro histórias reais e essa é tocante.
    Lindo gesto da parte desse casal, realmente gratidão é uma palavra muito bonita e se encaixa bem aqui.
    A capa é maravilhosa! Fiquei com muita vontade de conhecer mais da Michaela.

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  3. Oiee ^~
    Eu estou de olho nesse livro desde que o vi como lançamento no catálogo da editora, mas não sei por que não o pedi *-* Acho que eu não imaginava que ele fosse assim tão incrível, e um baque também, né. É bom ler livros assim de vez em quando, onde conhecemos pessoas tão boas que fazem a diferença na vida dos outros, né? O mundo precisa muito disso, e nós também.
    MilkMilks ♥

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  4. hey, gostei da resenha, o livro parece ser muito cativante,achei a sinopse muito linda ao passo de me dar vontade de ler, parabéns!

    Arthur - literando total
    literandototal.blogspot.com.br

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  5. Oi..
    Ah, que lindo! Adoro livros assim.
    Sua resenha está perfeita, destacou pontos importantes.
    bjs

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  6. Olá,

    Já havia visto esse livro mas não sabia que se tratava de uma história tão profunda. Gostei muito da sua resenha, realmente deu para sentir as emoções da obra e o que esperar do livro. Com certeza vai entrar para a minha lista de leituras.

    Abraços
    oblogcaentrenos.blogspot.com.br

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  7. Olá Maria,
    não conhecia o livro e não, não leio biografias. Nada contra, só gosto de saber que aquilo não é real, então é muito estranho o fato de ter me interessando pela história.
    Parece ser uma história maravilhosa e de muito amor. Ótima resenha.

    Bjs!
    Fadas Literárias

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  8. Ooi! Que história emocionante, não é? No início fiquei meio desconfiadoa que seria uma biografia, e vejo que acertei rs Gostei muito da resenha e do último quote \o/ Ela é uma verdadeira lutadora e batalhadora, que não se deixou parar de sonhar. Parabéns pela resenha ^-^
    Bjs

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  9. Caramba, que livro incrível. Gosto bastante de histórias reais assim, densas e tocantes. Mesmo que me faça chorar horrores, pois sou manteiga derretida, adoro livros assim, com mensagens e lições importantes. Fora que a capa é belíssima. Adorei!
    Bjks

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